"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

terça-feira, 2 de setembro de 2008

DROGAS: USAR OU NÃO USAR

A polêmica “Marcha da Maconha” me inspirou a escrever sobre o tema. Com todo o respeito ao desembargador que declarou ser esta manifestação uma ‘apologia às drogas’, devo dizer: ele e os opositores à manifestação desconhecem o mundo em que vivem, não olharam, ainda, ao seu redor. Contrariando esse posicionamento, entendo que devemos creditar aos líderes deste movimento um preceito constitucional imperioso – liberdade de expressão.
As pessoas que se interessam pelo futuro da humanidade e que trabalham para mudar o mundo devem ser ouvidas. Desacredito que operadores do direito que atuam em carreiras de relevância perante a sociedade, ainda, no século XXI, tenham coragem de dizer que exista apologia ao uso de drogas na sociedade brasileira. Creio que essas pessoas não assistem televisão, não lêem jornais, não andam nas ruas, não saem de casa.
Que apologia seria maior que um mega-traficante ser preso no Brasil com milhões de dólares e euros, e ainda, ser preso numa mansão com carros luxuosos, eletrodomésticos e roupas que são desejados por qualquer cidadão. Durante uma semana a imprensa não parou de falar no patrimônio e nas barbaridades praticadas por esse mega-traficante. O leilão dos bens desse criminoso gerou uma atenção especial da imprensa e da população carente, que até cueca dele foram comprar. Poucas pessoas conseguiram ter acesso ao local do leilão, haja vista o número excessivo de interessados.
No ano em que assistimos ao filme de um jovem carioca que foi traficante e usuário de drogas e hoje é um homem famoso que está lucrando com a vida que teve (traficante de drogas), louváveis são as experiências transmitidas por ele, pois lhe são peculiares. Essas declarações colaboram nas campanhas de conscientização, e isso sim é o que precisamos.
Em algumas cidades do país, traficantes dominam as favelas, o poder paralelo é realidade latente.
Há no mundo moderno uma inversão de valores: bom é aquele que vende drogas; bom é aquele que anda armado na vila; bom é o ladrão. Como podemos afirmar isso? É simples, olhe ao seu redor, veja a quantidade de moças que estão grávidas e não sabem onde anda o pai da criança; veja nas cadeias nos dias de visita. Onde estão as crianças do nosso país? Crianças que deveriam brincar de carrinho, de pipa, de bola, estão sendo utilizadas por traficantes para transportar ou ficar nos pontos de drogas. Nas esquinas os menores são explorados por seus pais ou irmãos maiores.
E, ainda, existem aqueles que dizem ‘apologia às drogas’! Parem com essa hipocrisia, vamos buscar a verdade que está acabando com a juventude do país e do mundo. A primeira coisa que se deve dizer aos jovens é: USAR DROGA É BOM, MAS É PERIGOSO!
Os efeitos e as sensações experimentadas pelo uso de drogas no organismo são bons sim, se mentirmos sobre isso, cairemos na mesma hipocrisia daqueles que não enxergam na sua frente à ‘apologia as drogas’ todos os dias no mundo todo. Porém, os efeitos ao longo do tempo são cruéis e arrasadores; o vício leva a pessoa à segregação social, marginaliza o cidadão; as doenças que surgem com o uso contínuo e prolongado geram seqüelas irreversíveis, portanto o uso é perigoso.
São poucas as pessoas que entram no mundo das drogas e saem vivas e com saúde. Mas isso acontece e essas pessoas saem porque foram educadas a sonhar com uma vida repleta de realizações. Sonham em um dia serem advogados, empresários, jornalistas, médicos, psicólogos, policiais, delegados, desembargadores, ministros, presidentes, etc.
Portanto, a questão não é usar ou não usar, a questão é vamos dialogar! Devemos aprofundar o assunto, se usar drogas o que vai acontecer? Quais são as conseqüências?
O mais importante é ensinar o jovem a sonhar com uma vida útil na sociedade e não deixarmos que eles se alienem por prazeres instantâneos.
Nos dias atuais, só não enxerga a droga quem não quer, os jovens convivem diuturnamente com essa realidade, nas universidades, nas baladas, nos bairros e somente não vão usar se não quiserem, se tiverem uma família estruturada, que lhe propicie o diálogo e a compreensão. Mesmo nessas condições, o jovem, às vezes, vai experimentar e vai gostar, mas os sonhos que são nutridos no seu dia-a-dia por seus pais e familiares irão conduzi-lo rapidamente para o curso normal, e o uso da droga, será mais uma das experiências de um adolescente.
O que falta nesse país é coragem para enfrentarmos a ignorância de um povo trabalhador, sofrido e manipulado por poucos, que tem interesse na burrice generalizada. Vamos acreditar num país verdadeiro, com pessoas sérias que tenham uma política nacional antidrogas que realmente funcione, vamos apostar na educação, vamos pensar em legalização das drogas e na educação dos nossos filhos se quisermos um país desenvolvido.
Confio que é possível MUDAR O MUNDO!

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