"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Soninha inspira movimento para sepultar malufismo em São Paulo





O debate deste domingo entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo na TV Record teve ao menos um efeito concreto - ainda que involuntário - na reta final da campanha. Ao forçar uma polarização com Soninha Francine (PPS) de uma forma agressiva e deselegante (tática usada desde o debate anterior, na Band), o candidato Paulo Maluf (PP) gerou uma reação espontânea e irreverente do eleitorado que se reflete desde o final do debate em blogs e sites na internet: o movimento "Vamos fazer a Soninha ganhar do Maluf?".

Maluf despenca nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Soninha teve 100% de crescimento do eleitorado desde o início da propaganda eleitoral. Deve ser difícil para o ex-prefeito, que entre as maiores pérolas da política já cometeu a frase "estupra mas não mata" e destaca como qualidade da própria mulher a subserviência, aceitar que Soninha - com pouco mais da metade da idade dele e a sua antítese na política - esteja empatada tecnicamente e ajudará a enterrar definitivamente o malufismo.

Na Record, em três oportunidades diferentes houve um confronto direto entre Soninha e Maluf. O candidato do PP foi quem provocou a polarização, ao criticar proposta de Soninha (que foi de bicicleta ao debate) de investir em ciclovias.

Maluf disse que discordava da proposta sobre o uso de bicicletas. "A solução é melhorar o trânsito, obras viárias, a Freeway, a velocidade dos corredores, construir mais metrô. Isso sim, a bicicleta é louvável, mas não é solução", declarou, ignorando que Soninha propõe exatamente a integração da bicicleta com outros meios de transporte coletivo.

Em seguida, apenas para polemizar - até porque era seu momento de responder e não perguntar, Maluf atacou de modo nada sutil: "Qual sua proposta para diminuir a venda de maconha na porta das escolas?". Soninha não caiu na provocação. Sobre drogas, respondeu: "É possível investir na cultura, por exemplo, para evitar o uso".

Em outro momento, Soninha citou uma entrevista à revista "Istoé", na qual Maluf criticava o PT e apontava a cooptação de vereadores do seu próprio partido pelo governo Marta. Em vez de responder, Maluf acusou Soninha de ter trocado de partido. "Você foi eleita pelo PT, e no meio do caminho saiu do PT e foi para o PPS. É você quem deve responder pela infidelidade partidária, para mudar de partido, quais os encantos para mudar partido", cutucou, insinuando a obtenção de alguma vantagem.

Soninha repetiu que já esclareceu porque deixou o PT e comentou novamente a declaração feita durante a sabatina do Grupo Estado, sobre o "toma lá, dá cá" que predomina da relação entre legislativos e executivos municipais, estaduais e federal.

"O senhor não leu minha entrevista para o Estadão, eu não disse nada de novo, eu só não neguei o que todo mundo está cansado de saber", disse. Na sua última resposta, Maluf "defendeu" Marta, Serra e Kassab. "Eles não compraram nenhum dos seus colegas, assim como Paulo Maluf, que não tem nenhuma condenação em toda a sua vida pública", concluiu, referindo-se a ele mesmo na terceira pessoa.

A candidata do PPS comentou que Maluf a "surpreende" quando afirma que "se orgulha de ter a ficha limpa". "Se não me engano, você não poderia nem sequer deixar o país", ironizou sobre decisão judicial que apreendeu o passaporte de Maluf, na mesma época em que foi preso.

"Não é verdade que não há processos contra você. E muitos são por má conduta na administração pública", completou Soninha. Maluf alegou mais uma vez que é inocente das acusações.

Soninha também lembrou que Maluf declarava que se Pitta não fosse um bom prefeito, as pessoas não deveriam mais votar nele - e apesar de criticar o PT, apoiou Marta Suplicy e faz parte da base de sustentação do governo Lula. "É difícil seguir os seus conselhos?", perguntou.

Contrariando as regras do debate, que proibiam expressamente utilizar qualquer material de apoio, Maluf mostrou a capa de uma edição da revista "Época" de 2001, na qual Soninha admitia ter fumado maconha, como se isso, por si só, a desabonasse para ser candidata à Prefeitura de São Paulo. Oras, mas quem já foi preso e algemado foi Maluf, não Soninha. Vai entender...

Stepan: Gabeira é a vitória do "eu tô falando" sobre o "eu tô pagando"

Por: Tuca Pinheiro

A ascensão do candidato a prefeito do Rio de Janeiro Fernando Gabeira (PV-PPS-PSDB) “é a vitória da campanha do ‘eu tô falando’ sobre a campanha do ‘eu tô pagando’”, segundo definição do vereador Stepan Nercessian (PPS), que pleiteia a reeleição. O ator usou a paródia com o programa humorístico “Zorra Total”, da TV Globo – no qual ele mesmo atua – para explicar que os demais concorrentes estão usando a máquina administrativa e muito dinheiro na briga por votos.

“O (Marcelo) Crivella foi com a igreja; a Solange Amaral (apoiada pelo prefeito César Maia), com a Prefeitura, e o Eduardo Paes, com o governo do Estado e o governo federal”, lembrou Stephan. Por isso mesmo, acrescenta, é que a subida de Gabeira nas pesquisas de opinião pública “é extremamente significativa sob todos os pontos de vista, tanto político quanto eleitoral, porque o Rio está escolhendo alguém que não entrou no jogo dessa campanha de ostentação de riqueza”.

Fernando Gabeira, diz Stepan, optou por “uma campanha independente, que se transformou em uma onda, e as chances de ele chegar ao segundo turno são grandes”. Na avaliação do ator e vereador, ter Gabeira à frente da Prefeitura do Rio “é a possibilidade de uma redenção da nossa cidade, de devolvê-la à era da modernidade, de onde nunca deveria ter saído”.

