"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eu apóio o MST: bispo Dom Pedro Casaldáliga


Veja vídeo com depoimento de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), sobre a importância da luta do MST.
Abaixo, leia trechos do depoimento:
"O MST é uma força alternativa. É uma força autônoma e estritamente popular, no sentido forte da palavra. Inclusive, mais do que um movimento, eu diria que deve ser sempre um estímulo, uma cutucada, para a movimentação.
"O MST poderia desaparecer, porque já deixou uma marca que não se apaga. Eu espero que por muitos anos ainda... A não ser que se acabe com o agronegócio e com o latifúndio. Aí não vamos necessitar do MST. Enquanto o diabo estiver solto aí, necessitamos do MST...
"[A luta vai continuar] enquanto houver latifúndio, produtivo ou improdutivo, no meu entender, porque latifúndio é sempre acumulação, sempre é exclusão, sempre é prepotência”.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ISRAEL NÃO SERÁ O PRIMEIRO A ATACAR


Fidel Castro Ruz

Os  ex-oficiais da CIA Phil Giraldi e Larry Johnson; W. Patrick Lang, das Forças Especiais da Agência de Inteligência da Defesa; Ray McGovern, da Agência de Inteligência da Armada e da CIA, e outros ex altos oficiais com longos anos de serviço, têm razão quando advertem Obama que o Primeiro-ministro de Israel tem projetado um ataque surpresa com a idéia de obrigar os Estados Unidos à guerra contra o Irã.
Porém, com a resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Israel conseguiu que os Estados Unidos se comprometessem a serem os primeiros em atacar.
Depois disso, Netanyahu não se atreveria a ser o primeiro em fazê-lo, visto que uma ação desse tipo o obrigaria a enfrentar todas as potências nucleares e ele não é estúpido.
Entre todos os inimigos do Irã têm-se criado uma situação absurda. A Obama não lhe restaria outra alternativa do que ordenar a morte de centenas de milhares de pessoas inocentes, e os tripulantes das suas naves de guerra nas proximidades do Irã seriam dos primeiros a morrer e ele não é um assassino.
É o que penso sem temor a estar enganado.
O pior que pode acontecer é que alguém cometesse um erro funesto que precipitasse os acontecimentos antes que vença o prazo dado pelo Conselho de Segurança para inspecionar o primeiro mercante iraniano.
Mas não há razão para ser tão pessimista.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Famosos cornetando a FLIP

Depois de um século sem passar por aqui (culpa do twitter), resolvi postar essa charge abaixo do Reinaldo, simplesmente impagável. Já que fiquei tanto tempo sem aparecer, pelo menos que eu faça vcs rirem um pouco.

Depois do Lou Reed e outros famosos que resolveram desmarcar suas presenças na Festa Literária Internacional da minha cidade querida (para quem não sabe, sou praticamente uma caiçara criada de pé no chão entre Jabaquara e Trindade), o Reinaldo "descobriu" outras celebridades que também justificaram suas ausências.


E pra quem quiser ir me acompanhando enquanto não volto quente por aqui, sigam-me no twitter (https://twitter.com/julianacastro). Mas eu volto logo, prometo. ;)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Irã, a guerra de Obama

Publicado originalmente no Correio da Cidadania


Amitai Eztioni é um dos sociólogos mais influentes do mundo. Nascido na Alemanha e emigrado a Israel nos anos fundacionais deste Estado, radicou-se tempo depois nos EUA, onde iniciou uma longa carreira acadêmica que o levou a transitar por várias das mais prestigiosas universidades do país: Berkeley, Columbia, Harvard, até culminar nos últimos anos em Washington D.C. como professor de Relações Internacionais da Universidade George Washington (GWU). Mas suas atividades não se limitaram a claustros universitários: foi um permanente homem de consulta de diversos presidentes norte-americanos, especialmente James Carter e Bill Clinton. E desde o 11 de setembro, com o auge do belicismo, sua voz ressoou com crescente força no establishment estadunidense. Há poucos dias ofereceu um novo exemplo disso.

