"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Do diário de Charles Darwin

Quando viajou pelo mundo a bordo do Beagle, Charles Darwin passou por um país exótico, o Brasil. Em 3 de julho de 1832, passando pelo Rio, ele escreveu em seu diário:

    "Fui à cidade. Ao aportar, encontrei o Paço Imperial cheio de pessoas que cercavam a casa de dois operadores de câmbio que foram assassinados ontem à noite de uma maneira mais atroz que o de costume. — Dá bastante medo ouvir que crimes enormes são diariamente cometidos e saem impunes. — Se um escravo assassina seu mestre, após ser confinado por algum tempo, ele torna-se propriedade do governo. — Por maior que seja a acusação contra um rico, é certo que em pouco tempo ele estará livre. — Todos podem aqui ser subornados. — Um homem pode se tornar um marinheiro, ou médico, ou qualquer profissão, se puder pagar o suficiente. — Já foi seriamente afirmado por brasileiros que o único defeito que viam nas leis inglesas era que elas não davam a pessoas ricas e respeitáveis qualquer vantagem sobre os miseráveis & os pobres. —

    Os brasileiros, até onde posso julgar, possuem uma pequena fração daquelas qualidades que dão dignidade à humanidade. Ignorantes, covardes & indolentes ao extremo; hospitaleiros & de boa índole, desde que isso não lhes cause problemas; tranquilos, vingativos, mas não brigões; contentes com si mesmos & seus costumes, respondem a qualquer comentário perguntando "por que não fazemos isso como nossos avós faziam?"...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Colabore com o novo filme do Michael Moore

Depois de atacar a indústria de armas americana, a de planos de saúde e denunciar os erros do governo Bush durante os ataques às Torres Gêmeas em 2001, o cineasta Michael Moore promete agora esmiuçar as raízes da crise econômica mundial. Nesta quarta-feira, Moore disparou um e-mail para milhares de pessoas que são cadastradas no seu site com a seguinte pergunta: "Você me ajudaria a fazer o próximo filme?"


Leia abaixo a íntegra do pedido de Michael Moore:


Amigos,

Estou no meio das filmagens de meu próximo filme e procuro alguns corajosos que trabalhem em Wall Street ou na indústria financeira para dividir o que eles sabem. Com base naqueles que já entraram em contato comigo, acredito que alguns de vocês saibam "o que está por trás" dos abusos que aconteceram. Vocês têm a informação que o povo americano precisa ouvir. Estou humildemente pedindo um momento de coragem, de heroísmo e de ajuda para que possa expor a maior fraude da história americana.

Todas os contatos podem ser mantidos em confidencialidade. Sua identidade será protegida e você decidirá até que ponto deseja participar contando o maior crime da história que jamais foi contado.

O importante é que você se levante como um americano e sua obrigação é dar alguma luz a este colapso financeiro. Algumas boas pessoas já se juntaram a mim, o que me leva a crer que há muitos mais que sabem o que está acontecendo. Esta é sua chance de contar a verdade a seus queridos cidadãos.

Se você tem alguma informação que possa ajudar, por favor, entre em contato através do meu e-mail: bailout@michaelmoore.com.

Para o resto de vocês da minha lista de e-mail que não trabalham no indústria financeira, estão agora se perguntando: "Que droga é essa? Pensei que ele estivesse fazendo uma comédia romântica!!"

Bem, não posso dizer muito por agora. Tenho certeza que vocês entendem o motivo. O que posso dizer é que vocês vão gostar deste filme quando terminá-lo. Ah, sim...

Então, de novo, se você trabalha num banco, numa corretora ou numa empresa de seguro - ou se viu coisas ou ouviu coisas que acha que o povo americano tem o direito de saber - por favor, entre em contato pelo bailout@michaelmoore.com.

Grato pela ajuda!"

domingo, 8 de fevereiro de 2009

CINE VERDE: UMA VERDADE MAIS QUE INCONVENIENTE

A Sociedade Vegetariana Brasileira, grupo de Brasília e o Cine Verde
convidam para a exibição do documentário:

"UMA VERDADE MAIS QUE INCONVENIENTE"

Data: 15/02 - domingo
Local: Restaurante Girassol – na 409 Sul
Horário: 17h30
Entrada franca

Obs.: quem desejar pode levar alimentos e materiais pró-vegetarianismo
para partilharmos e confraternizarmos após a exibição do documentário.

