"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

domingo, 28 de maio de 2006

Fanatismo é minoria no islamismo

Muçulmanas oram pela paz depois do 11/9

A ligação entre a carnificina provocada pelos terroristas muçulmanos e as raízes verdadeiras da fé islâmica é o maior problema enfrentado nos dias atuais pela religião mais praticada do planeta. Dezenas de milhões de pessoas, em especial no Ocidente, confundem o islamismo com uma prática religiosa radical e raivosa, que convoca seus seguidores a matar inocentes, permite (e recompensa) o suicídio em nome de Deus e não tolera crenças diferentes. De acordo com a esmagadora maioria dos especialistas, religiosos e fiéis, contudo, a verdadeira face do Islã é exatamente oposta: a de uma fé que estimula o entendimento e desencoraja o conflito.
A própria origem do termo Islã - ou "rendição", em árabe - está ligada à palavra salam, que significa "paz". O fundador do islamismo, o profeta Maomé, dedicou sua vida à tentativa de promover a paz em sua terra, a Arábia. Antes do Islã, as tribos árabes estavam presas num círculo vicioso de ataques, revides e vinganças. O próprio Maomé e seus primeiros seguidores escaparam de dezenas de tentativas de assassinato e de uma grande ofensiva para exterminá-los em Meca. O profeta teve de lutar, mas em nome da própria sobrevivência - quando acreditou estar a salvo, passou a dedicar-se exclusivamente à reconciliação das tribos, através de uma grande campanha ideológica de não-violência. Quando morreu, no ano de 632, a meta havia sido cumprida - e justamente em função de seus ensinamentos sobre paz e tolerância.
Leia mais em:

Desfile de Cristina Cordeiro no Lago Sul

No próximo dia 09 de junho, a partir das 21 horas, a Casa Hum, no Polo Verde do Lago Sul (próximo à ESAF) estará realizando um desfile show da Cristinna Cordeiro (estilista cearense/brasiliense/carioca) acompanhado de show de Márcio Montarroyos (trompetista) e Renato Vasconcellos (teclados).

Será uma noite inesquecível, sob vários aspectos.

O Bistrô da Casa Hum estará aberto para os que quiserem jantar após o desfile.

Confirmar presença em casahum@terra.com.br

DOIS DEBATES INTERESSANTES SOBRE AS ELEIÇÕES NO DF

O PPS - Partido Popular Socialista, dando prosseguimento aos debates periódicos que realiza - "Conferências Políticas" - e com a intenção de discutir as possíveis alianças eleitorais que vêm sendo noticiadas pela imprensa, estará realizando nas próximas segunda e terça-feira, dois debates. Os eventos serão feitos na próxima segunda dia 29 e terça dia 30.

TEMA: ELEIÇÕES NO DF

PALESTRANTES: PROF. DAVID FLESCHER E AGNELO QUEIROZ, NA SEGUNDA FEIRA E RICARDO CALDAS E JOSÉ ROBERTO ARRUDA NA TERÇA FEIRA.

Início dos trabalhos às 19:00 horas, impreterivelmente, na sede do partido, no CONIC

Pela informação, Amauri Pessoa - presidente regional

CONVITE CULTURAL

Roda Viva - segunda-feira, 29 de maio de 2006 às 22h30

Roberto Jefferson
Advogado

Em 2005 ele modificou o ambiente em Brasília e detonou a maior crise política do Governo Lula. A sua "metralhadora giratória" de denúncias repercutiu e resultou em investigações e CPIs. Quase doze meses depois, o Governo sofreu mudanças, a oposição modificou a postura, deputados renunciaram e outros foram cassados, inclusive ele.
Ex-presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro, Roberto Jefferson perdeu o seu sexto mandato de Deputado Federal após as denúncias. Advogado criminalista, com longa experiência em tribunais e também no plenário da Câmara, Jefferson foi acusado de participar do suposto esquema de corrupção nos Correios.

Participam como convidados entrevistadores: Renata Loprete, editora do Painel do jornal Folha de S.Paulo; Carlos Marchi, repórter e analista de política do jornal O Estado de S.Paulo; Alexandre Machado, editor de política da TV Cultura; Dácio Nitrini, jornalista; Rudolfo Lago, editor especial da revista ISTOÉ, em Brasília.

Apresentação: Paulo Markun

Acesse o Contas Abertas

Você sabia?

- Que em 2004, a União gastou R$ 91,4 milhões com "Cópias e Reprodução de Documentos"? E que este valor é superior a todos os dispêndios com o programa de "Reaparelhamento e Adequação da Marinha do Brasil" (R$ 785,1 milhões)?
- Que os gastos da União com o pagamento de taxas de condomínio de edifícios alugados para abrigar diversos órgãos do governo atingiram R$ 47,8 milhões em 2005? Essa conta cresceu 50,8% de 2001 até agora. Com o dinheiro gasto no ano passado, o governo poderia construir pelo menos 2.811 casas populares entre 30 e 35 metros quadrados para a população mais carente.
- Que manter um presidiário no Brasil onera os cofres da União em aproximadamente R$ 18 mil por ano? De acordo com estimativas do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), cada presidiário custa em média, de R$ 1.000 a R$ 2.000 por mês, o equivalente a mais de quatro salários mínimos, fixados em R$ 350,00. Um estudante das instituições públicas no país custa a metade desse valor. Segundo pesquisa feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), um estudante universitário custa aproximadamente, R$ 790 por mês e R$ 9.488,00 por ano.
- Que até o início de dezembro de 2005, as despesas totais da União com publicidade superaram em R$ 27 milhões os investimentos em saúde (construção de hospitais e postos de saúde, compra de equipamentos, etc) e em R$ 12 milhões os investimentos em educação (construção de escolas, instalações, etc)?
- Que o Judiciário gastou no ano passado R$ 9 milhões com gêneros alimentícios e materiais de copa e cozinha? A quantia parece pequena diante do orçamento de R$ 20,3 bilhões, incluindo os restos a pagar de exercícios anteriores, mas equivale ao total de investimentos do Fundo Nacional de Segurança Pública - FNSP em 9 estados brasileiros em 2005. Só na compra de materiais de limpeza foram mais R$ 3,4 milhões. A verba é maior que os R$ 2,8 milhões gastos pelo programa de desenvolvimento tecnológico do setor de energia brasileiro do Ministério de Minas e Energia.

