Nosso símbolo de justiça para todos - não aquela senhora sentada na Praça dos 3 Poderes, mas o Grande Sapão que ocupa a cadeira da Suprema Côrte - fez o favor de aproveitar as férias dos colegas para servir à seus pares, quais sejam:
- O médico taradão, estuprador de pacientes sedadas, obteve o auxílio-natalino para não perder o panetone com a família. Fala sério, só mesmo o Gilmarzão para conceder uma maravilha dessas!
- O modelete americano que transformou o filho numa espécie de papel à ser negociado entre dois governos (o nosso e o do tio Sam), com direito à espetáculo midiático e direitos vendidos ao papy para a NBC que, aliás, bancou a viagem.
- O pedófilo apontado pela CPI da Pedofilia do Senado e ex-prefeito de Coari (AM) que foi preso preventivamente por manter uma casa de tolerância com meninas na faixa dos 12 a 14 anos. Outro que vai entrar 2010 com os cumprimentos do Supremo Ministro. Informações do Portal Terra aqui.
Vale uma lida no blog Na prática a teoria é outra sobre o assunto, uma impagável e, reconheço, bem "humana" análise do justo sapão.
Ou, se preferirem algo mais sério, uma passada no post, antigo mas atualíssimo, da NovaE.
Como diz PHA, Gilmar Dantas se notabiliza nos recessos.
Update do post: só para lembrar que a Petition que pede a saída do bicho de lagoa do STF já conta com mais de 18.000 assinaturas. Faça vc também sua parte antes que 2009 acabe!
Quinta-feira, Dezembro 31, 2009
O sapo não lava o pé mas lava as mãos
Sexta-feira, Dezembro 18, 2009
Eu também quero colaborar com a liberdade de expressão do Sarney!
O Senador José Sarney obteve judicialmente, seu direito de liberdade de expressão garantido contra um bando de arruaceiros virtuais que teimam em manchar sua história de glórias.
Quinta-feira, Dezembro 17, 2009
A moção de repúdio ao senador José Sarney aprovada hoje na Confecom
Confecom: Entenda a concentração de mídia no Brasil
Numa linguagem inspirada no filme de Jorge Furtado, diretor do documentário "Ilha das Flores", vídeo compara a regulação da comunicação no Brasil com a lei da selva, onde os mais fortes ditam as regras
Do Intervozes (17/12/2009)
Já está disponível no Observatório do Direito à Comunicação o vídeo do Intervozes sobre a temática do Direito à Comunicação. O curta traz uma breve história da concentração dos meios de comunicação no Brasil, com os nomes dos principais atores do cenário, e um panorama sobre a dificuldade de se ter uma comunicação mais democrática no país.
Na história, a personagem central representa telespectadores que encontram barreiras para conseguir se fazerem ouvidas frente ao monopólio dos grandes grupos empresariais de mídia. Assim, registra-se a dificuldade que existe no Brasil no cumprimento de normas constitucionais que garantem um cenário mais democrático. A linguagem escolhida para o vídeo foi a mesma do curta "A Ilha de Flores", devido à simplicidade com que o diretor Jorge Furtado tenta expor características de uma sociedade capitalista. "Fizemos esta opção porque queríamos falar de maneira leve sobre um tema pesado, com pontos polêmicos e difíceis", explica Pedro Ekman, integrante do coletivo e roteirista do vídeo.
Um dos exemplos do cerceamento à voz da população é ilustrado pela batalha da rádio comunitária Constelação, criada em 1998 por cegos e dirigidas a este público. Os irmãos Roberto e Raimundo da Silva, fundadores da rádio em Belo Horizonte, tentam há mais de 10 anos conseguir uma autorização do Ministério das Comunicações para funcionar legalmente. Enquanto há eles não obtem uma resposta do Minis, tiveram a sede fechada e Roberto foi condenado à prisão por dois anos, em um caso onde a rádio foi tratada como Pirata. "Ali aparece como o Estado lida com os meios alternativos de comunicação", percebe Paulo. O Ministério das Comunicações ainda não concedeu licença de funcionamento para a rádio.
O vídeo se soma a outros trabalhos que o Coletivo tem produzido, inclusive como material de contribuição para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Recentemente, um caderno de propostas foi lançado tratando sobre outros aspectos da Comunicação como regulamentações e alternativas, como o sistema público de televisão e rádio. "Uma das principais contribuições é levar os assuntos que detalhamos para debate. O vídeo não esmiuça tanto quanto os materiais escritos, mas amplia o potencial de formulação de propostas e abre a linguagem para pessoas que tem dificuldade de entender esta discussão", aposta Pedro.
Sexta-feira, Dezembro 11, 2009
E se você tivesse que fazer cocô na frente de todos os seus colegas de trabalho?
Do Blog do Sakamoto
O Tribunal Regional do Trabalho em Campinas condenou a empresa agrícola Nova América por não ter garantido local para que seus trabalhadores pudessem fazer suas necessidades fisiológicas com dignidade. Em outras palavras, uma empresa com capital social de R$ 97 milhões não garantia condições para um cortador de cana fazer seu cocô ou xixi. O acórdão da decisão saiu no final de novembro, mas eu queria ter em mãos mais informações sobre ela antes de escrever.Tudo começou quando um trabalhador teve a coragem de entrar na Justiça contra a empresa (alô, presidente, esses são os heróis de verdade, não os usineiros). Durante os cinco anos em que prestou serviços para a Nova América, ele passou por constrangimentos toda vez que queria ir ao banheiro.
O empregado ou empregada que precisasse fazer um xixi pedia para os trabalhadores do sexo oposto virarem de costas. Quando precisava defecar, distanciava-se 30 ou 40 metros e se agachava no meio da plantação. E sem direito a papel higiênico. Um trabalhador informou que “ficava meio chateado com a situação e que havia gozações se o empregado pisasse nas suas fezes”.
A ré deu uma justificativa maravilhosa: que as regras sobre sanitários só foram introduzidas no ordenamento jurídico através de uma norma regulamentadora de 2005. Ou seja, na opinião da empresa, como ela não era obrigada a garantir um local para as necessidades básicas dos trabalhadores antes dessa data, eles que se virassem com folhas de bananeira e o chão batido.
De acordo com notícia no site do TRT da 15ª Região, para a relatora do recurso, a desembargadora Mariane Khayat, “a cultura do campo, caracterizada por ambientes naturalmente rústicos, não pode ser confundida com a dignidade dos trabalhadores que nele dão, literalmente, suas vidas, sem exageros estilísticos”. O trabalhador que entrou com a ação deve receber R$ 20 mil por danos morais.
Nessa hora alguém vai gritar na frente da tela do computador: “Sakamoto, seu radical, você não entende que a situação no campo é diferente daquela na cidade e, por isso, os direitos garantidos também devem ser diferentes. Quer privilégios e luxo para o homem rude do campo!”
Para estes, peço que, ao sentarem na privada de porcelana de seu local de trabalho, aproveitem o tempo livre para pensar sobre como seria se todos os colegas estivessem olhando para você naquela hora tão íntima. Talvez assim, mude de opinião. Ou congele de medo do banheiro.
Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
Repressão em Brasília
Com informações do Blog do Pannunzio:
A coordenação do Movimento Fora Arruda ainda não conseguiu saber para onde foram levados os pelo menos cinco manifestantes que teriam sido presos pela Polícia Militar.
As prisões ocorreram em frente ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal, no Eixo Monumental de Brasília.
