"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X
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quinta-feira, 12 de julho de 2012

GOVERNO DE SP FAZ PROPAGANDA CONTRA BICICLETAS

Do blog Náufrago da Utopia:

Getty Images


Mais ciclistas, mais acidentes é o título da repulsiva matéria de capa da edição de 11/07/2012 do Diário Oficial do Estado de São Paulo (acesse aqui).


Faz terrorismo barato contra a forma mais saudável de transporte que existe, além de ser a única não poluente viável, já que a utilização de carroças, coches ou riquixás nas vias urbanas é inimaginável nos dias atuais.


Divulgue!


A Holanda prova que é possível, sim, humanizar-se o trânsito fazendo a opção preferencial pelas bicicletas, cuja quantidade lá supera o número de habitantes e é duas vezes maior que a de carros. Há quase 30 mil km de ciclovias e uma cultura já bem sedimentada de respeito ao ciclista, de forma que a bicicleta se tornou a forma mais tranquila e segura de locomoção no país. O planeta agradece.


Já o Governo paulista quer enfumaçar as ruas, tornando-as privativas dos veículos poluentes. Então, trombeteia, logo no 1º parágrafo:
"A cada dia, no Estado de São Paulo, nove ciclistas são internados em hospitais públicos, vítimas de acidentes de trânsito. E pelo menos um deles morre. A Secretaria de Estado da Saúde informa que, no ano passado, 3,4 mil pessoas foram internadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) paulista, gerando custo de R$ 3,25 milhões à administração estadual".
O DO não entrevistou nenhuma vítima (ciclista), preferindo ouvir apenas um ortopedista do Hospital das Clínicas, para assustar os leitores com frases alarmistas tipo "muitas vezes, os ciclistas são atingidos por automóveis ou por ônibus, o que torna comum a ocorrência de politraumatismo”.


O tal dr. Jorge dos Santos Silva até que faz o diagnóstico correto, ao atribuir os acidentes à pouca estrutura na cidade de São Paulo para utilização da bicicleta como alternativa de transporte. Mas, ao invés de propor a cura do paciente, prefere agravar a doença:
"Para não colocar a vida de quem pedala em risco, recomendo não usar a bike no trânsito de São Paulo. É uma opção segura de lazer em cidades menores, parques públicos e em ciclovias instaladas na capital, aos domingos".
E por que não criar-se a estrutura necessária, investindo para tornar a bicicleta uma opção segura de transporte nas grandes cidades paulistas, a exemplo do que ocorre nas holandesas, e não apenas de lazer nas cidades menores ou aos domingos?




Respondo: porque não é esta a prioridade do Governo estadual. Percebe-se claramente que sua preocupação real, longe de ser com os ciclistas mortos ou feridos, é a que está destacada logo na abertura da matéria: o "custo de R$ 3,25 milhões à administração estadual" que foi gerado em 2011.


Assim caminha a desumanidade.

sábado, 3 de março de 2012

(SP) Ontem


Fonte: CIMI Brasil

Não conheci a Juliana. Mas quando chego à Praça d@ Ciclista, logo uma querida me abraça e chora tanto. Mostra: veja o poema que escreveram. Leio o poema e logo estou eu sem conseguir respirar direito. Aparece um daqueles amigos que te ensinaram tudo e dá um abraço sufocado, difícil.



Reconheço alguns dos rostos - são companheiros das Pedalinas, do Bike Anjo, do Cru, do Pedal Verde, do Vá de Dyke, da Bicicletada da Zona Oeste, do Mão na Roda e tantos outros coletivos, projetos e ações, conhecidos de paradinhas em faróis, de acenos de bom dia, de respostas firmes "se vc vai descer pra Pinheiros, já formou: vamo junto". Aparece uma que não tem bicicleta ainda e aprendeu a dar as primeiras pedaladas com as Pedalinas. Uma outra pedestre, bem alta, traz um imenso girassol, um sol à tira-colo. Saem para buscar flores, chegam flores. Há tantas outras pessoas desconhecidas, mas conhecidas ante o mesmo amor, a mesma pedra

: em fazer das ruas de São Paulo um lugar. Um lugar de escala humana.

Comentários sobre a agonia na demora de sabermos o nome da Juliana. Mulher, com 33 anos, ali naquele horário, são muitas. Alguns telefonaram para a própria Juliana, perguntando se não era ela. Nunca respondeu. A menção ao nome "Julie" rasga em abraços seus mais próximos. O calor denso da noite que se adentra, suor misturado a lágrimas dos homens, aos lamentos das mulheres.

Plantam uma árvore na Praça d@ Ciclista. Juliana era do Pedal Verde. E outra árvore. E aplaudem com estapidos duros, não é uma celebração, é uma memória que se planta.

Muitos fotógrafos e jornalistas. Entrevistam. "Quantas pessoas temos aqui?", não para de gritar uma jornalista para desespero de um dos membros do BikeAnjo. Mais de mil. Na realidade, ali estavam esses mais-de-mil e os que estão sempre no pensamento: seus pais, seus amigos, seus colegas, ciclistas de toda grande São Paulo, ciclistas de todo o país. "É uma fatalidade", diz outra jornalista emocionada, que recebe logo o comentário ríspido de quem está no asfalto sempre: "Fatalidade se fosse imprevisível. Neste caso é muito previsível: a CET não multa quem infringe a norma do Código de manter a distância de 1,5m do ciclista". A rispidez logo se dissolve na fala embargada, complicado manter o discurso aprumado nessa hora. Um jornalista ainda me cochicha sentido, "acho que vou começar a pedalar".