O projeto Cine Verde é uma parceria entre o restaurante Girassol e a
Escola da Natureza. A intenção do projeto é apresentar vídeos que
tratam de temas socioambientais e promover o debate e a reflexão do
público participante.

Sobre o documentário:

Exibiremos um importante documentário - "Meat the truth" - "Uma
verdade mais que inconveniente", uma resposta ao "Uma Verdade
Inconveniente" do Al Gore, que trata de algumas das causas do
aquecimento global, poluição e males afins, mas deixa a questão da
pecuária de lado.

"Meat the truth" é o primeiro documentário a explorar a relação entre
o consumo de carne e as mudanças climáticas.

A fundação que produziu "Meat the truth" é uma espécie de braço
científico do Partido dos Animais, da Holanda, primeiro e único do
mundo.

O documentário é apresentado por Marianne Thieme
(http://www.partyfortheanimals.nl/content/view/361/weblog/view/501/Mar
ianne_Thieme/PO ), membro do parlamento holandês e fundadora do
Partido dos Animais.

Ao longo de pouco mais de uma hora, o documentário mostra exemplos dos
dados levantados pelo documento da FAO – Organização das Nações Unidas
para a Agricultura e a Alimentação - e faz uma avaliação crítica do
que este documento qualifica de modelo norte-americano carnívoro de
dieta.

Aponta também o impacto da pecuária sobre áreas naturais sendo
transformadas em pastagem, com destaque para a Amazônia.

A redução do consumo de carne pode ser significativa, diz o
documentário.

Se cada norte-americano substituir a galinha por uma opção vegetariana
em apenas uma refeição por semana, isso equivale a evitar a emissão de
gás carbônico causada por 500 mil carros rodando pelo país.

O documentário não diz : `não coma carne'.

A mensagem que pretende passar é `por favor, pense em diminuir o seu
consumo de carne, pelo planeta e pelos animais'.

"Encorajar as pessoas a reduzir o consumo de carne, mesmo que seja aos
poucos, é provavelmente uma estratégia mais eficiente do que esperar
que todos se tornem vegetarianos", afirma Soeters, adepta do
vegetarianismo, assim como os membros da fundação e do Partido dos
Animais.

As reuniões mensais da Sociedade Vegetariana Brasileira, grupo Anna
Kingsford, (http://www.svb.org.br/annakingsford/) de Brasília,
acontecem sempre no último domingo de cada mês. Em fevereiro,
excepcionalmente, considerando que o último domingo do mês é Carnaval
*, incluímos em nosso calendário o Vegaval – um domingo antes, dia 15,
uma data para ampliarmos nossa compreensão sobre o impacto de nossas
escolhas e decisões diante da Vida, e sobre como podemos nos envolver,
nos comprometer e modificar positivamente nosso destino comum. *...o
termo 'carnaval', de origem incerta, é encontrado no latim medieval
como carnem levare ou carnelevarium, palavra dos séculos XI e XII, que
significava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, a hora em que
começava a abstinência da carne durante os quarenta dias nos quais, no
passado, não se comia carne de animais. (origens do Carnaval)

"Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio
encoraja o torturador, nunca o torturado" – Elie Wiesel

" Não compre animais de estimação - Adote!"

Tanira Azevedo .:. (61) 9838 1099 .:.

Gentileza gera gentileza - http://www.youtube.com/watch?v=r7pTM8-rQLQ

Paz pela Paz - http://www.youtube.com/watch?v=E7NtxAt4Ooc

Filie-se à SVB - http://www.svb.org.br

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Infernópolis: o pecado de ser pobre

Ricardo Alvarez

Ação da Polícia Militar de SP na segunda maior favela da cidade peca pela agressividade contra pobres e o direito de protestar, mistifica a origem dos confrontos e alimenta a idéia de “limpeza social”.

Tudo começou com o atropelamento e morte de um garoto que teve duplo azar na vida: nasceu pobre e morreu nos primeiros anos de sua frutífera vida. Seguiu-se ao acidente uma manifestação dos moradores por equipamento público, para coibir novas mortes. Nada mais justo e compreensível.

