"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

quinta-feira, 29 de abril de 2010

LANÇADA EM BRASÍLIA A REDE DE COMUNICADORES PELA REFORMA AGRÁRIA



No último dia 26 de abril cerca de noventa comunicadores, militantes da reforma agrária e representantes da sociedade civil se reuniram no auditório do Sindicato dos Metroviários do DF, localizado no CONIC, para o lançamento da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária de Brasília.


A rede é uma iniciativa voluntária e tem como integrantes pessoas como o jornalista Leandro Fortes, da Carta Capital e representantes de cerca de 30 entidades, empenhados em apoiar publicamente a reforma agrária. Essas pessoas decidiram construir um coletivo que tem o objetivo de se contrapor à informação divulgada pela grande mídia, em geral financiada por setores da agroindústria. A ideia é disponibilizar - em especial na internet - o máximo de material possível que possa avaliar, analisar e se necessário, desmentir, matérias que abordam o tema.
Na noite do lançamento, o coletivo promoveu debate sobre a criminalização dos movimentos sociais, as relações entre grande imprensa e o agronegócio, além do papel da grande mídia na cobertura da reforma agrária.
Leandro Fortes, que foi um dos convidados a compor a mesa, fez duras críticas à postura de veículos que não abrem espaço para o contraditório na cobertura de ações organizadas por movimentos que lutam pela reforma agrária, como nas ocupações realizadas pelo MST: “só não é capaz de compreender a importância da Reforma Agrária para a construção de um país mais justo e para o combate efetivo da exclusão social, alguém ignorante, idiota ou mau caráter (ou os três), salienta Leandro.
Conforme debatido durante o evento, a ignorância possivelmente é o elemento mais comum no país, já que o bombardeio midiático não permite o exercício da imparcialidade. Além disso, a edição de imagens é realizada com o intuito de mostrar apenas um dos lados da questão, uma abordagem nada ética.
Leandro ressaltou que a matéria é pauta do Congresso há muitas décadas e que nem o Governo Lula realizou a reforma que todos esperavam. Com isso, os grandes centros, continuam inchando com o processo migratório que aumenta os problemas estruturais nos espaços urbanos e transforma famílias inteiras de pequenos produtores em moradores de rua ou de regiões de periferia das grandes cidades.

O jornalista e professor da UnB Fernando Paulino, iniciou sua participação apontando a relevância do número expressivo de estudantes de jornalismo no evento e lembrou que o coletivo é uma tentativa de construir uma rede voluntária com todo e qualquer profissional que atue na comunicação de alguma forma, não somente jornalistas, mas advogados, engenheiros, estudantes e qualquer um que possa “ajudar a combater a informação patrocinada por setores como a bancada ruralista do Congresso Nacional”, argumenta.
No endereço www.reformaagraria.blog.br, é possível encontrar material produzido por diversos profissionais que colaboram com o conteúdo do página, que conta com cerca de 250 adesões. O coletivo também acompanha os trabalhos da CPI criada para investigar o MST. 

Fotos: Juliana Medeiros

terça-feira, 27 de abril de 2010

A comunicação pode fazer mais pelo país


Acho que o jornalista Leandro Fortes definiu bem: só não é capaz de compreender a importância da Reforma Agrária para a construção de um país mais justo e para o combate efetivo da exclusão social, alguém ignorante, idiota ou mau caráter (ou os três).

Particularmente, considero que o primeiro - o ignorante - seja o mais comum em nosso país. Isso porque com o bombardeio midiático que sofremos todos os dias, fica difícil realmente manter um mínimo de imparcialidade. E o peso das imagens é, muitas vezes, estarrecedor. Para a dona de casa e família, sentados no sofá da sala assistindo ao maior jornal do país, por exemplo, como duvidar do que vêem? A questão é que as imagens são editadas para que a "família brasileira" compreenda apenas um dos lados da história.