Tudo isso pode ser visto no site www.contasabertas.com.br que "decifra" os dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira da Secretaria do Tesouro Nacional) e publica em linguagem fácil as prestações de contas. A equipe que produz o site possui especialistas em entender a infinidade de números nas confusas planilhas que são apresentadas pela União e pelo GDF. Além disso, há dicas de como cada pessoa pode fiscalizar seu município. Vale a pena conferir!

CONVITE AOS AMBIENTALISTAS

No próximo dia 30 de maio, às 14:30h haverá a 3ª Reunião Ordinária do Pré-Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Bartolomeu, e eleição da Associação dos Amigos e Protetores da Micro Bacia do Rio Paranoá e dos Ribeirões Sobradinho e Rajadinha e Tributários da Bacia Hidrográfica do São Bartolomeu que se realizará no no Auditório da Administração Regional do Paranoá.
Informações: SAF/GAB/RA-VII Fone: 3369 7109

quarta-feira, 24 de maio de 2006

LAGO SUL NÃO!

Por Fábio Santa Cruz

Acabei de presenciar algo chocante no DF TV (da Rede Globo). Foi dito que a Administradora Regional do Varjão morava no Lago Sul. Ela, que estava sendo entrevistada, reagiu imediatamente dizendo que não era verdade. Ela não mora no Lago Sul. Mora na Asa Sul.

Putz ! A Administradora Regional do Varjão não é do Varjão ! É moradora da Asa Sul! Será que, algum dia, no Novo Gama, em Águas Lindas ou na Cidade Ocidental teremos prefeitos que morem em Taguatinga, no Guará ou na Asa Norte ? NÃO ! Porque nestas cidades o prefeito é ELEITO e jamais a população de qualquer cidade será tão estúpida a ponto de eleger um prefeito que não more lá no município.

Fatos como esse do Varjão se devem ao triste fato de ainda termos aqui no DF Administradores Regionais NOMEADOS. Eu duvido que a população do Varjão elegesse aquela moça (ou qualquer outra pessoa que não morasse lá mesmo no Varjão) como a sua Administradora Regional.

É uma afronta tão escandalosa à democracia que chega a ser revoltante.

ELEIÇÃO DIRETA DOS ADMINISTRADORES REGIONAIS JÁ ! Porque é um direito nosso ! (é direito nosso mesmo: vide Lei Orgânica do DF, artigos 10 e 12).

Com indignação,
FÁBIO SANTA CRUZ, PPS-DF.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Como fazer a tecnologia ajudar o crescimento?

Há 50 anos, Robert Solow publicou o primeiro de dois artigos sobre crescimento econômico que lhe renderiam o Prêmio Nobel. Celebrado e experiente, era por isso uma escolha natural para participar de uma comissão sobre crescimento anunciada no mês passado pelo Banco Mundial,que pesará e filtrará o que se sabe sobre crescimento, e o que deve serfeito para estimulá-lo. Natural, exceto para quem leva a sua contribuição de 1956 ao pé da letra. Isto por que, pelo modelo que ele delineou naquele artigo, as tentativas dos formuladores de política de elevar a taxa de crescimento per capita são em última análise fúteis.

Um governo ansioso por forçar o ritmo do avanço econômico poderá ser tentado a promover campanhas de poupança, cortes de impostos,subsídios a investimentos ou até controles populacionais. Como resultado dessas medidas, cada membro da força de trabalho poderá contar com maiscapital para trabalhar. Mas esse processo de aprofundamento de capital,como os economistas o chamam, depara-se no fim com retornosdecrescentes. Dar um segundo computador a um trabalhador não dobrará asua produção.

O acúmulo por si só não consegue gerar progresso duradouro,como mostrou Solow. O que consegue? Qualquer coisa que permita àeconomia agregar à produção, sem necessariamente acrescentar maismão-de-obra e capital. Solow rotulou essa fonte de riqueza de "progressotecnológico" em 1956, e mediu a sua importância em 1957. Mas ele nãoexplicou em nenhum artigo de onde ele veio ou como ele poderia seracelerado. Invenção, inovação e ingenuidade eram influências "exógenas",fora do âmbito da sua teoria. Para práticos homens de ação, o modelo deSolow era uma provocação impossível: o que ele iluminava nãointeressava; e o que realmente interessava, ele pouco ajudava ailuminar.

A lei de retornos decrescentes exerce grande influênciasobre a imaginação econômica. Mas o escrito não ficou inconteste. Umnovo e fascinante livro, "Knowledge and the Wealth of Nations"(conhecimento e a riqueza das nações), de David Warsh, conta a históriada ciência econômica rebelde dos retornos crescentes. É o melhor livrodo gênero desde "Capital Ideas", de Peter Bernstein.

O retorno decrescente assegura que as empresas não conseguemcrescer demais, o que preserva a concorrência entre elas. Isso, por suavez, permite à mão invisível do mercado realizar a sua mágica. Mas, comodiz Warsh, a lealdade que os economistas demonstram a esse princípio étão matemática quanto filosófica. É fácil para os economistas navegar natopologia dos retornos decrescentes: uma paisagem de gradientesdeclinantes e picos isolados, livre das crateras e fendas traiçoeirasque poderiam lhes armar uma cilada.

O herói da metade final do livro de Warsh é Paul Romer, daUniversidade Stanford, que aceitou o desafio deixado por Solow. Se oprogresso tecnológico dita a expansão econômica, que tipo de lógicaeconômica governa o avanço tecnológico? Numa série de estudos, queculminou num artigo no "Journal of Political Economy" em 1990, Romertentou tornar a tecnologia "endógena", para explicá-la nos termos do seumodelo.
Ao fazer isso, dirigiu o crescimento para fora do confortávelbeco sem saída no qual Solow tão bem o estacionara.