Um grupo de artistas liderado por Eduardo Moscovis e a apresentadora Cynthia Howlett organizou um ato de apoio a Gabeira na praia do Arpoador. O encontro ocorreu domingo, com a participação de figuras conhecidas, como Cissa Guimarães, o roteirista Moacyr Góes e o cineasta Flávio Tambellini, entre outras.

Última pesquisa Datafolha para a prefeitura do Rio mostra que Eduardo Paes (PMDB) foi de 26% para 29%, Marcelo Crivella (PRB) manteve 18%, Gabeira subiu de 11% para 15%, e Jandira Feghali (PC do B) permaneceu com 13%. A margem de erro é de três pontos, para mais ou para menos.

Jornal proibido

Stepan disse que o Rio está sitiado por milícias, pelo crime organizado e por falsos policiais. Atribuiu a interceptação do jornal Extra nas bancas da Baixada Fluminense e de Niterói a políticos que pertencem a organizações criminosas. “Está vindo à tona uma situação que eu denunciei há três anos: que o crime organizado estava formando bancadas nas assembléias, na Câmara, e está querendo dominar realmente a cidade; não está de brincadeira”.

Quem perdeu foi o Rio, adverte Stepan, “foi o cidadão de bem, o contribuinte; porque a cidade está na mão deles (dos criminosos)”. O vereador classificou a situação de gravíssima.

Stepan está animado pedindo voto em todo o município. “Vou ter voto nas 96 sessões eleitorais; estou torcendo para ter uma votação expressiva, até para mostrar aos outros candidatos que se pode conseguir votos agindo corretamente e ter o reconhecimento da população, sem a necessidade de usar máquina administrativa e ostentar poder e dinheiro”.

sábado, 27 de setembro de 2008

A nova esquerda


"Gabeira representa a face mais avançada da esquerda mundial, que não nega a modernidade, não rejeita o mercado nem a globalização e ao mesmo tempo defende as minorias. Ele não ficou embolorado naquela esquerda ultrapassada, albanesa. Gabeira tornou-se um guerrilheiro da lucidez, a materialização das utopias possíveis."
 Lúcia Hippólito

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Quem foi que disse?




Quem foi que disse que não tem mais jeito?
Quem foi que disse que só tem um jeito?
Quem foi que disse que ter um objeto
É melhor do que ser um bom sujeito?

Quem foi que disse que se melhorar, estraga?
Quem foi que disse que se mudar piora?
Quem foi que disse que mulher não pode
E que você não pode mudar isso agora?

(Quem foi que disse?)
Quem foi que disse que isso é maluquice?
Quem foi que disse, quem foi que disse?
Sou, Sou, Sou (Quem foi que disse?)
Sou, Sou, Sou (Quem foi que disse?)

Quem foi que disse que gravata é seriedade?
Que alegria não é necessidade?
Quem disse que ideal é coisa de juventude
E que você não pode mudar essa atitude?

Quem foi que disse que tem que ser como eles?
E que só eles é que falam a verdade?
Quem foi que disse que isso é maluquice
Andar de bicicleta na cidade?

(Quem foi que disse?)
Quem foi que disse que isso é maluquice?
Quem foi que disse, quem foi que disse?
Sou, Sou, Sou (Soninha!)
Sou, Sou, Sou (Soninha!)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Notícia boa

Depois de dois anos de negociações, o Brasil conseguiu colocar em pauta e aprovar, na Reunião da ONU, que fossem criados compromissos com direitos humanos nas metas do milênio da entidade. Essas metas devem ser cumpridas até 2015. Essa decisão poderá vir a garantir que todos os tratados de direitos humanos sejam ratificados pelos governos e os Estados Parte se comprometerão a adotar leis que garantam o cumprimento do estipulado nos tratados.
A ONU já havia tomado medidas para a redução da pobreza e da fome nas Metas do Milênio, mas nada ainda relativo aos direitos humanos especificamente.
O Brasil foi muito criticado durante a reunião quanto à forma como as polícias brasileiras têm combatido a violência, por práticas de tortura, assassinatos e também quanto às condições desumanas das prisões brasileiras.

Elaine Marinho
p/Rede Virtual de Mulheres do PPS

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

domingo, 21 de setembro de 2008

Bolívia, o novo acordo

Desfecho negociado da ofensiva das últimas semanas mostra limites da oposição boliviana após confirmação de Evo Morales no cargo por dois terços dos eleitores.