De acordo com Iury Soares, coordenador do Diretório Central de Estudantes da Universidade de Brasília, não há registros dos estudantes presos nem na 2a nem na 5a Delegacias de Polícia, para onde eles deveriam ser levados.
A confusão aconteceu quando a cavalaria e a tropa de choque do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) avançaram contra os manifestantes que tentavam parar o trânsito na pista sentido Esplanada dos Ministérios.
"Foi um horror. Nós estávamos sentados na calçada quando a cavalaria avançou passando por cima da gente", diz uma das manifestantes.
Uma jovem menor de idade teria ficado ferida porque foi pisoteada por um cavalo.
Quem assistiu a confusão, entre eles funcionários do Ministério Público do Distrito Federal, disse que a polícia abusou da violência. "Não havia motivo para isso. A manifestação era pacífica", diz uma funcionária do MPDF que não faz parte do movimento.
Agora, só a chuva que cai no local dispersa a mobilização que teve início no meio da manhã desta quarta-feira.
Update do post: fotos do G1
Update do post: mais fotos de Rogério Tomaz
Terça-feira, Dezembro 08, 2009
Segunda-feira, Dezembro 07, 2009
#foraarrudaemafia já tem blog, rádio e coleta seletiva de lixo
| O Movimento Forra Arruda, que desde o começo da semana ocupa a Câmara Legislativa do Distrito Federal, já tem um blog , twitter, uma rádio e um serviço de divulgação dos eventos programados. Por intermédio do blog, por exemplo, fica-se sabendo que hoje os estudantes fizeram panfletagem nas feiras do DF, programam um almoço coletivo, um show de Salve Jorge e bandas de Brasília para daqui a pouco, e vigília no começo da noite. As atividades são gratuitas. Para participar da vigília basta levar uma vela. O protesto está marcado apra as 19h00. Os manifestantes utilizam a rádio para relatar dificuldades como a que enfrentaram na manhã de hoje, na Feira do Guará, onde foram impedidos de utilizar equipamentos de som para divulgar sua mensagem. Agora há pouco, pediam doação de alimentos para para o "almoção coletivo", cujo cardápio, a esta altura do campeonato, ainda é uma incógnita. A programação da rádio sofre interrupções frequentes. Problemas com o equipamento de som provocaram o fim precoce das transmissões da noite passada. A programação é feita ao vivo. Quem ligar agora vai poder ouvir uma inspirada roda de viola. Inspirada não quer dizer afinada, mas serve para manter o ânimo dos jovens que protagonizam aquilo que o ministro Ricardo Levandowsky, do STF chamou de "verdadeira queda da Bastilha". Uma locutora anuncia neste momento que 21 pessoas estão conectadas à rádio web. A audiência não chega a ameaçar o mass media nem as emissoras do grupo que dá suporte ao Esquema do Panetone. Mas a rádio segue angariando ouvintes em todo o país. O movimento dá um show de organização pela internet. Mas as iniciativas não ficam restritas ao mundo virtual. A coleta de lixo, por exemplo, passou a ser seletiva. O lixo orgânico é separado do que se pode reciclar. Uma pena que o serviço de coleta de Brasília irá misturar tudo de novo quando os sacos forem recolhidos pelos caminhões. De qualquer forma, já há recipientes específicos para os deputados distritais. Se forem descartados seletivamente, a maioria vai parar nos latões de lixo orgânico. Não perca, a partir das 14 horas, o show ao vivo de Salve Jorge. A gente vai ficar torcendo para que o áudio não caia. |
Sexta-feira, Dezembro 04, 2009
Convite para Assembléia Popular na ocupação da Câmara Legislativa do DF
ASSEMBLÉIA POPULAR debate os PROBLEMAS DA CIDADE e denuncia os CRIMES cometidos pelo GDF, Arruda e sua Máfia (e o Roriz não fica de fora!) contra a população. LOCAL, PLENÁRIO DA CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL HOJE, SEXTA-FEIRA, 04 de dezembro, 15h Assembléia Popular Pauta: Especulação Imobiliária (Setor Noroeste, Estrutural/Mongiolo, PDOT) SÁBADO, 05 de dezembro, 15h Assembléia Popular Pauta: Transporte Público Coletivo e Direitos Humanos Neste espaço o povo manda e o governo obedece! Participe de uma verdadeira Assembléia Popular na CLDF, durante a ocupação do Movimento FORA ARRUDA E TODA SUA MÁFIA! A casa do povo finalmente está aberta!
Assembléia Popular constrói projeto alternativo para o Brasil
A primeira atividade realizada pela AP reuniu 8 mil representantes de organizações, entidades e movimentos de todo o país em Brasília, em outubro de 2005. A I Assembleia Popular Nacional foi construída no bojo das articulações locais e dos mutirões criados a partir de duas campanhas populares massivas, a Campanha contra a dívida interna e externa e a Campanha contra a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) e da 4ª Semana Social Brasileira, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil.
O processo da I Assembleia Popular Nacional culminou com a publicação de um livro, “O Brasil que Queremos” (disponível em www.jubileubrasil. org.br/assemblei a-popular), que traz uma síntese dos debates e consensos criados em torno de temas imprescindíveis para uma transformação da realidade brasileira. Assim, o documento debate e propõe ações no campo da política econômica, reforma agrária, proteção ao meio ambiente, direitos humanos, soberania alimentar e energética, emprego, educação, saúde, gênero, diversidade sexual, questão indígena, entre outros.
Após a realização do encontro nacional, a articulação da AP voltou a ser construída em nível local, municipal e estadual, a partir de comitês que reúnem representantes de movimentos sociais, organizações de bairro, paróquias, entidades de trabalhadores etc. A ideia é que o processo de participação popular seja fomentado a partir do levantamento das necessidades locais de bairros, vizinhanças, distritos até chegar aos grandes nós que impedem que o Brasil seja uma nação para todos(as) que aqui vivem. Seguindo esta lógica, o Projeto Popular passou por debates e novas formulações em diversas instâncias, e após a sistematização das novas contribuições será apresentado durante a II Assembleia Popular Nacional, que acontece de 25 a 28 de maio de 2010, em Brasília.
Desafios
Assim como a maioria dos movimentos e organizações que a compõem, a Assembleia Popular enfrenta dificuldades de mobilização, principalmente por conta da conjuntura desfavorável à aglutinação de forças populares que se recusam a adotar a postura simplista de ser situação ou oposição ao governo.
Ricardo Gebrim, advogado e dirigente do movimento Consulta Popular e representante deste na AP, reconhece os desafios impostos para um movimento que se propõe a ser massivo diante da realidade atual, mas enxerga alguns aspectos promissores para a luta. Segundo Gebrim “prosseguimos enfrentando uma conjuntura política bem adversa para a classe trabalhadora, embora as perspectivas para o futuro apontem alguns sinais promissores. Aprofundou-se o quadro de fragmentação e rearranjo das forças populares, cresceram as ações de criminalização dos movimentos sociais e manteve-se o cenário de descenso da luta de massas, iniciado na década de 90. Porém, também retomou-se o debate estratégico e ideológico no âmbito da esquerda, multiplicaram- se as iniciativas de formação política e conformou-se uma nova geração de lutadores populares”.
Para Gebrim, o grande avanço das forças sociais desde a realização da I Assembleia Popular Nacional, que concretizou a AP como espaço de articulação e processo de mobilização permanente foi a independência dos movimentos em relação aos governos e a agenda eleitoral. Para ele: “a principal alteração na análise de conjuntura dos movimentos nestes anos é que aprendemos a não nos pautar pelo governo, rompendo a lógica de governistas ou oposicionistas e concentrando- se na construção de lutas independentes, que unifiquem as forças populares”.
