Terça-feira, Novembro 10, 2009

Ventos literários da África

O viajante que publica suas aventuras no Diário da África conseguiu a façanha de entrevistar, nada mais nada menos que Mia Couto. Então, para deleite dos leitores desse blog, segue parte da entrevista:


Mia Couto nos recebeu no escritório da empresa em que dá expediente quando não está escrevendo livros.

Além de escritor, Mia Couto estou medicina e se formou em biologia.

Tem uma empresa de projetos ambientais que funciona numa casa no centro de Maputo.

Fala mansa, Mia Couto não se altera com nenhuma pergunta.

Além deste diário, também participou da entrevista o jornalista português António Cascais, radicado na Alemanha desde criança.

A entrevista foi em 29 de outubro, um dia depois das eleições.

Mia Couto ainda estava com o dedo indicador direito sujo com a tinta indelével que comprova a participação no processo eleitoral e serve para impedir que se vote duas vezes.

Durante cerca de meia hora, Mia Couto falou sobre política, Frelimo, democracia, os mitos em torno da África e um pouco sobre literatura.


O QUE ESSA ELEIÇÃO REPRESENTA PARA A DEMOCRACIA DE MOÇAMBIQUE?

A democracia...Acho que nos habituamos a ver a democracia em Moçambique como uma coisa que é feita com vários caminhos. O caminho desta democracia parlamentar, com essa votação por delegação política em alguém que nos representa é uma coisa relativamente recente. Moçambique viveu 33 anos de independência e metade desse período foi feito sem democracia. Foi feito com regime de partido único. Curiosamente, havia durante esse regime algumas instituições, vamos dizer assim, que funcionavam. Principalmente ao nível de poder popular, poder de base. Funcionavam com nível de envolvimento e participação que hoje já não ocorre. Não estou a fazer a defesa do regime monopartidário. Estou a dizer que, para avaliar o regime da democracia, a possibilidade de participação das pessoas naquilo que são seus assuntos de interesse não podem ser medidos apenas por este parâmetro. De qualquer maneira, acho que os moçambicanos querem este caminho, querem o caminho da democracia formal, da representação partidária. E isso ainda não foi conseguido. É um processo, e agora isso implica que o partido no poder tem que ter oposição. E essa oposição tem que ser criada, tem que haver um processo de fundamentar isso que são forças da oposição. E isso ainda está a acontecer em Moçambique.(...)


Gostou? Se quiser continuar lendo, clique aqui.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Ainda dá tempo de se inscrever



 Acesse: ASPEA

Muito em muito pouco

Pra quem ainda não sabe, o José Rezende Jr,  jornalista (dos melhores) de Brasília, fotógrafo e autor de dois livros muito bacanas (e meu amigo! =)) vem publicando às sextas-feiras, no Portal Terra, uma série de contos, na verdade, minicontos. E pode botar mini nisso. Acho que escrever, enquanto definição artística, é isso, em muito pouco, se dizer muito. O Zé faz isso como ninguém. O primeiro desta semana, lembra bem um caso lamentável que tivemos há alguns dias (aquela demonstração "acadêmica" da bestialidade humana).

Mais abaixo, tem um sobre celulares que me lembrou alguém que conheço desde que nasci, ou seja, eu. Tenho muitos amigos, mas sinceramente, ultimamente ando me relacionando mais com meus celulares do que com as pessoas que estão na lista de contato deles.... Bom, depois de tanta reflexão a partir de estórias tão mínimas, reproduzo abaixo os textos desta semana e recomendo a todos que coloquem em seus favoritos o link do Zé, para lerem toda sexta-feira.



estórias mínimas - 6/11/2009


José Rezende Jr.
De Brasília (DF)



Os justiceiros
Um palmo acima do joelho! E achando que ser gostosa lhe dava o direito. Aí a gente se juntou e reagiu. E foi só isso: legítima defesa.

Montanha-russa

O coração parou, fulminado, logo no primeiro looping. Mas continuou sorrindo, pra não estragar o domingo dos filhos.

Castigo

Calor do inferno... Nem o diabo aguenta! Se eu soubesse, teria tentado ir pro céu...

A chuva

Gosto de olhar a chuva. Daí fiquei vendo ela molhar a janela, lavar as ruas, levar os carros, arrasar as casas, arrastar as pessoas...

Pesadelo

Sonhei que estava vivo. Quando abri os olhos era escuro.

Tempos modernos

Tinha três celulares e nenhum amigo. E parece que não se relacionava bem com os três celulares.