SALVADOR SCHAVELZON
ESPECIAL PARA A FOLHA

Enquanto os bloqueios, o massacre de camponeses e a reunião de presidentes sul-americanos vão ficando para trás, resta à Bolívia uma vez mais a difícil tarefa de conseguir um acordo entre o governo e a oposição.
Durante o ano de 2007, na Assembléia Constituinte, e em janeiro, maio/junho e agosto deste ano, todas as tentativas de diálogo fracassaram. As condições para que o diálogo tenha sucesso poderiam surgir de um retorno na política boliviana da fórmula mágica da "maioria de dois terços". A fórmula traduz os 67,4% de votos conquistados por Evo Morales no referendo sobre sua Presidência, em 10 de agosto.
O significado político é que, ainda que esse resultado não seja diretamente transferível, é provável que a Constituição que o governo deseja ratificar venha a ser aprovada. É esse cálculo que pode modificar a maneira pela qual o governo e a oposição vêm se relacionando.
Ciclo de dois anos
Se surgir acordo desta vez, estaria se encerrando um ciclo iniciado dois anos atrás, quando, depois de longa disputa, a oposição impôs os "dois terços" como definição da maioria necessária para decidir votações na Assembléia Constituinte. A decisão impediu que o partido do governo, o MAS, impusesse uma Constituição e o obrigou a se flexibilizar ao máximo para buscar os dois terços que permitiriam aprovar o texto. Mas a oposição optou por uma posição dura e seu líder político ordenou que não houvesse acordo em nenhuma das comissões da Constituinte. No processo, o MAS depurou sua proposta de um Estado Unitário Plurinacional Comunitário, extirpando todos os elementos que representassem ruptura com a atual ordem republicana ou que fossem inaceitáveis para os demais partidos. Ainda assim, a oposição apostou em que a Constituinte se encerrasse sem resultado, ignorou as tentativas de acordo e apoiou os apelos de Sucre pelo retorno dos Poderes Executivo e Legislativo àquela cidade, o que terminou por inviabilizar as sessões da Constituinte. Diante da atitude fechada da oposição, o MAS aprovou a Constituição com dois terços dos votos dos presentes, mas não do total dos constituintes, como se havia decidido. A oposição não reconheceu o texto e deu início a uma busca unilateral por autonomia. O caminho adotado incluiu a elaboração por representantes não eleitos de estatutos de autonomia que foram aprovados em referendos considerados ilegais pelo tribunal eleitoral.
Nesse confronto direto, surgiram ameaças de suspender o envio de alimentos à região do altiplano, e ocorreram os bloqueios com interrupção do abastecimento de gás, destruição de sedes de organizações indígenas e ocupação de instituições nacionais; em Santa Cruz, por meio das leis 6 e 7, houve tentativas de começar a transferir essas instituições ao controle do departamento.
Negociação
Mas os dois terços de votos que Morales obteve no referendo e a violência posterior representaram o limite para a tentativa da região da meia-lua de manter uma agenda própria. Para a oposição, portanto, um acordo parece ser agora o modo de conseguir um projeto mais equilibrado de autonomia e a devolução da porcentagem do Imposto sobre os Hidrocarbonetos, cuja demanda gerou greves de fome e os protestos mais recentes.
De sua parte, o governo conseguiria superar o obstáculo da oposição no Senado para convocar o referendo que ratifique a Constituição e realizar nomeações pendentes no Judiciário e no tribunal eleitoral. O governo também deseja promover uma eleição de autoridades locais que o beneficiaria. Aqueles que consideram a oferta de diálogo do governo como excessivamente generosa são os camponeses e indígenas que apóiam Morales. Na Constituinte, eles aprenderam que cada tentativa de negociação com a oposição prejudicava suas reivindicações. Considerando os dois terços de apoio, esses setores pedem que a ratificação do texto seja levada adiante sem concessões. Consideram que, sem acordo, viria uma fase de transformações mais profundas contra a elite agrícola e industrial. Sem acordo, voltariam também os bloqueios promovidos pela região leste, as expressões de intenções separatistas e as declarações de Hugo Chávez.

SALVADOR SCHAVELZON é antropólogo e escreve sua tese de doutorado no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre política boliviana contemporânea

sábado, 20 de setembro de 2008

Uma guerra que começou há muito tempo

Os conflitos que a Bolívia enfrenta hoje são uma nova etapa de uma antiga guerra. A história do país é uma história de massacres de indígenas, camponeses e trabalhadores, desde os tempos coloniais até hoje. A diferença, hoje, é que a oligarquia boliviana está sendo governada por um "índio", algo inaceitável para ela.
Ramiro Lizondo Diaz*


