"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X
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sábado, 21 de maio de 2011

Brasil à venda. E há quem compre

Fonte: Pátria Latina
Por Frei Betto*




Quem costuma ir à feira, ao mercado ou ao supermercado para comprar alimentos sabe muito bem que eles têm subido de preços. A inflação começa a ficar fora de controle. O governo Dilma está consciente de que este é o seu calcanhar de Aquiles.

Os juros tendem a subir e a União anunciou um corte de R$ 50 bilhões no orçamento federal (espero que programas sociais, Saúde e Educação escapem da tesoura). Tudo para impedir que o dragão desperte e abocanhe o pouco que o brasileiro ganhou a mais de renda nos oito anos de governo Lula.

Lá fora, há uma crise financeira, uma hemorragia especulativa difícil de estancar. Grécia, Irlanda e Portugal andam de pires nas mãos. Na Europa, apenas a Alemanha tem crescimento significativo. Nos EUA, o índice de crescimento é pífio, três vezes inferior ao do Brasil.

Por que a alta do preço dos alimentos? Devido à crise financeira, os especuladores preferem, agora, aplicar seu dinheiro em algo mais seguro que papéis voláteis. Assim, investem em compra de terras.

Outro fator de alta dos preços dos alimentos é a expansão do agrocombustível. Mais terras para plantar vegetais que resultam em etanol, menos áreas para cultivar o que necessitamos no prato.

Produzem-se alimentos para quem pode comprá-los, e não para quem tem fome (é a lógica perversa do capitalismo). Agora se planta também o que serve para abastecer carros. O petróleo já não é tão abundante como outrora.

Nas grandes extensões latifundiárias adota-se a monocultura. Planta-se soja, trigo, milho... Para exportar. O Brasil tem, hoje, o maior rebanho do mundo e, no entanto, a carne virou artigo de luxo. Soma-se a isso o aumento dos preços dos fertilizantes e dos combustíveis e a demanda por alimento na superpopulosa Ásia. Mais procura significa oferta mais cara. A China desbancou os EUA como principal parceiro comercial do Brasil.

Soma-se a essa conjuntura a desnacionalização do território brasileiro. Já não se pode comprar um país, como no período colonial. Ou melhor, pode, desde que de baixo para cima, pedaço a pedaço de suas terras.

Há décadas o Congresso está para estabelecer limites à compra de terras por estrangeiros. Enquanto nossos deputados e senadores engavetam projetos, o Brasil vai sendo literalmente comido pelo solo.

Em 2010, a NAI Commercial Properties, transnacional do ramo imobiliário, presente em 55 países, adquiriu no Brasil, para estrangeiros, 30 fazendas nos estados de GO, MT, SP, PR, BA e TO. Ao todo, 96 mil hectares! Muitas compradas por fundos de investimentos sediados fora do nosso país, como duas fazendas de Pedro Afonso, no Tocantins, somando 40 mil hectares, adquiridas por R$ 240 milhões. Pagou-se R$ 6 por hectare. Hoje, um hectare no estado de São Paulo vale de R$ 30 mil a R$ 40 mil. É mais negócio aplicar em terras que em ações da Bolsa.

Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), ano passado cerca de US$ 14 bilhões foram destinados, no mundo, a compras de terras para a agricultura. As brasileiras constaram do pacote. Estima-se que a NAI detenha no Brasil mais de 20% das áreas de commodities para a exportação.

O escritório da NAI no Brasil conta com cerca de 200 fundos de investimentos cadastrados, todos na fila para comprar terras brasileiras e destiná-las à produção agrícola.

O alimento é, hoje, a mais sofisticada arma de guerra. A maioria dos países gasta de 60% a 70% de seu orçamento na compra de alimentos. Não é à toa que grandes empresas alimentícias investem pesado na formação de oligopólios, culminando com as sementes transgênicas que tornam a lavoura dependente de duas ou três grandes empresas transnacionais.

O governo Lula falou muito em soberania alimentar. O de Dilma adota como lema "Brasil: país rico é país sem pobreza". Para tornar reais tais anseios é preciso tomar medidas mais drásticas do que apertar o cinto das contas públicas.

Sem evitar a desnacionalização de nosso território (e, portanto, de nossa agricultura), promover a reforma agrária, priorizar a agricultura familiar e combater com rigor o desmatamento e o trabalho escravo, o Brasil parecerá despensa de fazenda colonial: o povo faminto na senzala, enquanto, lá fora, a Casa Grande se farta à mesa às nossas custas.