Não sei de quem é a ilustração acima (tirei do blog do Leandro Fortes), mas é interessante observar como a maioria das pessoas não percebe a relação óbvia entre os fatos ilustrados. E é uma pena maior ainda que a maior parte dessas pessoas não somente ignorem o fato, mas sumariamente não se importem com ele.

Hoje à noite, será lançada em Brasília a Rede de Comunicadores pela Reforma Agráriauma tentativa de construir uma rede que combata a informação patrocinada por setores como a bancada ruralista do Congresso Nacional e parte da elite dominante no país.

Encontro vocês lá.

(Massacre de Eldorado dos Carajás, 17/04/1996)


Ouça aqui a entrevista com Mayrá Lima do MST:




Serviço:
Lançamento da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária
• Dia – 27 de abril (terça-feira)
• Horário – 19h
• Local – SindMetrô
Conic – Edifício Venâncio V Cobertura - Brasília / DF
• Mesa de debates: Leandro Fortes (Repórter da Carta Capital)
Venício Lima (Núcleo de Mídia e Política da UnB)
Edelcio Vigna (Assessor do Inesc)
Visite, escreva e divulgue o nosso blog (www.reformaagraria.blog.br)

sábado, 24 de abril de 2010

Rádio é uma delícia

Ontem, fui sorteada pelo blog Café & Conversa, que acompanho praticamente desde que foi criado, com uma caneca igual à essa que vcs podem ver na minha mão.


A descrição da entrega pelo editor do blog, o Prof. Romoaldo, ficou hilária. Cabendo um acréscimo: eu adorei a caneca mas realmente preferia ter levado a Land. =))






Outra coisa bacana é que ele ofereceu uma igualzinha à minha a um ouvinte da Rádio Cultura FM, durante o programa Revista 100,9.


Muitas outras coisas legais são sorteadas durante o programa que apresento toda sexta-feira. No mesmo dia da caneca, dois ouvintes ganharam ingressos para ver o show do Gil e ainda puderam conversar com ele no camarim. Aliás, EU também conheci o Gil :)






Essa é a parte boa de fazer rádio, uma interação com quem recebe a mensagem que somente esse veículo proporciona.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia da Terra

La se vão 40 anos que o mundo celebrou pela primeira vez o Dia da Terra.

Foi em 22 de abril de 1970.

O Greenpeace celebra a data com esse vídeo para lembrar que

nossa Mãe anda precisando muito da nossa mão.




segunda-feira, 19 de abril de 2010

Faltam dois dias (aos que não se conformam)


"Não aceiteis o que é hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar."
(Bertold Brecht)

Todos somos índios



"Somos acusados de ladrões dentro de nossa própria terra (...)muitos chegam para me perguntar o que nós cometemos para sermos julgados, qual foi nosso crime? (...)"
Joênia Batista, índia Wapichana 





Hoje dois eventos marcam o Dia do Índio (instituído em 1943 pelo ex-presidente Getúlio Vargas) e a vida de nações indígenas de regiões próximas, no Norte do país.

De um lado, comunidades da Raposa Serra do Sol comemoram um ano da histórica decisão do STF que garantiu a demarcação da área de Terra Indígena (TI) na disputa com produtores de arroz. A festa terá a presença do presidente Lula e da candidata Marina Silva em Roraima.

De outro lado, representantes de nações indígenas da Amazônia, atraem para suas manifestações até mesmo o cineasta James Cameron, contra a construção da usina de Belo Monte. Ele participou na Amazônia e em Brasília de reuniões e protestos em favor das comunidades que vivem próximas à área onde o governo pretende construir a hidrelétrica de Belo Monte. O gigantesco projeto exigirá escavar uma área maior que o canal do Panamá em plena Amazônia, cujo seu maior rio, o Xingu, terá seu curso desviado em mais de 100km.

O leilão dos consórcios empreendedores, está previsto para acontecer amanhã. O presidente, que estará em Roraima, defensor do desenvolvimento a qualquer custo, diz que irá construir a usina, mesmo sem a iniciativa privada. E se por um lado, ajudou um grupo de indígenas a terem suas terras demarcadas, por outro, não quer nem ouvir falar no apelo daqueles que vivem no rio Xingu.