Ainda sobre os desafios colocados para a mobilização social, Gebrim afirma que a AP se fortaleceu ao enfrentar as dificuldades impostas pelo momento. “Em conjunturas adversas, a sobrevivência já é uma importante conquista. Apesar de todas as dificuldades, a Assembleia Popular fortaleceu-se neste período, mantendo-se em funcionamento e permanente participação nas lutas. Sem dúvida as adversidades da conjuntura enfraqueceram a capacidade de mobilização, mas não inibiram a formação de novos lutadores populares e a própria ampliação organizativa da AP”, afirma.
A ABONG, Associação Brasileira de ONGs, é uma das organizações que acompanha e participa dos processos de articulação que envolvem a Assembleia Popular. José Antonio Moroni, integrante da diretoria executiva colegiada da ABONG, participa das discussões e formulações da AP pela associação. Segundo ele, “além do desafio imposto pela conjuntura lembrado por Gebrim, a Assembleia Popular é um processo em permanente construção, inclusive da sua identidade política. Ela abriga concepções diferenciadas sobre seu significado, tanto a que defende que a AP seja um espaço de articulação de movimentos e de lutas como a que coloca que, além de articulação, ela deve ser um espaço de construção política com um projeto popular para o Brasil. Este novo sujeito deve ser e encarnação dos valores e princípios que a AP defende. Além disso, existe a necessidade de definição do funcionamento das instâncias da AP, que ainda se organiza de maneira fluida”. Para Moroni, esses são os dois desafios que a Assembleia Popular deve enfrentar no próximo período.
Perspectivas
Atualmente, a AP centra suas forças nos debates em torno do Projeto Popular e na sistematização das contribuições que darão base às discussões da II Assembleia Nacional e aprofundarão a proposta do Projeto Popular para o Brasil.
A atividade contará com a participação de representantes estaduais, definidos a partir da realização de plenárias, e reunirá em torno de 3 mil pessoas. Segundo Gebrim, “a II Assembleia não será tão massiva quanto a primeira, mas refletirá os ganhos do processo organizativo acumulado nestes quatro anos”. Para ele, “a Assembleia Popular surgiu e se constrói em torno da proposta de um Projeto Popular para o Brasil. Esta é a sua meta síntese, que empolgou os debates da I Assembleia em 2005 e envolveu milhares de lutadores em todo o país na construção democrática do documento “O Brasil que Queremos”, onde cada movimento e luta popular se sente identificado. A perspectiva apontada para a II Assembleia é a de aprofundar este processo”.
Além da realização da Assembleia Nacional, o conjunto da AP se engajará na construção de um plebiscito popular sobre o limite da propriedade rural, previsto para acontecer em setembro de 2010.
Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
Viva a resistência! Fora Arruda!!
Quarta-feira, Dezembro 02, 2009
Nem a pau
Do blog da Soninha Francine
Cheguei em casa agora, super cansada, mas não quero deixar de escrever ainda hoje o seguinte:Alguém vir me dizer que o Roberto Freire participou da extorsão de uma empresa para obter recursos para sua campanha tem o mesmo efeito de alguém contar que viu minha filha espancando uma velhinha na esquina, ou chutando um cachorrinho, fumando no posto de gasolina ou tirando racha.
Se alguém saiu por aí pedindo dinheiro e dizendo "é para o Roberto Freire", é preciso identificar muito claramente essa pessoa e processá-la - por estelionato, corrupção ativa, calúnia, difamação e todos os crimes correlatos. Seja do PPS, parente de alguém do PPS, nada a ver com o PPS, tanto faz.
Não é nada difícil acontecer. Volta e meia fico sabendo que alguém na Lapa anda abordando comerciantes dizendo "eu trabalho com a Subprefeita e estou pedindo isso em nome dela". Não é extorsão não, é um pedido de apoio para uma entidade, um evento ou coisa parecida. Mas as pessoas contribuem porque querem ficar bem na fita com o "amigo da Subprefeita" - ou porque tem medo de, ao negar a contribuição, ficarem sujeitos a algum tipo de represália.
Nas operações contra o comércio ambulante, toda hora aparece alguém dizendo: "Eu acertei com o Anderson!". Mas fala isso para o próprio Anderson... Ou seja, nem sabe quem é mas sabe que tem um funcionário com esse nome, então lança ao vento e se colar, colou. Ah, sim, falam também que "acertaram comigo".
Isso quer dizer que nunca tem "acerto" indevido com funcionários da Subprefeitura? Quem dera. Não faz muito tempo a Bandeirantes flagrou um agente de apoio dizendo que vendia permissão para os ambulantes trabalharem... Mas que não é porque alguém diz alguma coisa que essa coisa é verdade, óbvio!
Mas ninguém tem de acreditar na idoneidade nem jurar pela inocência de ninguém. Ninguém é inatacável, ninguém deve ter imunidade incondicional. Mas nessa droga desse país tudo é tão torto, tão mal ajambrado, que é muito mais fácil acreditar que todo mundo é ladrão do que o contrário. E se a acusação for contra um desafeto/adversário/oponente, aí então é que se acredita em tudo mesmo.
Passei 3 anos da minha vida defendendo meu partido - não em tudo, mas no que evidentemente era absurdo. O filho do Lula recebeu 5 milhões em patrocínio de uma Tele para seu canal de entretenimento com games? Pombas, o negócio era muito bom, o canal era um sucesso e a MTV tinha recebido mais do que isso com uma audiência muito menor! Se havia alguma ilicitude nas relações entre o governo federal e as empresas de telefonia, que não viessem dizer que o grande indício era a parceria muito bem sucedida naquela produtora. (Eu escrevi isso no meu blog da Folha Online, rebatendo um post, se não me engano, do Kennedy Alencar, e foi quando tomei a chamada para não falar mais de política...).A Marta disse uma frase infeliz durante o caos aéreo? Sim, mas isso não tinha nada a ver com a queda do avião da TAM, pelamordedeus! O Lula tem alguma coisa a ver com os Aloprados? NÃO, o Lula estava com a eleição quase ganha no primeiro turno, seu adversário direto era o Alckmin por que ele ia pagar um milhão em um dossiê falso para tentar destruir o Serra em São Paulo??
Vou continuar defendendo qualquer um que eu considere vítima de acusações absurdas. Tucano, petista, palestino, israelense, cubano, estadunidense, palmeirense, corintiano, carioca, paulistano. Vou continuar fazendo críticas a qualquer um que eu considere merecedor delas - aliado, oponente, amigo, desafeto, colega, inimigo. Às vezes fico meio puta por ter apanhado para cacete enquanto defendia o PT das acusações injustas (só das injustiças, e não de todas!) e não ter quase nenhum petista (usei o "quase" porque posso estar esquecendo de alguém) me defendendo em público quando o cacete era em mim, mas tudo bem. Nem todo mundo tem o mesmo saco pra entrar nas brigas como eu tenho. Sou do tipo que entra no meio de dois marmanjos se socando para apartar, mesmo que a razão diga que é melhor não entrar.
E agora sim vou dormir - ou assistir a algum seriado gringo em que os crimes são solucionados com incríveis métodos científicos e os bandidos se dão mal no final, para me consolar na ficção.
Terça-feira, Dezembro 01, 2009
Chavez: ¡Por una V Internacional!