Essa escapada exigia uma manobra de três pontos. Primeiro,Romer presumiu que idéias são mercadorias - de um tipo particular. Asidéias, ao contrário das coisas, são "não-rivais": todos podem usaralgum projeto, receita ou plano ao mesmo tempo. Essa manobra noargumento conduziu à segunda: a produção de idéias permite crescentesretornos de escala. Caras de produzir, elas são baratas, quase semcusto, para reproduzir. Assim, o custo total de um projeto não mudamuito quer seja usado por uma pessoa ou por um milhão.
Abençoada com retornos crescentes, a produção de idéias podeparecer um bom negócio, no qual compensa entrar. Na verdade, é o oposto.Não compensa, pois a concorrência enxuga o preço de um projeto até ocusto desprezível de reproduzi-lo. A menos que fábricas de idéiasdesfrutem de alguma forma de monopólio sobre seus projetos(patenteando-os, registrando direitos autorais ou mantendo-os emsegredo), não conseguirão cobrir o custo fixo de inventá-los. Este é oponto final na nova teoria do crescimento de Romer.
Que orientação essa teoria oferece a formuladores depolítica, como a comissão do Banco Mundial? No modelo de Solow, segundouma caricatura comum, a tecnologia cai do céu, não deixando muita opçãoalém de rezar. Já a teoria de Romer exige uma resposta mais material:educar as pessoas, subsidiar as pesquisas, importar idéias do exterior,avaliar cuidadosamente a proteção oferecida à propriedade intelectual.
Mas os formuladores de política precisam do modelo de Romerpara saber da importância disso? Solow levantou dúvidas. Apesar dacaricatura, ele não quis negar no seu modelo de 1956 que a inovação égeralmente obtida a um alto preço e movida a lucro. A questão era saberse é possível dizer algo de útil sobre esse processo no nível daeconomia como um todo. Em particular, Solow alerta que algumas das"conclusões mais poderosas" da nova teoria do crescimento são"imerecidas", pois fluem a partir de pressuposições poderosas.

Num ponto do livro de Warsh, Romer é citado comparando aconstrução de modelos econômicos a escrever poesia. É um triunfo formartanto conteúdo. Esse economista criativo não descobriu nada novo sobre omundo com seu artigo de 1990 sobre crescimento. Mas ele ampliou o planométrico e rítmico da ciência econômica para capturar um mundo - aeconomia do conhecimento - expresso até então só no mais vago tipo deverso burlesco. É assim que a ciência econômica progride. Infelizmente,ela não ajuda as economias, em si e por si, a fazerem progresso.

The Economist - 22/05/2006

Ato pede reformas contra a corrupção

De ex-militante petista a representantes do movimento integralista. Tinha de tudo na passeata que parou a Avenida Paulista, em São Paulo, ontem à tarde. Durante duas horas e meia, pelo menos 3 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram da manifestação que, oficialmente apartidária, exigiu reformas e o fim da corrupção no País.

Organizados pela internet por meio do Movimento Reforma Brasil, os manifestantes atenderam à convocação para o chamado Dia da Dignidade Nacional. Saíram da Praça Oswaldo Cruz pouco antes das 16 horas e, ocupando duas faixas de trânsito, atravessaram a Paulista até a Rua da Consolação. Em seguida, retornaram à Paulista e encerraram o protesto em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), depois de causar congestionamento em todo o trânsito da região.

Vestidos de preto, com rostos pintados de verde e amarelo elevando bandeirolas do Brasil, os manifestantes atraíram a curiosidade dos paulistanos que tentavam esquecer a violência da semana na cidade. O protesto motivou simpatia e, também, desconfiança. 'Quem será que está por trás dessa gente?', perguntou o taxista José Onório Fontes, de 42anos.

Difícil saber apenas acompanhando a passeata. Dezenas de faixas e cartazes cobrando ética e o fim da impunidade. Outras lembravam os escândalos do mensalão e das ambulâncias e a falta de credibilidade do Congresso. Entre os manifestantes, a maioria era da classe média, de diferentes faixas etárias. Havia pessoas de todas as cores partidárias, empresários, fazendeiros, sociólogos. Representantes do Movimento Integralista e Linearista, do Instituto Federalista e defensores do voto nulo. De consensual, apenas as palavras de ordem: 'Fora, ladrões'. 'Estamos aqui porque não dá mais. Não sabemos em quem votar, nem para onde vamos', resumiu o engenheiro de alimentos Humberto Abrami Filho, que tem 51 anos e, durante 21, foi filiado ao PT. 'Precisamos de mudanças', completou a empresária Itajira Figueiredo, de 47 anos.

O jornalista Jorge Serrão, de 40 anos, e o vendedor RodrigoPetinari, de 26, estavam entre os organizadores. 'Queremos uma grande reforma no sistema eleitoral, tributário, judiciário e a reforma agrária. Somos um movimento de bem', explicou Serrão. Segundo ele, a sociedade tem de esboçar uma reação a tudo que acontece no País, independentemente de partidos de esquerda, centro ou direita. 'A discussão que propomos é séria e profunda.'

O Dia da Dignidade Nacional foi organizado em outras 21 cidades. No Rio, munidos de apitos e narizes de palhaço, cerca de 200 pessoas fizeram passeata na Cinelândia, em defesa da 'dignidade nacional'. O evento foi motivado pelo 'cenário político do País, onde surge um novo escândalo por semana', segundo a estudante de direito Glauce dos Reis, de 22 anos, uma das organizadoras. 'Hoje somos poucos, mas as diretas-já e o movimento que terminou no impeachment do Collor também eram. O importante é que as pessoas tenham espaço para dizer o quanto estão indignadas', disse Glauce.

O evento reuniu atrizes como Christiane Torloni e LúciaVeríssimo, parentes de vítimas da violência, funcionários da Varig e servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). 'Chegamos no limite. Nossa dignidade está em jogo. É indo para a rua que a gente modifica as coisas', disse Christiane.

Oficialmente apartidário, o protesto no chamado Dia da Dignidade Nacional foi organizado em 22 cidades do País.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

PRONUNCIAMENTO DAS OTÔRIDADE

FRASE DO DIA

"No fundo, no fundo, o problema é que este país optou por ser uma cleptocracia dirigida por mediocratas aparelhados, porque apadrinhados pelos "donos do pudê". Ou libertamos o Estado desse tipo de gente, ou estamos condenados a ser o que somos: SUBDESENVOLVIDOS!"

Jefferson Boechat

Em 12 horas, polícia mata 33 suspeitos em SP

Enviado por Josias de Souza às 02h49 de 17 de maio:

Na madrugada de segunda para terça-feira, período em que os confrontos de rua amainaram em São Paulo, mercê da ordem expedida da cadeia por líderes do PCC, a polícia paulista matou 33 suspeitos de envolvimento com os ataques patrocinados pelo crime organizado. A ação é descrita pelo repórter André Caramante (para assinantes da Folha). O texto começa assim: "Na guerra declarada à facção criminosa PCC, a polícia de São Paulo matou 71 pessoas. Apenas entre a noite de segunda-feira e a manhã de ontem, em cerca de 12 horas, foram 33 mortes.

Apesar de não revelar a identificação dos mortos, a Secretaria da Segurança Pública afirma que todos eles tinham ligação com o grupo criminoso ou estavam relacionados diretamente aos atentados nos últimos dias.

