"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

terça-feira, 30 de abril de 2013

Documentário: Cuba, uma escola de solidariedade

Fonte: Síntese Cubana

Documentário com estudantes brasileiros que estudam medicina em Cuba.





quinta-feira, 25 de abril de 2013

A trampa Boston-Chechênia do FBI

Assim que saiu o anúncio das bombas em Boston, pensei imediatamente no factóide que encontrariam para culpar algum país inimigo. Na verdade, esse modus operandi já é tão manjado, que meu filho de 12 anos comentou: "vão encontrar um culpado do Irã ou da Coréia do Norte". Ou seja, não estão convencendo mais nem as crianças.

A estratégia militar norte-americana de dominação passa por princípios midiáticos conhecidos de qualquer profissional da área, mensagens subliminares, manipulação de memes, mitos, cujo objetivo é imprimir uma realidade paralela que acaba por influenciar o pensamento da sociedade como um todo. Existe toda uma organização mundial que se presta a esse papel em vários níveis, na comunicação, na política, mas também em espaços administrativos. A verdade é que as próprias teorias da conspiração sobre o tema acabam por se contaminar sob os mesmos princípios. O professor Wilson Roberto Vieira Ferreira, dá uma boa explicação sobre esses conceitos no artigo "A ficção midiática contamina o atentado de Boston".

O colega, sempre atento, Pepe Escobar, apresenta em sua reportagem-análise, alguns dados elucidatórios, hoje disponíveis a qualquer um que decida pesquisar (por si mesmo) na internet por informações que são deliberadamente suprimidas do noticiário. Então temos: vários figurantes maquiados com requinte hollywoodiano, dentre eles um cadeirante (ex-combatente) sem as pernas (mas quase sem sangue!), agentes da Craft (empresa que presta serviços de combatentes mercenários aos EUA, nos moldes da Blackwater e outras), posicionados e em alerta em meio à multidão muito antes de qualquer sinal de problema, uso de vídeos falsos de vigilância, imagens de suspeitos com o mesmo padrão que os irmãos chechenos mas sem identificação ou evidência lógica (ao menos se vc não for um agente do FBI, ultra "treinado"para encontrar pêlo em ovo) e, claro, dezenas de ausências na cobertura internacional, porém disponíveis de forma viral na rede.

Já vimos isso outras vezes, Hollywood tem sido cada vez mais utilizada como recurso para espalhar o terror e convencer o mundo da necessidade de sermos "salvos" pelo poderio bélico norte-americano. Mas por onde isso passa e até onde vai? O texto de Pepe Escobar propõe algumas reflexões. Recomendo fortemente o acesso aos links do texto, são complementares. Boa leitura.

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Fonte: Blog da Tecedora


A imprensa independente não se intimidou. Encontram-se fotos, em Natural News, um achado, um perfeito tesouro de fotos e mais fotos que mostram empregados da Craft no local da Maratona, em uniforme completo de combate, mochilas pretas, equipamento tático, portando até detector de radiação. As fotos, portanto, existem. E como reagiu o FBI? Impôs total blecaute. Censura total de imagens, coisa do tipo “nenhuma outra imagem será confirmada” – só imagens que mostrem os irmãos Tsarnaev. A empresa Craft é intocável. 
por Pepe Escobar
Asia Times Online (Tradução: Vila Vudu)
 
As bombas em Boston foram tiro pela culatra. Disso já não há qualquer dúvida. O que ainda não se sabe é que nível de tiro saiu-lhes pela culatra.

Pode ter sido operação clandestina que saiu totalmente errada. Pode ter sido tiro que saiu pela culatra de ex “combatentes da liberdade” – nesse caso chechenos étnicos – reconvertidos em terra-rists [como Bush pronunciava a palavra terrorists (NTs)]. Pode ter sido tiro saído diretamente pela culatra da política externa dos EUA contra muçulmanos, que só existe para mandá-los para Guantanamo, Abu Ghraib ou Bagram, entregá-los “extraordinariamente” (mas frequentemente) para serem torturados em solo estrangeiro ou para assassiná-los ‘legalmente’.

O FBI, como se poderia facilmente prever que faria, não admite nenhuma dessas opções. Mantém-se agarrado a um roteiro enroladíssimo, digno desse pessoal mais completamente movido à cocaína. Noites hollywodianas dos anos 1980s: uma dupla de bandidos que “odeiam nossas liberdades”, porque... odeiam.