Prosa de comadres

Não sou dessas que dizem que homem não presta nem pra trocar lâmpada. Presta. Mas enquanto o Luz pra Todos não vem, eu me deito é com Maria.


José Rezende Jr. publicou dois livros (de contos em "tamanho normal"): A Mulher-Gorila e Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor), ambos pela 7Letras. O primeiro, já esgotado, pode ser lido/baixado em www.joserezendejr.jor.br (jornalismo&literatura).

Fale com José Rezende Jr.: joserezendejr@terra.com.br

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Tucanou de vez



Update do post: esqueci de dar o crédito!! A fonte foi o companheiro Eduardo Braga, pelo twitter.

A Uniban ainda, infelizmente

Update do post: o primeiro texto é a opinião de uma mulher, o segundo de  um homem. Assim a gente equilibra as coisas. E chega à mesma conclusão, claro.


Por Débora Diniz, em O Estado de S. Paulo: 


O urro ancestral da faculdade injuriada

Universitários que encurralaram a colega de vestido curto não eram delirantes: eram agressores


O caso não caberia nem em um folhetim vulgar, não fosse o YouTube denunciando a verdade. A "puta da faculdade" é uma história bizarra: uma mulher de 20 anos é vítima de humilhações. A razão foi um vestido rosa e curto que a fazia se sentir bonita. Sem ninguém saber muito bem como o delírio coletivo teve início, dezenas de pessoas passaram em coro a gritar "puta" e ameaçá-la de estupro. A saída foi esconder-se em uma sala, sob os urros de uma multidão enfurecida pela falta de decoro do vestido rosa. Além da escolta policial, um jaleco branco a protegeu da fúria agressiva dos colegas que não suportavam vê-la em traje tão provocante.

Colegas de faculdade, professores e policiais foram ouvidos sobre o caso. O fascínio compartilhado era o vestido rosa. Curto, insinuante, transparente foram alguns dos adjetivos utilizados pelos mais novos censores do vestuário da sociedade brasileira. "A roupa não era adequada para um ambiente escolar", foi a principal expressão da indignação moral causada pelo vestido rosa. Rapidamente um código de etiqueta sobre roupas e relações sociais dominou a análise sociológica sobre o incidente. Não se descreveu a histeria como um ato de violência, mas como uma reação causada pela surpresa do vestido naquele ambiente.

O que torna a história única é o absurdo dos fatos. Um vestido rosa curto desencadeia o delírio coletivo. E o delírio ocorreu nada menos do que em uma faculdade, o templo da razão e da sabedoria. Os delirantes não eram loucos internados em um manicômio à espera da medicação ou marujos recém-atracados em um cais após meses em alto-mar. Eram colegas de faculdade inconformados com um corpo insinuante coberto por um vestido rosa. Mas chamá-los de delirantes é encobrir a verdade. Não há loucura nesse caso, mas práticas violentas e intencionais. Esses jovens homens e mulheres são agressores. Eles não agrediram o vestido rosa, mas a mulher que o usava para ir à faculdade.

Não há justificativa moral possível para esse incidente. Ele é um caso claro de violência contra a mulher. Ao contrário do que os censores do vestuário possam alegar, não há nada de errado em usar um vestido rosa curto para ir às aulas de uma faculdade noturna. As mulheres são livres para escolher suas roupas, exibirem sua sensualidade e beleza. A adequação entre roupas e espaços é uma regra subjetiva de julgamento estético que denuncia classes e pertencimentos sociais. Não é um preceito ético sobre comportamentos ou práticas. Mas inverter a lógica da violência é a estratégia mais comum aos enredos da violência de gênero.

A multidão enfurecida não se descreve como algoz. Foi a jovem mulher insinuante quem teria provocado a reação da multidão. Nesse raciocínio enviesado, a multidão teria sido vítima da impertinência do vestido rosa. As imagens são grotescas: de um lado, uma mulher acuada foge da multidão que a persegue, e de outro, do lado de quem filma, dezenas de celulares registram a cena com a excitação de quem assiste a um espetáculo. Ninguém reage ao absurdo da perseguição ao vestido rosa. O fascínio pelo espetáculo aliena a todos que se escondem por trás das câmaras. Quem sabe a lente do celular os fez crer que não eram sujeitos ativos da violência, mas meros espectadores.