Troveja. E a mãe das tempestades se anuncia à Avenida Paulista. Cai o céu. As cores dos faróis são borradas, as guias desaparecem em corredeiras. Alguns manifestantes procuram abrigo embaixo do Cervantes, na lan house. A força da água não arreda. A chuva não vai passar. Assim, lentamente, sob rajadas de vento forte, os mais-de-mil iniciam a caminhada penosa da Praça d@ Ciclista até o cruzamento da Pamplona. Vão a pé, arrastando a bicicleta, vão montados e pedalando com pesar, vão em duplas pedestres sob os guarda-chuvas que nada seguram. Aos que assistem a manifestação, apinhada nos toldos, entregam flores, panfletos, palavras.

A força da chuva e do vento tira o que vai adentro dos caminhantes: um misto de raiva com grande tristeza. Um frio inacreditável e ali se caminha. "Mais amor, menos motor". Alguém ainda lembrou, no dia em que a Márcia Prado faleceu, também chovia à noite. Tão perto uma da outra: a Márcia e agora a Juliana.

O local. Abraçam-se. Não há uma única peça de roupa, coração ou olhar seco ali no asfalto. Todos deitam na avenida durante incontáveis minutos. A bicicleta branca é trazida. Flores são partilhadas por tantas mãos e aplausos molhados pelas rajadas de vento. Há ainda muitos silêncios. Na entrada da Estação Trianon Masp, entregam-se panfletos aos espectadores. Ouço um, com a roupa completamente seca, comentando: "não sabia que tinha tanta mulher andando de bicicleta". 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pinheirinho - Um massacre ignorado pela imprensa

Compartilho aqui um video, com o resumo do que foi a desocupação do Pinheirinho - com imagens absurdas de repressão policial que ilustram bem o fato de que nem sempre a PM está a serviço da nossa "segurança". São trabalhadores agredindo trabalhadores. Os responsáveis por autorizar isso com certeza dormem tranquilos em seus travesseiros enquanto mais de 6.000 pessoas agora não tem para onde ir. São tantos absurdos que não dá para comentar. O vídeo faz um resumo para os que não puderam acompanhar a história ou ainda não sabem sobre a cadeia de acontecimentos que levaram à essa situação.




E para os colegas que encontram justificativas para não fazerem seu trabalho jornalístico de reportar as ações de Estado e informar a sociedade, incorporando argumentos das "classes médias indignadas com a gente diferenciada", uma sonora do jornalista Ricardo Boechat, lúcida, contudente, que nos faz rever nossas concepções sobre nossa "sociedade" e o papel da imprensa brasileira. Sobre a forma como nos relacionamos em sociedade, sobre solidariedade e honestidade.



Clique no link abaixo para ouvir na rádio Band News FM


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Andar, conviver e dormir

Reproduzo artigo do blog Gabinete Soninha Francine* (publicado hoje na Folha de S.Paulo) sobre a questão da mobilidade, problema interminável nas grandes cidades. Em Brasília - cidade com um número muito menor de habitantes do que SP - o problema já se apresenta de forma urgente, atingindo tanto os motoristas, quanto os usuários de transporte público da capital.

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Andar, conviver e dormir


Quando a população torra seis horas por dia se deslocando, fazer obras na periferia não basta; é necessário trazer as pessoas para perto do trabalho

Para chegar ao serviço às 8h, ela sai de casa às 4h -e não estará de volta antes das 20h ou das 21h.

Uma população de milhões de pessoas torra seis horas ou mais por dia em deslocamentos. É quase um dia de trabalho.

Assim, estudar, fazer atividade física, comer com calma, conversar com os filhos, ajudá-los na lição de casa, frequentar equipamentos culturais, criar laços de amizade com a vizinhança e todas as outras recomendações para uma vida saudável e equilibrada caem no ridículo.

Segundo pesquisa do Instituto AGP, dois terços dos paulistanos sequer dormem o mínimo necessário para se recompor de tão dura jornada e ter energia para a próxima. Como esperar deles disposição para a convivência pacífica e solidária? Pense no seu mau humor depois de uma noite mal dormida. Multiplique por "todas".

Idas e vindas são tão penosas por duas razões. Uma é suficientemente amaldiçoada: o congestionamento. A outra ainda não é tão considerada: as imensas distâncias entre as casas e o trabalho, causadas principalmente pelo desequilíbrio na ocupação do espaço urbano.

Onde há muita atividade econômica -ou seja, postos de trabalho na indústria, no comércio e no setor de serviços-, mora pouca gente. Onde a população incha (como na periferia da capital e nos municípios vizinhos), os empregos são escassos. A escandalosa desigualdade na oferta de serviços públicos e de infraestrutura urbana dispensa maiores comentários.

A solução proposta costuma ser tratar o sintoma: mais creches na periferia, por exemplo. Mas jamais teremos estrutura suficiente para crianças de quem a mãe se despede antes das 4h. É esse o mundo que queremos, com crianças sob cuidados profissionais por 13 horas?

Essa multidão que dorme na cidade B e tem de vir todo dia para a cidade A sabe que um sinônimo para insustentável é insuportável.

São Paulo pode ter uma boa nota naqueles testes antigos de QI, mas hoje se admite que não adianta ter bom desempenho intelectual e ser fraco em equilíbrio emocional e em capacidade de manter relacionamentos sãos.

Se até tecidos podem ser "inteligentes", uma cidade tem de ser. Ela deve aproveitar melhor o que já tem, não desperdiçar energia (começando pela das pessoas), dispor da tecnologia para cruzar informações e incentivar a criação de empregos conforme a necessidade, vocação e os recursos de cada lugar.