Na manifestação ocorreram quebradeiras provocadas por garotos que não têm muito a perder, mas não contavam com o apoio dos manifestantes e da Associação de Moradores. Quando se vive no limite, relegado a uma mobilidade restrita numa metrópole repleta de possibilidades, sem a presença efetiva de equipamentos públicos de qualidade, assombrado pela violência, pelo desemprego, miséria, álcool e rendimentos risíveis, a fronteira entre o legal e o ilegal é muito tênue. Não se trata simplesmente de “desvio de caráter”, ou de vandalismo inconsequente como parte da imprensa e a própria SSP fez crer. Mas o teatro estava apenas no começo.

Paraisópolis é uma grande mancha urbana de pequenos casebres, alta densidade demográfica e com indicadores sociais perversos: apenas 0,45% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no ensino superior. Em 1991 o índice era de 1,19%. Apenas 20% do mesmo grupo social estão no ensino médio (Moema tem percentual de 84%) e a baixa escolaridade colabora no desemprego: 1 em cada 4 adultos está sem trabalho. A renda média entre seus moradores é de R$ 367,00 ao passo que na cidade de São Paulo o valor chega a R$ 1.325,00. A degradação persistente da qualidade de vida destas pessoas desceu em profundidade abissal.

Ao seu redor encontramos situação inversa: cercada de edifícios majestosos, casas de alto padrão, com imensos terrenos gramados e arborizados, seguranças particulares e abastecidos de total infra-estrutura. Seus vizinhos gastam mais dinheiro num ano em manutenção das piscinas do que o Estado em educação a estes deserdados urbanos.

Cito esta contradição explícita na paisagem da geografia local para reforçar a idéia de que o convívio permanente entre os socialmente desiguais é sempre explosivo, apesar da repetitiva ladainha que o problema reside na personalidade das pessoas, que a delinqüência vem de berço e a violência está no sangue de alguns. Tolos, não percebem que este mesmo discurso embala as políticas de segurança pública há décadas sem solução definitiva.

Também não façamos coro com a tese dos “dois Brasis”, pois as relações entre estes dois mundos são próximas. Trabalhar com o doméstica nestas residências é uma das principais fontes de empregos para as mulheres de Paraisópolis e o assistencialismo corre solto e evidencia sua incapacidade em apontar saídas: Kaká doou bolas, ONG´s distribuem alimentos e roupas, a BOVESPA montou uma Biblioteca, Colégio de classe alta da redondeza oferece bolsas de estudos, enfim, ações apoiadas em responsabilidade social que não dão conta de suprir a irresponsabilidade social dos governos constituídos.

Quando carros foram atacados, pneus queimados e comércios destruídos, num ato espontâneo de revolta contra uma realidade insuportável, a resposta foi o show da operação policial. Estar rodeado de ricos e, principalmente, muito próximos do Palácio do Governo de São Paulo, habitado e dirigido pelo Sr. José Serra, foi outro baita azar.

Na ótica do governo, era preciso agir e rápido. Primeiro, a desculpa padrão: a culpa é da própria população que protege os traficantes que atacaram a Polícia. Segundo, uma movimentação policial exemplar: desfile de viaturas pela Marginal do Rio Pinheiros mostrando que o Governador não tergiversa, age. Terceiro, a grande mídia entra em cena: como sempre criando cenários que levam a conclusão imediata de que a ação se justifica, e mortos e feridos são inevitáveis.

O mais irônico é que ocupar casas sem mandato de segurança virou rotina, matar jovens suspeitos, uma necessidade e, aterrorizar a população local, um aviso. Minha suspeita é que por detrás deste modus operandi, que se diga não é uma exclusividade de São Paulo, existe uma política mal disfarçada de redução das pressões populacionais por emprego e serviços públicos, que acomete principalmente crianças e adolescentes pelo Brasil afora. São grupos de extermínio institucionalizados e que comumente recebem aplausos de telespectadores confortavelmente instalados diante de seus televisores, e crentes de que o melhor foi feito.