Pode causar ainda mais espanto o fato de que a multidão não tinha sexo. Homens e mulheres perseguiam o vestido rosa com fúria semelhante. Há mesmo quem conte que a confusão foi provocada por uma estudante. Mas isso não significa que a violência seja moralmente neutra quanto à desigualdade de gênero. É uma lógica machista a que alimenta sentimentos de indignação e ultraje por um vestido curto em uma mulher. A sociologia do vestuário é um recurso retórico para encobrir a real causa da violência - a opressão do corpo feminino. Não é o vestido rosa que incomoda a multidão, mas o vestido rosa em um corpo de mulher que não se submete ao puritanismo.

Não há nada que justifique o uso da violência para disciplinar as mulheres. Nem mesmo a situação hipotética de uma mulher sem roupas justificaria o caso. Mas parece que uma mulher em um vestido insinuante provoca mais fúria e indignação que a nudez. O vestido rosa seria o sinal da imoralidade feminina, ao passo que a nudez denunciaria a loucura. A verdade é que não há nem imoralidade, nem loucura. Há simplesmente uma sociedade desigual e que acredita disciplinar os corpos femininos pela violência. Nem que seja pela humilhação e pela vergonha de um vestido rosa.

*Antropóloga, professora da UnB e pesquisadora da Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero 



Artigo de CONTARDO CALLIGARIS, da Folha Ilustrada de hoje:


A turba da Uniban


NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

ccalligari@uol.com.br

Folha de S. Paulo, Ilustrada, São Paulo, quinta-feira, 05 de novembro de 2009

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

40 anos de Carlos Mariguella

VENCESTE CARLOS
 
Se a tarde caiu e não voltaste

Sem consciência do tempo...

Nem percebeste que a morte,

Não significara uma vitória.

Gélido, calado...

Pensavam tornarem-no inofensivo.

Eles são assim!

Só prestam para a repressão

Se continuarem vivos:

Mortos, ficam só, viram pó.

Ouvistes vós uma rememoração sequer;

Uma sequer, dos 40 anos de Fleury?

Nós, voltamos a Alameda

E sentimos o pulsar dos corações

Tangendo lágrimas sinceras

São sentimentos reunidos de várias gerações.

E lá distante, as crianças entram para a escola

E a professora, lembra o dia 4 com poesia!

Fala de Carlos como se fosse o pai,

O avô, um sábio, um santo, um guia...

Em outras partes: exaltados debates,

Trazem de volta o ser conquistador

O comandante da Ação usa a palavra

Na voz de um jovem admirador;

Gritos de viva irrompem das janelas

Venceste, Carlos, a causa do amor.

Em mil lugares teu nome aparece

Em preces, aulas, placas e poesias,

Na ponta longa da amável tristeza

Amarram-se os laços da alegria.

Num tempo estranho

Contamos a tua glória

Neste presente de pobre ideologia

Se em nossas veias teu ânimo corre

Em nossas mentes, vives na utopia.



Ademar Bogo

Parlamentares e ativistas são recebidos pelo Ministro Toffoli



Ontem, no final da tarde, fomos recebidos, juntamente com um grupo de parlamentares, pelo novo ministro do STF, José Antônio Dias Toffoli.

O grupo argumentou com ele que a concessão do asilo político ao italiano é uma questão de soberania nacional já que a Itália, vem pressionando o Brasil de forma diferente da pressão exercida sobre a França quando Cesare esteve asilado por lá.

O senador Eduardo Suplicy relatou que esteve recentemente com ele no presídio da Papuda e que o percebeu muito debilitado. Suplicy comentou que ele não consegue comer mais.

A deputada Janete Capiberibe do PSB do Amapá reforçou o pedido, lembrando que ela e seu marido também foram beneficiados, junto com seus filhos, por outros países onde estiveram exilados, durante a ditadura militar no Brasil.

O voto de Toffoli pode forçar um empate. No dia 09 de setembro, o Ministro Marco Aurélio pediu vista e depois da indicação de Toffoli para o cargo, os ativistas pró-Battisti renovaram as esperanças de que o caso possa ser solucionado positivamente.

Conforme lembrou a deputada Janete, outros refugiados políticos vivendo atualmente no Brasil estão se sentindo inseguros com a repercussão do caso.

A comissão reunida ontem no gabinete do Ministro, pediu a ele que não se abstenha de votar no julgamento do italiano, previsto para o próximo dia 12.

Toffoli, era o Advogado-Geral da União quando o governo brasileiro deu à Cesare Battisti a condição de refugiado.

Ele disse que irá avaliar se votará no caso mas não quis antecipar seu voto ontem.