BARCELONA (ALAI-AMLATINA) - Quem se interessa por história, descobrirá que a da Bolívia é uma história de massacres de indígenas, camponeses e trabalhadores desde os tempos coloniais até hoje. A República sustentou-se sobre a exploração da força de trabalho indígena e dos recursos naturais. A exploração consolidou uma estrutura social e institucional vinculada à produção e à exportação de matérias primas, consolidando no longo prazo uma condição de dependência que a converteu num dos países mais pobres do hemisfério ocidental. Com uma organização social extremamente estratificada e um horizonte estatal frágil, sua história é marcada por exclusão e massacres. Os povos originários nunca deixaram de manifestar seus anseios de liberdade, como provam as inúmeras sublevações, tanto as que culminaram com a grande rebelião de 1780, como as contra os fazendeiros, durante a República.
Algumas destas sublevações tiveram grande magnitude, não só pelo esforço da mobilização e a tragédia que representaram, mas pela memória e herança emancipatória transmitida de geração em geração. As de 1874 e 1899, nas terras altas e nas terras baixas do país, se desdobraram em manifestações que terminaram em novos massacres como a rebelião de Machaca, em 1921, ou a de Chayanta, em 1928. Os massacres de trabalhadores também tiveram sua marca de dramatismo como a matança de mineiros em Uncia, em 1923, Catavi, em 1942, a guerra do Chaco (1932-1935), a revolução de 1946, a de 1952, a de 1964, a matança de San Juan, em 1967, o golpe militar de Bánzer, em 1971, o massacre de trabalhadores e universitários de 1979, a marcha pela vida, em 1986, a marcha pela terra , em 1990, a guerra do gás e o massacre de El Alto, em 2003, e, agora, o massacre de Pando.
Com o tempo, consolidou-se na estrutura mental dos povos indígenas e dos movimentos populares, tanto das terras altas como das terras baixas, uma cultura política insurrecional e de resistência anticolonial que foi e é uma guerra longa e intermitente contra os invasores e seus descendentes, que cruza de forma transversal toda a história boliviana. Agora, esses movimentos populares e indígenas, liderados pelo presidente Evo Morales, converteram-se em uma real opção de poder político e construção de uma nova hegemonia política que questiona a estrutura oligárquico-clientelista e antinacional que governou o país até dois anos atrás. Os movimentos indígenas e campesinos já não são sujeitos de postais folclóricos, agora são uma real opção de poder político para o país. Essa é a dimensão deste novo paradigma.
Inclusive a esquerda tradicional, baseada em paradigmas que já não se sustentam, como o fato de assumir a “inevitável” vanguarda operária em todos os processos revolucionários, tem dificuldade em assumir a potência deste novo e, ao mesmo tempo, antigo ator social cuja estratégia de poder se sustenta na recuperação do Estado para as maiorias nacionais e que este sirva não só para assegurar a propriedade dos recursos naturais para todos os bolivianos, mas também para redistribuir as rendas obtidas com sua exploração. O conservadorismo da oligarquia boliviana, idêntica a de qualquer outra região, viu-se obrigada a aceitar ser governada por um “índio” que, segundo seus cálculos, cairia por si próprio e por sua condição de “índio”. Mas quando se questiona a estrutura da propriedade da terra, estão dispostos a tudo para não abandonar o cenário da história.
A sedição aberta da direita responde a uma estratégia planificada e coordenada de violência, bloqueios de estradas, ocupações de entidades estatais, controle e saque de instituições públicas, plano de fustigamento e ameaças, ocupação de quartéis, fechamento de válvulas de gás, desabastecimento de produtos básicos, desestabilização econômica, criação de um clima de insegurança e desgoverno. Um pano golpista que coincide, quase como uma cópia, com o que ocorreu no Chile durante o governo de Salvador Allende. Com tudo isso, ainda fica no ar uma sensação de passividade por parte do governo boliviano. Os movimentos sociais tomaram a iniciativa de conter a escalada golpista com a mobilização de suas bases, cuja decisão é frear a direita com a autoridade moral que lhes dá o sangue derramado, sua capacidade combativa e o horizonte de um modelo de país diferente.
Foram eles que carregaram sobre seus ombros os vexames e a marginalização a que os submeteram a colônia e o estado republicano oligárquico. O governo popular tem a obrigação de fazer respeitar o Estado de Direito em todo o país e levar para a Justiça os criminosos, sediciosos e paramilitares fascistas que executaram um novo massacre. O que eles pensaram que seria um elemento que incendiaria os sentimentos regionalistas autonomistas da direita fascista, acabou gerando uma reação contrária. O crime e a barbárie desta ação expôs essa direita. As Forças Armadas e a Polícia Nacional, historicamente, atenderam aos interesses da oligarquia a qual pertencem seus principais oficiais. Isso explica em parte sua posição de “braços cruzados” e inoperância frente às ações ameaçadoras da classe social com a qual se identificam.
Na história dos massacres, os militares sempre foram os atores inconfundíveis da repressão e da morte. Em todos os casos, atuaram como sicários a serviço das oligarquias. Exceto no último massacre campesino de Pando. Isso não é sinal de nada, só que devem cumprir a lei que lhes assinala a responsabilidade de serem “garantidores da unidade da pátria” e de obedecerem ao seu comandante geral, o presidente Evo Morales. Mas é preciso não cair na ingenuidade de pensar que estejam de acordo com o novo projeto de país que se constrói na Bolívia. A maior debilidade do campo popular é sua extrema diversidade e as lutas setoriais. A maior vantagem, a capacidade e tradição de luta revolucionária. O país está chegando a um ponto de bifurcação, a um ponto de inflexão e ruptura. A saída “democrática” foi esgotada com os resultados do referendo revocatório.
A violência provocada pelas oligarquias deve enfrentar as conseqüências da resposta popular. A guerra civil que muitos temem, na verdade, já começou há muito tempo, só que agora adquire uma dinâmica diferente, uma liderança distinta. O projeto emancipatório que devemos apoiar é o da “Revolução democrática e cultural”. O presidente Evo Morales assume com uma fortaleza grave a liderança desta nova etapa. Definindo que sua posição está ao lado do povo que hoje decide assumir o desafio que lhe impõe a história. A principal tarefa dos movimentos sociais e indígenas é tomar a iniciativa e passar da resistência à ofensiva. O seguinte passo é aprovar a Nova Constituição Política do Estado.
* Economista boliviano, professor da Universidade Autônoma de Barcelona.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES

Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para Professores. Isso é o que eu chamo de jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases.

Tema: 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - RJ


'PÁTRIA MADRASTA VIL'

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição! É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos...
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?


Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade' . A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

LANÇAMENTO DE VLADIMIR SAFATLE NO CAFÉ COM LETRAS

No dia 02 de outubro, quinta-feira, o filósofo Vladimir Safatle estará no Café com Letras autografando seu último trabalho: Cinismo e falência da crítica.

Safatle faz em seu ensaio uma crítica ao cinismo ou à lógica inerente a ele em pauta no capitalismo contemporâneo e que não tem sido problematizado nos últimos tempos. Baseado em estudos de Adorno, Freud, Hegel, Foucault e outros pensadores, o autor desenvolve uma perspectiva histórica do cinismo, desde os cínicos gregos que negavam a polis e desejavam a physis. Este cinismo hoje como base das regulações das formas de vida, como anomalia aceita como padrão, que culmina no que Vladimir Safatle chama de “ironização absoluta de condutas e valores”. Ele inclui também elementos da cultura brasileira, lembrando que se o carnaval propõe a inversão da norma, ao final esta mesma norma se recoloca sem conflitos com aceitação generalizada. O carnaval é, portanto, a hora do recreio, patrocinado pelo Estado a título de financiamento às suas incompetências, como todo tipo de “riso crítico”.

Vladimir Safatle é professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), bolsista de produtividade do CNPq e professor-visitante da Universidade de Paris. Lacaniano, é autor de vários livros, dentre eles A paixão do negativo, Sobre arte e psicanálise (este em parceira com Tânia Rivera) e Um limite tenso (lançado no Café com Letras em 2003). É ainda responsável por pesquisas do CAEPM (Centro de Altos Estudos em Propaganda e Marketing).
Serviço:

Noite de autógrafos com Vladimir Safatle
Cinismo e Falência da Crítica, Boitempo Editorial, 216 pg., R$ 36.
Local: Café com Letras, SCLS 203 sul bloco C loja 19 – Asa Sul.
Data: 02 de outubro, quinta-feira.
Horário: a partir das 19h30.
Entrada franca.