Desde 1500 até hoje, o que os primeiros moradores dessa terra chamada Brasil tem a comemorar? 

Se você é brasileiro, a chance é de pelo menos 90% de haver sangue indígena em suas veias, fruto da miscigenação ocorrida no início da história do país que, em termos históricos, é bastante recente. Essa "mistura" está presente em nossos traços, nosso comportamento, nossa música, culinária, costumes, mas também ocasionou a perda de parte da identidade cultural dos índios.

Historiadores afirmam que antes da chegada dos Europeus à América, havia cerca de 100 milhões de índios. Hoje não passam de 400 mil em todo o território brasileiro. Mais de 700 nações indígenas foram extintas nesse processo.

As Nações Unidas dedicaram uma década aos povos indígenas e mesmo assim isso não foi suficiente para evitar que eles continuem sendo tratados como estrangeiros em sua própria terra.

O vídeo abaixo é a defesa da advogada Joênia Batista de Carvalho, primeira índia formada em direito no país, da tribo Wapichana, que sustentou oralmente diante de 11 ministros do STF em defesa da Raposa Serra do Sol em 27/08/2008.

Sugiro aos leitores do blog que prestem atenção nas palavras de Joênia e no simbolismo que elas contém.




P.S.: Esse post é uma homenagem, também, à um grande amigo, cacique de uma tribo Xavante em Sangradouro-MT. E à todos os guerreiros indígenas que, como ele, são parte também da minha história e dos meus antepassados.

domingo, 11 de abril de 2010

Recordar é viver II

Do blog Momento Ético

Conversa gravada entre o Joaquim Roriz e o seu advogado Ari Varela, falando sobre o governador Arruda. Abaixo relembre a famosa gravação entre os dois, falando do então Secretário do Roriz, Arruda.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Essencial

Já disse outras vezes que não gosto de apenas reproduzir aqui artigos de outras pessoas. Desde que entrei no Twitter então, passei mesmo a utilizá-lo (como milhões de outros usuários) para recomendar os links de artigos e matérias bacanas e pronto.

Só que o artigo abaixo, é essencial. Não porque ele fala da polêmica recente das "pulseiras do sexo", que conforme a mídia noticiou "provocaram" o estupro de uma menina, mas porque em poucas linhas a Vereadora Renata Bueno (PPS), resume conceitos de "igualdade e liberdade" que, muitas vezes tendemos à esquecer. Em especial, quando optamos por simplesmente reproduzir "preconceitos medievais" (como ela frisa), formatados para amarrar a opinião pública, disfarçados de normas de conduta social.

Um viva para Renata Bueno!!!


PROIBIR PULSEIRAS É FALSO MORALISMO E CONIVÊNCIA COM O CRIME


Tendo em vista as propostas que visam proibir que adolescentes usem determinadas pulseiras de plástico colorido, devido à ocorrência de crimes contra meninas em que os delinqüentes teriam alegado uma suposta conotação sexual desses adereços, sinto-me no dever de manifestar a mais profunda indignação e revolta contra essa odiosa inversão de valores.
Quer dizer que um criminoso agride e estupra uma menina e a culpa é dela? Por esse mesmo raciocínio, daqui a pouco veremos legisladores querendo proibir às mulheres o uso de saias curtas ou biquínis, por exemplo, porque estariam induzindo os homens a violentá-las.
Essa falsa moralidade esconde um preconceito medieval contra as mulheres e acaba sendo conivente com a violência criminosa que se comete contra elas. Mais do que isso, deseduca a juventude, principalmente os meninos, porque os estimula a julgar que a mulher não tem direito ao seu corpo e à sua vontade.
Exercer a igualdade e a liberdade em toda a sua plenitude é a melhor escola para que superemos de uma vez por todas essa visão obscurantista e construamos juntos, meninos e meninas, uma civilização verdadeiramente humana.
Curitiba, 7 de abril de 2010
Renata Bueno – vereadora / presidente da Comissão Especial de Direitos Humanos para Estudo e Aplicação dos 8 Objetivos do Milênio na Cidade de Curitiba