Na noite de segunda, quando o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, fez um pronunciamento em que pediu calma à população, o número de pessoas mortas sob a acusação de participação em ataques às forças de segurança era de 38. De segunda para terça, em pouco mais de 12 horas, houve um aumento de 87% nas mortes cometidas pelas polícias em todo o Estado de São Paulo.

Ainda segundo o governo, até segunda-feira 91 pessoas haviam sido presas por suspeita de ligação com a onda de violência; ontem, esse número era de 115. Isso significa que as polícias, em apenas 12 horas, realizaram 21% do total de prisões efetuadas em todos os dias anteriores de violência (sexta, sábado, domingo e segunda), enquanto as mortes subiram 87%.

Segundo a contabilidade oficial, os mortos já chegam a 115 (71 acusados de ligação com a facção, 23 PMs, seis policiais civis, três guardas municipais, oito agentes penitenciários e quatro cidadãos). Em rebeliões, houve 17 mortos, o que totalizam 132.

Desde domingo, a Folha pede à Segurança Pública a lista completa com os nomes e a ficha criminal das pessoas que, segundo o próprio órgão, tinham participação nos ataques e foram mortas pela polícia. Até a conclusão desta edição, a resposta foi a mesma: "Estamos consolidando os dados, que serão divulgados em breve".

Ontem, a reportagem pediu um pronunciamento do secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, sobre a letalidade policial. Segundo seus assessores, ele não falaria sobre o aumento de mortos pelas polícias "para evitar o uso político de uma fala dele".

Até agora, passadas mais de 24 horas após o PCC ter determinado, de dentro de prisões de segurança máxima e com o uso do telefone celular, o fim da afronta ao Estado, a Segurança Pública não responde também às seguintes questões: o local exato de cada uma das 71 mortes nos "confrontos", como elas ocorreram, se os feridos pela polícia foram encaminhados a hospitais ou se os corpos ficaram nos locais dos embates para a realização de perícia, quantas armas de policiais e de acusados foram apreendidas para exame de balística e a ficha de antecedentes criminais dos mortos. (...)"

terça-feira, 16 de maio de 2006

PRONUNCIAMENTO DOS DOTÔ

Salomão Malina

Salomão Malina, o último secretário-geral do PCB e primeiro Presidente de Honra do PPS, completaria hoje 84 anos de vida. Como sempre fazíamos, hoje realizaríamos na sede do Partido mais uma festa modesta - como era do agrado de sua natureza - para comemorar seu aniversário. Em volta da mesa, seus amigos e camaradas e, sobre ela, uns comes e bebes recheados com uma informal discussão sobre temas históricos e atuais, além de curiosidades e piadas em torno da longa trajetória dos comunistas brasileiros.

O Capitão, como era carinhosamente chamado, era o complexo traduzido no simples. No IX Congresso, por exemplo, diante da ala conservadora do PCB que na plenária final criticava o projeto de Resolução Política por esta não descrever qual seria "o nosso socialismo" e contentar-se "apenas em descrever o capitalismo", foi essa a intervenção de Juliano Siqueira, Malina, ao defender o projeto de Resolução, disse: "Afinal, como se chama a maior obra de Karl Marx? O Socialismo ou "O Capital"?. Era o gigante manifesto na modéstia. Em 1999, na homenagem realizada pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, por iniciativa do então deputado pelo PPS, José Augusto, Malina, após ouvir inúmeras intervenções enaltecendo seus feitos, simplesmente falou: "Olhem, creio que há muito exagero em tudo o que foi dito aqui. De certa maneira, sou um dos produtos e um dos produtores dessa história recheada de acertos e erros, avanços e recuos, altos e baixos, alegrias e tristezas. Não posso deixar de dizer que esta homenagem se estende a todos aqueles que tombaram na luta por uma sociedade nova. Eles fizeram a história deste Partido e do País". Era a riqueza intelectual e política a nos tirar da miséria das trevas da ignorância.

Apesar de sempre lembrar da debilidade teórica do Partido, Malina era um poliglota estudioso e, por isso, produtor de reflexões que ajudaram ao Partido atravessar mares revoltos. Não se contentava com orelhas de livros ou um capítulo de uma obra - lia-os por inteiro. E nessa leitura, anotava com dificuldade, nas próprias páginas dos livros ou em folhas à parte, as coisas que lhe pareciam mais importantes. Tais anotações, rascunhos e pequenas observações não se perdiam em suas gavetas. Eram logo socializadas com seus camaradas, chamados a discutir esse ou aquele ponto. Não era um intelectual por "ouvir dizer", mas pela labuta da leitura. Com a humildade e modéstia combinadas com a férrea disciplina adquirida no Exército e no modelo de Partido que vivenciou, sempre que podia reunia-se com os camaradas do Partido nos estados em que era chamado a dar uma palestra ou cumprir uma tarefa.

Cultivava o espírito de Partido acima dos interesses grupais e individuais. Ainda no IX Congresso, deixa a presidência do PCB por entender que o Partido, para avançar, necessitava de uma outra cara para aquele momento histórico e tinha certeza que o Partido escolheria - como escolheu - o melhor camarada para dirigir o legado de 1922.

Colocava a necessidade de o coletivo guiar o partido e as personalidades. Em 2001, numa das várias reuniões que mantinha com um núcleo de antigos comunistas paulistas, advertia sobre a necessidade da manutenção do "princípio da direção coletiva. Não podemos perdê-la, dizia. A direção coletiva é o melhor caminho para enfrentarmos a contento os desafios que se colocam na ordem do dia. Isso é muito mais importante do que se ficar discutindo a saída ou a entrada deste ou daquele camarada na direção do Partido. Não sei se isso resolve nosso problema - penso que não! (...) Tudo isso, remete a uma questão: nós ainda não conseguimos formar um coletivo forte que tenha influência. Na Bíblia está escrito que a tragédia dos povos são os reis. Isso é válido também para um partido como o nosso. A construção e consolidação de uma direção coletiva forte está, portanto, colocada na ordem do dia. Não é um processo fácil, mas temos de realizá-la. Nós temos, assim, que construir uma direção coletiva que elabore uma política e saiba conduzir democraticamente o Partido - e não permitir a existência de uma Liga de Grupos, que acabará, assim nos ensina a história, por enfraquecer ainda mais o Partido". Era nítida, portanto, sua convicção sobre a capacidade heurística e perene do saber coletivo frente aos brilhos efêmeros das individualidades.

