"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X
Mostrando postagens com marcador Ciclocultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciclocultura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Encontro Criativo - DF





Hoje, 1º de agosto às 18h30, será realizado um encontro criativo entre cidadãos e cidadãs de Brasília com o propósito de identificar ações colaborativas para gerar ampla participação no Dia e na Semana Mundial Sem Carro, entre 15 e 22 de setembro. 

Venha participar desta causa comum, trazendo suas boas ideias, inspirações e talentos!!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

GOVERNO DE SP FAZ PROPAGANDA CONTRA BICICLETAS

Do blog Náufrago da Utopia:

Getty Images


Mais ciclistas, mais acidentes é o título da repulsiva matéria de capa da edição de 11/07/2012 do Diário Oficial do Estado de São Paulo (acesse aqui).


Faz terrorismo barato contra a forma mais saudável de transporte que existe, além de ser a única não poluente viável, já que a utilização de carroças, coches ou riquixás nas vias urbanas é inimaginável nos dias atuais.


Divulgue!


A Holanda prova que é possível, sim, humanizar-se o trânsito fazendo a opção preferencial pelas bicicletas, cuja quantidade lá supera o número de habitantes e é duas vezes maior que a de carros. Há quase 30 mil km de ciclovias e uma cultura já bem sedimentada de respeito ao ciclista, de forma que a bicicleta se tornou a forma mais tranquila e segura de locomoção no país. O planeta agradece.


Já o Governo paulista quer enfumaçar as ruas, tornando-as privativas dos veículos poluentes. Então, trombeteia, logo no 1º parágrafo:
"A cada dia, no Estado de São Paulo, nove ciclistas são internados em hospitais públicos, vítimas de acidentes de trânsito. E pelo menos um deles morre. A Secretaria de Estado da Saúde informa que, no ano passado, 3,4 mil pessoas foram internadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) paulista, gerando custo de R$ 3,25 milhões à administração estadual".
O DO não entrevistou nenhuma vítima (ciclista), preferindo ouvir apenas um ortopedista do Hospital das Clínicas, para assustar os leitores com frases alarmistas tipo "muitas vezes, os ciclistas são atingidos por automóveis ou por ônibus, o que torna comum a ocorrência de politraumatismo”.


O tal dr. Jorge dos Santos Silva até que faz o diagnóstico correto, ao atribuir os acidentes à pouca estrutura na cidade de São Paulo para utilização da bicicleta como alternativa de transporte. Mas, ao invés de propor a cura do paciente, prefere agravar a doença:
"Para não colocar a vida de quem pedala em risco, recomendo não usar a bike no trânsito de São Paulo. É uma opção segura de lazer em cidades menores, parques públicos e em ciclovias instaladas na capital, aos domingos".
E por que não criar-se a estrutura necessária, investindo para tornar a bicicleta uma opção segura de transporte nas grandes cidades paulistas, a exemplo do que ocorre nas holandesas, e não apenas de lazer nas cidades menores ou aos domingos?




Respondo: porque não é esta a prioridade do Governo estadual. Percebe-se claramente que sua preocupação real, longe de ser com os ciclistas mortos ou feridos, é a que está destacada logo na abertura da matéria: o "custo de R$ 3,25 milhões à administração estadual" que foi gerado em 2011.


Assim caminha a desumanidade.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Lançamento da Frente Parlamentar em Defesa das Ciclovias

Segue convite para o passeio ciclístico, que ocorrerá no dia 24 de maio, as 8h. A concentração será em frente à Catedral com percurso até o Congresso Nacional; logo após o passeio, haverá o Lançamento Oficial da Frente Parlamentar em Defesa das Ciclovias, as 09h, no plenário 13, anexo 02 da Câmara dos Deputados.





Chamada veiculada na Cultura FM:

sábado, 3 de março de 2012

(SP) Ontem


Fonte: CIMI Brasil

Não conheci a Juliana. Mas quando chego à Praça d@ Ciclista, logo uma querida me abraça e chora tanto. Mostra: veja o poema que escreveram. Leio o poema e logo estou eu sem conseguir respirar direito. Aparece um daqueles amigos que te ensinaram tudo e dá um abraço sufocado, difícil.