Tem também de olhar para um imóvel com o discernimento de um empreendedor e o interesse pelo conjunto da sociedade, assegurando o melhor uso possível.

Isso significa erguer um prédio para pessoas de menor poder aquisitivo no lugar de um estacionamento no centro, em vez de fazê-lo na casa do chapéu e deixar a região central só para o mercado de apartamentos de alto padrão.

Com mais gente morando perto do trabalho, há mais tempo para lazer, estudo, esporte, cultura, convivência, repouso. Com menos deslocamentos, há menos consumo de combustível, barulho e poluição. E mais espaço, mais gente a pé se conhecendo e se encontrando, mais saúde física e mental, maior possibilidade de bem estar.

Porque cidade inteligente é cidade feliz. Se as pessoas estão exaustas e não são felizes, de que adianta o resto?

*SONINHA FRANCINE, 44, tem formação em magistério e em comunicação social. Foi vereadora em São Paulo (2005-2008) e subprefeita da Lapa. Atualmente dirige a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades

terça-feira, 17 de maio de 2011

Agenda - Marcha da Maconha



Video produzido pelo Coletivo DAR com participação de Sophia Reis, Thaíde, Daniel Ganjaman, Soninha Francine, Henrique Carneiro, Cristiano Maronna, Maurício Fiore, Débora Prado, Alexandre Youssef, Givanildo Manoel, André Barros e Kenarik Felipppe.


Marcha da Maconha, 21/05, às 14h, no vão livre do MASP!
(para verificar as datas e locais da marcha em outros estados, acesse o site do movimento)

UPDATE: O Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu, por meio de liminar e mandado de segurança, a Marcha da Maconha, prevista para acontecer neste sábado em SP e outras capitais. Com as ações se acumulando, questionando a proibição, parece que o STF é quem vai decidir se é proibido ou não manifestar-se. O doutor em direito penal Cristiano Maronna do vídeo acima acredita que é justo lutar pela legalização. 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Encontro em SP pretende buscar respostas e ações coletivas contra o ataque da OTAN à Líbia

O Espaço Cultural Mané Garrincha em SP, realiza amanhã, 07/05, um encontro para debater a atual situação na Líbia.
O encontro pretende abordar de forma crítica o impacto e a indignação entre as forças de esquerda no Brasil após os ataques militares de potências imperialistas à Líbia, avalizado pela OTAN.
Os organizadores analisam que o ataque revelou a atitude interesseira das potências, nesse momento em que há uma rebelião generalizada em vários países do norte da África e Oriente Médio. Mas que isso, de alguma maneira, paralisou a esquerda brasileira que, em outro cenário, teria se manifestado imediatamente em repúdios organizados. Em parte pela disparidade das leituras sobre o evento militar.
Sendo assim, convidam as forças (organizações e indivíduos) anti-imperialistas e anti-capitalistas para debater a situação da Líbia para que, se possível, possam juntos construir atos públicos de repúdio aos ataques.
Será, amanhã, dia 07.05.2011, às 15h, na Rua Silveira Martins, nº 131, Sé, São Paulo/SP

domingo, 12 de setembro de 2010

Quem estiver em SP no dia 16, não pode perder



O vereador Professor Claudio Fonseca convida toda a sociedade paulistana para a sessão solene que dará ao jornalista José Hamilton Ribeiro, o “Repórter do Século”, o título de Cidadão Paulistano da Câmara Municipal de São Paulo.

A homenagem será realizada no próximo dia 16 de setembro, quinta-feira, a partir das 19 horas, no Salão Nobre da Casa.

Na oportunidade, o jornalista recordará momentos marcantes da sua longa e brilhante carreira. Um documentário de oito minutos trará depoimentos dos amigos de profissão, além de mostrar curiosidades das suas principais reportagens. O cantor paulistano Celso Sim, músico da nova geração da MPB, dará o toque musical à noite.

Repórter do Século

José Hamilton Ribeiro nasceu em 29 de agosto de 1935, na cidade de Santa Rosa do Viterbo, interior de São Paulo. Em 1954, foi estudar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. No penúltimo ano do curso, foi convidado a deixar a faculdade por ter participado, na condição de vice-presidente do Centro Acadêmico, de uma greve de estudantes. Na época, já trabalhava como repórter. Em 1964, se formou em direito na Universidade de Uberaba. Em 1973, ironicamente, voltou à Casper Libero, como parte do corpo docente da faculdade.

A carreira jornalística de José Hamilton Ribeiro começou em 1954, no jornal O Tempo, feito por jornalistas que haviam se demitido da Folha de S. Paulo. Em 1956, passou a ser repórter da Folha. Em 1962, aceitou um convite para trabalhar em Quatro Rodas, revista recém-criada pela Editora Abril. Chegou a ser editor-chefe da revista e ganhou um Prêmio Esso de Jornalismo em 1964.

Em 1966, transferiu-se para a revista Realidade, fundada por jornalistas dissidentes da Quatro Rodas, onde trabalhou sete anos e chegou a ser editor-chefe. Ganhou mais três prêmios Esso de Jornalismo: em 1967, 1968 e 1973. Como repórter da revista, participou da cobertura da Guerra do Vietnã. Passou 20 dias no front americano, com o fotógrafo japonês Kei Shimamoto.

No Vietnã, José Hamilton Ribeiro foi atingido por uma mina terrestre e perdeu a perna esquerda. Na ocasião, uma foto sua caído no campo de batalha estampou a capa de uma edição da Realidade. Em 1969, o jornalista escreveu um livro sobre a cobertura, O Gosto da Guerra, e ganhou outro Prêmio Esso, desta vez na categoria jornalismo individual.