Nota Oficial do deputado Augusto Carvalho
| NOTA DE ESCLARECIMENTO | ||
| Sinto-me no dever de esclarecer à população do Distrito Federal a respeito das mentiras contidas no depoimento do Senhor Durval Barbosa, reproduzidas em inquérito que tramita no Superior Tribunal de Justiça, com referência ao contrato firmado entre a Secretaria de Saúde do Distrito Federal e a empresa UNIREPRO. Em nome da confiança que sempre me foi depositada por meus eleitores em trinta anos de vida pública, REPUDIO tais calúnias imputadas a minha administração à frente da Secretaria de Saúde. O tal depoimento é inteiramente falso! 1. Ao contrário do que disse o Senhor Barbosa, tão logo assumi o cargo de Secretário de Saúde, constatei que o contrato mantido com a UNIREPRO apresentava valores acima dos praticados no mercado. Por isso, ordenei a adesão à ATA DE REGISTRO DE PREÇOS do Comando do Exército, o que resultou em substancial economia de recursos ao erário. 2. Recentemente, após ter observado indícios de irregularidades na execução do novo contrato, determinei, em setembro, a realização de auditoria, que, ao final, comprovou a existência de ilícitos, como o pagamento por serviços não prestados. Imediatamente, afastei o executor do contrato e determinei, ainda, a suspensão do pagamento das faturas existentes e enviei formalmente pedido de explicação à UNIREPRO. 3. Como não foi dado nenhum tipo de esclarecimento por parte da empresa, solicitei também parecer da Assessoria Jurídica da Secretaria de Saúde para embasar as decisões a serem adotadas com relação ao referido contrato. 4. Diante disso, fica claro que as acusações infundadas são nada mais que represálias às ações tomadas durante a minha gestão na Secretaria de Saúde. 5. No depoimento de Durval Barbosa está a origem dos interesses contrariados pelo esquema investigado pela Polícia Federal. É ação criminosa de quem, não tendo seus pleitos atendidos, buscou delação premiada, como se ele mesmo não tivesse totalmente envolvido com os ilícitos. É bom lembrar que pesam contra o delator 37 processos, o que o descredencia a fazer injúrias a quem sempre atendeu aos princípios de moralidade e transparência, norteadores da minha vida pública. 6. Não recebi, em qualquer momento, recursos de origem ilícita. Também não autorizei quem quer que fosse a fazê-lo em meu nome. Esta é a verdade! 7. Meu passado e meu presente públicos, em defesa dos interesses da população, me obrigam a buscar a reparação na esfera judicial dos que injuriam, denunciando fatos que jamais ocorreram, para tentar fazer valer interesses inconfessos. 8. Finalmente, informo que o pedido de exoneração da honrosa posição de secretário de Estado da Saúde do Distrito Federal decorre de decisão tomada por meu partido, o PPS, e da convicção política de que as irregularidades supostamente praticadas por ocupantes de cargos públicos no Distrito Federal precisam ser minuciosamente apuradas. Brasília, 1º de dezembro de 2009. Deputado Augusto Carvalho Ex-Secretário de Saúde do Governo do Distrito Federal | ||
Quem diria hein!
Trabalhei no Na Hora, um serviço público de atendimento integrado, e esse sujeito foi meu chefe durante um curto período. Arrogante, prepotente, tenho gravações dos discursos que ele fazia (e mandava gravar, diga-se!) para os funcionários, dizendo que os que não se "enquadrassem" nas suas regras, ele transferiria para outro lugar ou mandaria exonerar mesmo (no caso dos comissionados). Dizia também que era, desde aquele momento (ainda no início do Governo Arruda), declaradamente pré-candidato e que "passaria por cima" de qualquer um que tentasse atrapalhar seus planos. Reforçava que podiam gravar à vontade porque "não tinha nem secretário nem governador que o tirariam dali" (talvez porque o devessem algum favor, não sei, essa parte ele não explicou). O fato é que desde o dia em que se apresentou como chefe da unidade, ele fez questão de demonstrar seu desprezo por tudo e todos, ressaltando que queria apenas que o setor funcionasse perfeitamente porque isso seria bom para a imagem dele. Muitas pessoas sabem disso, muitos estiveram presentes nessas sessões de tortura. Daí que agora o vejo nessa situação abaixo e penso: "eu sabia que tu não era boa coisa hein chefinho, ou... eu, eu, eu, o França se ralou!"
Segunda-feira, Novembro 30, 2009
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
STJ divulga nota esclarecendo Operação Pandora
"O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou operação de busca e apreensão pela Polícia Federal em residência, local de trabalho ou sede de 16 pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de coletar provas sobre suposta distribuição de recursos ilegais à "base aliada" do governo do Distrito Federal. A determinação se deu em inquérito policial que apura a possível participação de autoridades com foro privilegiado no STJ nessas atividades.
As buscas e apreensões decorrentes da autorização foram acompanhadas por procuradores do Ministério Público Federal nos 24 locais indicados, sendo 21 no Distrito Federal, um em Goiânia (GO) e dois em Belo Horizonte (MG). A medida visa descobrir provas e indícios de eventual vínculo mantido entre os investigados e a suposta participação de cada um em atos ilícitos.
O despacho do ministro relator, acolhendo pedido do Ministério Público, determinou que as buscas fossem feitas com discrição, de modo a assegurar a intimidade e preservar os direitos subjetivos dos investigados. Nesse sentido, as diligências deverão ser realizadas com absoluta discrição,de modo a causar o menor incômodo às pessoas envolvidas e a causar o menor dano possível aos bens dos investigados.
Para manter o sigilo da operação até que fosse deflagrada, determinou o ministro relator que não seria permitido que se informasse ou que se convocasse a imprensa. Do mesmo modo, nas diligências foi proibida a utilização ostensiva de vestimentas da Polícia Federal, assim como a exposição desnecessária de armamentos pesados
As investigações sobre suposto repasse de recursos de origem ilícita foram reforçadas pela delação de um ex-secretário de Estado do Distrito Federal, que aceitou que fosse instalado em suas roupas equipamentos de escuta ambiental. Em função disso, foi aberta a ele a participação em programa de proteção de testemunhas da Polícia Federal. Concluída a operação, o relator levantou o segredo de justiça imposto ao inquérito."
Gravações revelam repasse de R$ 400 mil à base aliada
Do Jornal de Brasília
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27/11/2009 - 16:03:58
Nunca antes na história de Brasília
As informações abaixo foram tiradas do blog da Paola que soltou a primeira nota às 9h da manhã. Agora a imprensa toda já está noticiando o fato.