O deputado Chico Alencar do PSOL do Rio de Janeiro fez referência à história política de Toffoli, dizendo que, ao invés de prejudicá-lo - como disseram os que se opunham à sua indicação para o STF - ela depõe positivamente em favor dele, já que com essa experiência ele pode ter mais sensibilidade para resolver a questão.

Toffoli afirmou ainda que ira receber também qualquer autoridade do governo italiano a favor da extradição.
Além dele e do Ministro Marco Aurélio, falta o voto do Ministro Gilmar Mendes, o presidente do Supremo.

Se votar, Toffoli poderá definir ou não a situação de Battisti.

Em caso de empate, a questão pode ser resolvida de duas formas: ou convoca-se um Ministro do Superior Tribunal de Justiça para desempatar ou adota-se o mesmo procedimento de julgamentos de Habeas Corpus, quando, em caso de empate, o réu é beneficiado.

1ª Conferência Nacional de Comunicação no ar!

Finalmente o governo publicou o site da Conferência.

A comunicação avança para novos tempos.
 Participem!
Essa é uma conquista de toda a sociedade brasileira!

Sem palavras

Essa história da Geysi Arruda, a universitária que foi xingada e escoltada pela polícia para fora da faculdade por estar com um vestido curto é tão... inaceitável.

Fico lendo as últimas notícias, com declarações de colegas que, ainda que reconheçam o "exagero" acham que ela estava "errada em se vestir daquela forma". Que país é esse?

Se no Brasil, terra das bundas ao sol, acontece um fenômeno desses, que chances temos de reduzir a violência de gênero em países em que essa prática é mais radical e tem sustentação em argumentos políticos, religiosos ou até mesmo legais? Se o Brasil hostiliza publicamente uma minissaia, que argumentos temos para combater as violações de direitos em outros países?

A manifestação coletiva dos alunos, divulgada em vídeos pela internet é uma das cenas mais animalescas que tive o desprazer de assistir nos últimos tempos. E mesmo assim, ainda há gente, estudantes universitários (ou produtos do "mundo acadêmico") que acreditam que ela "provocou a situação".

Simplesmente não encontro mais palavras para isso. A cada nova informação sobre o caso, fico mais chocada. Existe limite para a perversidade humana?

Terça-feira, Novembro 03, 2009

CASO BATTISTI - MINISTRO TOFFOLI RECEBE COMISSAO HOJE

Hoje o Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti será recebido pelo Ministro Toffoli em seu gabinete no STF. Parlamentares e representantes dos movimentos sociais e de direitos humanos também estarão presentes.


Para saber um pouco mais sobre o caso, leia abaixo.




Tribuna da Imprensa
Sexta-Feira, 30.10.2009


BATTISTI NÃO PODE SER EXTRADITADO PELO SUPREMO, A COMPETÊNCIA EXCLUSIVA É DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
 


 Por HÉLIO FERNANDES




“Prezado Jornalista Hélio Fernandes:

Como manifestei por telefone à época, considero que o senhor foi quem melhor tratou do julgamento da questão epigrafada no STF.

Diante do seu artigo, resolvi aprofundar o estudo da decisão do Mandado de Segurança 27.875.

Assim, segue, em anexo, o artigo “Teria o Supremo Competência para julgar originalmente Ministro de Estado?”.

Desta forma, considero que, diante da “confusão geral” como bem disse o senhor em seu artigo, poderia ser uma oportunidade para o STF rever detalhes processuais e constitucionais do caso, antes do seu desfecho.

O Arrigo foi publicado também no sítio eletrônico Migalhas.

Um forte abraço,

Jorge Rubem Folena de Oliveira

***

Teria o STF competência originária para julgar Ministro de Estado?

O STF tem competência para julgar mandado de segurança contra atos do Presidente da República (art. 102, I, alínea “d”, da CF – clique aqui).

Todavia, essa previsão constitucional de competência não foi observada no julgamento do MS 27.875 (clique aqui), impetrado pela República da Itália contra ato do Ministro da Justiça (e não do Presidente da República), no processo administrativo 08000.011373/2008-83.

A CF, na hipótese, dispõe que a competência para processar e julgar os mandados de segurança contra atos de Ministro de Estado é do STJ (art. 105, I, alínea “b”).

Além disso, o mandado de segurança é um instrumento para assegurar direitos e garantias dos cidadãos, de forma individual ou coletiva (art. 5º, caput e inciso LXIX e LXX), e não de Estados estrangeiros, que dispõem de outros instrumentos para questionar atos de governos de países soberanos, no âmbito internacional.

