"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

"A Loira 90": uma homenagem

Na manhã do dia 4 de Setembro de 1969 dava-se início ao sequestro do então embaixador americano no Brasil, Charles Elbrick, planejado cuidadosamente alguns meses antes, por membros da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), ALN (Aliança Libertadora Nacional), DI/GB (Dissidência do PCB / Guanabara) e seu braço armado a FTA (Frente de Trabalho Armado) DI/GB.Vera Sílvia Araújo de Magalhães, membro da FTA DI/GB, conhecida como “Marta”, “Andréia”, e outros), única mulher a participar do sequestro, faleceu ontem, de câncer, aos 58 anos.No filme “O que é isso companheiro?” duas mulheres encenam partes de sua participação no episódio, Fernanda Torres (“Maria”) e Cláudia Abreu (“Renée”).




Na foto, Vera Sílvia sentada na cadeira devido às torturas - quando presa, após o sequestro do embaixador americano -, que haviam lhe prejudicado a locomoção. Ao seu lado, agachados, da direita para a esquerda: Fernando Gabeira e Carlos Minc.Vera, certa vez, em depoimento emocionado sobre o porquê de continuarem a luta na época, disse: “Eram meus amigos, era minha vida – e minha morte. Essa contradição eu tinha de viver. Fora dali eu era o quê? Não tinha identidade.”

Clique aqui para ver a entrevista realizada com Vera Sílvia na TV Câmara.

OBS: No vídeo a informação de que Franklin Martins é comentarista da TV Globo está desatualizada. Hoje, Franklin é ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Do blog de Flávio Costa: http://prenhederazao.blogspot.com/


(...)

Isso me lembra uma história. Minha mãe me conta que uma amiga do colégio (ativista do movimento secundarista) certa vez desapereceu, naqueles anos de chumbo. Ninguém da família, nenhum amigo tinha idéia do que havia acontecido. Mas todos sabiam que ela tinha ligações com algum movimento político da época, ela era uma pessoa engajada e misteriosa.
Ficou desaparecida por muitos meses até que um dia apareceu na casa da mãe, completamente desfigurada. Com marcas de queimadura, hematomas, o cabelo havia sido cortado de maneira desigual, as roupas em frangalhos. Ela falava rapidamente, tentava conter o choro, com movimentos rápidos pegava algum dinheiro e algumas roupas. Dizia que tinha conseguido fugir do lugar em que estava mas que tinha que sair logo porque "estavam" atrás dela. A mãe, desesperada, chocada com a visão da filha naquele estado, não sabia o que dizer, mas achava que essa seria uma chance de algo assim não acontecer mais à ela e, mesmo com o coração em pedaços, não contestou e deixou que ela se fosse tão rápido quanto reapareceu. Mas essa pessoa, essa estudante, essa menina de 17 anos, nunca mais apareceu. Essa história tem mais de 30 anos. Se ela tivesse conseguido fugir, certamente já teria reaparecido.
E ainda tem gente que diz que essas coisas nunca aconteceram no país...

Juliana de Souza
Socialista!

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