Como já escrevi, numa espécie de preâmbulo ao que aqui se lê, há buracos de dimensões intergalácticas na história dos irmãos Tsarnaev.[1] Já se sabe – pela mãe dos dois rapazes [2] – que o FBI (Federal Bureau of Investigation) seguia o irmão mais velho, Tamerlan, há, no mínimo, cinco anos. Em entrevista posterior a Piers Morgan da CNN, a mãe falou, sim, claramente, sobre “orientações” que o filho recebera.

Simultaneamente, o FBI foi obrigado a admitir que, no início de 2011 aceitou o pedido de “um governo estrangeiro” (expressão-código para “Rússia”) para não perder de vista o mais velho dos irmãos, Tamerlan. Aparentemente foi o que fizeram – e nada encontraram que sugerisse atividade terrorista.

Assim sendo, o que aconteceu depois? Alguém no FBI, dos que têm QI superior a 50, devem ter percebido que, por causa do pedido dos russos, o FBI ‘descobrira’ um precioso ‘operativo’ checheno-americano. E Tamerlan tornou-se informante do FBI. Podia ser tocado como se toca rabeca, para produzir qualquer som – como tantos outros tolos antes dele.

Portanto, se não o afinaram corretamente, pode-se acusar o FBI, com todo o direito, de incompetência devastadora (e não seria a primeira vez). Porque o FBI está dizendo agora que jamais suspeitou de que seu ‘operativo’ estivesse construindo alguma bomba, que desejasse testá-la ou que andasse de bomba da mochila pelas calçadas da maratona de Boston.

O que o FBI jamais, em tempo algum, dirá é quando monitoraram/controlaram/chantagearam Tamerlan pela última vez. Não esqueçamos: trata-se do mesmo FBI que nos ofereceu aquele ‘plano’ tipo “Velozes e Furiosos”, mancomunado com um cartel mexicano para assassinar um embaixador saudita[3] – plano que foi desmascarado e exposto apenas em alguns dias.

Tamerlan, é claro, pode ter dado uma de FBI p’ra cima do FBI (embora, talvez, nem tanto) e, depois de anos de monitoramento/controle/chantagem, passou a trabalhar como agente duplo. Ao que se sabe, trocou os EUA pela Rússia por longo período – de janeiro a julho de 2012. Ninguém sabe o que fez nesse período; o FBI adoraria provar que participou de treinamento terrorista tático. Mas, se era de fato ‘operativo’ tão interessante, bem pode ter sido mandado infiltrar-se nos grupos de jihadis chechenos comandados por Doku Umarov no vizinho Daguestão.

Quanto às relações complexas, cheias de nuances, como são todas as relações muito íntimas, desde os anos 1990s, entre Washington e os terra-rists chechenos – absoluto tabu na imprensa-empresa dos EUA –, ninguém precisa ler mais que o interessantíssimo e surpreendente Sibel Edmonds [19/4/2013, “USA: The Creator & Sustainer of Chechen Terrorism” (EUA: Criador e mantenedor do terrorismo checheno)].[4]

Sobre o tal exercício 

O FBI tem poder suficiente para impor aos EUA e ao planeta qualquer roteiro fantasioso sobre “dois jovens chechenos do mal”. Consideremos então um cenário alternativo crível, para ver a que nos leva.

Em vez de dois sujeitos (estrangeiros) do mal, totalmente americanizados, que repentinamente são inoculados pelo vírus do ódio “contra nossas liberdades” mediante doutrinação jihadista feita principalmente online, vejamos quem realmente se beneficia com o que aconteceu em Boston.

O Boston Globe foi forçado a “fazer desaparecer” a informação sobre um exercício de contraterrorismo – que incluiria cães que farejam bombas – e que aconteceria durante a maratona. O FBI bem pode ter dito ao seu ‘operativo’ Tamerlan que ele participaria do exercício. Tamerlan podia ser sujeito durão, mas seria facilmente chantageado, se sua família fosse ameaçada no caso de ele não cooperar.

Então, entregaram a Tamerlan uma mochila preta com uma falsa bomba de panela-de-pressão e disseram-lhe que a pusesse num local determinado – como um dos procedimentos incluídos no exercício. Nesse ponto, todo o (nosso) cuidado é pouco: não há nenhuma prova conclusiva que autorize a confirmar que se tratasse de simples exercício. Não há como saber se a bomba era falsa ou se estava armada para explodir ou ser explodida.