Poesia para o final de semana

Recomendo as crônicas do poeta Fabrício Carpinejar,

No link  http://carpinejar.blogspot.com/, dentre os últimos textos que ele escreveu, tem:

http://carpinejar.blogspot.com/2010/04/despretensiosa-blusa-azul.html  um olhar do homem sobre as mulheres (sou 0% consumista, ao contrário de grande parte das mulheres, mas as subjetividades escondidas no texto vão além disso, aliás, entender de mulheres é característica do bom poeta),

outro: http://carpinejar.blogspot.com/2010/04/propaganda-do-amor-ou-amor-de.html nesse, ele faz uma definição do que é o amor. O texto é adorável e chama a atenção! Tem medida p/tudo, até p/saber amar,

em http://carpinejar.blogspot.com/2010/03/cuidado-com-as-minhas-cuecas.html ele faz um relato muito engraçado que é quase um pedido de desculpas pelos homens,

Nesse último: http://carpinejar.blogspot.com/2010/03/vicente-e-mariana.html ele fala dos filhos, é de emocionar.

Tem muito mais coisas do Carpinejar nesse blog e em outros links que vc encontra por aí. As poesias dele também merecem muito ser lidas. Aliás, ele também tem alguns livros publicados. 

Prestem atenção nesse poeta!

Fabrício Carpinejar, 35 anos, jornalista, poeta e professor, é autor de "Meu Filho, minha Filha" (2007) e "O Amor Esquece de Começar" (2006), entre onze livros publicados.

UMA GRANDE LIÇÃO


No episódio envolvendo os jogadores do Santos numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com paralisia cerebral para entregar ovos de Páscoa, uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusou a entrar na entidade e preferiu ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos e não sabiam que se tratava de uma casa espírita. O texto abaixo é de um pastor evangélico sobre o episódio.
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No Brasil, futebol é religião - por Ed Rene Kivitz
09/04 | publicação tipo: Mensagens

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixam de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde pequenininho.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

7 de abril - Dia do Jornalista

Segundo a maioria das "fontes", hoje é nosso dia. Tem gente que defende a data de 29 de janeiro mas, o fato é que a Fenaj preparou para esta semana um calendário com uma série de ações em homenagem à essa profissão que já foi até comparada à arte de fazer um belo assado de vitela ao molho de ervas. Nada contra, exceto o fato de que sou vegetariana. Mas, sinceramente, o ambiente de uma redação é muito, mas muito mais do que cortar pepinos ou confeitar bolos.


Por exemplo, nesse momento, enquanto escrevo essas linhas (tá certo que não é uma "matéria", mas poderia ser), a redação está em polvorosa. Tem cinco pessoas falando ao mesmo tempo sobre o aniversário de Brasília, a Caixa de Pandora e outros assuntos, tudo misturado e com música de todo tipo rolando ao fundo nos alto-falantes. Operadores que entram e saem gritando sobre coisas que precisam ser concluídas... e eu aqui, olhando para o computador, totalmente ligada na conversa (opinando!) e, ao mesmo tempo, concentrada no que estou escrevendo. 


Jornalista trabalha assim o tempo todo, com o acréscimo de que alguns chefes ainda tem a feliz idéia de entrar berrando de meia em meia hora, cobrando a matéria e no minuto seguinte pedem pra você mudar tudo, com o mesmo prazo que você tinha antes. Não à toa, a profissão é considerada insalubre e, pelas leis trabalhistas, o jornalista trabalha oficialmente algumas horas a menos que outras profissões. Oficialmente mesmo, porque levante a mão aquele jornalista que não costuma ficar bem depois de sua hora "oficial" concluindo uma matéria de última hora ou aquele que nunca fez um "pescoção" na vida (passar a madrugada fechando a edição de um jornal, revista ou programa).