Maiores Informações:
cafe.letras@gmail.com
(61) 3322-4070 / 3322-5070

Informações para a Imprensa:
Juliana Medeiros
(61) 8135-0046 / 9999-8843
julianams.webjornal@gmail.com

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

¿Bolivia ante el caos total?

Martín Suso

Santa Cruz de la Sierra - En Bolivia se dice que cuando parece que el país está a punto de estallar, la ciudadanía logra revertir la situación y salir adelante. De otra parte, nunca mejor aplicada que hoy la máxima de que lo viejo no acaba de morir y lo nuevo no acaba de nacer. En estas semanas que siguieron al Referéndum revocatorio del 10 de agosto las tensiones se agudizaron, revelando con crudeza la apuesta de sectores de derecha, desesperados ante un panorama adverso a sus intereses. En aquella consulta ocurrió lo impensable: más de un 67% de los votantes ratificó en sus cargos al presidente Evo Morales y a su vice; una victoria en 99 de las 112 provincias del territorio nacional. Los resultados son extraordinarios, sobre todo tomando en cuenta que en los escasos dos años y medio de gestión de gobierno no hubo logros espectaculares que tocaran la vida cotidiana del pueblo; además, cualquier analista político sabe que en toda administración nueva hay un desgaste natural e incluso calculable ¡que en este caso no ocurrió! Por el contrario, hubo crecimiento electoral favorable al gobierno nacional en ocho de los nueve departamentos, incluyendo los cuatro de la denominada Media Luna (Pando, Beni, Tarija, Santa Cruz).
Con poco ausentismo y excelente comportamiento, el pueblo tuvo oportunidad de participar en un mecanismo alternativo de resolución de conflictos sociopolíticos, toma de decisiones y reivindicación de demandas, colocando en el tablero un porcentaje espectacular que, pronto se supo, no todos están dispuestos a interpretar de forma positiva. El mencionado Referéndum no preguntaba únicamente por la continuidad del presidente y vice, sino también por la de los prefectos (especie de gobernadores departamentales) y en este caso hay que advertir que cuatro de los más hostiles también fueron ratificados. A ellos se suma la prefecta de Chuquisaca, una campesina cooptada por las élites de poder y ex simpatizante del MAS. Como muestra de los intrincados vericuetos políticos del país, esa mujer fue alfabetizada hace no mucho gracias al método "Yo sí puedo"...La derecha agudiza la confrontación
Aunque los resultados del Referéndum indican que una porción mayoritaria de la población optó por garantizar y profundizar el proceso de cambio propuesto por el MAS, los grupos de poder de los cinco departamentos mencionados iniciaron sin demora una nueva fase de confrontación. Para ello sus comités cívicos han reactivado el Conalde (Consejo Nacional Democrático) que opera de hecho como el partido de oposición derechista, habida cuenta del desprestigio absoluto y desaparición de los partidos tradicionales. Algunos analistas han denominado a esa fase como la del "síndrome de la fiera acorralada" y consiste básicamente en lo siguiente:
a. Desconocimiento práctico del gobierno central. A esto se suma la permanente humillación pública de la figura del presidente a través de insultos, algunos de franco tinte racista, así como la toma violenta de aeropuertos para impedir sus viajes y de esa forma ridiculizarlo, mostrándolo como incapaz de transitar y gobernar en su propio país.
b. Campañas articuladas de desinformación en los grandes medios de comunicación. Sus mensajes desconocen sistemáticamente cualquier logro del gobierno, le atribuyen responsabilidad sobre cualquier problema, y al mismo tiempo presagian de manera constante toda clase de males y desgracias para el país.
c. Procesos para implementar autonomías departamentales fuera de los marcos de la Constitución Política del Estado vigente. Incluyen la redacción de estatutos propios que en la práctica relegan al gobierno central a roles decorativos. Es interesante advertir que, por ejemplo en Santa Cruz, a pesar de los millones de dólares invertidos en propaganda, hubo un notable ausentismo durante la ilegal consulta del 4 de mayo. Además, según diversos sondeos, sólo un 7% de los votantes había hecho una lectura mínima de dichos estatutos.
d. A lo anterior se debe agregar las diferentes propuestas desembozadas de fragmentación del país, que van desde las "autonomías" mencionadas hasta la fórmula "un país, dos sistemas" y aún la conformación de una confederación independiente en la región oriental.
e. Toma de entidades estatales tales como aduanas, oficinas de recaudación impositiva, institutos regionales de reforma agraria, delegaciones presidenciales, puntos de control caminero, que son ocupadas y en ocasiones destruidas sus instalaciones. Ataques a ONG´s, radioemisoras comunitarias y sedes de organizaciones populares, campesinas o indígenas. Desde finales de agosto se han bloqueado las principales carreteras del oriente y sudeste del territorio nacional.
f. Amenazas a toda persona que ose expresar opiniones contrarias a las de los grupos de poder mencionados; los nombres son publicados en listados y se les decreta la muerte civil. También han sufrido golpizas, incendios intencionales y ataques con bombas y armas de fuego.
g. Organización, entrenamiento y financiamiento de grupos de choque. Se destaca la Unión Juvenil Cruceñista, que incluso es dislocada y movilizada desde Santa Cruz hacia diferentes puntos de la Media Luna. Por el momento operan en público con escudos del tipo antimotines, gruesos garrotes de madera y bengalas, aunque hay ya antecedentes en el uso de armas de fuego. Su composición se basa en el reclutamiento de marginales y maleantes. En la ciudad de Santa Cruz han llegado al extremo de cercar y hostigar durante un día completo al cuartel central de la policía; posteriormente atacaron y golpearon en la vía pública al comandante general.