O Estado estrangeiro tem assegurado na CF o direito de requerer a extradição de seu nacional, no STF (art. 102, I, alínea “g”), não sendo a República Federativa do Brasil obrigada a aceitar o pedido.

O STF informou, em seu sítio eletrônico, a seguinte decisão para o MS 28.875 e a Extradição 1.085:

“O Tribunal, por maioria, julgou prejudicado o pedido de mandado de segurança, por reconhecer nos autos da extradição a ilegalidade do ato de concessão de status de refugiado concedido pelo Ministro de Estado da Justiça ao extraditando.”

Ou seja, o ato do Ministro da Justiça foi considerado ilegal pelo STF nos autos da extradição, e não no mandado de segurança impetrado pela República da Itália, que foi julgado prejudicado.

Porém, de forma surpreendente, o STF ainda não concluiu o julgamento do pedido de Extradição 1.085 (clique aqui), que foi suspenso por pedido de vista do Min. Marco Aurélio. Como pode, então, o ato de um Ministro de Estado ser declarado ilegal num processo de extradição ainda não concluído?

Ora, se a CF diz que cabe originariamente ao STJ julgar atos de Ministros de Estado, o Supremo suprimiu instância ao julgar o ato do Ministro da Justiça, não no mandado de segurança em referência, mas nos autos da extradição.

Desta forma, o MS 27.875 deveria ter sido encaminhado primeiro ao STJ, para processamento e julgamento da legalidade do ato do Ministro da Justiça, e somente depois é que poderia ser julgado pelo STF o pedido de Extradição, sob pena de nulidade processual, por se tratar de competência absoluta.

Jorge Rubem Folena de Oliveira
Presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional do Instituto
dos Advogados Brasileiros (IAB)



***

Comentário de Helio Fernandes:

Acompanhei o julgamento durante horas. Nenhuma anotação, mas quando cada Ministro acabava, eu já tinha noção do que escreveria. O que nem era muito difícil de fazer, pois como tinha convicção formada sobre esse assunto extradição, concordava com os que negavam, discordava dos que concediam a absurda e altamente questionável exigência do governo da Itália.

Sendo o último a votar (Celso de Mello, o mais antigo, não estava presente) Marco Aurélio pediu vista, praticamente adiantando seu voto. Ele mesmo “lamentou” que fosse votar sem poder modificar o resultado. Já perdia por 5 a 3, o máximo que poderia conseguir, com a transferência, seria o de mudar algum voto, um seria o suficiente.

Agora, Marco Aurélio levará seu voto no dia 4, quarta-feira. O Supremo não pode determinar EXTRADIÇÃO, isso é competência exclusiva do presidente da República, seja quem for.

Qualquer país pode pedir a extradição, mas não pode EXIGI-LA. Que é o que está fazendo a Itália e logo de Berlusconi. 8 anos de atraso, querendo nos impor a humilhação de não ter pedido EXTRADIÇÃO à França, (onde esteve Battisti por vários anos), mas agora insistindo na concessão sem consideração. Estão colocando em jogo a inutilidade do Mandado de Segurança e a total independência do Estado brasileiro.

Nem se trata de saber quem é Battisti, embora alguns pareçam ter total intimidade com seu passado e sua atuação sempre chamada de terrorismo. Pode até ser. Mas é preciso não esquecer, que o terrorismo de quem está fora do Poder é sempre mais positivo e defensável, do que os terroristas que torturam nos subterrâneos do Poder que “conquistaram”. Ou do qual se apoderaram ou se apossaram com a força que nem era deles.

O que interessa é o orgulho nacional, é a revolta contra países que consideram que não devem “pedir extradição à França”, mas contra o Brasil, tem que ser imediatamente.

De qualquer maneira, pela Constituição, (as autênticas e as que só têm aspas) a Política externa é conduzida de forma privativa pelo Presidente da República, é ele que coordena, conduz e consolida Tratados.

Nessa exclusividade ou privacidade do presidente, está a de conceder ou negar extradição. Não conheço e jamais irei conhecer Battisti, mas ele ficará no Brasil.

Sábado, Outubro 31, 2009

Reunião Extraordinária da CPC-DF

 Terça, 03 de novembro, na Fenajufe às 19h
 
Reunião EXTRAORDINÁRIA para discuitir
REGIMENTO da Confecom DF.
 
