"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

O "Instituto da Carteirada"

A partir de situações digamos, no mínimo, "interessantes" que tenho presenciado nos últimos tempos, sugiro a leitura de alguns textos que selecionei dos sites à seguir que se referem ao que eu chamo de "Instituto da Carteirada". Impressionante como, a cada dia, proliferam pessoas que se acham no direito de se comportar à margem da lei ou de qualquer regra social, valendo-se apenas de algum status que possuem...

"A sociedade brasileira, cada vez mais, tem dado importância ao status social que o indivíduo ocupa. Prova disso é a proliferação da chamada carteirada: pessoas, valendo-se de suas "qualidades", exigem tratamento diferenciado, almejam obter vantagens às quais não têm direito. Tais vantagens são das mais diversas: ser tratado por determinados vocativos; ter atendimento diferenciado, não enfrentando filas; poder fumar em locais proibidos; não ser autuado por infringir normas de trânsito; não pagar o valor de ingresso em determinados locais; etc. Essas pessoas, que desejam obter tais benefícios, vantagens ou privilégios, se valem de suas condições pessoais: ser conhecido na mídia, ser filho de político, ter prestígio no meio social, ser agente público, policial, promotor, juiz, etc (...) E sob o aspecto penal: essa forma de conduta também deve ser punida? Entendemos que sim, pois ela configura o crime de concussão. A chamada carteirada se subsume no tipo penal em questão ("Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida") (...)."
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6885

Como diria Frei Betto: "Poucos sabem lidar com funções de poder. Não me restrinjo ao poder político. Refiro-me a qualquer poder: diretora de escola, gerente de banco, polícia, síndico de prédio, etc. Ao se revestir de um cargo, a maioria despe-se de sua individualidade. A função passa a ser mais importante que a pessoa. Esta, despojada da função, sente-se humilhada. Por isso se apega a ela como um náufrago à ripa que bóia entre as ondas (...)"
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=21765

Definitivamente, este é o país da carteirada. Para alguns sujeitos, esta é uma atitude além de irresistível, quase "necessária" à sua sobrevivência já que sem o "título" não se percebem como alguém que valha algum segundo de atenção. Vez por outra, os idiotas de plantão, se valem da tão démodé frase: "Sabe com quem está falando?" para burlarem a lei, se sentirem no direito de invadir, agredir... nessas horas preciso dar uma beliscada em mim mesma para ter certeza de que não estou sonhando ou fui transportada para o século passado. Acredito piamente que a humanidade dará um salto gigantesco em direção à civilidade no dia em que abandonarmos de vez práticas como estas que não nos acrescentam nada e nos transformam em ignorantes sem razão.

Postar um comentário

Feed do Substantivu Commune

Siga-nos por E-mail