De 1973 a 1975, José Hamilton Ribeiro foi repórter da revista Veja. Depois, afastou-se da grande imprensa para ajudar na implantação de novas tecnologias, como o off-set e a informática, em jornais do interior de São Paulo.

Em 1975, foi diretor do Diário de Ribeirão Preto. Em 1977, foi diretor do jornal Dia e Noite, de Rio Preto, pelo qual ganhou mais um Prêmio Esso de Jornalismo. Em 1978, foi chefe de jornalismo da TV Tupi, em São Paulo. No ano seguinte, foi diretor do Jornal de Hoje, de Campinas, e ganhou o Prêmio Telesp de Jornalismo.

Seu primeiro trabalho na TV Globo foi uma reportagem sobre o Pantanal, exibida em janeiro de 1981, na edição de aniversário de um ano do Globo Rural. A matéria, que fez como free-lancer, lhe rendeu um convite para trabalhar no Globo Repórter. Na época, o programa, dirigido por Paulo Gil Soares, era gravado em filme 16 mm, com narração em off, sem a imagem do repórter. A primeira gravação em videotape do Globo Repórter foi justamente uma reportagem de José Hamilton Ribeiro sobre o garimpo em Serra Pelada, exibida em 10 de junho de 1982. Era também a primeira vez em que o repórter aparecia no vídeo.

Ainda em 1982, José Hamilton Ribeiro passou a integrar a equipe do Globo Rural, da qual faz parte até hoje. Em 1983, ganhou o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos por uma reportagem sobre a seca do Nordeste, feita em parceria com Carlos Azevedo e Sérgio Roberto Ribeiro. Em 1985, outra reportagem sua, sobre os cortadores de cana de Barrinhos, em Ribeirão Preto, ganhou o Vladimir Herzog de jornalismo. Naquele ano, foi também o editor-chefe da revista Globo Rural.

Em 1990, José Hamilton Ribeiro tornou-se membro da Comissão de Avaliação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Em 1992, participou do projeto Notório Saber em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. No ano seguinte, venceu o concurso de professor titular na mesma universidade.

Em junho de 1995, voltou ao Vietnã para fazer uma reportagem para o programa Contagem Regressiva. A viagem acabou rendendo uma matéria também para o Globo Rural, na qual o repórter e o cinegrafista Sergio Gilz documentaram os costumes da população e o trabalho do produtor rural no Vietnã.

Para o Globo Rural, José Hamilton Ribeiro participou de várias reportagens especiais no Brasil e no exterior. Em novembro de 1996, mostrou o trabalho dos índios bakairis que constroem canoas com a casca da árvore de Jatobá. Em 1999, foi até Portugal destacar as características da vida do campo no país, como a produção de azeitonas e a criação de cavalos. Em 2002, acompanhou uma expedição científica no rio Paraguai com pesquisadores da Embrapa. No ano seguinte, foi até a cidade de Araxá conferir o projeto de preservação de animais ameaçados de extinção. Também em 2003, fez uma série de reportagens especiais sobre música caipira.

Em outubro de 2004, uma matéria de José Hamilton Ribeiro sobre as queimadas na Amazônia foi ao ar no Jornal Nacional. As imagens mostravam grandes áreas da floresta devastadas pelo fogo e animais mortos pelas chamas. O repórter conversou com a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sobre a situação das queimadas. Entrevistou também o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na época Ennio Candotti. Candotti afirmou que se houvesse um tribunal para julgar os crimes contra a natureza, o Brasil seria condenado.

Em 2006, José Hamilton Ribeiro recebeu o Prêmio Maria Moors Cabot,da Universidade de Columbia, um dos mais antigos e importantes prêmios do jornalismo nos Estados Unidos. O jornalista foi um dos vencedores na categoria Outstanding reporting on latin america, que homenageia profissionais que demonstram comprometimento com a liberdade de imprensa e a compreensão das relações interamericanas.

José Hamilton Ribeiro é autor de mais de 15 livros, quase todos derivados de suas reportagens, como Jornalistas 37/97 (1998), sobre o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, e Repórter do Século (2007), com suas reportagens que ganharam o Prêmio Esso.


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Fonte: http://vereadorespps.blogspot.com/2010/08/169-cidadao-paulistano-para-jose.html

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dica quente para o frio paulista

Pra ouvir a matéria abaixo, clique no podcast:






Após temporada no calor carioca, o Anima Mundi 2009 desembarcou em Sampa em meio à famosa garoa da cidade.

O 17º Festival Internacional de Animação do Brasil traz para a capital paulista mais de 400 filmes de 40 países.

Além de conferir lançamentos nacionais, o público pode conhecer destaques da animação mundial com produções de diversos países, dentre eles Alemanha, Austrália, França, Reino Unido, República Checa, Letônia, Moçambique e Rússia.

O Anima Mundi também traz ao Brasil profissionais de diversas partes do mundo. Nesta edição, o tradicional Papo Animado contará com a participação do estoniano Priit Pärn que deverá revelar o porquê de a Estônia ser hoje considerada um dos maiores pólos de animação do mundo.

A produção brasileira será representada por Márcia Latini, que resgatará a história dos irmãos Latini, pioneiros na animação brasileira.

Como não poderia deixar de ser, a Walt Disney também estará representada, com palestra dos animadores Renato dos Anjos e Leo Sanchez, que prometem detalhar o processo de criação do personagem principal do longa "Bolt", indicado ao Oscar deste ano.

Para aqueles que têm interesse em ir além e experimentar as diferentes técnicas de animação, o festival oferece gratuitamente seis oficinas por meio do estúdio aberto.