Digamos que Tamerlan, homem durão, e seu irmão, o impressionável Dzhokhar, tenham sido realmente responsáveis (sem o FBI no quadro). Depois de tanto planejamento, com certeza haveria rota de fuga planejada – transporte, passaportes, dinheiro, bilhetes de avião. E nada disso havia. Dzhokhar foi à escola, treinou na academia, enviou mensagens por Twitter.

Não há absolutamente nenhuma testemunha que diga ter visto os irmãos depositarem as bombas. Eles puseram as bombas onde as puseram, porque essa foi a instrução que receberam do FBI. E dali em diante, já ninguém entende mais nada. Roubaram um Mercedes num posto de gasolina e deixaram partir o motorista – depois de dizerem a ele que eram responsáveis pelas bombas da Maratona. Dzhokhar e a Mercedes conseguem sair vivos de tiroteio cerrado, furando uma muralha de policiais – mas, no percurso, o Mercedes passa por cima do corpo de Tamerlan enrolado em explosivos. Dzhokhar deixa uma trilha de sangue. Mas nenhum cachorro seguiu a trilha.

E há o saborosíssimo exercício em cidade sob lei marcial: toda a cidade foi esvaziada e paralisada – o prejuízo gerado por essa operação é incalculável – por causa de um adolescente em fuga pela cidade. Atenção, EUA! A coisa está só começando!

O que é certo é que os irmãos Tsarnaev absolutamente não eram militantes jihadis; só os viciados nos veículos de esgoto de Murdoch algum dia engolirão a ideia de que fossem.

Basta passar os olhos por uma página de jihadistas autênticos, como o Kavkaz Center [http://en.wikipedia.org/wiki/Kavkaz_Center], muito bem estabelecidos e plenamente representativos do que se conhece como o Emirado Islâmico do Cáucaso, de insurgentes. Ali se fazem boas perguntas. E o Centro Caucasiano desmonta completamente a versão de que os irmãos seriam jihadistas empedernidos.

A [empresa] Craft, que tudo sabe 

Poucas empresas paramilitares e respectivas griffes no ocidente industrializado são mais sinistras que The Craft.[5] Craft foi responsável pelo exercício de guerra. O símbolo é uma caveira, parecida, até, com O Justiceiro, personagem Marvel. O motto chega a ser tímido, ante o que a empresa faz: “Não importa o que sua mãe diga: a violência resolve”. A imprensa-empresa nos EUA fez simplesmente sumir qualquer vestígio da multidão de empregados-agentes da Craft que estavam em todos os pontos, muitos deles, no local da Maratona. Pode-se falar em um blecaute, pelas empresas-imprensa.

Mas a imprensa independente não se intimidou. Encontram-se fotos, em Natural News,[6] um achado, um perfeito tesouro de fotos e mais fotos que mostram empregados da Craft no local da Maratona, em uniforme completo de combate, mochilas pretas, equipamento tático, portando até detector de radiação. As fotos, portanto, existem. E como reagiu o FBI? Impôs total blecaute. Censura total de imagens, coisa do tipo “nenhuma outra imagem será confirmada” – só imagens que mostrem os irmãos Tsarnaev. A empresa Craft é intocável.

O problema é que tudo que tenha a ver com a empresa Craft nesse cenário é problema. (1) A invisibilidade da Craft – toda a imprensa-empresa obedecendo como ovelhinhas ao que o FBI ordenou e apagando do noticiário todos os fatos. (2) A qualidade da expertise “de segurança” – um exército de mercenários ao qual se paga uma fortuna... e os tais hiper treinados ‘especialistas’ armados com o mais pesado armamento high-tech do planeta não conseguem capturar uma dupla de amadores?! E (3) a sinistra possibilidade de tudo tenha sido operação clandestina executada pela empresa Craft.

Se nos mantivermos fieis à realidade, deixando de lado as histórias em quadrinhos by Marvel, todas as evidências apontam para alguma coisa bem semelhante ao modus operandi da galáxia soturna de franquias da al-Qaeda. Consideradas as provas recolhidas da história e do comportamento dos irmãos – nenhuma atividade passada nem militar nem de sabotagem – elas também sugerem que não teriam experiência suficiente para planejar e executar tudo aquilo, sozinhos. Mas pode-se entender sem dificuldade uma operação copiada da al-Qaeda e atribuída a dois rapazes que não teriam como defender-se – algo que, pelo menos em teoria, a empresa Craft poderia facilmente planejar.