* Frei Betto é escritor, autor de "Comer como um frade – divinas receitas para quem sabe por que temos um céu na boca" (José Olympio), entre outros livros. Página e Twitter do autor: http://www.freibetto.org/ - twitter:@freibetto

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Você também pode dizer NÃO ao trabalho escravo

Considero surreal que ainda exista essa prática no país. Mais surreal ainda que tenhamos que fazer abaixo-assinados e campanhas "contra o trabalho escravo" (então alguém é "a favor"???). Mas enfim, a realidade às vezes nos choca e a luta pela erradicação do trabalho escravo no Brasil, de fato, encontra resistências entre nossos parlamentares, em especial os da bancada ruralista. 


A PEC 438/2001 prevê, dentre outras medidas, o confisco da propriedade rural em que ficar comprovada a exploração de trabalho escravo, mas depende ainda de apreciação pela Câmara dos Deputados. A medida foi aprovada no Senado (como PEC 57/99) e encaminhada à Câmara no final de 2001, onde foi aprovada em primeiro turno em 2004 mas  ainda não foi examinada em segundo turno.
Durante a Segunda Semana Nacional contra o Trabalho Escravo, que começou na última  quinta-feira (dia 27) e vai até a próxima quinta (dia 3) novas assinaturas estão sendo recolhidas em apoio à proposta que foi apresentada pelo então senador Ademir Andrade (PSB-PA) e inclui no artigo 243 da Constituição a exploração de trabalho escravo como uma das possibilidades para a expropriação de terras destinadas à reforma agrária.
Para saber mais sobre a proposta e aderir ao abaixo-assinado, acesse: http://www.trabalhoescravo.org.br/. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Plebiscito - Cerca de meio milhão de brasileiros e brasileiras dizem SIM ao limite da propriedade de terra





por Assessoria de Comunicação FNRA

Participaram deste plebiscito 519.623 pessoas, em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal. Só não participaram do mesmo, Santa Catarina, Amapá e Acre que optaram por fazer o abaixo-assinado, somente. Eram admitidas à votação pessoas acima de 16 anos, portanto em condições de votar.

Duas foram as perguntas formuladas às quais se devia responder sim ou não.

A primeira: Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil, devem ter um limite máximo de tamanho?

A segunda: Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?
95,52% (495.424) responderam afirmativamente à primeira pergunta, 3,52% (18.223), negativamente, 0,63% foram votos em branco e 0,34%, votos nulos.

Em relação à segunda pergunta os que responderam sim foram 94,39% (489.666), 4,27% (22.158) responderam não, 0,89 % foram votos em branco e 0,45%, votos nulos.

Considerando as dificuldades enfrentadas tanto na produção, quanto na distribuição de um mínimo de material, pela falta de recursos e de pessoal disponível; considerando que o Fórum e outras entidades envolvidas não tiveram acesso a qualquer veículo de comunicação de massas; considerando o momento, quando as atenções estão voltadas e os militantes envolvidos nas campanhas eleitorais, pode-se saudar o resultado como muito positivo.

Mais de meio milhão de pessoas se posicionou afirmativamente em relação à necessidade e à conveniência de se colocar um limite à propriedade da terra. Este é um indicador expressivo de que a sociedade brasileira vê a proposta como adequada. É uma amostragem do que pensa boa parcela do povo brasileiro. As pesquisas de opinião ouvem duas ou três mil pessoas e seus dados são apresentados como a expressão da vontade da sociedade!

Mas o que se pode ressaltar como o mais positivo, e que os números não expressam, é todo o trabalho de conscientização que se realizou em torno do plebiscito. Foi desenvolvida uma pedagogia que incluiu reflexão, debates, organização de comitês, divulgação e outros instrumentos sobre um tema considerado tabu, como é o da propriedade privada.

Em quase todos os estados foram realizados debates em universidades, escolas, igrejas e outros espaços em que se pôde colocar a realidade agrária em toda sua crueza. Para muitos, cujo contato com o campo é praticamente nulo, estes debates abriram um horizonte novo no conhecimento da realidade brasileira. Também se pode saudar como fruto precioso deste processo, os inúmeros trabalhos e textos produzidos pela academia sobre o arcabouço jurídico que se formou em torno à propriedade da terra e sobre aspectos históricos, sociológicos e geográficos da concentração fundiária no Brasil. Não fosse a proposta do plebiscito esta reflexão não teria vindo à tona com a força com que veio.

