"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

sábado, 7 de abril de 2007

Via-Sacra de Planaltina


Foto: CB

Fui convidada por uma amiga à assistir a encenação da Via-Sacra em Planaltina ontem, sexta-feira da paixão. Confesso que não sou uma pessoa religiosa mas aceitei o convite porque acho válida qualquer manifestação cultural popular. Na realidade, fui surpreendida pelo que vi.

Estive em Aparecida do Norte (SP) num dia de romaria há muitos anos atrás e ia comentando pelo caminho enquanto nos dirigíamos à Planaltina, sobre como fiquei surpresa na época pela quantidade de pessoas e mais ainda pela energia que pude sentir naquele lugar. O que vi em Planaltina, claro, não é o mesmo que presenciei em Aparecida, já que são coisas diferentes. Mas fiquei igualmente surpresa pela quantidade de pessoas que lá estavam (li agora há pouco no Correio que haviam mais de 70.000) e todas caminhando de forma tranquila naquele sol forte. Não vi nenhuma confusão, mesmo no momento de atravessar os portões de entrada onde havia um pouco de tumulto pela quantidade de pessoas querendo passar e o número reduzido de policiais na revista. Tudo ocorreu na maior paz.

O mais incrível e emocionante foi ver o grau de produção - cinematográfico, diga-se - e dedicação dos mais de 1.000 atores que participam da peça ao ar livre. Os cenários, os figurinos, tudo reproduz em alto nível os acontecimentos bíblicos. Fiquei encantada. O som (um pouco alto, talvez numa tentativa de atingir a todos naquele enorme espaço aberto) era extremamente potente e mesmo para nós que não pudemos ver todos os atos (como o julgamento nos Castelos de Herodes e Pilatos) devido ao número de pessoas concentradas no local, era possível ouvir perfeitamente cada passo e os diálogos que aconteciam no desenrolar da história. A população acompanhava a tudo de forma tranquila fazendo orações junto com o narrador da paixão.

Depois de todo calor e cansaço acho que valeu muito a pena ter ido assistir. Apenas sugiro duas coisas aos organizadores do evento: que se procure apoio das autoridades públicas para a pavimentação do estacionamento e via de acesso ao local que são de terra e que sejam colocados telões em alguns pontos da subida do morro da capelinha. Como o número de pessoas é realmente enorme, não é possível seguir o cortejo enquanto Jesus passa pelas estações e as pessoas são obrigadas então a ficarem paradas em algum ponto (a maioria concentradas no alto do morro, próximo ao local do ato final, a ressurreição). Desta forma, muitas vezes só é possível ouvir o que se passa. Havia um telão que só foi ligado por alguns instantes para passagem de um vídeo sobre a organização do evento e sobre a Campanha da Fraternidade da CNBB 2007. Este mesmo podia ter sido usado, a meu ver, para que fossem transmitidos momentos do calvário de Cristo para quem não podia vê-los.

Mesmo assim, isto não tirou o brilho da encenação. Os organizadores do evento e os atores estao de parabéns por tudo que vi. Foi realmente um espetáculo rico e emocionante.

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