Por tudo isso, eis a que nos leva um cenário perfeitamente realista: falsa operação construída por FBI/Craft, a qual (1) pode ter dado terrivelmente errado, motivo pelo qual os autores tiveram de encontrar dois bodes expiatórios, no prazo de algumas horas; ou (2) a sinistra possibilidade de que tudo tenha sido planejado como joguinho de gato-e-rato para produzir exatamente o resultado que produziu – e levar à militarização, agora já quase total, de toda a vida civil nos EUA.

Vale o escrito (em sangue). Estão sumindo os últimos vestígios de Estado de Direito nos EUA – agora que um painel bipartidário de especialistas já descobriu que todos os funcionários em postos de comando do governo George W Bush estiveram, sem dúvida possível, implicados em torturas; e que a tortura foi prática sistemática, mesmo que jamais tenha conseguido impedir qualquer ato terrorista.

Washington está a um passo de ver-se incluída na lista cintilante de estados como o Egito na era Mubarak, Bahrain e Uganda. Como o coronelão-senador Lindsay Graham já declarou, “a pátria é o campo de batalha”. E você, leitor, é “combatente inimigo”. Se decidirmos que é.

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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Recordar é viver: a Revolução não será televisionada

Por Raphael Sanz

Quando se fala em Venezuela, Hugo Chávez, bolivarianismo e afins no Brasil, o assunto sempre descamba para uma discussão sobre liberdade de expressão. Folha, Abril, Globo e outros veículos de mídia corporativa bradaram, rosnaram e ameaçaram morder Hugo Chávez desde 1999 quando ele assumiu a presidência do seu país. Chávez teve um papel fundamental no processo que garantiu a democratização dos lucros da exploração de petróleo venezuelano. Ou seja, a grana do petróleo era utilizada para investir em educação (tanto que o analfabetismo foi praticamente erradicado do país), em saúde e nas organizações populares de bairros e vilarejos, chamados de círculos bolivarianos, que serviram para popularizar o poder de decisão, do povo, em relação às políticas que seriam tomadas por todas as esferas de governo. Os círculos bolivarianos organizam assembleias e entidades comunitárias, estimuladas pela revolução, e cuidam de questões internas da comunidade, de educação popular e de reivindicação junto ao governo.


Mas que contradição. Chávez exerceu um papel desses e o acusam de ser um ditador e de cercear a liberdade de expressão. Muito estranho mesmo. Pouco antes de morrer, Chávez foi incisivo nessa questão com um jornalista da Globo, durante entrevista coletiva (http://www.youtube.com/watch?v=JUsVSargH-Y). Teceu críticas à emissora e à visão neoliberal de liberdade de imprensa. “Se você escrever algo que seu editor não queira, uma vez é bronca, duas é advertência, na terceira vez é rua”. Com um discurso mais ou menos assim, Chávez foi explicando que a censura corporativa é cruel. Que interesses de patrões e anunciantes são sagrados na mídia neoliberal e que, no Brasil ou na Venezuela, são esses fatores que ditam a censura nos meios de comunicação.

A morte de Chávez, no último dia 5 de março, gerou uma onda agressiva de discussões nas praças reais e virtuais a respeito desses temas, o que me fez resgatar um documentário de 2003 que, em minha opinião, explica muito bem a relação entre a revolução bolivariana e os meios de comunicação corporativos que levam dinheiro estadunidense (Venevision e RCTV, assim como a Globo no Brasil). A Revolução não será televisionada, além de traçar um perfil do caráter golpista das grandes televisões venezuelanas, que efetivamente protagonizaram junto à burguesia do país um verdadeiro golpe de Estado em abril de 2002, ainda narra o dia-a-dia desse golpe, farsa a farsa, mentira a mentira.

O filme começa com o presidente Chávez discursando contra o neoliberalismo, segue com chamadas jornalísticas em inglês atacando-o e fecha com outra chamada dizendo que “o novo governo da Venezuela vai estabilizar a produção e o comércio de petróleo no país”. E nessa toada vai alternando dados a respeito do presidente, do povo pobre que o apoia, com tomadas das televisões venezuelanas pegando pesado com Chávez nos seus noticiários: desde dizer que Chávez tem um relacionamento freudiano com Fidel Castro, até afirmar que o presidente é retardado mental e exigindo que o melhor para a Venezuela seria uma transição sem Chávez. Transição do quê? Dos círculos bolivarianos para o capitalismo selvagem.