Este ensaio está também a indicar que um Plebiscito Oficial deveria ser proposto para que todos os cidadãos e cidadãs pudessem se manifestar diante de um tema de tamanha importância para o resgate da cidadania de milhões de brasileiros e brasileiras que lutam, muitas vezes sem sucesso, buscando um pedaço de chão onde viver e de onde retirar o sustento. O Fórum vai continuar firme na luta para que seja colocado um limite à propriedade da terra.

A população brasileira também foi convidada a participar de um abaixo-assinado que continua circulando em todo país até o final deste ano. O objetivo desta coleta de assinaturas é entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional para que seja inserido um novo inciso no artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao cumprimento da função social da propriedade rural.

Já o plebiscito popular, além de consultar a população sobre a necessidade de se estabelecer um limite máximo à propriedade da terra, teve a tarefa de ser, fundamentalmente, um importante processo pedagógico de formação e conscientização do povo brasileiro sobre a realidade agrária do nosso país e de debater sobre qual projeto defendemos para o povo brasileiro. Além disso, o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade de Terra veio como um instrumento para pautar a sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de se realizar uma Reforma Agrária justa em nosso país.

A proposta da Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra visa pressionar o Congresso Nacional para que seja incluído na Constituição Federal um novo inciso que limite o tamanho da terra em até 35 módulos fiscais - medida sugerida pela campanha do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA).

Além das 54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a Assembléia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O ato ainda conta com o apoio oficial das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).

Confira os resultados por estado do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra no link abaixo:

quinta-feira, 29 de abril de 2010

LANÇADA EM BRASÍLIA A REDE DE COMUNICADORES PELA REFORMA AGRÁRIA



No último dia 26 de abril cerca de noventa comunicadores, militantes da reforma agrária e representantes da sociedade civil se reuniram no auditório do Sindicato dos Metroviários do DF, localizado no CONIC, para o lançamento da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária de Brasília.


A rede é uma iniciativa voluntária e tem como integrantes pessoas como o jornalista Leandro Fortes, da Carta Capital e representantes de cerca de 30 entidades, empenhados em apoiar publicamente a reforma agrária. Essas pessoas decidiram construir um coletivo que tem o objetivo de se contrapor à informação divulgada pela grande mídia, em geral financiada por setores da agroindústria. A ideia é disponibilizar - em especial na internet - o máximo de material possível que possa avaliar, analisar e se necessário, desmentir, matérias que abordam o tema.
Na noite do lançamento, o coletivo promoveu debate sobre a criminalização dos movimentos sociais, as relações entre grande imprensa e o agronegócio, além do papel da grande mídia na cobertura da reforma agrária.
Leandro Fortes, que foi um dos convidados a compor a mesa, fez duras críticas à postura de veículos que não abrem espaço para o contraditório na cobertura de ações organizadas por movimentos que lutam pela reforma agrária, como nas ocupações realizadas pelo MST: “só não é capaz de compreender a importância da Reforma Agrária para a construção de um país mais justo e para o combate efetivo da exclusão social, alguém ignorante, idiota ou mau caráter (ou os três), salienta Leandro.
Conforme debatido durante o evento, a ignorância possivelmente é o elemento mais comum no país, já que o bombardeio midiático não permite o exercício da imparcialidade. Além disso, a edição de imagens é realizada com o intuito de mostrar apenas um dos lados da questão, uma abordagem nada ética.
Leandro ressaltou que a matéria é pauta do Congresso há muitas décadas e que nem o Governo Lula realizou a reforma que todos esperavam. Com isso, os grandes centros, continuam inchando com o processo migratório que aumenta os problemas estruturais nos espaços urbanos e transforma famílias inteiras de pequenos produtores em moradores de rua ou de regiões de periferia das grandes cidades.

O jornalista e professor da UnB Fernando Paulino, iniciou sua participação apontando a relevância do número expressivo de estudantes de jornalismo no evento e lembrou que o coletivo é uma tentativa de construir uma rede voluntária com todo e qualquer profissional que atue na comunicação de alguma forma, não somente jornalistas, mas advogados, engenheiros, estudantes e qualquer um que possa “ajudar a combater a informação patrocinada por setores como a bancada ruralista do Congresso Nacional”, argumenta.
No endereço www.reformaagraria.blog.br, é possível encontrar material produzido por diversos profissionais que colaboram com o conteúdo do página, que conta com cerca de 250 adesões. O coletivo também acompanha os trabalhos da CPI criada para investigar o MST. 