Era indeclinável seu compromisso com a verdade ao invés da dissimulação ou da omissão para com o partido e com o povo. Logo após as eleições municipais de 2000, por exemplo, numa reunião do Diretório Nacional do PPS, o querido e saudoso camarada Sergio Arouca dizia que a vitória de César Maia à prefeitura do Rio de Janeiro era a "vitória da política do PPS". Malina, da tribuna, contestou-o: "Sou pela verdade. Nós não tivemos nenhuma vitória eleitoral no Rio de Janeiro. Nós não elegemos nenhum vereador. Há que se dizer sempre a verdade para o partido".
Malina queria sempre saber o que estava acontecendo com o Partido. Ouvia a todos com atenção, sem distinção. Não se contentava com uma fonte ou fontes restritas. Era capaz de compreender que no interior das fileiras do partido existem fios visíveis e invisíveis que estabelecem a teia capaz de compreender os espíritos coexistentes no Partido. Não gostava que o bajulassem. Desconfiava de quem praticava tal expediente. Cultivava sua independência e abominava qualquer rotina, à hipocrisia e às fórmulas convencionais e abraçava a ousadia de pensamento e audácia na ação.

Era dotado da capacidade de apreciar, após colocar o pensamento na trilha da labuta, os fenômenos, as crises, os acontecimentos, as tendências e contra-tendências, discernir o essencial e o importante desprezando as inutilidades e os pormenores, completar através da sua experiência as lacunas do conjunto, antever o pensamento dos outros e, em particular e sobretudo, prever o pensamento dos adversários. Em relação a esta última característica, com feliz precisão, ainda no embate do primeiro turno presidencial de 2002, anteviu: "Lula poderá vir a ser o candidato das classes dominantes!".

Neste momento, não temos mais Salomão Malina, mas temos o seu exemplo e o coletivo partidário. E será com este coletivo partidário que haveremos de caminhar por vias desconhecidas e ainda ignoradas. E se o coletivo cumprir realmente seu papel, poderemos então afirmar que o PPS não precisará de reis e poderá, enfim, caminhar na construção de algo novo para o Brasil e o mundo.

Guarulhos/São Paulo, 16 de maio de 2006
Dina Lida Kinoshita
Eduardo Rocha

domingo, 14 de maio de 2006

Indonésia


O vulcão Merapi, em Java (Indonésia), entrou em erupção. Milhares de pessoas se recusam a deixar suas casas, localizadas nos arredores do vulcão.
Foto: Crack Palinggi/Reuters

quarta-feira, 10 de maio de 2006

ATO QUE EU PRESENCIEI NO DIA 30/04/2006

Por Catherine*

Estava almoçando com meu pai, por volta das 14:00 hs no restaurante Famiglia Mancinni, aqui em São Paulo, quando constatei a presença, em uma mesa próxima, do parlamentar do PT Professor Luizinho - aquele que "só pegou vinte mil do valerioduto" e por isso foi absolvido. Estava o dito sujeito acompanhado de mais dois homens e três mulheres, bem mais jovens que eles, todos almoçando regados a vinho de muitíssima boa qualidade, em meio a piadinhas e comentários impróprios entre os homens e as mulheres da mesa. Próximo à mesa deles estava um senhor com sua família, de umas 6 ou 7 pessoas. Este senhor estava comemorando o seu aniversário junto ao que - acredito eu - eram seus filhos e respectivas companheiras. Foi pedido ao pianista que anima o local que tocasse "Parabéns a Você" e, tão logo o pedido foi atendido, o parlamentar começou a reclamar visto que encontrava-se ao celular e aparentemente não conseguia ouvir o que seu interlocutor falava. Muito embora a comemoração tenha ido até o fim, percebi que as pessoas na mesa do aniversariante ficaram um pouco incomodadas com os reclamos, de forma que, após pagarem a conta e se retirarem, um dos rapazes falou bem alto "esse é o tipo de gente que governa o nosso país". Só isso. Virou-se e saiu com os demais.

Meu pai e eu já havíamos pago a conta também, e acabamos por sair juntos. O que presenciamos na porta do restaurante só pode ser adjetivado de "grotesco". O tal Professor Luizinho, junto com seus outros dois acompanhantes saíram atrás do sujeito que havia ousado lhes repudiar a atitude deselegante, e passaram a proferir ofensas de baixo calão na porta do restaurante, na presença de mulheres e crianças. Como o sujeito já se encontrava dentro de seu carro - uma Ford Ecosport preta - ele baixou um pouco o vidro e, respondendo às provocações do parlamentar e seus acompanhantes, que lhe incitavam a sair do carro para resolver a pendenga no braço, falou "ao invés de eu sair, entrem aqui vocês e a gente vai na imprensa relatar isso tudo". Ao ouvir isso, um dos asseclas do tal parlamentar passou a desferir chutes violentos na porta do veículo do cidadão e mandá-lo descer - tudo com o incentivo e participação do professor Luizinho. Só pararam diante dos apelos de uma senhora que ali estava também e pediu para que parassem com aquela confusão.

O "grand finalle" veio com a frase proferida pelo Professor Luizinho enquanto o veículo se afastava: "Seu bobão. A minha conta quem pagou foi você. Seu bobão". Confesso que só não achei que estava ouvindo demais porque estava a menos de um metro do sujeito. Esse ato de prepotência e violência descabida precisa ser informado à sociedade. Esse tipo de indivíduo pode ter sido absolvido por seus pares - talvez porque tenham o rabo preso, ou talvez por simples despreparo político - mas esse tipo de atitude tem que ser divulgada de forma ampla para que o povo possa ter o poder de bani-lo para sempre da vida pública do país. Estou enojada e confesso que quase parti também para as vias de fato com esse indivíduo pois, ao chamar de "bobão" um cidadão que só fez a "bobagem" de expressar a sua opinião, chamou a mim também pela mesma alcunha, já que eu também pago impostos e fui responsável também - segundo o raciocínio do "professor Luizinho" - pelo pagamento de sua conta no restaurante.