Poderia haver o caminho do diálogo, sem dúvida nenhuma, houvesse interesse do Gabinete do Governador. O Cel. Ailton Araújo Brandão, comandante da ação em Paraisópolis tem, inclusive, folha corrida a este respeito. Ele foi um dos participantes daquela malfadada reunião ocorrida com a cúpula da Polícia Militar de SP e o PCC, em 2006, quando era Comandante da PM na ponta oeste do estado de São Paulo, justamente onde estavam presos os membros da cúpula da organização. Um ano depois recebeu o título de cidadão prudentino, com direito a almoço e placa da honraria pelos serviços prestados.

O Cel. Brandão apontou seu dedo para as novas tecnologias como culpada pelo sumiço de gravações contra a PM pela morte de 104 pessoas nos confrontos com o PCC. O gravador do 190 falhou e o backup automático também falhou.

Mas ele foi condecorado pela Assembléia Legislativa de São Paulo em setembro de 2007 como Comandante do Policiamento da Capital da Polícia Militar do Estado de São Paulo, junto com o Governador Serra. Recebeu importante medalha dos paulistanos, embora o povo de Paraisópolis possivelmente nem saiba que ela exista. Talvez por isso a raiva.

A PF também chegou ao referido Cel. através da Operação Santa Tereza. Em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo foi revelado um esquema de distribuição de ingressos para uma festa de peão no interior de São Paulo com artistas consagrados. O “mimo” era a contrapartida pelo oferecimento de segurança pública a um prostíbulo privado que lavava dinheiro do BNDES na capital. Vê-se, portanto, que o crime maior não está em Paraisópolis, mas em outros lugares e o Cel. sabe quais são.

A ação da polícia é a síntese de uma imbricada teia de interesses que passa pela definição, a priori, de que pobre em favela é culpado antes de mais nada, de que é preciso fazer alguma coisa contra a criminalidade e é na favela que o tráfico manda. Humilhar pessoas, revistando-as, invadindo suas casas, num show travestido de caça aos traficantes explicita mais do que uma prática condenável, mas um tratamento de choque para um problema social.

A ocupação da favela de Paraisópolis na cidade de São Paulo, neste começo de fevereiro, é emblemática sobre o papel do tucanato diante dos problemas sociais no estado de São Paulo. Para fazer justiça, o Demo Kassab também foi condecorado na Assembléia Legislativa num ambiente agradável e de confraternização.

Pena que enquanto alguns desfrutam deste conto de fadas com dinheiro público outros vivem num inferno constante e são condenados ao castigo da morte lenta e silenciosa. Mesmo vivendo na “cidade do paraíso”.


Ricardo Alvarez
Professor e editor do Blog Controvérsia
blog.controversia.com.br

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Se todos fossem iguais a você...

“Fico-me na soleira do vestíbulo. Mal comportado que sou, reconheço o meu lugar. O bom comportamento lá dentro me dá aflição”...

Monteiro Lobato ao rejeitar a indicação para
a Academia Brasileira de Letras, em 1944.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Próximo Roda Viva (amanhã)

Slavoj Zizek
Filósofo e Psicanalista

Professor da Universidade de Lubliana, na Eslovênia, Diretor Internacional do Instituto de Humanidades da Universidade de Londres, Slavoj Zizek é um dos principais teóricos contemporâneos. Navega pelos mais variados cenários intelectuais. Da teoria social para a crítica da cultura, da teoria do cinema para o marxismo, a psicanálise, a política. Nome presente no debate sobre a desintegração dos estados socialistas e sobre o papel da esquerda no mundo atual, Zizek também aborda os dilemas que a globalização e a crise financeira colocam às pessoas e que tanto economistas quanto psicanalistas tentam decifrar. Provocativo, polêmico, Slavoj Zizek constrói um olhar e um pensamento diferente que o destaca na crítica da cultura contemporânia e na análise dos desafios políticos do mundo.

Participam como convidados entrevistadores:
Maria Rita Khel, psicanalista e escritora; Laura Greenhalgh, editora executiva dos cadernos Aliás e Cultura do jornal O Estado de S. Paulo; Emir Sader, sociólogo e Vladimir Safatle, professor do departamento de filosofia e do instituto de psicologia da Universidade de São Paulo.

Apresentação: Alexandre Machado

O Roda Viva é apresentado às segundas a partir das 22h10.
Você pode assist ir on-line acessando o site no horário do programa.
http://www.tvcultura.com.br/rodaviva

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