Enquanto alguns mini-cursos serão direcionados para a criação de personagens de massinha de modelar, há outros que apresentam técnicas em 2d, película, pixilation e zootrópico.

Então, para quem estiver por aqui, curtindo o frio paulista com media de 12º (!!), a dica quente e o 17º Festival Internacional de Animação do Brasil.

Desde o dia vinte e dois, quarta-feira, ate domingo, estão sendo exibidas as produções do festival.

Na Fundação Memorial da América Latina, localizada próxima ao metro da Barra Funda e no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) que fica ali na Rua Álvares Penteado, no Centro de São Paulo.

Os ingressos custam R$ 6 com opções para meia-entrada.

Existem também diversas atividades gratuitas.

O evento e diversão e informação garantida para todas as idades.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Também quero!

Está no Ancelmo Gois, no Globo de hoje:
Quarta à noite, Ronaldo Fenômeno bateu de carro, em Higienópolis, bairro dos bacanas paulistanos. O Outro motorista estimou que seu prejuízo ficaria ali pelos R$ 6 mil.
- Vamos resolver agora - garantiu o craque.
Sacou o talão e fez um cheque de...R$ 70 mil.

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P.S.: To em dúvida se essa história é verídica mesmo porq a cifra é tão alta que acho que exageraram na "apuração", digamos assim. Por outro lado, o coitado do Ronaldo pode ter, com isso, apenas tentado evitar mais delongas com a mídia. Vai saber...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Serra não pode ser presidente: Notas sobre a barbárie na USP

O artigo abaixo é todo do Biscoito. Resolvi reproduzir na íntegra porque o Idelber já disse tudo que podia ser dito sobre o assunto. Apenas acrescento duas coisas: primeiro, concordo totalmente com tudo que diz em relação ao Serra que, aliás, iniciou sua história política no mesmo Movimento Estudantil. E, segundo, nunca tive muita paciência para militar neste movimento, em parte porque já fazia as avaliações que o Idelber pontua aqui e isso me entendiava deveras. Agora que já "passei da fase", olho pra trás e vejo que com todos os equívocos, tudo vale como escola política e experiências como essas de enfrentar a polícia (que eu enfrentei no manifesto contra a venda da Vale no centro do Rio há muitos anos), criam em nós uma marca indelével que nos persegue eternamente. A PM foi criada para servir a um Estado repressor e precisa se reciclar para deixar de ser repressora da sociedade e passar a reprimir somente a criminalidade.





Tentei dormir. Era necessário, já que embarco às seis da matina rumo ao Rio. O fato é que não consegui. Afetam-me bastante as imagens, vídeos, sons de estudantes sendo espancados dentro de um campus universitário. Cresci com essas imagens, me formei dentro delas, acredito saber algo sobre a dinâmica que elas desatam. A violência policial é horrível em qualquer circunstância, evidente. Mas quando ela ocorre dentro de um campus universitário, é toda uma história de décadas de luta – bastante dura – por autonomia e liberdade de pensamento que está sendo negada, revirada, desrespeitada. Perguntem a Alon Feuerwerker acerca de suas memórias da reconstrução da UNE em 1979.

O Sr. José Serra não tem autoridade moral para ser Presidente da República Federativa do Brasil. Haja mãos e pés para contar os exemplos de truculência, autoritarismo e vocação ditatorial. Esse senhor simplesmente não sabe conversar com a sociedade civil. Recusou-se, mais uma vez, a entrar em diálogo.

Critique-se o quanto se queira o movimento estudantil. Eu sou um dos seus críticos, diga-se. Fui presidente de DA, de DCE, fui de comissão organizadora de ENEL, participei de vários congressos da UNE. Há, no movimento estudantil, uma clara tendência à radicalização, fruto da idade de seus membros, da situação peculiar de ainda não estarem inseridos – na maioria dos casos – no mercado de trabalho, da condição de relativa liberdade em que transitam. Não concordo com várias das reivindicações históricas do movimento. Não acho, por exemplo, que estudante tenha que dar pitaco em política curricular. Se o sujeito está adquirindo um bem cujo conteúdo, por definição, ele não conhece, nada mais natural que não seja ele quem o defina. Tampouco acho que as eleições para reitor devam representar paritariamente os três setores. Um estudante fica quatro ou cinco anos no campus. Seu voto não pode ter o mesmo peso que o de quem lá trabalha permanentemente e tem responsabilidade direta sobre os rumos da instituição. Eu poderia continuar listando outros exemplos de bandeiras já levantadas pelos estudantes com as quais não estou de acordo.

Portanto, quem quiser criticar o movimento estudantil, que fique à vontade. Isso não me ofende nem um pouco. É inegável que há um desgaste das formas de luta do movimento universitário. Paralizar um Banco do Brasil ou uma Fiat é uma coisa. Paralizar uma universidade não afeta ninguém de imediato, a não ser a própria comunidade universitária. É uma simples questão de quem produz valor de troca imediato. O movimento estudantil foi chave na luta contra a ditadura, passou por longo adormecimento, renasceu brevemente com os caras-pintadas anti-Collor e voltou à irrelevância. Quanto menos massivo ele é, maior a possibilidade de que lideranças pouco representativas o sequestrem. Aumentam as chances de táticas reprováveis. Mas essas coisas se resolvem com diálogo. No momento em que entra a Polícia, tudo volta à estaca zero. Na verdade, volta a um número negativo, pois o trauma e a revolta não são bons pontos de partida para se negociar nada.