E, detalhe, em jornalismo, a "notícia" fica velha muito rápido. Quem tiver curiosidade de puxar a lista das manchetes dos principais jornais de hoje, verá que em pelo menos quatro de circulação nacional, o número de mortos na enchente do Rio de ontem, foi impresso na capa, de forma totalmente diferente uns dos outros e, apenas um deles acertou com a estatística dos órgãos oficiais. Mas, por incrível que pareça, faz parte. Essa é também uma característica da notícia: ela muda a todo momento.

Lamentavelmente, nem todos os jornalistas percebem a seriedade e responsabilidade inerentes ao exercício da profissão. Até porque, para começo de conversa, como em qualquer profissão, é preciso ser dotado de valores que não se aprendem tão rapidamente e, em geral, deveriam ter sido muito bem treinados antes, com a família.


Também não basta, simplesmente, a posse do famigerado (e agora proibido) canudo. Anos de prática é que realmente vão forjar a alma do sujeito que, em poucas linhas, traduz o acontecimento, o fato, a notícia para que qualquer um, desde o presidente da república à uma simples dona de casa, possam compreender todos os detalhes do ocorrido.  Muitas vezes,  resumido no lead (a primeira parte de toda matéria). Ou seja, o jornalista também economiza o seu tempo.

Um jornalista, como também mandam os manuais, jamais é o centro da notícia. Jamais. Isso não quer dizer que, necessariamente, ele tenha que ser um robô sem emoções ou sentimentos mas, quando o jornalista emite uma opinião, corre o risco de transformar uma matéria em artigo. Alguns veículos de imprensa usam isso de forma não muito ética, valendo-se do fato de que o espectador/leitor/ouvinte, não sabe desse pequeno "detalhe" que muda tudo e aproveitam a figura do jornalista para transmitir também a opinião do "dono do jornal" sobre a notícia. Numa visão distorcida da tal "linha editorial".


Comparando com modelos de passarela que apenas servem de, segundo os estilistas, "cabides" para as roupas (e com isso justifica-se a obrigatória magreza), os jornalistas são apenas porta-vozes do que precisa ser noticiado (por isso não deveriam, a princípio, julgar o que estão transmitindo).


Hoje em dia, esse conceito deu um salto gigantesco, já que qualquer coisa que eu diga, ou escreva, pode ser ouvida/lida no segundo seguinte por algum japonês do outro lado do planeta. E, mais, pode ser comentada!

Os fatalistas podem afirmar que é justamente aí que morre nossa bela profissão. Mas, damos o desconto para quem nunca leu os teóricos da Escola de Frankfurt (viu onde começa a ser necessário o diploma? Aposto que não distribuem Adorno para jornalistas nas redações). Eles não sabem que os conceitos gerados há séculos como o da indústria cultural previam, de certa forma, esse momento que vivemos agora, da comunicação ou jornalismo "colaborativo". Mas isso, não quer dizer que, por exemplo, qualquer cidadão de posse de um celular que fotografe a enchente no seu bairro e a foto venha a ser reproduzida no Jornal Nacional, transforme-se instantâneamente de fotógrafo amador em jornalista profissional de carteirinha. No way.

Aliás, a "carteirinha" também é um problema discutido aos montes entre a categoria. Usar ou não usar? Sindicalizar ou não? Pagar por ela ou não? Segundo a Fenaj, a regra ainda é a mesma, só tem direito à portar a carteira com o título "Jornalista", quem mostrar o canudo. Do contrário, pode até se chamar de, mas fica sem a carteira. Por outro lado, muitos jornalistas profissionais não fazem a menor questão de se registrar e nem por isso ficam sem trabalho.

Ainda iremos discutir por muito tempo o papel da profissão e sua importância para a sociedade, e mais, para a humanidade. Não fosse a imprensa, sabe-se lá Deus o que (mais) os políticos estariam fazendo com nossas vidas. Esse foi o primeiro papel, intermediar Estado e Sociedade. Para que o primeiro soubesse sempre que estava sendo vigiado e a segunda pudesse saber de tudo sem precisar sair em busca das informações sobre, por exemplo, o aumento do material escolar. 


