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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Embaixada do Irã comemora os 36 anos da Revolução Islâmica

Fonte: Iranews

Comemoração em Teerã (Iranews)

Em comemoração aos 36 anos da Revolução Islâmica, a Embaixada do Irã em Brasília recebeu nesta quarta-feira, 11/02, diplomatas, parlamentares e jornalistas, entre outros convidados e autoridades de diversos países.

O evento foi aberto com a execução dos hinos do Brasil e do Irã, pela banda da Marinha do Brasil. Na sequência, o embaixador Mohammad Ali Ghanezade fez um pronunciamento destacando os avanços e conquistas do Irã nesses 36 anos.

Discurso do Embaixador, Mohammad Ali Ghanezade

Em nome de Deus
Senhoras e Senhores ,
Honrosos Embaixadores,
Prezados convidados,

1. Sejam bem vindos à Cerimônia do 36º Aniversário da Vitória da Grande Revolução Islâmica sob a liderança do Eman Khomeini e a Data Nacional da República Islâmica do Irã.

2. O Sistema da República Islâmica do Irã foi constituído em 1979, baseado na democracia religiosa e num ambiente plenamente democrático com o voto favorável de 98,88% da população. Hoje, depois de 36 anos, declaramos firmemente que contando com o voto, o apoio e a força da população, o Irã se transformou no país mais estável da tumultuada região do Oriente Médio.

3. A República Islâmica do Irã, graças a Revolução Islâmica e à liderança intelectual do Reverendíssimo Aiatollá Khamenei, e com o respaldo da força popular de intelectuais e jovens estudiosos, obteve importantes conquistas nas áreas de ciência espacial, ciência nuclear pacífica, biotecnologia, nanotecnologia, células tronco, pesquisa aero-espacial, indústria pesada, indústria militar, entre outras. E um exemplo claro dessas conquistas é o lançamento bem sucedido do 5º Satélite de pesquisas da República Islâmica do Irã, denomidado “ FAJR”, que no dia 1º de fevereiro desse ano, foi colocada em órbita e logo começou a comunicação com o centro de controle de terra no país.

4.  A República Islâmica do Irã mostrou que a ameaça e o embargo não podem barrar o seu avanço tecnológico, seja na área nuclear ou na área científica. Reafirmamos que as atividades nucleares do Irã são pacíficas e não militares. Não existe nenhuma ameaça à sociedade mundial, e do ponto de vista religioso, a liderança do Irã declarou que é proibido ter armas de destruição em massa pois é contra as leis islâmicas.

Durante o ano passado tivemos os mais transparentes diálogos sobre o assunto nuclear com as nossas partes de negociações e acreditamos que o único caminho para eliminar as dúvidas bilaterais numa posição igualitária, e assim, solucionar o assunto é o diálogo.

Um acordo definitivo sobre o programa nuclear pacífico iraniano, será sem dúvida o início da cooperação abrangente no sentindo de instalação da segurança e da paz na região e no mundo.

Senhoras e Senhores,

5. Hoje em dia um dos grandes desafios do mundo é o fenômeno nefasto do terrorismo. A República Islâmica do Irã, como uma das vítimas do terrorismo, durante esses 36 anos sempre pautou em seu programa de ação a luta contra todo o tipo de terrorismo. Destacou nos seus programas o empenho pela paz mundial, solução de conflitos e crises por meio de diálogos, sem o uso da força e a luta contra qualquer tipo de violência.

Nesse sentido, A proposta do Exmo Sr. Dr. Rohani, Presidente da República Islâmica do Irã, sobre “Diálogo das Civilizações e o Mundo sem violência e sem extremismo”, em 2013, foi bem recebida e aprovada pela Organização das Nações Unidas. Em seguida, em novembro de 2014, a Conferência Internacional “O Mundo contra a violência e o Extremismo” foi realizada em Teerã com a presença de altas autoridades dos países, estudiosos e especialistas de todo o mundo. Conforme proferiu o Reverendíssimo Aiatolá Khamenei, infelizmente a luta contra o terrorismo transformou-se, por alguns, em pretextos à violência, imposição, acobertamento de intenções para dominação e acesso às riquezas e recursos naturais dos povos.