"A sexta-feira amanheceu movimentada na cidade. Uma operação da Polícia Federal parou a Câmara Legislativa no início da manhã com um mandado de busca e apreensão, assinados pelo ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos gabinetes dos presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM), da líder do governo na Casa, Eurides Brito (PMDB) e do presidente da CCJ, Rogério Ulysses (PSB). Os agentes deixaram a Casa com documentos, malotes e até computadores. Busca semelhante foi feita também na casa do suplente de distrital Pedro do Ovo (PRP), no Gama. A operação abrange ainda gabinetes e assessores e secretários do GDF. Os agentes da PF também foram ao anexo do Buriti, Tribunal de Contas do DF e empresas privadas do DF. Como parte da investigação existem ainda áudios e vídeos, autorizados pela Justiça. Apesar da Polícia Federal não revelar o motivo das investigações, pois o inquérito está em segredo de Justiça, a origem teria sido licitações fraudulentas e pagamento de propina. Além da Câmara Legislativa, os agentes da Operação Caixa de Pandora foram também à casa do presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM) e aos gabinetes do secretário-chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, do secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, do assessor de imprensa do GDF, Omézio Pontes, do novo chefe de gabinete da Governadoria, Fábio Simão, e do secretário de Educação, José Luiz Valente. Agentes da PF foram ainda na Residência Oficial de Águas Claras. Informações do Correio Braziliense revelam que a autora da ação é a subprocuradora-geral da república Raquel Dodge e o coordenador da ação é o chefe de inteligência da PF, delegado Marcos Davi Salém. Uma reunião acontece neste momento na Residência Oficial de Águas Claras. Governador José Roberto Arruda, secretários e advogados analisam a operação da Polícia Federal, batizada de Caixa de Pandora, e suas consequências."Parece que Roriz decidiu cancelar toda sua agenda e aguardar o desenrolar dos fatos. Interessante porque em última entrevista para o Caderno Brasília, ele declarou que achava que "Arruda não seria candidato em 2010 mas que ele ainda não podia dizer o motivo".
Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Da última edição de Caros Amigos
MPF indicia Maluf e Tuma por ocultação de cadáveres durante a ditadura
Li na TPM e recomendo que vejam o video
Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre Marina Silva e ficar com preguiça de ir atrás da entrevista que ela concedeu à Editora Trip, assista ao vídeo. É até melhor. Marina, além de tudo que se sabe sobre sua trajetória, é uma simpatia.
Fórum Mundial de Educação - O que mais gostei
Dois eventos foram simplesmente maravilhosos durante o Forum Mundial de Educação. Ele se encerra amanhã mas, para mim, estar presente durante esses dois momentos já foi o melhor que poderia ter acontecido.
Para saber mais, acesse o site do Fórum que foi um sucesso para o desenvolvimento da Educação Profissional e Tecnológica do mundo. Parabéns aos organizadores!
As notícias à que me refiro são:
O pedido de desculpas que o Estado brasileiro ofereceu (com atraso de anos) ao educador Paulo Freire.
e...
A palestra do sempre maravilhoso filósofo Leonardo Boff.
Em breve eu posto dois podcasts sobre esses assuntos aqui no blog (incluindo áudio que peguei do Leonardo durante o evento).
Estou devendo vários, aliás, mas é que agora é que encontrei um bom servidor de podcasts e estou editando os arquivos para colocá-los todos de uma vez.
Fiquem de olho nos "updates" dos posts (para quem não sabe, eu prefiro sempre que possível, ao invés de criar um novo post sobre um mesmo assunto, atualizar os que já escrevi antes).
Terça-feira, Novembro 24, 2009
Unidade e amplitude dos movimentos sociais na conferência do DF
24/11/2009 por proconferenciadf
“A demanda por uma conferência de comunicação é de muito tempo. No contexto atual de pouca regulamentação, encontros como esse são necessários para a discussão de mecanismos de democratização da informação”, ressaltou a secretária de Relações do Trabalho da CUT-DF, Sheila Tinoco, durante a abertura da Confecom-DF.
“Nós temos que aproveitar este momento para tentar, de forma amadurecida e negociada, avançar no sentido da regulação deste segmento (comunicação). Nós estamos há pelo menos 60 anos atrasados em questão ao debate”, alertou o professor da Universidade de Brasília, Benício de Almeida.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Começa hoje! (finalmente)
Conferência Distrital de Comunicação começa nesta sexta!
20/11/2009Confira as propostas das conferências livres do DF
O Distrito Federal realizada de sexta (20) a domingo (22) a Conferência Distrital de Comunicação. Cerca de 450 pessoas já estão pré-inscritas e irão participar do debate como representantes da sociedade civil não empresarial, empresarial e Poder Público.
Reinvidicação dos movimentos sociais do DF, a conferência é uma etapa oficial da Conferência Nacional de Comunicação, cujo tema central é Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital.
A abertura da Conferência Distrital está marcada para às 20h desta sexta, na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação (Eape), na 907 sul. A presidente da Centra Única dos Trabalhadores do DF (CUT-DF), Rejane Pitanga, fará uma saudação em nome da sociedade civil.
A coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU), Jacira Silva, terá uma fala especial sobre comunicação e Dia da Consciência Negra. Representantes do Poder Público e do setor empresarial também participam da abertura.
Conferências livres
Nos últimos três meses, os movimentos sociais do DF realizaram oito conferência livres preparatórias para a Conferência Distrital de Comunicação, promovidas pelos sindicatos dos trabalhadores de comunicação, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Intervozes, Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), movimentos e entidades negras, estudantes da Universidade de Brasília, Universidade Católica e Facitec.
Entre as propostas encaminhadas pelas conferências livres à etapa distrital estão revisão do modelo de outorgas e concessões de radiodifusão, regionalização do conteúdo, criação do conselho distrital e nacional de comunicação, fortalecimento das mídias públicas, regulamentação da profissão dos jornalistas, descriminalização das rádios comunitárias e financiamento da mídia alternativa, estudantil e negra.
No sábado (21), serão realizados painéis temáticos para o aprofundamento dos debates e grupos de trabalho poderão complementar e aprimorar propostas que serão encaminhadas para a Conferência Nacional de Comunicação.
No domingo (22), haverá plenária, votação de moções e escolha de delegad@s para a etapa nacional. Após o encerramento da programação oficial, a sociedade civil irá realizar uma plenária para construção de uma carta com reivindicações na área de políticas de comunicação voltadas para o Governo do Distrito Federal (GDF).
Mais informações
Sheila Tinoco (Fenajufe/Cut-DF): 9289-0150
Mayrá Lima (Intervozes): 9684-6534
Romário Schettino (Sindicato dos Jornalistas): 9942-3503
Programação Oficial (http://www.gdf.df.gov.br/045/04501040.asp)
Conferência Distrital de Comunicação
LOCAL: Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação (907 sul)
Sexta-feira (20/11)
Inscrição e credenciamento: 16h às 20h
Abertura e votação do regimento: a partir das 20h, com participação de representantes do Poder Público, Sociedade Civil empresarial e não empresarial.
Sábado (21/11)
Inscrição e credenciamento: 8h às 10h
Painéis temáticos: 8h às 12h
Grupos de trabalho: 14h às 18h
Domingo (22/11)
Plenária e votação de moções: 8h às 12h
Reflexão sobre o dia de hoje
Antes de mais nada, sugiro à todos que dêem um pulo no cinema para ver BESOURO. O filme é imperdível. Não percam.
O texto abaixo, do site da Luciana Genro também chama à reflexão sobre a nossa consciência.
20 de Novembro é dia de reflexão
Confira texto de Edilson Silva sobre esta data:
“Povo negro: queremos mais que simbologia
Mais um 20 de novembro. Dia de lembrar e comemorar a imortalidade de Zumbi dos Palmares e tudo o que representou e representa sua luta e de seus herdeiros. Dia da Consciência Negra, dia de reflexão maior sobre os desafios dessa gente que foi trazida à força do continente africano para o Brasil e aqui, também à força, foi deixada à margem do acesso a condições dignas de existência, estabelecendo-se assim um passivo histórico do Estado brasileiro com estes.
É um dia propício, portanto, para se fazer um mínimo balanço das ações desta chamada esquerda que está no poder. O que mudou efetivamente para o povo negro no Brasil na era Lula?