Fotos: Juliana Medeiros

terça-feira, 27 de abril de 2010

A comunicação pode fazer mais pelo país


Acho que o jornalista Leandro Fortes definiu bem: só não é capaz de compreender a importância da Reforma Agrária para a construção de um país mais justo e para o combate efetivo da exclusão social, alguém ignorante, idiota ou mau caráter (ou os três).

Particularmente, considero que o primeiro - o ignorante - seja o mais comum em nosso país. Isso porque com o bombardeio midiático que sofremos todos os dias, fica difícil realmente manter um mínimo de imparcialidade. E o peso das imagens é, muitas vezes, estarrecedor. Para a dona de casa e família, sentados no sofá da sala assistindo ao maior jornal do país, por exemplo, como duvidar do que vêem? A questão é que as imagens são editadas para que a "família brasileira" compreenda apenas um dos lados da história.

Não sei de quem é a ilustração acima (tirei do blog do Leandro Fortes), mas é interessante observar como a maioria das pessoas não percebe a relação óbvia entre os fatos ilustrados. E é uma pena maior ainda que a maior parte dessas pessoas não somente ignorem o fato, mas sumariamente não se importem com ele.

Hoje à noite, será lançada em Brasília a Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária, uma tentativa de construir uma rede que combata a informação patrocinada por setores como a bancada ruralista do Congresso Nacional e parte da elite dominante no país.

Encontro vocês lá.

(Massacre de Eldorado dos Carajás, 17/04/1996)


Ouça aqui a entrevista com Mayrá Lima do MST:




Serviço:
Lançamento da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária
• Dia – 27 de abril (terça-feira)
• Horário – 19h
• Local – SindMetrô
Conic – Edifício Venâncio V Cobertura - Brasília / DF
• Mesa de debates: Leandro Fortes (Repórter da Carta Capital)
Venício Lima (Núcleo de Mídia e Política da UnB)
Edelcio Vigna (Assessor do Inesc)
Visite, escreva e divulgue o nosso blog (www.reformaagraria.blog.br)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

5 mil pés de laranja valem mais que milhares de vidas!

À despeito de ser favorável às leis e ao sistema jurídico como um todo, é sabido que no Brasil, muitas leis existem somente para preservar um status quo que serve às classes mais abastadas. É fácil falar em legalidade quando esta é instrumento de defesa da classe média, por exemplo, como no caso dos movimentos que exigem, em Brasília, mais estacionamentos no centro da cidade. Mas é difícil ver um grande movimento, oriundo da sociedade, lutar para que famílias tenham condições de se alimentar dignamente. 

Enquanto a Reforma Agrária no Brasil for história pra boi dormir, o MST continuará sendo o movimento social de maior legitimidade na luta por um grupo social que ultrapassa em número o restante da pirâmide e, no entanto, permanece excluído das políticas públicas.

Reproduzo abaixo, texto de Eduardo Camilo, advogado do MST:


7 de outubro de 2009
Por Eduardo Camilo 

Em novembro de 2004, quando militava no coletivo de Direitos Humanos do MST-SP e advogava no Centro de Direitos Humanos Evandro Lins e Silva, de Presidente Prudente, fui até a cidade de Iaras numa ocupação semelhante à que ocorre agora na cidade de Borebi.

Não era uma fazenda da Cutrale, mas a propriedade se dizia produtiva. Na ação, alguns trabalhaores rurais Sem Terra foram levados à delegacia para "averiguação" e eu me desloquei de Pirajuí, onde estava passando o final de semana com a família, para a delegacia de Iaras - onde pude realizar a soltura dos companheiros que se encontravam detidos.

Da delegacia rumamos para a fazenda, ocupada por cerca de 500 famílias. O cerco policial era grande e tentaram impedir minha entrada, porém fui liberado após uma longa negociação. Ao amanhecer do dia, cerca de 250 policiais da cavalaria e tropa de choque estavam no local pra realizar a desocupação da área (hoje isso se repete na fazenda de Borebi: PM chega à fazenda invadida por MST para cumprir reintegração de posse). Após um dia inteiro de negociações, conseguimos deixar a fazenda sem violência por parte da PM, mas depois de várias ameaças de prisão e do uso da força.