O terrorismo se dividiu em duas partes, terrorismo bom e terrorismo ruim, e como consequência disso, surgiram sinais de islamofobia e a existência de um duplo critério de defesa da liberdade de expressão e a normalização da hostilidade contra os valores islâmicos. Por isso, o Líder Supremo enviando uma mensagem aos jovens europeus e americanos, perguntou: “Por que a política antiga de espalhar o medo e o ódio, agora com uma força sem precedentes, mirou o Islam e os muçulmanos? Porque a estrutura do poder mundial, no mundo atual, quer isolar o pensamento islâmico? Será que existem significados e valores islâmicos que prejudicam os objetivos das grandes potências? Quais interesses poderiam ser realizados expondo uma imagem falsa do Islam?"

Ele também pediu aos jovens que não permitam que hipócritas apresentem seus terroristas recrutados como representantes do Islam. E que os próprios jovens consultem diretamente o Alcorão.

Prezados,       
 
6. A estratégia de Políticas Exteriores da República Islâmica do Irã se baseia na interação construtiva com o mundo. O Governo da República Islâmica do Irã além de ter crescentes boas relações com seus vizinhos, sem nenhuma tensão, sempre tem pautado na sua política exterior o desenvolvimento de suas relações com outras regiões e países do mundo. O Exmo. Sr. Dr. Rohani, Presidente da República Islâmica do Irã, tem uma visão prática e pragmática em relação à política exterior e acredita na interação construtiva com o mundo e no diálogo para a solução das crises e conflitos.

Caros convidados,

7. Tenho a honra de dizer que as relações entre a República Islâmica do Irã e a República Federativa do Brasil têm mais de 110 anos. Os dois países durante esse tempo, baseando-se no respeito mútuo e reciprocidade, desenvolveram relações em várias áreas e tiveram cooperações estreitas nos fóruns internacionais. Hoje o volume de intercâmbio comercial entre os dois países, apesar dos embargos injustos do ocidente contra o Irã, alcança US$ 1.5 (um milhão e quinhentos mil dólares). As visitas das missões políticas, econômicas e comerciais entre o Brasil e Irã tiveram continuidade durante o ano passado, como por exemplo, a visita do Ministro de Agricultura e  o Abastecimento do Brasil e de três grupos de deputados e senadores brasileiros a Teerã, além das viagens de vários empresários industriais e investidores de setores privados ocorridos entre os dois países.

8. A República Islâmica do Irã e a República Federativa do Brasil têm grandes potências para desenvolverem suas relações nas dimensões bilaterais e multilaterais. As posições estreitas e convergentes nos assuntos como a democracia, a luta contra o terrorismo e o respeito aos  Direitos Humanos resultaram na cooperação conjunta nos fóruns e organizações internacionais dos dois países.

9.  Finalmente, agradecendo novamente a presença de todos os prezados convidados nessa cerimônia e com votos de bem-estar, saúde e prosperidade para os dois grandes povos, Brasil e Irã, convido vocês a degustarem da culinária iraniana.   

Muito Obrigado.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Uma homenagem à tradição da comunidade do samba

O texto abaixo foi retirado do blog do Ivo Meirelles, presidente da nossa escola de samba querida, Estação Primeira de Mangueira. É uma declaração de amor à escola, à comunidade e um reconhecimento ao trabalho do Ivo, que resgatou a tradição e as raízes da verde e rosa. Lembrando que esse ano, em seu desfile, a Mangueira fez a Sapucaí cantar sozinha por mais de 2 minutos o enredo, na maior paradona da história do carnaval.


Salve Mangueira!


Velha Guarda da Mangueira
Os amigos devem saber que não sou uma pessoa que tenho um grande amor (apaixonado) pela Mangueira, tamanho é o fanatismo de sua torcida, mas é preciso dizer que há algo especial na Mangueira, que irradia. A nova administração do Ivo Meirelles tem a sua beleza, exatamente por saber valorizar essa energia que é “ser mangueirense”, identificar que essa é a essência da Mangueira.

Vimos acompanhando nos últimos anos a intensificação de um estilo de Carnaval em que o espetáculo visual tem primazia sobre o desfilar. Ou seja, o desfile das escolas de samba se tornou algo para SER VISTO e não para SER VIVIDO. Muito haveria para ser falado sobre isso, a transmissão da TV, o turismo internacional, os vícios da tal “profissionalização” das escolas, os critérios draconianos de julgamento, etc.