(*sobrenome preservado pelo risco de perseguição à família, que costuma frequentar o restaurante)

terça-feira, 2 de maio de 2006

Eleições, grampos e resistência - Como se frauda uma eleição

O texto abaixo foi tirado do arquivo de 2002 do Observatório da Imprensa. A idéia é "acionar" velhas lembranças. Nesse sentido a internet se tornou a oitava maravilha do mundo, na minha humilde opinião, claro. Através dela é possível encontrar informações de todos os tipos. Claro, é importante "filtrar" bem tudo que se encontra. No caso abaixo, o relato é verídico até porque foi noticiado por toda a imprensa do país, na época. Acho que o espantoso, afinal, é que histórias como essas vão e vêm e nada, simplesmente nada acontece. Em parte em função da memória dos cidadãos que são bombardeados todos os dias com as últimas notícias e não têm mais lugar no cérebro para tanta informação. Na análise do Luiz Martins há vários personagens. Muitos eu conheço de perto e de alguns prefiro distância. Mas, uma pessoa acho que merece ser lembrada dentre tantos personagens, o ex-presidente dos Diários Associados, jornalista Paulo Cabral cuja história de vida se confunde com a própria história dos Diários Associados e do Correio Braziliense.



Luiz Martins*


Na tarde de sexta-feira (25/10/02), dois dias antes da votação em segundo turno para presidência da República e governos estaduais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por cinco votos a zero, concluiu que não competia à Justiça Eleitoral exercer censura prévia à imprensa escrita. Dessa forma, o TSE interrompeu a volta da censura às redações, que vinha acontecendo por meio de liminares do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que proibiam a divulgação de denúncias consideradas segredo de justiça.

Na noite da mesma sexta-feira, um advogado do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, ainda tentou reproduzir a mesma estratégia da "censura togada" junto à Justiça comum, para a qual o TSE havia remetido a competência no que se refere à imprensa escrita.

Mesmo fora do expediente regulamentar, o juiz Carlos Eduardo dos Santos, da 1ª Vara da Justiça Criminal do Distrito Federal, recebeu o advogado de Roriz mas negou-se a acatar o pedido de ação cautelar para que o Correio Braziliense não publicasse a íntegra das fitas de gravações feitas pela Polícia Federal, por ordem da Justiça e a pedido do Ministério Público – possibilidade que passara a existir, legalmente.

O jornal podia, de fato, ter feito a publicação de todos os conteúdos das gravações e até chegou a ensaiar uma edição contendo um caderno para tais denúncias, mas preferiu publicar, na edição de sábado (26), trechos de uma nova gravação, desta vez de uma fita obtida pelo procurador da República Luiz Francisco de Souza contendo diálogos que sugerem que o governador Roriz é sócio dos irmãos Passos na grilagem de 221 hectares entre as QIs 27 e 29, do Lago Sul, próxima a terceira ponte. A edição de sábado trouxe uma página inteira sobre o assunto, incluindo um facsímile do ofício assinado por Luiz Francisco, encaminhado ao procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, com "notícia crime" contra Roriz.


"Liberdade de opção"

Na nova conversa incriminadora, o advogado Salomão Herculano Szervinsk (recentemente preso e solto) conversa com o topógrafo Vinício Jadiskcke Tasso (foragido):

Salomão – Você não falou que Roriz era sócio?

Vinício – Sim.

Salomão – Eles estão derrubando tudo... tudo, tudo, tudo [referência a fiscais da Terracap].

Vinício – Aonde?

Salomão – 29.

O ofício é concluído com a solicitação para que Geraldo Brindeiro requeira a abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça para investigar os fatos narrados, entre eles o envolvimento de Roriz com a grilagem da referida área, denominada "Mansões Chácaras do Lago".

A decisão do TSE foi adotada em resposta a uma ação cautelar que havia sido protocolada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, solicitando a interrupção da nova forma de censura. Tendo como relator o ministro Sepúlveda Pertence, o pedido foi deferido, mas nos termos de que tanto a Constituição quanto a Lei Eleitoral (nº 9.504) tratam de maneira distinta os meios audiovisuais (que demandam concessão pública do Estado) da imprensa escrita – esta, fora da competência da Justiça Eleitoral. Ou seja, desembargadores não poderiam continuar expedindo liminares de censura à imprensa, até mesmo porque a Constituição federal em vigor baniu a censura.

A ação cautelar não só foi aprovada por unanimidade como também foi elogiada pelo ministro Nelson Jobim. Ele ressaltou que a entidade trabalhista estava cumprindo o seu dever, com base no Art. 8o (Inciso III) da Constituição, que assim prescreve: "Ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas".

De acordo com nota divulgada pelo TSE, caso o Correio Braziliense ou outros jornais e revistas resolvam publicar a gravação da conversa telefônica entre Roriz e Pedro Passos, acusado de grilagem de terras no Distrito Federal, esses veículos poderão vir a arcar com as conseqüências na área penal, já que as fitas estão sob segredo de justiça na 1ª Vara Criminal de Brasília.

A divulgação do teor das gravações no rádio e na televisão, inclusive na propaganda gratuita, conforme a nota do Tribunal, continua proibida. Ao defender a liberdade de informação e expressão consagrada na Constituição, o ministro-relator Sepúlveda Pertence ressaltou que a censura prévia é impensável. Em seu voto, a ministra Ellen Gracie observou que a Lei Eleitoral prevê o pagamento de multa para os excessos que vierem a ser cometidos pela imprensa escrita, e ainda que o leitor tem liberdade para optar pela linha editorial que ele quer ler. Também o ministro Nelson Jobim manifestou-se no sentido de que a publicação de gravação telefônica não é matéria a ser examinada na área eleitoral.


Desafio de Roriz


Em seu último programa eleitoral, sob o impacto das repercussões em todo o país da censura que vinha sendo exercida a seu pedido, o candidato do PMDB Joaquim Roriz reagiu energicamente, desafiando o seu opositor, Geraldo Magela (PT), a liberar a publicação das gravações que o Jornal de Brasília não pôde publicar, igualmente por força de liminares, desta feita, a pedido do PT.

Limitações semelhantes também foram impostas ao Jornal da Comunidade, publicação pró-Roriz que sai duas vezes por semana com tiragem acima de cem mil exemplares, distribuídos gratuitamente. Também o novato diário Tribuna do Brasil, ferrenho aliado de Roriz, vinha sendo alvo das liminares.

O Jornal da Comunidade chegou a sofrer uma arbitrariedade: às 21h40m da quinta-feira (24/10), um oficial de justiça, acompanhado de soldados da PM, entrou nas instalações do JC e, por meia hora, procurou por uma suposta publicação com acusações a Gerado Magela. Nada foi encontrado. Ao que tudo indica, foram ao local errado, pois um dossiê divulgado pelo deputado distrital reeleito Tadeu Filipelli (PMDB) havia chegado não ao JC, mas ao Jornal de Brasília – que publicou, na edição do dia seguinte, cópias de documentos acerca do suposto
enriquecimento ilícito de Magela.