A caneta do jornalista fez a imprensa ser chamada de "Quarto Poder". Isso ilustra bem o peso que pode ter um fato narrado por uma pessoa que tem credibilidade para espalhar a notícia por todos os meios possíveis. Se for na TV então, é quase impossível corrigir um erro, mesmo que não intencional. Dessa brecha se aproveitam jornalistas de poucos escrúpulos que usam sua ferramenta de trabalho como arma para atacar pessoalmente seus inimigos. E pobre de quem for a vítima.


Mas, sem o jornalista, a vida das pessoas seria muito diferente, o mundo seria muito diferente. Resumidamente porque praticamente todas as mazelas conhecidas da sociedade, foram noticiadas e reproduzidas por repórteres e veículos de imprensa, sem os quais continuaríamos na ignorância. Agora com a internet, muito menos é claro, mas o que teríamos? Um monte de pessoas emitindo opiniões diferentes e sem qualquer fundamentação sobre um mesmo assunto? Podem apostar, seria uma loucura. Partindo do princípio que o ser humano naturalmente julga o que vê, dá pra imaginar o imbróglio que seria a vida sem os jornalistas à colocarem as vírgulas em seus devidos lugares.


Para ilustrar um pouco a importância do papel da imprensa, posto dois vídeos abaixo.


O primeiro feito pela CNN sobre as caracterísiticas que um jornalista deveria ter.  Curiosidade, ética, boa formação cultural e acadêmica, gostar de pessoas, de ouvir e contar histórias, são algumas das características elencadas. Ele explica bem o que é preciso para começar a querer ser um jornalista. Portanto, coleguinhas que - pasmem! - não gostam de ler, por favor, escolham outra profissão!






O segundo é uma entrevista com um repórter português sobre cobertura de guerra. Se você só tiver tempo de ver um, veja esse último. Ele explica (em parte) porque não é todo mundo, mesmo com canudo na mão, que pode ser considerado um Jornalista por excelência.



terça-feira, 6 de abril de 2010

Estação derradeira

Quando eu era adolescente e tinha por ocupação apenas ir à escola e frequentar os treinos de volleyball, lembro que às vezes saía da Gávea, onde estudava, e ia andando até o apartamento onde morava com meus avós em Ipanema.

Outro dia comentei isso na redação e um colega, que também é carioca, duvidou que eu andasse tanto. Ora bolas, eu tinha 14-15 anos! Não só andava da Gávea até Ipanema (passando pelo Jardim Botânico e depois pegando pela praia até lá), como almoçava em casa e depois caminhava até Laranjeiras (descendo pelo túnel, passando por Botafogo).

E fazia tudo isso "com os pés nas costas"! Primeiro porque era atleta (e bem mais jovem) e depois porque, ironicamente, essa era uma forma de economizar a grana do transporte para depois - pasmem! - gastar com sorvete. Eu era atleta "federada" e o controle sobre nossa alimentação, sono e outros era muito rígido. Com a idade que tinha, é natural que tentasse burlar a regra de vez em quando. E fazia isso parando, uma vez por semana pelo menos, numa sorveteria famosa que existe até hoje no Leblon.

Eu costumava levar na mochila o material da escola, junto com o que usaria no treino à tarde. Mas, quando conseguia parar em casa para o almoço, deixava tudo lá e saía já vestida com o uniforme de jogadora e o dinheiro do ônibus guardado nas meias. Aliás, guardar o dinheiro dentro da meia era corriqueiro pra mim. Naquela época o Rio já sofria com os assaltos em ônibus. Não os que acontecem agora, com requintes de crueldade, mas os moleques entravam e pediam a grana. Se tivesse alguma na mão (ou um relógio, uma bolsa...) "dançava" na certa. Ou seja, sempre que possível, guardava meu rico dinheirinho na meia ou no tênis. E, sempre que possível, nem pegava o coletivo, saía caminhando pra curtir a paisagem.