h. Inoperancia casi absoluta y sometimiento a las elites locales por parte del Poder Judicial y de las Cortes Departamentales Electorales en los cinco departamentos mencionados.
i. Coordinación visible con la embajada de los EEUU y recepción de financiamientos vía USAID. El propio embajador Goldberg recorre el país y sostiene reuniones periódicas con diferentes personeros de la derecha, a pesar de las advertencias de la cancillería.
Complejidades de la realidad boliviana
Con el quiebre del modelo vigente en torno al año 2003 acabó un bloque histórico y el país entró en fase de transición hacia otro nuevo. Cayeron en crisis el ordenamiento económico neoliberal, el modelo de saqueo y entrega de los recursos naturales al capital privado y transnacional, y el papel del Estado como ente sometido y al servicio del capital. Dicho proceso dio inicio a una reconfiguración del poder político, así como al cuestionamiento de ciertas prerrogativas con las que contaron grupos económicos de poder (agroindustriales y empresarios).
Expulsados del gobierno central, hacia el año 2005 se atrincheraron en sus espacios geográficos regionales y dieron inicio a la estrategia de resistencia cuyas características describimos más arriba. Hay que reconocer que lograron trabajar con astucia ciertos temas y demandas, hegemonizando reivindicaciones históricas y colocando a la vez el propio proyecto político en sectores populares. ¿Cómo se explica que representantes del modelo fracasado hayan conseguido como promedio un apoyo del 61% en el Referéndum revocatorio del 10 de agosto? Más allá de la violencia a la que hicimos referencia, y que ciertamente opera como una fuerza a tener en cuenta, existen recursos eficaces de tipo simbólico. Según las investigadoras Carla Espósito y Helena Argirakis los fundamentales son:
1.Presentación de una polarización política maniquea que muestra dos Bolivias: la occidental (fracasada, parásita, retrógrada, compuesta por una "raza maldita" indígena) y la oriental (exitosa, motor de la economía nacional, pujante, moderna, racialmente blancoeuropea). Esto es nutrido con la construcción de mitos fundantes que muestran un desenvolvimiento histórico independiente, confrontaciones tempranas con los poderes coloniales, origen diferente de las corrientes de la conquista española, etc. Se oculta el hecho de que la región oriental, y en particular Santa Cruz, fueron beneficiadas desde 1952 por las propuestas de los EEUU a través del Plan Bohan, para un desarrollo agrícola que contó con abundantes recursos financieros, políticas migratorias internas respaldadas por el gobierno central, y proyectos de articulación caminera. Se esconde además el hecho de que durante décadas las deudas privadas de terratenientes fueran asumidas por el Banco Central (y pagadas por tanto por el pueblo) y que en tiempos de la dictadura de Hugo Bánzer fueran otorgadas fraudulentamente cientos de miles de hectáreas de tierras a los que hoy pretenden mantener su función como dueños del poder, en un proceso de re-feudalización de la sociedad.
2. Presentación del tema regional (oriente versus occidente) como la principal contradicción que explicaría todos los problemas del país.
3. Aprovechamiento de la demanda histórica por una auténtica descentralización político-administrativa, que es sintetizada, traducida y manipulada en la expresión "autonomía", asumida hoy acríticamente por un notable porcentaje de la población de Santa Cruz, Beni, Pando, Chuquisaca y Tarija.
4. Construcción de una "identidad regional" que aparece como suma de virtudes y tiene expresiones locales (lo camba para Santa Cruz, lo chapaco para Tarija) utilizando vocablos que hasta hace dos décadas eran aplicados con una connotación peyorativa a campesinos e indígenas, y hoy se asumen como compendio de perfecciones. De esa forma, lo camba, por ejemplo, se presenta como sinónimo de persona alegre, trabajadora, emprendedora, puntal de gestas civilizatorias contemporáneas, ligada a la modernidad, defensora de los valores del primer mundo y el capitalismo desarrollado, portadora y promotora de una estética de tipo anglosajón, etc. En contraposición, el occidente boliviano (en realidad, el universo indígena) sería entonces una suma de atrasos y desgracias. Se oculta el hecho del notable flujo migratorio interno desde el occidente hacia el oriente, y el sustantivo aporte de pequeños colonos, artesanos, comerciantes y profesionales que en la actualidad ven amenazadas sus propias identidades y culturas, o en el peor de los casos se sienten obligados a enmascarar o renegar públicamente de las mismas, con el fin de sobrevivir en sociedades sometidas por el terror y el racismo.
¿Qué vendrá?
En la actual fase de transición es difícil saber qué puede ocurrir. La apuesta de la derecha vernácula por la vía de la confrontación es una evidencia palmaria. Demuestra una vez más que su proyecto no pasa por el país, y que está dispuesta a llevar las tensiones hasta donde sea necesario, aún a costa de una debacle nacional; la desesperación la ciega. Ha fracasado en sus intentos de recibir respaldo regional o internacional y sólo le resta hacer arder a la nación; para ello ha decidido tomar las calles en cinco de los nueve departamentos de Bolivia.Por el otro lado, el gobierno central ha demostrado una parsimonia que en ocasiones confunde. Resulta evidente que evitó, hasta extremos insólitos, la represión y confrontación directa; evitó además movilizar a sus bases en las regiones conflictivas. Evo Morales ha expresado que no gobernará sobre la sangre de su pueblo. Sin embargo, estas posiciones, así como sus llamados al diálogo, son inmediatamente interpretados por los grupos de derecha como señales de debilidad, lo cual los lleva a probar nuevas vueltas de tuerca. Con un respaldo del 67% a su gestión, quizá para el gobierno ya sea tiempo de promover otro tipo de acciones y medidas.