A região de Iaras, assim como a região de Araçatuba (ambas no interior de SP) é uma área de terras devolutas federais que, ao longo do tempo, foram griladas por latifúndios e que hoje pertencem fraudulentamente a empresas do agronegócio - que produzem especialmente cana, laranja e criam gado extensivamente. Desta forma, a ocupação dessas terras pelo povo nada mais é do que uma retomada justa. Não cabe aqui o argumento da produtividade, já que a posse da área é ilegal, baseada em documentos que carecem de autenticidade e que estão sendo objeto de ações judiciais para anulação.

A mídia transformou a ação numa bandeira de luta contra o movimento. E por que? Por um trator ter derrubado pouco mais de 5 mil pés de laranja? Não! a mídia ataca os trabalhadores pois eles tiveram a coragem revolucionária de arrancar da terra o câncer da monucultua do agronegócio e substituí-lo pela vida representada pelas sementes de feijão e milho. O que dói na mídia e no setor dominante não são míseros 5 mil pés de laranja (só esta fazenda tem 1 milhão de pés), mas sim a constatação de que os trabalhores não caem mais no conto da carochinha do agronegócio, que paga salários de miséria, mata trabalhadores de cansaço e ainda expulsa os pequenos agircultores de suas áreas. Em São Paulo existe uma lei que permite à Cutrale e a outras empresas do ramo invadir a casa de qualquer cidadão para cortar os pés de laranja e limão que estes por ventura tenham em suas casas. Segundo a lei, isso é feito em nome de uma defesa fitosanitária contra o cancro cítrico, mas é apenas mais uma forma de expropriar o povo de suas riquezas de biodiversidade e alimentos.

A mídia se escandaliza com pés de laranja sendo cortados e não se cansa de passar o mesmo filme do trator no laranjal, porém não deu qualquer notícia de cinco segundos da violência que sofreu a comunidade Apykay, do povo Guarani Kaiowá, que vivia em um acampamento às margens da BR-483, próximo ao município de Dourados, Mato Grosso do Sul, quando jagunços armados queimaram as casas e feriram um indígena a tiros. O episódio só foi para a mídia quatro dias depois do ocorrido, por conta de uma denúncia colocada na rede mundial de computadores por uma ONG internacional - e mesmo assim, não mereceu qualquer destaque, apenas uma breve chamada.

O INCRA, que trava batalha judicial pela área, presta um desfavor à luta do povo quando condena a ocupação desligitimando a luta em nome de uma estabilidade social e do respeito à propriedade privada. Propriedade esta que não foi respeitada pelos grileiros quando plantaram 1 milhão dé pés de laranja em terras da União. Estabilidade social que mata, escraviza e mutila os trabalhadores da indústria de sucos do interior de São Paulo.

Arrancar pés de laranja para plantar comida não é crime, crime é deixar milhares de hectares de terras públicas na mão de grileiros que plantam para os gringos e para seus animais comerem enquanto nossa população morre de fome: fome de comida e fome de JUSTIÇA!

Eduardo Camilo é advogado

Leiam também "As laranjas e o show" na página do MST.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

MARCHA NACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA


DIA 14 DE AGOSTO CONCENTRAÇÃO ÁS 9 HORAS NA TORRE DE TV


Jornada Nacional Unificada de Lutas



Não às demissões. Pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Em defesa dos direitos sociais



O Brasil vai às ruas no dia 14 de agosto. Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade unidos contra a crise e as demissões, por emprego e melhores salários, pela manutenção dos direitos e pela sua ampliação, pela redução das taxas de juros, na luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e urbana, em defesa dos investimentos em políticas sociais, em defesa do monopólio dos Correios e pela Conferência Nacional de Comunicação democrática e popular.



A crise da especulação e dos monopólios estourou no centro do sistema capitalista mundial, os Estados Unidos da América, e atinge todas as economias.

Lá fora - e também no Brasil -, trilhões de dólares estão sendo torrados para cobrir o rombo nas multinacionais, em um poço sem fim. Mesmo assim, o desemprego se alastra, podendo atingir mais de 50 milhões de trabalhadores.



No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor automotivo e de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levou à demissão centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras.