O Correio Braziliense, portanto, não foi o único alvo da "censura togada", mas tão-somente o caso de maior visibilidade e de maior repercussão. A interrupção dos trabalhos dos editores do Correio por parte do oficial de justiça e do advogado de Roriz provocou muita indignação na cidade, no meio jornalístico e também fora dele. Um grupo de manifestantes chegou ficar de plantão na noite de quinta-feira (24/10) com a intenção de impedir novas investidas dos "censores", mas estes acabaram não comparecendo. Na sexta-feira, houve pela cidade manifestações e um ato público na Universidade de Brasília, com a presença de professores, estudantes, representantes de várias entidades sindicais e políticos, entre estes o candidato derrotado do PSB ao Governo do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e a deputada distrital mais votada na última eleição, Arlete Sampaio. Eles e vários outros oradores arrancaram aplausos quando conclamaram os presentes a organizar uma cruzada em defesa da liberdade de imprensa.

Na tarde de sexta-feira, antes mesmo da decisão do TSE, 240 dos 244 repórteres e editores do Correio Braziliense assinaram uma Carta Aberta, que ocupou toda a página de Opinião da edição de sábado e teve como ilustração uma arte mostrando um rosto amordaçado. No documento, praticamente toda a redação do Correio solicita que o projeto editorial do jornal não seja interrompido, lembra o esforço que a Redação teve de enfrentar para anular "a promiscuidade das amizades aduladoras, muitas vezes mescladas com dinheiros ou cargos", e pede, em nome dos quase três mil leitores que mantiveram contato com a redação do Correio nos dias 24 e 25 de outubro, que "o projeto editorial tão premiado e aplaudido continue" (veja a íntegra da carta aberta nesta rubrica).

Já na tarde do dia 23, ao saberem que Paulo Cabral e Ricardo Noblat estavam demissionários, os repórteres do Correio haviam realizado uma assembléia quando uma proposta de paralisação foi aplaudida; mas uma contraproposta, a de realização sucessiva de edições especiais até 1º de novembro, data marcada para o afastamento dos dois chefes, saiu vencedora. As edições especiais não se caracterizaram como um todo, mas em parte, com a publicação de três textos-manifesto (incluindo a carta aberta), além de ilustrações das páginas políticas com tarjas pretas, contendo trechos de manifestações de autoridades e líderes de entidades civis e sindicais.

No dia 25, a primeira página do Correio trouxe uma única frase como manchete: "É proibido proibir", pichação nos muros de Paris em maio de 1968, utilizada por Caetano Veloso numa composição e citada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello, uma das personalidades da República que se pronunciaram contra a volta da censura. Segundo o texto "Liberdade para informar" [veja íntegra na rubrica Entre Aspas], o jornal recebeu milhares de manifestações de leitores, boa parte delas ameaçando o cancelamento de assinaturas. Numerosos desses e-mails foram publicados como ilustração da primeira página. A mesma edição trouxe um outro texto-manifesto, intitulado "Um jornal não se cala". A edição anterior havia republicado em página inteira o texto "Para que serve um jornal", um manifesto de 1995, em resposta ao boicote proposto ao Correio por Roriz, durante um comício.


Marca registrada

Em Brasília, a marca registrada deste último pleito foram os grampos. Desta vez, a realização foi dos arapongas, tanto aqueles que agiram no estrito cumprimento do dever policial quanto os chantagistas, que guardaram durante anos centenas de fitas como tesouros a serem abertos nos momentos mais estratégicos.

O Correio Braziliense foi agraciado tanto com gravações feitas pela Polícia Federal quanto com fitas do grileiro Márcio Passos. O Jornal de Brasília, por sua vez, foi destinatário de várias fitas e dossiês supostamente comprometedores para o candidato Geraldo Magela. Entre outros "documentos" publicados pelo JBr, duas certidões emitidas pela Terracap (a estatal que gerencia as terras públicas do Distrito Federal) davam conta de que Geraldo Magela em duas vezes se identificou como "jornalista" – e não bancário –, tendo, assim, cometido peculato. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal chegou a tentar, em vão, obter um esclarecimento do candidato, já que jornalista é a sua esposa, e não ele. Assessores do PT disseram tratar-se de um erro de quem havia lavrado as tais certidões, pois Magela, de fato, nunca foi jornalista. Não ficou claro, entretanto, que tipo de vantagem Magela iria desfrutar identificando-se num documento cartorial como jornalista e não como bancário.

Em várias edições, o Jornal de Brasília trouxe em primeira página o carimbo-logomarca identificador da censura. Vejamos alguns exemplos das advertências do JBr aos seus leitores:

"A pedido do PT, não podemos publicar reportagens sobre recebimento de dinheiro para regularização de condomínios".

"A pedido do PMDB, não podemos divulgar fitas de Pedro Passos em conversa com autoridades".

"A pedido do PT, não podemos publicar as fitas em que o grileiro Germano Carlos faz acusações a Magela".

"A pedido do PT, não podemos divulgar conversas de Passos com Hermes de Paula, ex-secretário de Obras de Cristovam".

Tanto no caso do Correio Braziliense quanto do Jornal de Brasília, a imprensa usou o escudo do sigilo da fonte enquanto os candidatos alegaram segredo de justiça. Dia a dia, seus advogados estiveram atuantes tanto para a obtenção de sucessivos direitos de resposta, quanto para a aprovação das liminares que impediam as "suítes" dos escândalos, pois a censura era exercida de forma a impedir a continuidade das revelações, já que nem sempre chegava ao seu conhecimento o que estava em poder dos editores.

Em Brasília, as redações começavam a se acostumar com a chegada, toda as noite, por volta das 22 horas, de um oficial de justiça, até que numa delas Adolfo Marques da Costa, advogado de Roriz, foi junto. Circulara um boato de que a redação do Correio, indignada com a anunciada saída de Paulo Cabral e Ricardo Noblat, iria publicar a íntegra de todas as fitas. O advogado resolveu, então, fazer companhia ao oficial de justiça Ricardo Yoshida, designado pelo desembargador Jirair Meguerian, tendo ficado na redação do Correio das 22h às 2h do dia seguinte, vistoriando cada página a ser impressa e, num momento de dúvida, chegou a telefonar para um superior acerca de um determinado conteúdo.