Más información: http://alainet.org

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mulheres senegalesas falam sobre a amputação de clitóris e como erradicá-la

Publicado hoje no El País


Por Daniel Borasteros
Em Baliga, Senegal


"Vi muitas meninas sangrar", ela diz assim em voz baixa, enquanto as sandálias varrem como um pêndulo a terra vermelha do pátio e os perus caminham nas pontas dos pés em volta de um cabrito preguiçoso. Fala devagar e sem nenhum reforço das mãos. Sem teatro. Lala Camara é uma profissional da ablação. Uma executora precisa mas desapaixonada dessa prática que consiste em "despojar as mulheres de sua sexualidade", segundo a definição da ativista senegalesa Khady Koita.

Camara tem 54 anos e vive em Baliga, uma pequena comunidade woloff (etnia majoritária no Senegal) de 1.300 habitantes e rodeada de baobás nodosos. Cobrava 6 euros por mutilação. "Um preço justo", indica, já que também se encarregava da manutenção das meninas, entre 13 e 17 anos, durante a semana que durava a convalescença.

Não se limitava a lhes extirpar o clitóris com uma navalha; também selava os lábios da vagina com espinhos de acácia. Depois, quando a menina se casava - em geral depois de um pacto de conveniência entre os pais -, se encarregava de "desabrochar" a vulva.

Camara nunca tocou suas próprias filhas. Não achou boa idéia. Conhecia bem o processo: "Sai muito sangue; é ruim". Mas também jamais se fez qualquer consideração moral: "É uma tradição e uma maneira de ganhar a vida. Alguém tinha de fazer isso". Seu povoado, por insistência da ONG Tostan, abandonou essa prática em 1999. Lala enterrou suas navalhas na terra vermelha dos campos de cultivo de milho e espinafre e mudou de negócio: "Agora me dedico a vender água".

Usa um vestido de bolas azuis sobre um fundo branco e a cabeça coberta com um pedaço do mesmo pano. Fala no pátio de sua casa, uma minúscula construção de barro com um colchão atravessado perto da porta. "Fiz mais de cem ablações durante os 42 anos de profissão", confessa, enquanto as meninas pequenas correm ao seu redor. "Os pais decidiam e não havia mais o que falar", conclui.

Uma tese que Koita, artífice da ONG Palavra, desmente parcialmente: "As mulheres são as que as fazem, e muitas vezes as que insistem nisso. Em geral são as mulheres que transmitem e cuidam das tradições". Camara não é exceção. Das 5 mil comunidades, leia-se aldeias, do Senegal, cerca de 2 mil repudiaram explicitamente a "incisão". Paradoxalmente, as grandes cidades como Dacar, a capital, são as que mais resistem à mudança de costumes.

O mesmo vale para os imigrantes que vivem na Europa. Um dos líderes locais da oposição à ablação revela que cada vez que um dos "europeus" volta a seu povoado provoca uma involução. A questão é que o imigrante, afastado de suas referências locais, resiste a abandonar as tradições porque isso lhe causa mais estranhamento. Por sua vez, como aqueles que cruzaram o Mediterrâneo e se estabeleceram em países como a Espanha têm muito prestígio em suas localidades de origem, sua atitude provoca dúvidas nos habitantes da aldeia.

Khady Koita tinha 13 anos quando atravessou o mar. Abandonou Thies, barracos de lata e casas semiconstruídas em uma estrada estreita encharcada que se perde no horizonte, para viver na França. Deixou para trás uma infância "muito feliz". Mas também uma parte de seu corpo. Hoje tem mais de 50 anos, uma ONG em expansão, muitos prêmios de cooperação e um livro. Escreveu "Mutilada" em 2005. Um título suficientemente explícito sobre seu conteúdo: "Duas mulheres me agarraram e me arrastaram até o quarto. Uma atrás de mim segura minha cabeça e seus joelhos achatam meus ombros com todo o seu peso para que eu não me mexa; a outra me segura no colo com as pernas abertas; meu coração começa a palpitar com muita força".

Para combater essa chaga, Koita assinou na terça-feira um convênio de colaboração com a Comunidade de Madri (dentro das atividades previstas na viagem que realizam pela África cem adolescentes madrilenhos no programa "Madri Rumo ao Sul", no qual conhecem in loco os projetos de cooperação e ONGs que trabalham nos países africanos que visitam durante um mês). Recebeu 85 mil euros de Carlos Clemente, vice-conselheiro da Imigração, e depositou a primeira pedra de um centro de formação para meninos e meninas nos arredores de Thies - a segunda cidade mais populosa do Senegal, com 350 mil habitantes. Clemente acrescentou que a comunidade não subvencionaria "nenhum governo da África corrupto".

Antes, em um auditório composto pelos cem adolescentes da caravana Rumo ao Sul, que viajam com a Comunidade de Madri, Koita explicou suas teorias sobre o subdesenvolvimento na África em geral e no Senegal em particular. A poucos metros, uma senhora caminhava com uma cabrita que segurava com a mão como se fosse um menino pequeno, e as crianças brincavam com velhas rodas de carroça.

A ONG Palavra, fundada por Koita, afirma que a única forma de conscientizar as pequenas comunidades é com um "diálogo diplomático", sem conotações morais que sugiram superioridade cultural dos europeus e "com muita paciência, insistindo nos temas de higiene e saúde".

"Não digo às pessoas o que devem fazer; começo uma conversa com elas de vários dias. Não digo diretamente 'Você não deve mutilar sua filha'", explica. Embora Koita não tenha nenhum tipo de ambigüidade e indique que seu objetivo final é formar "cidadãos iguais, cidadãos inteiros".

Segundo a ativista, o debate já se instalou no Senegal. Os jovens discutem acaloradamente a propriedade ou não dessa prática que se estende por toda a África. Os partidários se apóiam no seguinte argumento: "Uma mulher sem desejo sexual é mais pura e mais limpa, e a única chave para isso é lhe tirar o clitóris". Essa é a tese que defende uma roliça mãe de sete filhos vestida de laranja, enquanto mostra o forno de barro de sua cozinha, uma peça separada em forma de choça e paredes de barro. "Os costumes têm sua razão", afirma, apesar de admitir os riscos para a saúde.