Outro fator que contribuiu para a antipatia a Chávez da mídia corporativa são suas duras críticas às políticas estadunidenses. “Não se pode responder ao terror com mais terror” disse em 2001. Assim, jornalistas ianques rebatem dizendo que Chávez faz negócios com narcotraficantes colombianos e que o presidente pode ser um agente cubano na Venezuela. Sem comentários.

“Agora eu gosto da política, porque agora tenho uma vida democrática e participativa”, diz uma moça, em completa consonância com um rapaz que afirma que, pela primeira vez na Venezuela, há um governo democrático, que é do povo. Em contrapartida, oposicionistas de classe média e alta aparecem reclamando que, na Venezuela, antes não havia medo, e denunciam um projeto continental de insurreição comunista em toda a América Latina. Chávez rebate: “A riqueza da Venezuela é de todos, e não de uma minoria”.

Canais privados acusam o governo de usar a violência, como Hitler e Mussolini, ao supostamente perder popularidade, enquanto Pedro Carmona, presidente da RCTV, uma das maiores empresas venezuelanas, e Carlos Ortega vão à Washington para uma reunião a respeito do presidente Chávez. George Tenet, da CIA, afirma que a Venezuela é importante por ter reservas de petróleo. Carmona e Ortega chamam uma marcha oposicionista em frente à companhia nacional de petróleo, onde é possível ver manifestantes portando bandeiras dos EUA.

Uma marcha pró-Chávez é convocada para o mesmo local. Os grupos se encontram em frente ao palácio presidencial e, enquanto o exército tenta se colocar entre ambos, é possível escutar tiros. Pessoas vão caindo e mais tarde descobre-se que os tiros vieram de franco-atiradores (snipers) de cima de alguns prédios. Pessoas estavam sendo visadas na cabeça. As portas do palácio se abrem para os feridos e alguns apoiadores de Chávez começam a atirar na direção de onde vinham os disparos dos snipers. Assim, uma câmera da Venevision estava posicionada acima da ponte onde os chavistas estavam atirando e capturou uma imagem que dava a entender que disparavam em direção à marcha oposicionista. Repetiram inúmeras vezes a imagem para culpar o chavismo pelo massacre de Caracas. O que as televisões não mostraram é que a direção para onde os chavistas atiravam estava vazia e a marcha oposicionista nunca havia passado por ali. Assim se manipulou o conflito a fim de fortalecer o tal golpe de Estado.

Após alguns discursos da imprensa privada e o pronunciamento dos militares golpistas, aparece a informação de que um regimento rebelde da guarda nacional toma de assalto o canal 8, da TV pública, e impede o governo de se defender publicamente das acusações, uma vez que toda a mídia privada é propriedade da oposição. Chávez e seus ministros veem pela TV que o palácio Miraflores está cercado por tanques de militares rebelados e recebe a ordem de rendição dos golpistas. Estes pedem uma entrega pacífica, sem resistência do governo. Caso contrário, o palácio Miraflores seria bombardeado.

Políticos celebram o golpe agradecendo aos meios de comunicação pelo serviço prestado. E enquanto se destituía oficialmente todo o executivo, o povo se revoltava com a falta de democracia. “Eu votei no Chávez e quero que ele cumpra o mandato”, diz uma senhora. Nesse dia, ficou proibido mostrar chavistas na TV. O povo saiu de foco.

No sábado, aproximadamente 24 horas após o golpe, o povo venezuelano saiu às ruas para pedir a volta de Chávez. Milhões de manifestantes cercaram o palácio presidencial. As tropas do palácio que seguiam leais a Chávez abriram as portas do palácio Miraflores aos manifestantes. Carmona saiu pela porta de trás. O povo comemorou a tomada do palácio. Alguns ministros, escondidos nos últimos dias nas entranhas de Caracas, entram no palácio carregados pelo povo.

Enquanto isso, a mídia privada se recusava a dar a notícia de que o palácio estava de volta nas mãos dos chavistas. Por volta das 3h da manhã do domingo, 14 de abril de 2002, Hugo Chávez volta ao palácio presidencial de helicóptero e declara: “este povo fez história (...) agora, não se deixem mais envenenar por tantas mentiras”.

Para assistir: http://vimeo.com/6626091

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