Aqui no Distrito Federal, o governo Arruda aprofunda a sua política de destruição do estado através da privatização e das terceirizações, a saúde e a educação são tratados como comércio, aos trabalhadores o arrocho salarial e a flexibilização de empregos. Os movimentos sociais são criminalizados pelo Governo local, ao invés do diálogo para resolução dos problemas, a polícia é sempre chamada para tentar intimidar os que lutam por uma vida digna.



O Governo Federal, que injetou bilhões de reais na economia para salvar os bancos, as montadoras e as empresas de eletrodomésticos [linha branca], tem a obrigação de exigir a garantia de emprego para a Classe Trabalhadora como contrapartida à ajuda concedida. Para tanto, cobramos a criação de um Fundo de Desenvolvimento da região Centro Oeste, que permita criar as condições de estabelecimento de indústrias e de comércio, em particular na região do entorno, gerando emprego e renda para os trabalhadores e suas famílias.



O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultado de um sistema que entra em crise periodicamente e transforma o planeta em uma imensa ciranda financeira, com regras ditadas pelo mercado. Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a Classe Trabalhadora pague pela crise.



A precarização, o arrocho salarial e o desemprego prejudicam os mais pobres. Nas favelas e periferias. É preciso cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada de trabalho sem reduzir salários, acelerar a reforma agrária e urbana, ampliar as políticas em habitação, saneamento, educação e saúde e medidas concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.



Com este espírito de unidade e luta, vamos realizar em todo o país grandes mobilizações.



Não às demissões! Pela ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT*! Redução dos juros! Fim do superávit primário! Redução da jornada sem redução de salários e direitos! Reforma agrária e urbana, já! Fim do fator previdenciário! Em defesa da Petrobrás e das riquezas do pré-sal! Por saúde, educação e moradia! Por uma legislação que proíba as demissões em massa! Pela continuidade da Valorização do salário mínimo e pela solidariedade internacional aos povos!

* A Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho - OIT regulamenta a negociação coletiva no serviço público, enquanto a Convenção 158 restringe a demissão imotivada dos trabalhadores.



Organizadores:
CUT, CGTB, Intersindical, CTB, NCST, UGT, Assembleia Popular, Cebrapaz, CMB, CMP, Conam, FDIM, Marcha Mundial das Mulheres, MST, MTD, MTL, MTST, OCLAE, UBES, UBM, UNE, Unegro/Conen, Via Campesina, CNTE, Círculo Palmarino, Consulta Popular”

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Convite

ATO DE ABERTURA DO ACAMPAMENTO NACIONAL PELA REFORMA AGRÁRIA
Local: Em frente ao Estádio Mané Garrincha-Centro Poliesportivo Ayrton Senna
Brasília/DF - segunda-feira 10 de agosto de 2009 às 19h00

A partir do dia 10 de agosto de 2009, cerca de 3 mil camponeses e camponesas promoverão um acampamento para denunciar que a reforma agrária continua parada e à margem do desenvolvimento do país, e exigir que o Estado garanta os pontos estruturantes da pauta dos movimentos sociais, como o assentamento das 90 mil famílias acampadas, crédito para produção, habitação rural, educação e saúde. Existem famílias acampadas há mais de cinco anos, vivendo em situação bastante difícil à beira de estradas e em áreas ocupadas, vítimas da violência do latifúndio e do agronegócio.

E mais uma vez, ribeirinhos, extrativistas, atingidos por barragens, indígenas, quilombolas, pequenos agricultores e sem terras se mobilizarão em Brasília para denunciar a crise política, econômica, social e ambiental criada pelas elites que controlam o Estado, e para cobrar do governo federal medidas urgentes para desconcentrar a terra, evitar o êxodo rural e resolver o problema dos grandes centros urbanos.

Com a certeza de que a luta por um Brasil soberano e justo é de todos, convidamos para o ATO POLÍTICO DE ABERTURA DO ACAMPAMENTO NACIONAL PELA REFORMA AGRÁRIA, onde juntos, campo e cidade uniremos forças para conclamar a todos que se unam a mais essa luta.

Solicitamos que confirmem a presença pelo endereço eletrônico secgeral@bsb.mst.org.br e acampamentobrasilia@gmail.com ou pelos fones 61-3038-1455/1462 ou 61-9229-0815.


Saudações Socialistas,

"Não estamos perdidos. Pelo contrário, venceremos se não tivermos desaprendido a aprender". (Rosa Luxemburgo)

MARINA DOS SANTOS
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA-MST

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