O que me causa indignação é, de novo, que se criem falsas simetrias onde elas não existem (eu falo muito de falsas simetrias, por exemplo, na questão palestina). Os erros, excessos ou táticas reprováveis do movimento universitário são uma coisa. O envio do batalhão de choque da Polícia Militar, o espancamento de estudantes e o uso dos cassetetes e das bombas de gás lacrimogêneo são crimes de outra dimensão completamente distinta. São responsabilidade direta da Polícia subordinada ao governador. Ele tem obrigação de responder por ela. São atrocidades perpetradas pelo poder público. Você não pode comparar isso com a possível imaturidade ou o excesso cometido pelo movimento estudantil.

Sim, o pedido de reintegração de posse é de responsabilidade da Reitoria e a anuência a esse pedido é prerrogativa do Judiciário. Segundo todos os relatos que ouço, a Reitora Sueli Vilela é um desastre completo. Se alguém tem um contra-testemunho, por favor, se manifeste – quero ouvir. Mas tudo o que escutei até hoje é desabonador. Combine-se isso com um governador que tem tendências ditatoriais e você tem os ingredientes para a triste situação que vive hoje a (ainda) mais prestigiosa universidade da América do Sul. Como explicou muito bem Túlio Vianna, mandar tropa de choque ao campus só pode gerar desastres.

Que a comunidade universitária da USP – instituição na qual já tive a honra de palestrar, em total liberdade, sem ninguém armado por perto – possa se recuperar do trauma. Que o movimento estudantil reflita sobre seus rumos. E, acima de tudo, que esse truculento e ditatorial Sr. que governa São Paulo não tenha a chance de governar o Brasil. Nada vai melhorar com ele no leme.

PS: As fotos vêm da magnífica postagem do Professor Hariovaldo: Debelado foco guerrilheiro na USP.

PS 2: Marjorie Rodrigues informa que haverá manifestação hoje, ao meio-dia, saindo da Reitoria em direção à Avenida Paulista.

terça-feira, 31 de março de 2009

Família cria Instituto Vladimir Herzog para preservar memória do jornalista

Gilberto Costa

Repórter da Agência Brasil


Brasília - No próximo dia 26 de junho, na Cinemateca de São Paulo (SP) será lançado o Instituto Vladimir Herzog, uma iniciativa da família do jornalista, com apoio de mais de uma dezena de instituições. “Vlado” faria 72 anos no dia 27 de junho, se não tivesse sido assassinado em outubro de 1975 nos porões do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna).
O instituto terá como missão organizar o acervo de documentos, textos e fotos de Vladimir Herzog que, além de jornalista, era fotógrafo, cineasta e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). A Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura de São Paulo, onde o jornalista atuou como diretor, doou parte do material que ficará disponível para pesquisa e consulta.
Além de perpetuar a memória de Herzog, o instituto discutirá os caminhos do jornalismo atual. “A imprensa é a história do hoje. Ela reporta o que está acontecendo agora. E tem o papel de suprir informações que faltam à sociedade”, diz Ivo Herzog, filho de Vladimir, contando que o instituto quer fomentar a discussão sobre a produção da notícia, a vida nas redações e a atividade dos jornalistas.
Juntamente com o Sindicato dos Jornalistas (SP), o novo instituto será responsável pelo Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, instituído em 1979. As próximas edições do prêmio passarão a reconhecer as reportagens que tratem dos “direitos humanos intangíveis”, anuncia Ivo Herzog, explicando o objetivo de estimular as reportagens que mostrem como a corrupção e o mau uso do dinheiro público, por exemplo, prejudicam os direitos humanos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Infernópolis: o pecado de ser pobre

Ricardo Alvarez

Ação da Polícia Militar de SP na segunda maior favela da cidade peca pela agressividade contra pobres e o direito de protestar, mistifica a origem dos confrontos e alimenta a idéia de “limpeza social”.

Tudo começou com o atropelamento e morte de um garoto que teve duplo azar na vida: nasceu pobre e morreu nos primeiros anos de sua frutífera vida. Seguiu-se ao acidente uma manifestação dos moradores por equipamento público, para coibir novas mortes. Nada mais justo e compreensível.

Na manifestação ocorreram quebradeiras provocadas por garotos que não têm muito a perder, mas não contavam com o apoio dos manifestantes e da Associação de Moradores. Quando se vive no limite, relegado a uma mobilidade restrita numa metrópole repleta de possibilidades, sem a presença efetiva de equipamentos públicos de qualidade, assombrado pela violência, pelo desemprego, miséria, álcool e rendimentos risíveis, a fronteira entre o legal e o ilegal é muito tênue. Não se trata simplesmente de “desvio de caráter”, ou de vandalismo inconsequente como parte da imprensa e a própria SSP fez crer. Mas o teatro estava apenas no começo.

Paraisópolis é uma grande mancha urbana de pequenos casebres, alta densidade demográfica e com indicadores sociais perversos: apenas 0,45% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no ensino superior. Em 1991 o índice era de 1,19%. Apenas 20% do mesmo grupo social estão no ensino médio (Moema tem percentual de 84%) e a baixa escolaridade colabora no desemprego: 1 em cada 4 adultos está sem trabalho. A renda média entre seus moradores é de R$ 367,00 ao passo que na cidade de São Paulo o valor chega a R$ 1.325,00. A degradação persistente da qualidade de vida destas pessoas desceu em profundidade abissal.

Ao seu redor encontramos situação inversa: cercada de edifícios majestosos, casas de alto padrão, com imensos terrenos gramados e arborizados, seguranças particulares e abastecidos de total infra-estrutura. Seus vizinhos gastam mais dinheiro num ano em manutenção das piscinas do que o Estado em educação a estes deserdados urbanos.