Dizer que nada mudou seria injusto. Quando antes um negro chegou à posição de ministro no Supremo Tribunal Federal? Quando antes se teve uma secretaria federal com status de ministério para tratar exclusivamente da promoção da igualdade racial? Quando antes se teve uma lei federal que “obriga” o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas públicas? Há inúmeros outros avanços e são, inegavelmente, méritos do governo Lula.
No entanto, o passivo do Estado brasileiro com o povo negro não será minimamente resolvido apenas com simbologismos. A presença de Joaquim Barbosa, um ministro negro no STF, é uma exceção importante que confirma a regra. O ministro Joaquim, segundo artigo publicado pelo professor Eduardo Diatahy B. de Menezes, da Universidade Federal do Ceará, era um faxineiro que durante o trabalho no TRE do Distrito Federal cantava em inglês com fluência invejável, o que chamou a atenção de seus superiores, que o incentivaram materialmente, trocando-o de função, ganhando mais e com menos esforço físico.
Deram-lhe oportunidade e ele pode colocar em prática, com esforço também invejável, todo o seu talento. Joaquim Barbosa é ministro do STF por méritos próprios. O mérito de Lula foi não ter-lhe discriminado.
Outro exemplo de simbologismo insuficiente são as leis federais 10.639/03 e 11.645/08, que tratam da obrigatoriedade do ensino da cultura e história afro-brasileira e indígena nas escolas públicas. Essas leis não saem do papel, são apenas mais um reconhecimento cínico de que existe uma engrenagem cultural de perpetuação do preconceito racial no Brasil. Estas leis, para saírem do papel, precisariam de um mínimo investimento em capacitação dos professores, uma perseguição obstinada pela alteração dos currículos escolares, livros didáticos, etc.
Muitos foram os profissionais do âmbito da pedagogia, comprometidos com a causa da difusão e resgate da história e cultura afro-brasileira e indígena, que, ao verem aprovadas estas leis, apressaram-se em preparar especializações e capacitações em todos os recantos brasileiros. No entanto, esta é a dura realidade, a secretaria do governo federal, que deveria tratar de promover a igualdade racial, aquela com status de ministério, não tem disponíveis os recursos mínimos para que estas atividades aconteçam. Ou seja, só discurso.
Os recursos que faltam para investir na aplicação concreta destas leis sobram no orçamento federal para o pagamento de juros, amortizações e rolagem da dívida pública aos agiotas de plantão. São estes recursos públicos que faltam para o governo Lula sair da mera propaganda enganosa. São estes recursos que faltam para que nem todos os negros deste país precisem nascer com a genialidade de Joaquim Barbosa e com a mesma sorte que ele para “vencer na vida”.
Edislon Silva, negro, presidente do PSOL-PE
Open your mind
UPDATE DO POST: Tinha comentado que considerava um gol de placa da assessoria do IESB essa visita dele na faculdade. No entanto, ela infelizmente não aconteceu e, depois de fazer as pessoas esperarem por mais de três horas, a assessoria dele cancelou o evento alegando problemas de agenda.
Na verdade, pra quem esteve lá, foi fácil observar a quantidade de agentes de segurança iranianos circulando pelo auditório (completamente lotado) e fiscalizando (e fotografando) pessoas, janelas, equipamentos de imprensa espalhados pelo lugar e com certeza, na minha opinião, foi isso que invibializou o evento. O local estava muito cheio, com pessoas em pé obstruindo os corredores, quando vi isso já comecei a desconfiar que poderia não rolar. Nesse ponto, a organização do evento falhou porque sendo quem é, deveriam ter limitado mesmo (como disseram que fariam no credenciamento) as inscrições.
A imprensa credenciada, não podia (à pedido deles), entrevistá-lo, aliás, nem mesmo chegar perto da antesala onde ele ficaria com sua comitiva. No máximo, nos entregaram formulários em que escreveríamos uma única pergunta que seria "sorteada" entre todas as outras e, depois da palestra, ele se limitaria a responder, no máximo, cinco delas. Era esse o acordo. Para isso esperamos. Pena que ele não apareceu, é sabido que ele gosta de conversar com universitários.
Terça-feira, Novembro 17, 2009
O estilo classe média
Para quem é de fora, Brasília é um ambiente um tanto hostil mas sempre fico tentando encontrar uma forma de "descrever" o que observo por todo canto. Pelo menos, no miolo mais concentrado no Plano Piloto. Esse, para quem não sabe, é o "bairro" que preenche o desenho do avião que caracteriza a capital. Todas as cidades "satélites" - como de fato são chamadas - são subjetivamente (em alguns lugares) e explicitamente (em outros) entendidas como "à margem" de quem tem o privilégio de viver no avião.
E isso não exclui um comportamento semelhante dos viventes nas próprias cidades satélites. Pelo contrário. Uma hora ou outra, "morar no Plano" passa a ser o plano de qualquer aspirante à classe média emergente brasiliense.
O texto abaixo, publicado na nova edição da Carta, mostra que o "comportamento classe média" já se tornou um novo "way of life" (expressão criada pelo blog homônimo), um estilo de vida bem definido e que, no meu entendimento, encontra em grande parte da população de Brasília, seu melhor personagem.
Claro que não são todas as pessoas, mas infelizmente, é a maioria (na minha modesta opinião, claro). A "capital mundial das piscinas" ou a cidade que vem trocando sua arquitetura moderna pelo pós-modernismo (de gosto duvidoso) à la Paulo Octávio Empreendimentos, tem muito desse modo de vida impregnado que inclusive, infecta até os que não foram forjados nessa cultura quando mais jovens, venham de onde vier. Seja das praias despojadas cariocas, seja do sol rachante nordestino, todo mundo quer ser um pouco assim.
O mais interessante é que isso, claro, é um reflexo de toda a sociedade, da forma como as coisas tomam o lugar das pessoas. Só que alguns países, cidades, lugares, absorvem isso mais rapidamente que outros. E Brasília, os que moram aqui irão concordar, pode ilustrar bem o texto, até porque é formada também de múltiplas culturas e de pessoas que vem e vão de todos os lugares e países. No entanto, nesse aspecto, vem formando com esses valores, uma cultura própria.
Algo me deprimiu. A constatação da identificação imediata das descrições com figuras que conheço do meu partido que já foram um dia "comunistas" ou "socialistas" preocupados com a "justiça social", os "direitos humanos" ou mesmo a "democracia", tudo isso agora, somente com muitas aspas.
Aviso! Se você se reconhecer em alguma descrição e se indignar, já sabe que esse blog e os que constam em sua lista de links sugeridos, não são o tipo de coisa que a classe média deva ler com muita frequência.
Como vocês, um dos melhores artigos que já li nos últimos tempos sobre a sociedade em que vivemos.
Você delira quando Caetano Veloso diz que Lula é grosseiro e não sabe falar? Não perde uma coluna de Danuza Leão? Coleciona os livros de Ali Kamel? Parabéns, você é um típico representante da classe média brasileira, fiel integrante da elite branca, como definiu o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo. Pierre do Brasil, criador do blog The Classe Media Way of Life, conseguiu captar a essência desses seres que trafegam (raramente, pois quase sempre o trânsito está engarrafado) pelos Jardins paulistanos, a zona sul carioca, os bairros ditos nobres das capitais e os cada vez mais numerosos condomínios fechados. A seguir, um resumo de alguns dos textos do blog (classemediawayoflife.blogspot.com).