Reconheço alguns dos rostos - são companheiros das Pedalinas, do Bike Anjo, do Cru, do Pedal Verde, do Vá de Dyke, da Bicicletada da Zona Oeste, do Mão na Roda e tantos outros coletivos, projetos e ações, conhecidos de paradinhas em faróis, de acenos de bom dia, de respostas firmes "se vc vai descer pra Pinheiros, já formou: vamo junto". Aparece uma que não tem bicicleta ainda e aprendeu a dar as primeiras pedaladas com as Pedalinas. Uma outra pedestre, bem alta, traz um imenso girassol, um sol à tira-colo. Saem para buscar flores, chegam flores. Há tantas outras pessoas desconhecidas, mas conhecidas ante o mesmo amor, a mesma pedra

: em fazer das ruas de São Paulo um lugar. Um lugar de escala humana.

Comentários sobre a agonia na demora de sabermos o nome da Juliana. Mulher, com 33 anos, ali naquele horário, são muitas. Alguns telefonaram para a própria Juliana, perguntando se não era ela. Nunca respondeu. A menção ao nome "Julie" rasga em abraços seus mais próximos. O calor denso da noite que se adentra, suor misturado a lágrimas dos homens, aos lamentos das mulheres.

Plantam uma árvore na Praça d@ Ciclista. Juliana era do Pedal Verde. E outra árvore. E aplaudem com estapidos duros, não é uma celebração, é uma memória que se planta.

Muitos fotógrafos e jornalistas. Entrevistam. "Quantas pessoas temos aqui?", não para de gritar uma jornalista para desespero de um dos membros do BikeAnjo. Mais de mil. Na realidade, ali estavam esses mais-de-mil e os que estão sempre no pensamento: seus pais, seus amigos, seus colegas, ciclistas de toda grande São Paulo, ciclistas de todo o país. "É uma fatalidade", diz outra jornalista emocionada, que recebe logo o comentário ríspido de quem está no asfalto sempre: "Fatalidade se fosse imprevisível. Neste caso é muito previsível: a CET não multa quem infringe a norma do Código de manter a distância de 1,5m do ciclista". A rispidez logo se dissolve na fala embargada, complicado manter o discurso aprumado nessa hora. Um jornalista ainda me cochicha sentido, "acho que vou começar a pedalar".

Troveja. E a mãe das tempestades se anuncia à Avenida Paulista. Cai o céu. As cores dos faróis são borradas, as guias desaparecem em corredeiras. Alguns manifestantes procuram abrigo embaixo do Cervantes, na lan house. A força da água não arreda. A chuva não vai passar. Assim, lentamente, sob rajadas de vento forte, os mais-de-mil iniciam a caminhada penosa da Praça d@ Ciclista até o cruzamento da Pamplona. Vão a pé, arrastando a bicicleta, vão montados e pedalando com pesar, vão em duplas pedestres sob os guarda-chuvas que nada seguram. Aos que assistem a manifestação, apinhada nos toldos, entregam flores, panfletos, palavras.

A força da chuva e do vento tira o que vai adentro dos caminhantes: um misto de raiva com grande tristeza. Um frio inacreditável e ali se caminha. "Mais amor, menos motor". Alguém ainda lembrou, no dia em que a Márcia Prado faleceu, também chovia à noite. Tão perto uma da outra: a Márcia e agora a Juliana.

O local. Abraçam-se. Não há uma única peça de roupa, coração ou olhar seco ali no asfalto. Todos deitam na avenida durante incontáveis minutos. A bicicleta branca é trazida. Flores são partilhadas por tantas mãos e aplausos molhados pelas rajadas de vento. Há ainda muitos silêncios. Na entrada da Estação Trianon Masp, entregam-se panfletos aos espectadores. Ouço um, com a roupa completamente seca, comentando: "não sabia que tinha tanta mulher andando de bicicleta". 

Feed do Substantivu Commune