Orla carioca

O Rio de Janeiro sempre foi mágico pra mim. Pensando bem, acho que é pra qualquer um. Creio serem raros os seres que não encham os olhos com a paisagem. O Rio é exuberante, solar, iluminado mesmo. E considero um doce privilégio do destino que a vida tenha me proporcionado esses momentos. São imagens literalmente impressas na minha retina. Quase sinto o cheiro da maresia trazida pelo vento quente do verão carioca.

Hoje pela manhã apresentei o programa Música&Informação pela Rádio Cultura FM em Brasília - onde sou repórter mas estou substituindo, como âncora, a jornalista Graça Araújo durante suas férias - e, chegando lá às 6h, corri pra buscar os noticiários das agências, para saber o que diria ao longo do programa, os destaques do dia.

Ao ler o que diziam a maioria dos sites e agências de notícias, senti um arrepio. Grande parte da minha família mora no Rio de Janeiro, incluindo minha mãe e irmã, sem falar nos inúmeros amigos queridos. Liguei pra minha mãe e soube que está tudo bem. Ela mora em Petrópolis e nem chegou a descer a serra. Seu chefe, professor da UERJ, mora em frente à universidade e não conseguiu atravessar a rua! Soube depois que suspenderam as aulas na rede pública, bem como não há repartições funcionando na cidade.

Fico vendo o Rio assim e me dá um aperto sem medidas...

Lembro também que depois que mudei para Brasília, o que mais notei - de forma significativa - a cada vez que viajava para o Rio, era a quantidade de lixo acumulado próximo à Baía de Guanabara.


Também ficava assustada com o avanço de comunidades que margeiam as linhas amarela, vermelha e outras vias da cidade. Cada vez que o avião pousava no Galeão ou no Santos Dummont, tinha a nítida impressão, visual mesmo, de mais lixo e mais casas amontoadas em comunidades pobres ao longo das rodovias que dão acesso à cidade. Isso sem falar nas favelas que antes não eram tão grandes. Só que infelizmente, isso não é passado, é perceptível até hoje e vem aumentando gradualmente.

Longe de mim defender algo como o que pregava Lacerda, "autor" da Cidade de Deus. Aqui mesmo no blog já disse que, como carioca, tenho dificuldade em me adaptar até hoje à Brasília justamente em função dessa organização urbana tão detalhada que, literalmente, colocou os abastados no centro (o Plano Piloto) e o resto da população fisicamente à margem, ao redor do avião que compõe o desenho do mapa do DF.

Continuo achando que a "mistura" existente no Rio, ainda que leve à conseqüências originadas pelo "atrito social", típico das grandes metrópoles, também faz com que as pessoas fiquem mais humanas, mais iguais.

Mas, o que eu senti também é que, ao longo dos anos, com o casal de "Garotinhos" e outras figuras que passaram pela cidade, com a ausência completa de vontade política, foram aos poucos soterrando o que havia de "maravilhoso" na cidade mais solar do país. Desorganização total e zero planejamento também não são bons, aliás, antes o excesso de planejamento de Brasília, com sua aparente frieza que, diga-se, não a livra de encher e sofrer com apagões de vez em quando, mas AINDA não como o Rio. É que aqui os problemas surgem nas raízes de "Caixas" de seres mitológicos, de onde sai de tudo um pouco. Mas isso é outra história.

Dá pra culpar os céus? Por favor, não dá. Também não dá pra culpar somente as autoridades. O problema estrutural é grande sim, mas a população que não tem consciência do que fazer com o lixo, é parte ativa e corresponsável pelo caos que está instalado nesse momento na minha cidade.

Digo isso e olho para a lixeira do condomínio em que moro aqui há 40km da "cidade planejada". Um verdadeiro mafuá de sacos e restos amontoados. O Rio também é aqui.

