"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Apesar do FEBEAPÁ

Vc sabe o que é FEBEAPÁ? O "FEstival de BEsteiras que Assola o PAís" começou em "dia mais ou menos incerto e não sabido", segundo Stainslaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Pôrto (cronista e radialista carioca) que nos anos 60 resolveu "colher" pérolas de algumas "otoridades" que, sentindo a oportunidade de aparecer, se iniciaram nessa feia prática, advindo daí cada besteira que eu vou te contar...

O fato é que, felizmente, de vez em quando surge uma luz no túnel e a gente começa a se animar novamente. "Olha, que pode pintar uma esperança aí!"...

O texto que reproduzo abaixo - fundamental para o momento que estamos vivendo - é de uma mocinha de 19 anos que me lembra muito outra que conheci há anos atrás... Ela é estudante de jornalismo, ativista do movimento de juventude e também está comigo na produção do documentário sobre o Che. Nas horas vagas, ela escreve para o blog que criou com outra amiga, http://provocadoress.blogspot.com (assim mesmo com dois 'esses' ). No blog, vc encontra esse e outros tão bons quanto esse. Reflexões filosóficas e pessoais, análises políticas de uma intrigante menina brasileira. Com vocês, Ana Paula Bessa.


HOJE, DEVERAS O QUE HÁ DE SER ONTEM
"Quando pesquisas mais sutis e um gosto mais refinado reduziram a princípios a arte de agradar, reina em nossos costumes uma vil e enganosa uniformidade, e todo os espíritos parecem ter sido lançados numa mesma fôrma: incessantemente a polidez exige, o decoro ordena; incessantemente seguem-se os hábitos tradicionais, jamais a própria índole. Já não se ousa parecer o que se é; e, nessa coerção perpétua, os homens, que formam esse rebanho a que se chama sociedade, postos nas mesmas circunstâncias, farão todos as mesmas coisas, se motivos mais fortes não os desviarem. Portanto, nunca se saberá com quem se está lidando: será preciso, pois, para conhecer o amigo, esperar as grandes ocasiões, ou seja, esperar que já não haja tempo para tanto, uma vez que é para essas mesmas ocasiões que seria essencial conhecê-lo." Jean-Jeacques Rousseau, no "Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens", século XV.

Impressiona-me a rapidez da evolução tecnológica e a ociosidade da evolução social. Impressiona-me como o passado confirma o presente. Impressiona-me como a humanidade não sabe acrescentar inteligência à sabedoria. Distinguem-se, embora entrelaçadas deveriam estar.

Possuímos o que podemos alcançar com a luxúria. O que desconhecem os leigos é que com a luxúria não se formam cidadãos. O quÊ estou dizendo? Não. Direi melhor. Com luxúria não se deveria formar cidadãos. Impressiona-me a desonestidade, a falta de lealdade, a falta e talvez a banalização da atitude amor. Oras, pois claro que é atitude. Por acaso digo amo, mas odeio? Amo, mesmo com ações odiáveis.

Como é difícil ser amado pelo mesmo gênero. Oh mulher como encontro dificuldade em relacionar-me contigo! O que reina dentro de teu coração é inveja, malícia, sentimento de posse. Não entende que viestes a este mundo para não possuir alguém. Ninguém possui outrem. Alguém sente outrem. Alguém age com outrem. Oh mulher como tem sido tão igual. Levada por meras palavras medíocres e imagens fúteis. Não vedes que és melhor do que isso? Não vedes que podes possuir sinceridade em teu coração? Não a reconheço mais.

É incompreensível desvendar o mistério que é viver. Viver dói. Quando do ventre somos tirados, choramos. Choramos porque o primeiro ar que respiramos dói. E esse é o maior fardo da vida. Respirar. Manter a respiração. E é por isso que o céu é tão azul. Que as flores são tão coloridas. Que as árvores são tão altas. Que as amizades - às vezes - são tão duradouras.

Embora tais mistérios me fazem azul, encontro-me alegre. Encontrei companheiros. Encontrei lealdade. Encontrei jóias. A procura é árdua. Mas, para tal aventura não corro sozinha. Tenho ao meu lado quem sempre foi humilhado e companheiros que conquisto nessa jornada. Sim, eles existem. Meus rubis, minhas tulipas, meus sorrisos. Ousaria dizer meu petróleo, mas isso humilharia meus companheiros, porque não possuo com eles relação semelhante.

Agora, prossigo. E sigo em frente sabendo que mais dores virão. Mas todas elas são minhas. E faz-me ser, diferente da fôrma contemporânea.

Ana Paula Bessa,
Reinaugurando o Blog!

P.S.: já postei anteriormente um artigo de política (que também consta no blog) da Paulinha. Vale a pena ler o desabafo dela no "caso Renan":
http://substantivocomum.blogspot.com/2007/09/democracia-malufista.html

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