"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Fechando o ano, uma homenagem às mulheres e mães

Não gosto de postar textos ou fotos que façam referência à minha vida pessoal neste blog. Mas, abro uma exceção agora que o ano está acabando e que estamos aqui reunidos em nossa casa - construída tijolo a tijolo - curtindo esse momento bacana em família e desejando que muitas outras pessoas possam estar agora, felizes, com suas famílias e pessoas que amam.

Encontrei o texto abaixo no blog da Flavia Cintra, jornalista, cadeirante e mãe de gêmeos (que também é link permanente no blog com suas Memórias de uma mãe cadeirante).

Dedico então, para meu "step filho", com quem estou aprendendo a ser mãe, para minha avó que sempre foi também minha mãe, para minhas amigas que são e as que ainda não são mães, mas esperam por esse momento.

Não sei quem o escreveu, mas é uma boa resposta à corrente filosófica que acredita que ser mãe é mera "convenção social" ou "cultural" e que não há nada mais do que instinto animal básico nesta relação mãe e filhos (que pode ser com filhos adotivos também, já que "escolher" seus filhos, também é uma forma de amor materno, talvez até maior).

Principalmente, para minha mãe (que se parece muito com essa descrição do texto), que sempre foi uma mãezona, e que, exatamente como me diziam, a cada nova experiência da vida, me faz lembrar e agradecer a oportunidade de ter tido uma mãe tão bacana.

Porque todas as mulheres são um pouco mães, de seus filhos, enteados, maridos, sobrinhos, amigos e amigas.


Essa força é única e exclusivamente feminina.
E essa força pode mudar o mundo para melhor.


Aproveitando para desejar para todos um 2010 maravilhoso!

Lembrem-se, como dizia o profeta:
GENTILEZA GERA GENTILEZA




Juliana Castro e família





Ser mãe
(autora desconhecida)

“Nós estamos sentadas almoçando, quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.

'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você acha que eu deveria ter um bebê?'


'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.

 'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas..

 Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar  'E se tivesse sido o MEU filho?'

Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Que cada acidente, cada pequeno corte, será sentido fisicamente, como se fosse nela e que a cada nova experiência libertadora, ela se perguntará se deixa seu filho perceber o risco ou se deixará que ele descubra sozinho a cada passo.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê com sua melhor louça, na sua melhor toalha de mesa, sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem. E a partir daí, cada dia sentirá um arrependimento por ter decidido voltar à vida profissional e ter que se despedir de seu bebê todos os dias por algumas horas.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino na lanchonete se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê, ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados. E como cada notícia como essa a faz sentir um arrepio pela vida de seu pequeno ser.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos (e até dos netos).

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pêlo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

'Você jamais se arrependerá', digo finalmente.

Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados.

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