Incondicional apologista do Estado de Israel, acaba de publicar na Military Review, uma revista especializada do Exército dos Estados Unidos, um artigo que põe em evidência o "clima de opinião" que prevalece na direita norte-americana, no complexo militar-industrial e nos mais altos escalões da administração, muito especialmente no Pentágono. O título do artigo diz tudo: "Um Irã com armas nucleares pode ser dissuadido?" A resposta, folga esclarecer, é negativa. Tal publicação não poderia chegar em momento mais oportuno para os guerreiristas estadunidenses, quando reiteradas informações – silenciadas pela imprensa que se autodenomina ‘livre’ ou ‘independente’ – falam do deslocamento de navios de guerra norte-americanos e israelenses através do Canal de Suez e em direção ao Irã, o que faz temer pela iminência de uma guerra.

Em várias de suas últimas "Reflexões", o Comandante Fidel Castro havia advertido, com sua habitual lucidez, sobre as sombrias implicações da escalada desatada por Washington contra os iranianos, cuja pauta não difere em seu caráter anedótico daquela utilizada para justificar a agressão ao Iraque: assédio diplomático, denúncias à ONU, sanções cada vez mais rigorosas do Conselho de Segurança, "desobediência" de Teerã e o inevitável desenlace militar.

As sombrias previsões do Comandante parecem otimistas em relação ao que propõe este tenebroso ideólogo dos falcões norte-americanos. Em uma entrevista concedida na terça-feira passada a Natasha Mozgovaya, correspondente do jornal israelense Haaretz nos EUA, Etzioni ratifica o que foi expressado na Military Review, a saber: o Irã pretende construir um arsenal nuclear e isso é inaceitável. A única opção é um exemplar ataque militar e é preferível desatá-lo um mês antes e não dez dias depois de que o satanizado Irã disponha da bomba atômica.

Em seu artigo, o professor da GWU insiste em assinalar que qualquer outra alternativa deve ser descartada: a diplomacia fracassou; as sanções da ONU carecem de eficácia; bombardear as instalações nucleares não mudaria muito as coisas porque, segundo declarações do Secretário de Defesa Robert Gates, só se conseguiria atrasar o avanço do projeto atômico iraniano por três anos; e, por último, a dissuasão não funciona com "atores não racionais" como o atual governo do Irã, dominado pelo irracionalismo fundamentalista que contrasta com a moderação e racionalidade de governantes israelenses que assassinam ativistas humanitários em pleno Mediterrâneo. Por conseguinte, a única coisa realmente eficaz é destruir a infra-estrutura do Irã a fim de impossibilitar a continuidade de seu programa nuclear.

Esse ataque, agrega, "poderia ser interpretado por Teerã como uma declaração de guerra total", mas como as tentativas de diálogo ensaiadas por Obama fracassaram é urgente e imprescindível adotar medidas drásticas se os EUA não quiserem perder seu predomínio no Oriente Médio para o país persa. Por suas grandes reservas petrolíferas – superadas somente pelas da Arábia Saudita e Canadá e muito superiores às do Iraque, Kuwait e Emirados Árabes – o Irã excita a ânsia de rapinagem do imperialismo norte-americano, que com 3% da população mundial consome 25% da produção global de petróleo.

Além do mais, não há que se esquecer que a guerra é o principal negócio do complexo militar-industrial, de modo que para sustentar seus lucros é preciso utilizar e destruir aviões, foguetes, helicópteros etc. Assim, a diabólica dupla formada pela "guerra preventiva" e a "guerra infinita" continua desabalada em seu curso, agora sob a presidência de um Prêmio Nobel da Paz, cujo servilismo a interesses tão obscuros unido à sua falta de coragem para honrar tal distinção coloca a humanidade à beira de um abismo.


Atilio A. Boron é diretor do PLED, Programa Latinoamericano de Educación a Distancia em Ciências Sociais, Buenos Aires, Argentina.  

Traduzido por Gabriel Brito, jornalista.

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