Auditório FENAJUFE – SCS Quadra 01 Bloco “C” Edifício Antônio Venâncio da Silva 14º Andar. Telefone: 33237061

DISCURSO DO MINISTRO DE RELAÇÕES EXTERIORES DE CUBA

DISCURSO DO MINISTRO DE RELAÇÕES EXTERIORES DE CUBA, BRUNO RODRÍGUEZ PARRILLA NA ASSEMBLÉIA GERAL DA ONU, SOBRE O TEMA "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelo Estados Unidos contra Cuba
(NOVA YORK, 28 DE OUTUBRO DE 2009) .


Senhor Presidente, senhores Representantes Permanentes e Delegados:


Alexis Garcia Iribar nasceu em Cuba, na província de Guantánamo, com uma doença cardíaca congênita. Já com 6 anos de idade, depois de sucessivos adiamentos e de complicações, teve que ser operado em 9 de março de 2009, com o coração aberto, porque o governo dos Estados Unidos proíbe que as empresas NUMED, AGA e Boston Scientific vender a Cuba os dispositivos Amplatzer e Embolização Coil para o cateterismo pediátrico que substitui a cirurgia. Eu poderia citar outros 12 casos, com idades entre 5 meses e 13 anos, todos tratados com um procedimento semelhante há um ano e meio, e dois deles em 20 de janeiro.

As crianças cubanas que sofrem de leucemia linfoblástica e rejeitam a medicação padrão não podem ser tratadas com o produto norte-americano "Elspar" criado especificamente para os casos de intolerância. Como resultado, sua expectativa de vida é reduzida e aumenta o seu sofrimento. O governo dos E.U.A. proíbe a empresa Merck and Co. fornecimento para Cuba.

Não é possível adquirir um equipamento analisador de genes, essenciais para o estudo da origem do câncer de mama, cólon e próstata, produzido pela Applied Biosystems (ABI).


Lactalis USA, um fornecedor de produtos lácteos, foi multado em 20 mil dólares pelo governo Eestadunidense.


Desde a eleição do presidente Obama, não houve nenhuma alteração na aplicação do bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba. Permanece intacto.


O bloqueio continua a ser uma política absurda que provoca escassez e sofrimento. É uma violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos. Na Convenção de Genebra de 1948, é definido como um ato de genocídio. É eticamente inaceitável.


O bloqueio é um ato arrogante e ignorante. Recentemente, o governo norte-americano impediu a Orquestra filarmônica de Nova York de se apresentar em Cuba. Artistas cubanos não podem receber remuneração por suas apresentações ao público norte-americano. Como a criação artística pode ser considerada um crime?


A Microsoft bloqueou o acesso ao Windows Live para Cuba, porque, segundo se lê ao abrir a ferramenta, assim é "para os usuários em países sob embargo dos E.U.A.” O mesmo se aplica as páginas da Web "Cisco Systems", "SolidWorks" e "Symantec".


O bloqueio restringe a banda larga e a conectividade em Cuba. Se proíbe nossa conexão aos cabos submarinos de fibra óptica que passam ao longo das nossas costas.


Por que o governo E.U.A. impede o livre fluxo de informações e o acesso às novas tecnologias?


Mas essas proibições, desumanas e inapropriadas nesta época, não se aplicam apenas a Cuba, mas também a todos os países que vocês representam.


Philips Medical descumpriu o fornecimento de peças sobressalentes para equipamentos médicos comprados no valor de $ 72,7 milhões, instalados em Cuba e na Venezuela. Ela também foi multada em duzentos mil dólares. É uma empresa da Holanda a que o governo estadunidense aplica, extraterritorial, o bloqueio.


Hitachi diz que não pode vender a Cuba um microscópio eletrônico de transmissão, que é essencial em estudos de anatomia patológica, e a Toshiba diz o mesmo sobre uma câmara-gama, equipamentos de ressonância magnética e ultra-som de alta precisão. Estas são as empresas no Japão em que os Estados Unidos aplicam o bloqueio.


À Sensient Flavors, do setor de alimentos, o governo E.U.A. exportar para Cuba, mas é uma filial registrada e com sede no Canadá.


A Siemens, empresa alemã, nos recusou a vender um transformador de 125 MVA, segundo eles, porque tem "a obrigação de seguir algumas regras dos Estados Unidos". Sua subsidiária, com sede na Dinamarca, não poderia fornecer equipamentos para uma fábrica de cimento em Cuba sob proibição E.U.A.


Na Austrália e Nova Zelândia Bank Group (ANZ), com sede na Austrália, recebeu uma multa milionária por fazer negócios com Cuba.