MORAR EM APARTAMENTO
O modus vivendi de nossos heróis médio-classistas, cuja característica mestra consiste no “morar em apartamento”, contribuiu para a instituição de uma nova realidade urbana não apenas pela geração dos “filhos de apartamento”. Outra esquisitice daí proveniente mudaria de figura as nossas cidades: os empreendimentos imobiliários.
A evolução do “morar em apartamento” causou profundas mudanças na maneira como se constrói uma cidade. Se antigamente um edifício era projetado e implantado por um arquiteto, sobre uma malha urbana determinada por um urbanista, e colocado de pé por um engenheiro, atualmente a classe média só compra imóveis projetados por publicitários. O publicitário é uma figura de extrema relevância para a classe. É algo como um guru. Sua função extrapola a mera tradução dos valores do médio-classista e sua consequente materialização em forma de produto, para na verdade formatar a preferência desse cidadão e impor-lhe tudo aquilo que ele deve gostar. Se você quer ser um médio-classista normal, terá de gostar dessa situação. Do contrário será convencido por um publicitário.
Com a cidade sendo construída pelos empreendimentos do departamento de marketing, o desenho urbano e as relações sociais vão tomando a cara da classe média. Todo prédio tem um nome, que quando não é o nome de um médio-classista falecido (com sobrenome italiano), é um estrangeirismo. Os idiomas preferenciais são o inglês, o francês e o próprio italiano.
Tendo este meio de vida se instaurado e solidificado no seio da classe média, o “filho de apartamento” passou a ser considerado uma espécie de instituição, de forma que os empreendimentos agora tentam redefinir as condições. Médio-classistas hoje em dia podem escolher morar em um empreendimento chamado Château De Douceur, onde estão disponíveis nas áreas comuns o “Espaço Kids”, para os pequenos brincarem o dia inteiro, o “Espaço Teen”, para os adolescentes, o “Garage Band”, para os filhos terem o direito de ser rebeldes, enquanto a empregada leva suco e biscoitos.
Também há o “Woman’s Space”, para ficar vazio, enquanto você frequenta o salão do momento. O “Espaço Gourmet”, para dizer aos outros que você é refinado e cozinha por prazer, enquanto a empregada deixa tudo pré-pronto em segredo, e ainda lava as panelas. O “Fitness Center”, para ficar vazio, enquanto você paga uma academia perto do trabalho, e muitas outras salas com nomes estrangeiros. O objetivo disso, além de encarecer absurdamente o condomínio, é fornecer argumentos ao publicitário para que o tamanho dos apartamentos seja cada vez mais diminuto, no pressuposto de que ninguém ficará lá dentro com tantas atividades dando sopa no pilotis.
Por fim, neste novo jeito de morar, uma coisa é imprescindível: grades. O mundo lá fora é mau. A gente de bem está do lado de dentro. Por isso, no espaço urbano todas as características da classe média convergem para um único organismo, que é o “lado de dentro”. Médio-classista evita sair na rua. Rua é para pobre, é onde passa ônibus e onde estão os assaltantes. O médio-classista anda de garagem em garagem. Sem contato nem com o ar do lado de fora. Filho de apartamento tem alergia a fumaça, poeira, plantas de verdade e pobre. Assim, a cidade da classe média é hoje um núcleo fortificado, à espera de um ataque bárbaro a qualquer momento. Para isso, métodos de segurança dos mais modernos foram desenvolvidos, como lanças e homens armados. Dizem que em São Paulo uma construtora aguarda autorização do Ibama para construir um sistema de fosso com jacarés.
Será o primeiro Eco-Security-Residence do Brasil.
COMPRAR OS BEST SELLERS
Para o médio-classista é muito difícil arrumar um tempo pra ler. A vida atribulada, os negócios, a ralação diária para garantir as contas pagas (graças a Deus), os filhos, a faculdade, nada disso deixa tempo para uma boa leitura. Mas isso tem de ser feito, pois a superioridade intelectual é inerente à classe, e não há como declamar nas seções de cartas da revista semanal sobre a falta de instrução do povão se você não ler seus dois livros anuais.
Quem não tem tempo para ler tem de ser seletivo, e ser seletivo é uma especialidade do cidadão da classe. Então, para que todo mundo na Book Store saiba que você é classe média, vá direto aos best sellers. Ali você terá segurança para escolher um livro “da moda”, um livro que fará todo mundo no seu trabalho te admirar, um livro que todos vão querer emprestado. Apareça com algum best seller da semana e incremente sua reputação tanto de “culto” quanto de “antenado”, igual àquele cara que introduziu O Código da Vinci na turma do escritório. A lista dos mais vendidos nunca erra.
O leitor médio-classista, antes de tudo, é um eclético. Não importa o tema, não importa o autor: o que estiver na moda, se vender muito, ele compra. Mas sempre há os gêneros que fazem mais sucesso: mistério, esoterismo, espiritismo, política e autoajuda sempre são considerados bons livros. Mas se você quer mesmo é botar pra quebrar, pode ir às últimas consequências do médio-classismo e apelar para os “gênios” desse público: Paulo Coelho, que tem mistério, esoterismo e autoajuda, tudo misturado; Ali Kamel, que junta política e ficção; Dan Brown, só porque escreveu o tal Código... Mas se você, aspirante à classe, persiste num impasse diante de tantas boas opções da banca de best sellers, atente a um macete que nunca falha: na dúvida, compre o que tem a capa mais bonita.
PRATICAR O "CADA UM POR SI" NO TRÂNSITO
Para quem quer se comportar como a classe média brasileira, um ótimo ambiente de observação é o trânsito de nossas grandes cidades. Ali podemos estudar, por imersão total e com riqueza de detalhes, os valores desse peculiar grupo social.
O médio-classista encara o trânsito como se fosse uma grande batalha em defesa do seu direito individual prioritário de ir e vir, o que significa que cada indivíduo da classe, no trânsito, tem prioridade um sobre o outro e vice-versa (numa estranha equação ainda não resolvida pela matemática). E todos têm prioridade sobre os pedestres (esse ponto já é bem mais fácil de entender).
Para encarar o trânsito, cada cidadão da classe deve estar equipado com seu carro. Se uma moradia médio-classista possui, por exemplo, quatro habitantes em idade para ser condutores, o ideal é que ali haja quatro carros. O carro é uma importante propriedade desses cidadãos, e seu interior é seu mundo particular, uma extensão de sua casa sobre rodas. Por isso, o carro para esse público precisa ser equipado com “insulfilme”, equipamento de som, ar-condicionado e lugar para, no mínimo, cinco passageiros (para levar objetos e peças de vestuário, uma vez que raramente o carro do médio-classista trafega com mais de uma pessoa, além do motorista). Tudo isso garante que o que realmente importa (o mundo particular do condutor) esteja muito agradável, a fim de evitar o contato com o mundo exterior, totalmente desprezível. Para este, há um mecanismo de comunicação denominado buzina.
Você, aprendiz de médio-classista, precisa aprender que é necessário se revoltar com as atuais condições do trânsito. Assim, no seu papel de cidadão politizado e pagador de impostos, deve exigir das autoridades que abram espaço na cidade para mais carros. Que desapropriem, botem a cidade abaixo, mas garantam a duplicação das vias até resolver o problema. Fique revoltado também pelo fato de o governo se preocupar mais em, violentamente, coibir seu direito sagrado de ingerir álcool do que abrir mais acessos para o seu carro trafegar mais rápido.