Reconstituía, assim, o cenário antiquado da censura prévia dos tempos da ditadura, mas tropeçou num detalhe. Virou, ele próprio, objeto de reportagem. Foi fotografado e filmado, tendo aparecido até no Jornal Nacional. Entrou para a história da pior forma. O que era para ser apenas um excesso de subserviência virou documento, lamentável registro histórico, que ninguém supunha viesse a se repetir – nem mesmo como farsa, como diria Marx. Segundo revelaria no sábado (26) matéria do Correio, Marques chorou de desgosto pois Roriz o deixou sozinho. Em declarações à imprensa, o candidato afirmou que jamais partiram dele os pedidos para que a imprensa fosse censurada. O advogado do governador emocionou-se ao receber numerosos telefonemas de colegas seus, em solidariedade.


Pressões do leitorado

A edição do Correio Braziliense da quinta-feira, (24/10), estampando em manchete garrafal sobre fundo escuro a denúncia do arbítrio – "Correio é censurado a pedido de Roriz" – causou impacto tanto em Brasília quanto no resto do país. Somava-se a este fato dramático a notícia de que, no dia anterior, numa reunião dos 19 condôminos dos Diários Associados, 13 deles votaram uma moção de censura ao patriarca do clube, o jornalista Paulo Cabral, 80 anos, que havia prometido publicamente – em nota de primeira página do mesmo Correio, semanas antes –, destituir Ari Cunha da vice-presidência daquele egrégio de herdeiros do império deixado por Assis Chateaubriand.

Destoando absolutamente da linha editorial em vigor no Correio, Ari Cunha, um dos fundadores do jornal, em 21 de abril de 1960, havia aparecido em fotos e em áudio na propaganda eleitoral de Joaquim Roriz fazendo acusações ao diretor de Redação do Correio e à sua mulher, Rebeca, que teriam, segundo ele, ao tempo do governo Cristovam Buarque (PT), sido premiados com superfaturamento de serviços de "comunicação". Esta "traição" de Ari Cunha renderia ao jornal cinco direitos de resposta, alguns deles a cargo do próprio Paulo Cabral, quando foi eloqüente ao garantir que jamais o jornal que se inaugurou com a nova capital brasileira se renderia a intimações.

Ari Cunha articulou-se nos bastidores, deu a volta por cima, e, no final da manhã de quarta-feira (23), surpreendeu Paulo Cabral com uma derrota tão humilhante que o velho condômino preferiu renunciar, deixando para trás 22 anos de comando dos Diários Associados e mais alguns na presidência do próprio Correio Braziliense. Roriz foi um dos primeiros a saber da virada imposta por Cunha, tanto que já no almoço comemorou o que havia profetizado horas antes num comício para 500 fiéis da Assembléia de Deus, reunidos numa igreja situada numa das maiores invasões de Brasília, a Estrutural. "Deus tarda, mas não falta", agradeceu, contrito, segundo reportaria o Correio, que conseguiu fazer a matéria embora os repórteres tenham sido expulsos por simpatizantes de Roriz.

A Capital Federal, com repercussões em todo o país, amanheceu a quinta-feira (24) diante de dois abalos. Além da acintosa censura prévia sofrida pelo mais antigo e mais importante jornal da cidade, o prenúncio era de que também o chamado "Projeto Correio" estava indo por água abaixo. Junto com Paulo Cabral caía Ricardo Noblat e, com eles, os esteios de oitos anos de implantação de uma política editorial e de um lento trabalho de mudança da imagem do Correio, que logrou superar o estigma de jornal "chapa branca" e passar a ser conhecido como um dos jornais graficamente mais bonitos do país, tendo conquistado mais de uma centena de prêmios, a maior parte deles nesse período de reforma, fase em que a coluna política de Ari Cunha ("Visto, lido e ouvido") foi extinta e o colunista social Gilberto Amaral, demitido.

Até à noite de sexta (25), a perspectiva ainda era da efetivação do afastamento de Cabral e Noblat. Entretanto, já havia sinais de que a crise poderia ser superada. Havia pressões tanto da redação quanto de milhares de leitores e de numerosas entidades civis e sindicais – algumas delas literalmente ameaçando invadir o jornal e de lá não sair até enquanto os dois jornalistas não voltassem a assumir suas funções.

(*) Professor da UnB, coordenador do SOS-Imprensa; colaborou Fernando Paulino, professor do IESB. Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/ipub301020022.htm

segunda-feira, 1 de maio de 2006

A Hora da onça beber água

O XIII Encontro Nacional do PT acaba de decidir que, rumo às eleições de 2006, nos estados, o PT está autorizado a fazer quaisquer alianças com os partidos da base de apoio do governo no Congresso e com os partidos de esquerda. Estão proibidas coligações apenas com o PFL, com o PSDB e com o PPS. Quer dizer, pode com o PP do Maluf, pode com o PTB do Roberto Jefferson, pode com o PL da Waldemar Costa Neto, pode com o PV, pode com o PHS, pode com o PDT e até com PSOL. Só não pode com o PPS.

Com essa atitude o PT acaba de dar ao PPS o carimbo de única oposição de esquerda que os incomoda e que ele talvez tema. O PPS deve estar agradecendo ao PT.

Essa decisão do PT acaba, também, de dar o mote para um debate ideológico nessa eleição: o que é esquerda? Esquerda é o que ele, PT, fez no seu governo,ou esquerda é alguma outra coisa?

Com essa decisão do PT, queiramos, ou não, vamos ter de voltar aos debates e formulações políticas, programáticas e inevitavelmente ideológicas.

Mas é grande o risco do PT porque ele se obriga a sustentar que montar uma organização criminosa ( uma quadrilha), para se perpetuar no poder, como denunciou o Chefe do Ministério Público, é um projeto de esquerda.

O PT se obriga a persuadir o país que usar recursos de estatais e de fundos de pensão para alimentar campanhas de petistas e de seus aliados é um comportamento de esquerda.

O PT se obriga a convencer a nação que aparelhar o estado indicando para cargos públicos milhares de petistas despreparados para funções de gerencia do estado é uma atitude de esquerda.

O PT se obriga a demonstrar aos eleitores que um governo que aplica a mesma política econômica aplicada pelo FHC e pelo PSDB, é de esquerda

O PT se obriga, também, a provar aos cidadãos que um governo que proporcionou aos bancos a maior taxa e volume de lucros da História do Brasil, é de esquerda.

Vai ser um bom e estimulante debate programático e ideológico. Que todos, e não só o PT, se preparem para ele.

Está na hora da onça beber água.

Carcará

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