Para 1941 os navios atracados em Cuba, entre julho de 2008 e 2009, foram proibidos de entrar em portos norte-americanos por cento e oitenta dias.


No Relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas, incluindo o que foi apresentado por Cuba, existem muitos outros exemplos.


Os representantes E.U.A. estão mentindo quando dizem que o bloqueio é uma questão bilateral. A aplicação extraterritorial das leis do bloqueio, como o "Helms-Burton" e "Torricelli" contra os Estados representados aqui, é uma violação grave do direito internacional, à Carta das Nações Unidas, à liberdade de comércio e navegação. No último período, as medidas do bloqueio foram aplicadas contra, pelo menos, 56 países. Assim, cabe à Assembléia Geral lidar com esta questão.


76% dos norte-americanos, de acordo com pesquisas recentes das instituições deste país, se opõe ao embargo. Ignorar a vontade de mudar e manter o bloqueio é antidemocrático.


Em tempos de desemprego e crise econômica, os empresários norte-americanos têm proibido o mercado cubano. Eles são proibidos de investir em Cuba. Companhias do mundo não têm concorrência norte-americana em Cuba, porque o governo E.U.A. proíbe.

 
O que teria de errado que os norte-americanos tenham acesso a produtos cubanos? A quem iria prejudicar abrir novos postos de trabalho nos portos dos E.U.A. como resultado do desenvolvimento das relações comerciais normais entre os dois países? Porque os norte-americanos não podem ter acesso aos medicamentos cubanos de última geração para o câncer ou diabetes, e as tecnologias para produzi-los, disponível apenas em Cuba? Por que a empresa Bacardi, que pagou o lobby da Lei Helms-Burton, evita a concorrência e força os norte-americanos a comprar mais caro, uma imitação pobre de rum cubano? Por que um charuto deve ser inatingível e exótico neste país?

O presidente dos Estados Unidos pareceu preso ao passado, quando em 11 de setembro prorrogado por mais um ano o bloqueio baseando-se "no interesse nacional dos Estados Unidos" e com base na Lei de Comércio com o Inimigo de 1917, que se aplica apenas em situações de guerra, e vigente unicamente contra Cuba.


Nenhuma pessoa séria pode argumentar que Cuba é uma ameaça à segurança nacional da única superpotência. Toda a nossa força é a do direito, da verdade e da razão. Parar a inclusão espúria de Cuba na lista de suspeitas de Estados patrocinadores do terrorismo, que é o suporte de algumas medidas do bloqueio e conceder a liberdade aos Cinco Heróis antiterroristas presos injustamente nesse país.


Cuba abriu seu espaço aéreo e aeroportos em 11 de setembro de 2001, de modo que qualquer aeronave estadunidense tinha um lugar para pousar, e ofereceu desde plasma e pessoal de saúde, e em seguida antibióticos e equipamentos contra o antraz, e voltou a fazer uma generosa oferta de médicos quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans.


Cuba é o país hospitaleiro que convida os norte-americanos a visitá-la, chama à cooperação intelectual, acadêmica, científica e ao rico debate, chama seus artistas para construir pontes e as empresas norte-americanas ao comércio e ao investimento.


Senhor Presidente:
Nós todos aplaudimos, alguns dias atrás, quando o presidente Obama disse nesta tribuna: "O direito internacional não é uma promessa vazia (...) Nenhum país pode dominar outras nações."


Não é nem pode ser aceitável para a comunidade internacional que aqueles que governam em Washington sentem-se com a autoridade para aplicar medidas econômicas coercitivas e leis extraterritoriais, contra Estados soberanos.


O presidente Obama tem a oportunidade histórica de liderar a mudança na política para Cuba e para a eliminação do bloqueio. Ele ainda tem os poderes de execução que lhe permitem, agora e por si próprio, alterar o pedido do bloqueio mediante "licenças gerais”, isenções ou dispensas, exceções por razões humanitárias ou de interesse nacional, mesmo sem que fossem mudadas as leis que estabelecem proibições.


Quem se opôe, e desafia com razão o egoísmo e a insensibilidade da direita conservadora, como o presidente Obama fez no Congresso, porque "... um homem de Illinois perdeu sua cobertura (seguros) no meio de quimioterapia ... e morreu por causa dela não podia, sem violar a uma ética elemental, impedir que as crianças cubanas que sofrem de câncer ou doença cardíaca, recebam medicamentos e equipamentos médicos.