O primeiríssimo passo para entrar na classe é abandonar o transporte coletivo, o Metrô e até mesmo a bicicleta (esta somente pode ser usada para lazer, e, mesmo assim, deve ser transportada de carro até o local do uso). No transporte coletivo você está num espaço público, sujeito a ficar perto de pobres e nada ali é “só seu”. É muito melhor que você trafegue dentro de sua bolha de vidro e metal, “privatizando” (aprenda a adorar esta palavra) cerca de 10 metros quadrados do espaço público, com uma máquina de mil quilos que queimará petróleo para transportar uma pessoa de 70 quilos, a fim de garantir seu merecido bem-estar até seu destino. Você tem direito, você é da classe média.
AFIRMAR QUE NÃO EXISTE RACISMO NO BRASIL
Para se tornar um genuíno membro da classe média brasileira, você não pode ser racista. Simplesmente porque, na ótica da classe, o racismo não existe no Brasil. Não existe privilégio para nenhuma raça, tudo se pode conseguir pelo esforço e trabalho, seja a pessoa médio-classista ou negra. Convença-se disso.
Racismo, hoje, talvez só nos Estados Unidos. Ali sim já se praticou racismo “do bom”, racismo “de raiz”, onde qualquer um pode encher um neguinho de porrada ou atear fogo na casa dele quando quiser... Mas, hoje, nem lá as coisas são como eram... o presidente deles é negro, então os negros não têm do que reclamar.
Tome cuidado! Essa história de cotas, de segregação racial, de discriminação e tratamento diferenciado não pode afetar sua culta percepção do mundo, a percepção de quem recebeu uma bela educação paga nos melhores colégios católicos. Você deve entender isso como mera coisa de livros de História, que ninguém lembra mais, da época em que trouxeram os negros escravizados da África, situação que logo mudou quando a Princesa Isabel assinou a tal parada, e desde então brancos e negros têm acesso ao que quiserem em igual condição.
Para demonstrar a seus estimados colegas da classe o quanto você faz por merecer a aceitação no grupo, discuta, sempre que surgir o tema, sobre como os negros simplesmente não querem estar na mesma posição dos brancos (lembre-se de representar uma “indignação analítica contida” quando disser isso). Você causará suspiros de admiração, será ouvido e respeitado por seus pares. Argumente que, se você conseguiu chegar onde chegou, qualquer negro também conseguiria, pois este é um país onde o mérito funciona e é a base de tudo.
Diga que você acha estranho, mas talvez, por uma questão de gosto pessoal, eles prefiram jogar capoeira a ir para a universidade (novamente contenha a indignação de palestrante culto). E dê o veredicto: se os negros estão reclamando, botando a culpa nos brancos, querendo cotas, se organizando em grupos culturais, movimentos de ações afirmativas e bandas de música black, eles é que são racistas. (Neste ponto, você fica autorizado pela audiência a ignorar a autocontradição.)
Por fim, para dar o golpe de misericórdia e carimbar de vez seu passaporte ao mundo da classe média, fale sobre sua relação com os negros. Decore: você não deve ter nada contra nem a favor deles. Você os trata como qualquer pessoa e às vezes com humilde magnificência, até dá bom-dia ao jardineiro do prédio e à diarista. Você não namoraria uma pessoa negra, mas até daria uns pegas (se ela não contasse pra ninguém). Você acha que o governo tinha de criar escolas técnicas para “capacitar” pessoas para o trabalho manual, o que é uma ótima alternativa para os negros arrumarem emprego. Defenda o ponto de vista que explica que as universidades, o Judiciário e a alta sociedade têm pouquíssimos negros apenas por coincidência, ou até mesmo por uma questão estatística: eles existem mesmo em menor número, tanto que você quase não os vê nas festas que frequenta.
ACHAR QUE DEUS TE CONSIDERA MELHOR QUE OS OUTROS
O médio-classista não apenas acredita em Deus, como acredita que Deus gosta mais dele que dos outros. Não obstante sempre soltar um “graças a Deus” a tudo que se refere a seu patrimônio, quem é da classe justifica sua condição de privilégio com o status autodeclarado de vontade divina.
É uma espécie de herança torta das antigas dinastias e da nobreza europeia, de quem os médio-classistas acreditam piamente descender em linhagem pura e imaculada. Tal qual seus espelhos (distantes geográfica e cronologicamente), eles pretendem incutir no interlocutor a ideia de que seu bom berço é uma escolha divina, em detrimento da família meia-boca de quem estiver ouvindo. Por isso, eles não se acanham em recorrer ao seu deus para as coisas mais corriqueiras de suas vidas.
Portanto, se você pretende entrar para o seleto e abençoado mundo da classe média, trate de colocar Deus no meio de suas frases, dizendo que é culpa Dele você possuir bens materiais, e seu empregado não.
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
Antes de ser Taliban, a UniBan é Bandeirante
O pessoal do Insituto Autonomia publicou um artigo ótimo sobre o caso da Uniban. Especificamente sobre o tipo de cobertura que a mídia faz nesses casos. Reproduzo o texto e assino embaixo:
Alguém se lembra do filme "Dormindo com o Inimigo" cuja persomagem principal, representada por Julia Roberts, é espancada pelo marido, ao mesmo tempo em que, ambos formam um casal perfeito perante a sociedade? A mensagem dessa história é simples: o inimigo está mais perto do que pensamos. Ele não é o vizinho ou o estrangeiro do outro lado do mundo. Ele sim está tão próximo que pode até ser nós mesmos/as. É com esta lembrança na memória que gostaria de fazer um alerta sobre o caso da UniBan e a minisaia.
A mídia inteira ao tentar caracterizar tal "universidade" optou pelo mais fácil, ou seja, optou pelo pré-conceito do distante, fazendo o seguinte trocadilho: UniTALIBan. Não entrarei no mérito da questão sobre o que representa ou significa Taleban - que diga-se de passagem sua tradução é estudantes. O que aqui me interessa dizer é que, não precisariam ir tão longe e associar o nome UniBan ao extremismo islâmico. Bastava lembrar o significado histórico da palavra Bandeirantes. Sim, façamos justiça, o inimigo revelado pelo acontecimento da minisaia, vive em nossas entranhas históricas.
Em meados do século XVI, promovidos pelo "Governo das bandeiras", jagunços adentram os sertões brasileiros, hávidos por riqueza minerais. Neste adentramento outros dois feitos: escravização indígena e aniquilação de quilombos. Ah, e vocês pensam que esses jagunços, denominados bandeirantes, eram os próprios colonizadores? Não, pelo contrário, suas fileiras eram compostas por indígenas escravos e aliados, por mestiços de índio com branco, e alguns brancos como capitães. Esse bandeirismo, usou - ou melhor, continua usando em outros meios - da estratégia de aniquilação chamada "pacificação". Bilingües que eram, falavam português e tupi-guarani, aniquilavam o diferente e nomeavam os lugares, que assim "pacificavam", com nomes indígenas. Um recurso de memória muito utilizado para confundir e apagar os rastros históricos das perversidades cometidas por tais jagunços.
Voltando ao século XXI, o feito de uma Universidade Bandeirante tem raízes históricas profundas. As quais não se gastou uma linha se quer para ser mencionada. Porquê esse silêncio? Talvez porque é mais fácil desviar a atenção em direção ao distante Taliban. Talvez porque é mais cômodo não estar a sós consigo mesmo; a não voltar os olhos para nossas próprias feições. Que, para além do milenarismo patriarcal e machista, para além da política educacional do MEC, para além da retrógrada filosofia da educação da Uniban, também estejamos atentos e atentas às significações que atribuímos aos acontecimentos.
