Alguns problemas de saúde que a especialista Lala Camara, com 42 anos de ofício nas costas, admite. Mas afirma que nunca morreu uma das "suas meninas": "Só ficavam doentes, mas não morriam".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Allende: "A História é nossa e a fazem os povos"

No dia 11 de setembro de 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, foi assassinado na sede do governo, durante o golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet, com apoio declarado do governo dos Estados Unidos. Em seu discurso derradeiro, Allende pede ao povo chileno que aproveite a lição: "o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição".
Redação - Carta Maior


Discurso do Presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, dia do golpe de Estado que derrubou o governo da Unidade Popular e implantou a sanguinária ditadura militar comandada pelo general Pinochet:

"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês? A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."

As estratégias perversas do ACNUR-Brasil e da Cáritas Brasileira


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

35 años del inicio de la Resistencia Popular en Chile



El Comité Central del Movimiento de Izquierda Revolucionaria - MIR de Chile, invita a usted y su familia a conmemorar los 35 años del inicio de la Resistencia Popular en nuestro país. El acto se realizará el día 14 de septiembre a las 10:30 hrs., a la salida del Metro estación Cementerios, a la entrada del Cementerio General. (Ver Mapa)

Por una Vida Digna para Todos

É golpe

FOLHA DE SÃO PAULO - O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe
contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas
parecidas às que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de
Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales.
Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são a cópia de locautes de
caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende.
Outra semelhança: Allende elegeu-se presidente, em 1970, com pouco mais de
um terço dos votos (36%). Mas, três anos depois, sua Unidade Popular saltou
para 44%, em pleito legislativo, o que destruiu qualquer expectativa da
direita de vencê-lo política ou eleitoralmente. Foi na marra mesmo, o que deu
origem a um dos mais brutais regimes políticos de uma América Latina
habituada à brutalidade.
Evo Morales também se elegeu com menos votos do que obteve agora no chamado
referendo revogatório, o que demonstra um grau de aprovação popular até
surpreendente para as dificuldades que o governo enfrentou desde o primeiro
dia, em parte por seus erros e em parte pelo cerco dos adversários.
A luta dos Departamentos pela autonomia, eixo da crise, é também legítima e
precede Evo Morales.
Mas passou a ser apenas um biombo para encobrir as verdadeiras intenções,
cristalinamente reveladas a Flávia Marreiro, desta Folha, por Jorge Chávez,
líder "cívico" de Tarija, um dos Departamentos rebelados contra o governo
central: "Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e
derrubar o governo deste índio infeliz".
Cena mais explícita de hidrofobia e racismo, impossível. Nem o governo nem a
oposição no Brasil têm direito ao silêncio, escondendo-se um na
não-ingerência em assuntos internos e outra em preconceitos similares.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sutileza por Banksy





No dia 7 de setembro, participei com o Batala (banda de percussão) do desfile cívico. Depois me juntei a alguns companheiros que compunham o Grito dos Excluídos do qual já participei em vários anos em cidades diferentes. Ali, vi um rapaz que tatuou essa imagem nas costas, do artista inglês Banksy. Perfeita.

Banksy é um artista de graffiti que, apesar de se manter no anonimato, sem nunca se ter visto uma foto dele, é um dos principais artistas mediáticos da atualidade. Ele é conhecido pelas suas pinturas em animais vivos, por colocar o seu trabalho às escondidas em famosas galerias de arte ou por suas pinturas associadas à crítica social ou política, encontradas do dia para a noite em vários locais espalhados por diferentes lugares do mundo.
Acredita-se que tenha nascido em 1974, mas existem grandes incertezas públicas relativamente à sua biografia inclusive seu verdadeiro nome e localização. Banksy combina nas suas técnicas de street art, o graffiti com stencilling (aplicação de spray com o auxílio de um molde ou template, de forma a que certos elementos sejam sempre idênticos de pintura para pintura. De fato, hoje em dia as pinturas de Banksy sao facilmente identificáveis para quem já conhece um pouco do seu trabalho, dada a técnica distintiva utilizada. As suas imagens, quer sejam na rua, em murais, ou através de desenho no papel, têm geralmente um caráter humorístico e por vezes são combinadas com slogans alusivos. As mensagens transmitidas sao em sua maioria anti-guerra, anti-capitalistas ou anti-constituição. Faz parte também das suas imagens (ou esculturas) aproveitar certos objetos já existentes no local utilizando-os como parte da própria imagem ou estrutura de arte. A imagem acima o "Flower Chucker", é talvez, seu trabalho mais conhecido. Aqui no blog vc encontra outras imagens (buscando pelo nome dele) postadas anteriormente.

LXXII Sarau Tribo das Artes - Hoje!!!


Quizomba* da Tribo


Neste mês da “independência”, a Tribo das Artes
homenageia os negros que lutaram por liberdade.



Programação


Vinheta de abertura: Quizomba* da Tribo


Filme:

“Geni” – um curta de Marco Alencar

Exposições:

bordados do grupo Matizes Dumont **
varal de revistas da Tribo.

Música:

Trio Milagre

Cia Mambembrincantes

Poeta convidado:

Mangueira Diniz

Lançamento de livro:

Centenário de Guimarães Rosa, de Xiko Mendes

Momento do troca:

traga CDs, livros, sorrisos, vinis, olhares, idéias...


Espaço livre para recital do público:


*
Quizomba é uma dança dos negros angoleses. Abrasileirada como festa dos quilombolas que lutaram contra o colonizador branco português. Portanto, festa dos que lutam por liberdade.

** O
grupo Matizes Dumont é formado por seis artistas de uma mesma família de Pirapora - MG, e é composto pela mãe Antônia Zulma Diniz Dumont e cinco filhos: Ângela, Marilu, Martha, Sávia e Demóstenes, e pela terceira geração: Luana,Lena,Paula,Tainah, Luíza,Carolina,Marina e Juliana. Consulte o site: www.matizesbordadosdumont.com

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