Cito esta contradição explícita na paisagem da geografia local para reforçar a idéia de que o convívio permanente entre os socialmente desiguais é sempre explosivo, apesar da repetitiva ladainha que o problema reside na personalidade das pessoas, que a delinqüência vem de berço e a violência está no sangue de alguns. Tolos, não percebem que este mesmo discurso embala as políticas de segurança pública há décadas sem solução definitiva.

Também não façamos coro com a tese dos “dois Brasis”, pois as relações entre estes dois mundos são próximas. Trabalhar com o doméstica nestas residências é uma das principais fontes de empregos para as mulheres de Paraisópolis e o assistencialismo corre solto e evidencia sua incapacidade em apontar saídas: Kaká doou bolas, ONG´s distribuem alimentos e roupas, a BOVESPA montou uma Biblioteca, Colégio de classe alta da redondeza oferece bolsas de estudos, enfim, ações apoiadas em responsabilidade social que não dão conta de suprir a irresponsabilidade social dos governos constituídos.

Quando carros foram atacados, pneus queimados e comércios destruídos, num ato espontâneo de revolta contra uma realidade insuportável, a resposta foi o show da operação policial. Estar rodeado de ricos e, principalmente, muito próximos do Palácio do Governo de São Paulo, habitado e dirigido pelo Sr. José Serra, foi outro baita azar.

Na ótica do governo, era preciso agir e rápido. Primeiro, a desculpa padrão: a culpa é da própria população que protege os traficantes que atacaram a Polícia. Segundo, uma movimentação policial exemplar: desfile de viaturas pela Marginal do Rio Pinheiros mostrando que o Governador não tergiversa, age. Terceiro, a grande mídia entra em cena: como sempre criando cenários que levam a conclusão imediata de que a ação se justifica, e mortos e feridos são inevitáveis.

O mais irônico é que ocupar casas sem mandato de segurança virou rotina, matar jovens suspeitos, uma necessidade e, aterrorizar a população local, um aviso. Minha suspeita é que por detrás deste modus operandi, que se diga não é uma exclusividade de São Paulo, existe uma política mal disfarçada de redução das pressões populacionais por emprego e serviços públicos, que acomete principalmente crianças e adolescentes pelo Brasil afora. São grupos de extermínio institucionalizados e que comumente recebem aplausos de telespectadores confortavelmente instalados diante de seus televisores, e crentes de que o melhor foi feito.

Poderia haver o caminho do diálogo, sem dúvida nenhuma, houvesse interesse do Gabinete do Governador. O Cel. Ailton Araújo Brandão, comandante da ação em Paraisópolis tem, inclusive, folha corrida a este respeito. Ele foi um dos participantes daquela malfadada reunião ocorrida com a cúpula da Polícia Militar de SP e o PCC, em 2006, quando era Comandante da PM na ponta oeste do estado de São Paulo, justamente onde estavam presos os membros da cúpula da organização. Um ano depois recebeu o título de cidadão prudentino, com direito a almoço e placa da honraria pelos serviços prestados.

O Cel. Brandão apontou seu dedo para as novas tecnologias como culpada pelo sumiço de gravações contra a PM pela morte de 104 pessoas nos confrontos com o PCC. O gravador do 190 falhou e o backup automático também falhou.

Mas ele foi condecorado pela Assembléia Legislativa de São Paulo em setembro de 2007 como Comandante do Policiamento da Capital da Polícia Militar do Estado de São Paulo, junto com o Governador Serra. Recebeu importante medalha dos paulistanos, embora o povo de Paraisópolis possivelmente nem saiba que ela exista. Talvez por isso a raiva.

A PF também chegou ao referido Cel. através da Operação Santa Tereza. Em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo foi revelado um esquema de distribuição de ingressos para uma festa de peão no interior de São Paulo com artistas consagrados. O “mimo” era a contrapartida pelo oferecimento de segurança pública a um prostíbulo privado que lavava dinheiro do BNDES na capital. Vê-se, portanto, que o crime maior não está em Paraisópolis, mas em outros lugares e o Cel. sabe quais são.

A ação da polícia é a síntese de uma imbricada teia de interesses que passa pela definição, a priori, de que pobre em favela é culpado antes de mais nada, de que é preciso fazer alguma coisa contra a criminalidade e é na favela que o tráfico manda. Humilhar pessoas, revistando-as, invadindo suas casas, num show travestido de caça aos traficantes explicita mais do que uma prática condenável, mas um tratamento de choque para um problema social.

A ocupação da favela de Paraisópolis na cidade de São Paulo, neste começo de fevereiro, é emblemática sobre o papel do tucanato diante dos problemas sociais no estado de São Paulo. Para fazer justiça, o Demo Kassab também foi condecorado na Assembléia Legislativa num ambiente agradável e de confraternização.

Pena que enquanto alguns desfrutam deste conto de fadas com dinheiro público outros vivem num inferno constante e são condenados ao castigo da morte lenta e silenciosa. Mesmo vivendo na “cidade do paraíso”.


Ricardo Alvarez
Professor e editor do Blog Controvérsia
blog.controversia.com.br

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Soninha inspira movimento para sepultar malufismo em São Paulo





O debate deste domingo entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo na TV Record teve ao menos um efeito concreto - ainda que involuntário - na reta final da campanha. Ao forçar uma polarização com Soninha Francine (PPS) de uma forma agressiva e deselegante (tática usada desde o debate anterior, na Band), o candidato Paulo Maluf (PP) gerou uma reação espontânea e irreverente do eleitorado que se reflete desde o final do debate em blogs e sites na internet: o movimento "Vamos fazer a Soninha ganhar do Maluf?".