Em que momento as pessoas terão o insight necessário? Em que momento irão perceber o quanto um saquinho de lixo jogado ali no canto, na rua, é também responsável pelas  enchentes que devastam cidades como o Rio de Janeiro hoje?


Acho que há um bom tempo não se viam autoridades indo à TV pedir às pessoas que não saíssem de casa. São cenas muito tristes.

Mesmo assim me lembro que já naquela época o Rio enchia depois da chuva, em especial nos meses de março e abril. Meu avô ficava acompanhando o noticiário e tentando observar se me via em alguma captura de câmera pela cidade. Com a minha mania de caminhar, frequentemente eu me via atravessando quase "a nado" o bairro Jardim Botânico e o vô ficava apavorado imaginando que eu cairia em algum bueiro. Perigo real até hoje, diga-se.


Mas, sinto que a moçada que tem a faixa etária dos 15 anos, como eu tinha, não pode mais curtir as caminhadas do Rio como eu fazia. A violência, o lixo, a desorganização urbana já não permitem que moças ou rapazes de tão pouca idade andem tranqüilamente e sozinhos pelo Rio. Fora que a água das enchentes da época, não chega perto do oceano que se forma nas ruas hoje.

O tal Lovelock, criador da Hipótese Gaia - de que a Terra seria um organismo vivo - parece ter acertado mesmo suas previsões. A mais recente é de que não precisamos correr pra salvar o planeta, porque ele já está fazendo isso sozinho, por si mesmo. Ou seja, o Planeta se salvará. Já nós humanos...


Ruas alagadas no RJ / Portal G1


Clicando aqui, você pode ler uma reportagem sobre o problema do lixo nas grandes cidades. Nesse outro link, você lê um artigo do Alexandre Mansur da Revista Época sobre o caos que parou o Rio de Janeiro.

Lendo você descobre, por exemplo, que esperamos duas décadas para aprovar no Congresso, a Lei Nacional de Resíduos Sólidos. No update do post, amanhã, acrescento o áudio da entrevista realizada com um dos deputados responsáveis pela aprovação da Lei. Demorou tanto que agora, a corrida é para fazer o "relógio andar pra trás", coisa que mesmo com tantos avanços tecnológicos, ainda não descobrimos como fazer. Infelizmente.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Chico Xavier, o Filme



Fui ver o filme do Chico na pré-estréia. Aliás, fomos eu e meu amigo Trappa representando a equipe da Rádio Cultura FM. Adorei. Como afirmamos na matéria abaixo, até quem não tem religião alguma deveria ver esse filme.

Eu já tinha lido o livro "As vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto Maior e considero-o um relato jornalístico muito bem feito.

Antes de mais nada, Chico Xavier era uma pessoa extremamente gentil e um ser humano muito especial. Só por isso, sua história merece ser vista. Afinal, gentileza é artigo que vem se tornando raro no planeta, lamentavelmente. Para além disso, o médium foi de fato um ser humano mágico, que desafia os padrões que conhecemos como científicos.

A atuação de Nelson Xavier no papel do espírita é um espetáculo à parte. Fisicamente, os dois ficaram tão semelhantes que chega a emocionar. O próprio ator já disse em algumas entrevistas que esse é o maior papel de sua carreira, mesmo já tendo encarnado o cangaceiro lampião. Personagem inesquecível do cinema brasileiro.

Fico com vontade de contar algumas coisas (tem cenas hilárias no filme e outras surpreendentes, mesmo para mim, que li o livro), mas claro, não posso. Porém, uma dica: fiquem ligados no comentário que o próprio Chico faz sobre o dia de sua morte e tudo que acontece depois.

E lembrem-se, Chico Xavier escreveu mais de 400 livros, alguns em vários idiomas que não o português, sem mal ter completado o primário. É ou não é, no mínimo, um mistério para a ciência e um desafio para os céticos?






No site do filme, é possível ver alguns trailers e imagens, além do blog da produção. Mas quer saber? Vai ver o filme primeiro pra não estragar nenhuma surpresa, o filme vale a pena.

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