"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Para os ecochatos

Acho que há muito tempo não ficava tão feliz com uma notícia. No último final de semana fui surpreendida por uma reação, no mínimo histérica, de uma conhecida ao me ouvir relatar a prática que tenho em minha casa de separar o lixo. Nas palavras dela, somente gente como eu que "vive no mundo da fantasia perde tempo com esse tipo de coisa". Essas e outras palavras de cunho ofensivo se somaram a outras, de que isso é coisa de "ecochatos" e de quem "se acha socialista" mas "não quer dividir o próprio salário", dentre outras baboseiras, fruto da desinformação geral, reforçada pelo bombardeio midiático cujo poder de distorcer a realidade, conhecemos bem.

Costumo dizer que minhas convicções políticas são somente minhas e nunca me dediquei em convencer as pessoas do que acredito, eu apenas faço. Se sou socialista, flamenguista, ambientalista, vegetariana, humanista, se acredito na força do poder popular ou na capacidade humana de fazer o bem (na mesma medida em que é capaz de fazer o mal), tudo isso é problema meu. Não costumo perder muito tempo em discussões que não darão em nada, ainda que eu admita que adoro um debate, mas somente com quem vale a pena (e não são todas as pessoas com quem se vale a pena debater ou que tenham algo para trocar).

Talvez por falta de paciência, mas o fato é que acredito que as pessoas precisam ter a mesma convicção, algo muito próximo do conjunto de valores que nos formam. Simplesmente acho que não posso convencer ninguém do que acredito, ainda que possa lutar para que aceitem isso (institucionalmente falando). No caso, parece que mais uma vez o tempo vencerá a questão.

A notícia abaixo estava no site do Estadão e eu, que acompanhei tanto tempo o desenrolar dessa lei, não vi que a publicação no DO foi na última quinta-feira. Ainda assim, estou absolutamente feliz em saber que mais um monte de gente vive no mesmo "mundo da fantasia" que eu e, ainda que com atraso de décadas, conseguiram fazer com que, doendo no bolso, as pessoas sejam obrigadas a se enquadrarem em algo que servirá para melhorar a vida de todos, até mesmo dos resistentes às mudanças. Sei que ainda serão alguns anos até que todos os envolvidos - cidadãos, condomínios, entidades - estejam adaptados, mas isso faz parte. Foi assim quando começaram a aplicar o plano de educação no trânsito em Brasília que hoje - mesmo com todos os problemas - é modelo em todo o país. Com certeza houve, naquela época, quem considerasse "ridículo" ser obrigado a parar na faixa de pedestres, atitude que hoje, para todos que vivem na capital, é tão natural quanto escovar os dentes. 

Para minha conhecida que me perguntou o que era "esse socialismo que gente como eu" insistia em acreditar, ou que era coisa de gente "ecochata que não tem o que fazer", acho que essa pode ser uma das muitas respostas possíveis.

A matéria pode ser lida, na íntegra, no Estadão. A primeira parte dela está abaixo:


Lei prevê multa para quem não separar lixo doméstico

Os consumidores que não separarem o lixo seco do úmido estarão sujeitos a multas, segundo decreto publicado na quinta-feira no Diário Oficial. O texto regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que trata da destinação adequada do lixo no País.
Entre outras medidas, o decreto prevê penalidades para aqueles que não cumprirem as obrigações estabelecidas na coleta seletiva e nos sistemas de logística reversa, pelo qual aparelhos eletroeletrônicos, pilhas e pneus terão de retornar aos fabricantes. A punição pode vir em forma de advertência e, em caso de reincidência, multas de R$ 50 a R$ 500 que poderão ser convertidas em "serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente".
Também estão previstas multas entre R$ 5 mil e R$ 50 milhões para infrações ambientais, como o lançamento de resíduos sólidos em praias. Para a importação de resíduos perigosos, os valores chegam a R$ 10 milhões.
Sancionada em agosto pelo presidente Lula, a lei prevê a substituição dos lixões por aterros sanitários; a criação de planos municipais, estaduais e federal para a gestão dos resíduos; e o incentivo a linhas de financiamento de cooperativas, que devem auxiliar a coleta seletiva e a logística reversa de produtos.

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