Maluf despenca nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Soninha teve 100% de crescimento do eleitorado desde o início da propaganda eleitoral. Deve ser difícil para o ex-prefeito, que entre as maiores pérolas da política já cometeu a frase "estupra mas não mata" e destaca como qualidade da própria mulher a subserviência, aceitar que Soninha - com pouco mais da metade da idade dele e a sua antítese na política - esteja empatada tecnicamente e ajudará a enterrar definitivamente o malufismo.

Na Record, em três oportunidades diferentes houve um confronto direto entre Soninha e Maluf. O candidato do PP foi quem provocou a polarização, ao criticar proposta de Soninha (que foi de bicicleta ao debate) de investir em ciclovias.

Maluf disse que discordava da proposta sobre o uso de bicicletas. "A solução é melhorar o trânsito, obras viárias, a Freeway, a velocidade dos corredores, construir mais metrô. Isso sim, a bicicleta é louvável, mas não é solução", declarou, ignorando que Soninha propõe exatamente a integração da bicicleta com outros meios de transporte coletivo.

Em seguida, apenas para polemizar - até porque era seu momento de responder e não perguntar, Maluf atacou de modo nada sutil: "Qual sua proposta para diminuir a venda de maconha na porta das escolas?". Soninha não caiu na provocação. Sobre drogas, respondeu: "É possível investir na cultura, por exemplo, para evitar o uso".

Em outro momento, Soninha citou uma entrevista à revista "Istoé", na qual Maluf criticava o PT e apontava a cooptação de vereadores do seu próprio partido pelo governo Marta. Em vez de responder, Maluf acusou Soninha de ter trocado de partido. "Você foi eleita pelo PT, e no meio do caminho saiu do PT e foi para o PPS. É você quem deve responder pela infidelidade partidária, para mudar de partido, quais os encantos para mudar partido", cutucou, insinuando a obtenção de alguma vantagem.

Soninha repetiu que já esclareceu porque deixou o PT e comentou novamente a declaração feita durante a sabatina do Grupo Estado, sobre o "toma lá, dá cá" que predomina da relação entre legislativos e executivos municipais, estaduais e federal.

"O senhor não leu minha entrevista para o Estadão, eu não disse nada de novo, eu só não neguei o que todo mundo está cansado de saber", disse. Na sua última resposta, Maluf "defendeu" Marta, Serra e Kassab. "Eles não compraram nenhum dos seus colegas, assim como Paulo Maluf, que não tem nenhuma condenação em toda a sua vida pública", concluiu, referindo-se a ele mesmo na terceira pessoa.

A candidata do PPS comentou que Maluf a "surpreende" quando afirma que "se orgulha de ter a ficha limpa". "Se não me engano, você não poderia nem sequer deixar o país", ironizou sobre decisão judicial que apreendeu o passaporte de Maluf, na mesma época em que foi preso.

"Não é verdade que não há processos contra você. E muitos são por má conduta na administração pública", completou Soninha. Maluf alegou mais uma vez que é inocente das acusações.

Soninha também lembrou que Maluf declarava que se Pitta não fosse um bom prefeito, as pessoas não deveriam mais votar nele - e apesar de criticar o PT, apoiou Marta Suplicy e faz parte da base de sustentação do governo Lula. "É difícil seguir os seus conselhos?", perguntou.

Contrariando as regras do debate, que proibiam expressamente utilizar qualquer material de apoio, Maluf mostrou a capa de uma edição da revista "Época" de 2001, na qual Soninha admitia ter fumado maconha, como se isso, por si só, a desabonasse para ser candidata à Prefeitura de São Paulo. Oras, mas quem já foi preso e algemado foi Maluf, não Soninha. Vai entender...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Quem foi que disse?




Quem foi que disse que não tem mais jeito?
Quem foi que disse que só tem um jeito?
Quem foi que disse que ter um objeto
É melhor do que ser um bom sujeito?

Quem foi que disse que se melhorar, estraga?
Quem foi que disse que se mudar piora?
Quem foi que disse que mulher não pode
E que você não pode mudar isso agora?

(Quem foi que disse?)
Quem foi que disse que isso é maluquice?
Quem foi que disse, quem foi que disse?
Sou, Sou, Sou (Quem foi que disse?)
Sou, Sou, Sou (Quem foi que disse?)

Quem foi que disse que gravata é seriedade?
Que alegria não é necessidade?
Quem disse que ideal é coisa de juventude
E que você não pode mudar essa atitude?

Quem foi que disse que tem que ser como eles?
E que só eles é que falam a verdade?
Quem foi que disse que isso é maluquice
Andar de bicicleta na cidade?

(Quem foi que disse?)
Quem foi que disse que isso é maluquice?
Quem foi que disse, quem foi que disse?
Sou, Sou, Sou (Soninha!)
Sou, Sou, Sou (Soninha!)

domingo, 7 de setembro de 2008

Viagem especial

Durante a última semana deste mês estarei em São Paulo acompanhando os últimos dias de campanha da candidata Soninha Francine à Prefeitura de São Paulo. Candidata pelo PPS, essa jornalista que atualmente é vereadora, tornou-se nacionalmente conhecida como VJ da MTV Brasil, onde trabalhou por dez anos, tendo sido posteriormente apresentadora de um programa para jovens na TV Cultura, comentarista da ESPN Brasil e até recentemente uma das apresentadoras do programa Saia Justa, na GNT. Paulistana do bairro de Santana, formada em Cinema pela ECA/USP, foi eleita vereadora em 2004 pelo PT. Filiou-se ao PPS em setembro de 2007 (informações do site oficial da candidata).

Leia mais sobre a biografia de Soninha Francine. Veja aqui tudo sobre a campanha à Prefeitura.

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