"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Soninha inspira movimento para sepultar malufismo em São Paulo





O debate deste domingo entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo na TV Record teve ao menos um efeito concreto - ainda que involuntário - na reta final da campanha. Ao forçar uma polarização com Soninha Francine (PPS) de uma forma agressiva e deselegante (tática usada desde o debate anterior, na Band), o candidato Paulo Maluf (PP) gerou uma reação espontânea e irreverente do eleitorado que se reflete desde o final do debate em blogs e sites na internet: o movimento "Vamos fazer a Soninha ganhar do Maluf?".

Maluf despenca nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Soninha teve 100% de crescimento do eleitorado desde o início da propaganda eleitoral. Deve ser difícil para o ex-prefeito, que entre as maiores pérolas da política já cometeu a frase "estupra mas não mata" e destaca como qualidade da própria mulher a subserviência, aceitar que Soninha - com pouco mais da metade da idade dele e a sua antítese na política - esteja empatada tecnicamente e ajudará a enterrar definitivamente o malufismo.

Na Record, em três oportunidades diferentes houve um confronto direto entre Soninha e Maluf. O candidato do PP foi quem provocou a polarização, ao criticar proposta de Soninha (que foi de bicicleta ao debate) de investir em ciclovias.

Maluf disse que discordava da proposta sobre o uso de bicicletas. "A solução é melhorar o trânsito, obras viárias, a Freeway, a velocidade dos corredores, construir mais metrô. Isso sim, a bicicleta é louvável, mas não é solução", declarou, ignorando que Soninha propõe exatamente a integração da bicicleta com outros meios de transporte coletivo.

Em seguida, apenas para polemizar - até porque era seu momento de responder e não perguntar, Maluf atacou de modo nada sutil: "Qual sua proposta para diminuir a venda de maconha na porta das escolas?". Soninha não caiu na provocação. Sobre drogas, respondeu: "É possível investir na cultura, por exemplo, para evitar o uso".

Em outro momento, Soninha citou uma entrevista à revista "Istoé", na qual Maluf criticava o PT e apontava a cooptação de vereadores do seu próprio partido pelo governo Marta. Em vez de responder, Maluf acusou Soninha de ter trocado de partido. "Você foi eleita pelo PT, e no meio do caminho saiu do PT e foi para o PPS. É você quem deve responder pela infidelidade partidária, para mudar de partido, quais os encantos para mudar partido", cutucou, insinuando a obtenção de alguma vantagem.

Soninha repetiu que já esclareceu porque deixou o PT e comentou novamente a declaração feita durante a sabatina do Grupo Estado, sobre o "toma lá, dá cá" que predomina da relação entre legislativos e executivos municipais, estaduais e federal.

"O senhor não leu minha entrevista para o Estadão, eu não disse nada de novo, eu só não neguei o que todo mundo está cansado de saber", disse. Na sua última resposta, Maluf "defendeu" Marta, Serra e Kassab. "Eles não compraram nenhum dos seus colegas, assim como Paulo Maluf, que não tem nenhuma condenação em toda a sua vida pública", concluiu, referindo-se a ele mesmo na terceira pessoa.

A candidata do PPS comentou que Maluf a "surpreende" quando afirma que "se orgulha de ter a ficha limpa". "Se não me engano, você não poderia nem sequer deixar o país", ironizou sobre decisão judicial que apreendeu o passaporte de Maluf, na mesma época em que foi preso.

"Não é verdade que não há processos contra você. E muitos são por má conduta na administração pública", completou Soninha. Maluf alegou mais uma vez que é inocente das acusações.

Soninha também lembrou que Maluf declarava que se Pitta não fosse um bom prefeito, as pessoas não deveriam mais votar nele - e apesar de criticar o PT, apoiou Marta Suplicy e faz parte da base de sustentação do governo Lula. "É difícil seguir os seus conselhos?", perguntou.

Contrariando as regras do debate, que proibiam expressamente utilizar qualquer material de apoio, Maluf mostrou a capa de uma edição da revista "Época" de 2001, na qual Soninha admitia ter fumado maconha, como se isso, por si só, a desabonasse para ser candidata à Prefeitura de São Paulo. Oras, mas quem já foi preso e algemado foi Maluf, não Soninha. Vai entender...

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