O que vem ao caso é que a administração do Ivo Meirelles tem sido um contraponto a isso. Não estou querendo endeusar o Ivo, até porque não sou ingênuo e sei de todas as contraindicações que sua eleição representa numa série de relações mais gerais entre a mídia, o morro e a sociedade, mas o que simplesmente quero apontar aqui é que o Ivo – certo ou errado – resolve apostar tudo num olhar que ele acredita e em que ele aposta: e esse olhar é acima de tudo MANGUEIRENSE.

A administração anterior fez uma revolução na Mangueira. Recebeu a escola totalmente falida, e, com uma filosofia de profissionalização, transformou não só a escola mas a própria comunidade da Mangueira, resgatando sua credibilidade no cenário do Carnaval. Vejam a diferença hoje da Mangueira para o Império Serrano ou a Portela. Vimos a Mangueira com uma estrutura exemplar, invejável!

Mas o que vimos? Uma Mangueira como qualquer outra escola. Uma Mangueira luxuosa, talvez como nunca tenhamos visto antes. O desfile do Maomé foi exemplar nisso. Carros acoplados, muito luxo, mas cadê a Mangueira?

Anos depois, já com o Ivo, vimos a Mangueira sendo cogitada para ser rebaixada, carros na madeira. Mas a comunidade do samba se juntou, os mangueirenses saíram da toca, superaram todas as dificuldades, e a Mangueira, mesmo com o regulamento draconiano, foi para o desfile das campeãs! Isso sim é a Mangueira! 


Com isso não estou querendo fazer apologia da miséria ou da desorganização, mas querendo apontar para o que é o Carnaval, o que representa ser mangueirense, e para as diferenças de filosofia entre as duas gestões.
2011 foi a coroação de uma nova filosofia de carnaval na Mangueira: ao contrário de um desfile para ser simplesmente visto, um desfile para ser cantado e sambado. Trunfo: o samba que poucos acreditavam, que não era sofisticado melodicamente, mas era mangueirense. E Mangueira é emoção!

* * *

Assim é o samba de 2012, com a pegada dos sambas do Lequinho, ao mesmo tempo mais simples e ao mesmo tempo com uma certa sofisticação melódica.

Tá lá o olhar do Ivo. O mesmo Ivo que foi campeão na Mangueira, com um samba simples, o de 1986, mas que se tornou antológico. Por que? Porque é um samba mangueirense. Não tem explicação!

O Ivo, que é mangueirense, sabe que só é possível implementar essa nova filosofia se houver um foco no samba-enredo. E que é preciso caminhar pra frente mas que não se pode deixar de olhar para trás. E olhar para trás no caso do samba-enredo da Mangueira é dialogar com a enorme tradição dos anos oitenta e início dos noventa com os sambas do Hélio Turco e Jurandir. Que justamente deixaram de ganhar as disputas com a chegada da nova diretoria.

A influência do Hélio Turco/Jurandir está toda lá no samba de 2011 e está toda aqui no de 2012. Mas ao mesmo tempo não é um samba do Hélio Turco, é um samba do Lequinho.

A síntese de todos esses movimentos (políticos, musicais...) está na brilhante segunda parte do samba. Brilhante mesmo! É um samba mangueirense. Um crescendo trabalhado com muita energia, com expressões simples que se repetem com pausas para o canto (comparem o papel do “sim” com o do “será” do famoso samba de 1988...). Até explodir num verso de enorme emoção ("Chora, chegou a hora eu não vou ligar"). Mais em seguida tem outro verso de grande impacto emocional (“Mangueira fez o meu sonho acontecer”), mas seguido de uma pausa bastante longa, bem atípica, que nunca entraria num samba do Hélio Turco (taí a pegada do Igor Leal/Lequinho). Ainda, não daria para o samba seguir com outro crescendo para explodir no final (como aconteceria com os sambas do Hélio Turco, por exemplo o de 1992, “se todos fossem iguais a você/que maravilha seria viver”, curiosamente o último samba da dupla). 


Daí os compositores de 2012 acharam um recurso muito bem encaixado, que encerra o samba com um espírito de humildade raro aos sambas mangueirenses: é preciso respeitar onde a Mangueira chegou, porque isso é raro, e precisa ser comemorado. Lindo final!!! Pra ser cantado e não assistido!!!

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