O bloqueio de Cuba é também, usando as palavras do senador Edward Kennedy sobre a reforma da saúde, "uma questão moral" que põe a prova testes de "caráter" dos Estados Unidos da América.


Senhor Presidente:
É verdade que Cuba adquire grandes volumes de produção agrícola nos Estados Unidos. No entanto, os representantes dos E.U.A. mentem quando dizem que esse país é um parceiro comercial de Cuba e silenciam que essas operações violam as normas do sistema de comércio internacional, com pagamentos em dinheiro e antecipadamente, sem acesso ao crédito privado pela proibição do transporte de cargas em embarcações cubanas, com procedimentos caros e discriminatórios e que enfrentam constantes manobras para apreender a carga. Ele não pode ser chamado de operações de comércio sem a menor reciprocidade para Cuba exportar seus produtos para os Estados Unidos. Um país que bloqueia outro país não pode ser um parceiro de negócios.


É uma vergonha que os representantes do governo dos E.U.A. Mintam ao dizer que este país é o maior doador de ajuda humanitária a Cuba. Os dados utilizados são falsos. Misturam, em números fantasiosos e maliciosos, a quantidade de supostas licenças e operações que não produzem, e que ocorrem com a ajuda de exilados cubanos que vivem aqui, enviadas por seus próprios esforços, de suas famílias. Sucessivas administrações dos E.U.A. têm perseguido e assediado ONGs que enviam ajuda humanitária a Cuba e, como resultado, a metade deles pararam.


Nem mesmo um ano atrás, quando Cuba foi devastada por três furacões que causaram perdas equivalentes a 20% do nosso PIB, a administração Bush respondeu ao nosso pedido para que as empresas dos E.U.A., excepcionalmente, nos vendessem materiais de construção, telhados e empréstimos privados.


Senhor Presidente:
Os delegados dos Estados Unidos, em várias reuniões, indicaram as medidas tomadas pelo seu governo para eliminar as restrições mais brutais que aplicou George W. Bush às viagens dos emigrantes cubanos e o envio de ajuda aos seus familiares, bem como a retomada das conversações bilaterais sobre a migração e a mala direta.


Essas ações são positivas, mas extremamente limitadas e insuficientes. A realidade é que nem mesmo voltou à situação que prevaleceu até o início de 2004, quando a América do Norte permitiu um certo nível de intercâmbio acadêmico, cultural, científico, desportivo com homólogos cubanos, que continuam proibidos.


Algumas propostas vagas na área de telecomunicações são simplesmente inaplicáveis, enquanto não forem eliminadas algumas das restrições em vigor e pôr fim à prática de roubar fundos cubanos das operações no campo, congelados em bancos norte-americanos, na implementação das decisões de juízes venais que violam suas próprias leis.


Ao restaurar o direito dos residentes de origem cubana de viajar para a ilha , resulta ainda mais absurdo a proibição de norte-americanos viajarem a Cuba, o único lugar vetado a eles em todo o planeta. Os cidadãos norte-americanos que pagam impostos não têm a liberdade de viajar à Cuba, apesar da Constituição estadunidense supostamente garanti-lo. Os norte-americanos não têm direito de receber informações em primeira mão sobre Cuba.

TRADUÇÃO: DANIEL OLIVEIRA (PCB/MG)

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Parabéns internet!

SAN FRANCISCO, EUA — Há 40 anos, Leonard Kleinrock estava longe de imaginar que fenômenos sociais planetários como Facebook, Twitter ou Youtube nasceriam a partir do invento que acabava de criar junto com sua equipe: a internet.

"Nos surpreendemos constantemente com as aplicações que surgem", contou à AFP, enquanto se preparava para soprar nesta quinta-feira, junto a outros colegas, as 40 velinhas de seu "bebê", na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

"É uma adolescente agora", celebrou. "Ainda há um longo caminho a percorrer. Comporta-se de forma imprevisível, mas deu muitas satisfações a seus pais e comunidade".

No dia 29 de outubro de 1969, o professor Kleinrock estava à frente da equipe que conseguiu, pela primeira vez, fazer "falar" um computador da UCLA com o de um instituto de pesquisa.

Estava guiado pela certeza de que os computadores estavam destinados a comunicar-se entre si e que a rede que surgiria deveria ser tão simples de utilizar como um telefone.

O professor chegou a escrever sua ideia em 1962, num texto universitário que logo publicou.

Kleinrock está convencido de que ainda falta muito para se ver na internet.

"A próxima etapa é fazê-la entrar no mundo real", imagina. A "Internet estará presente em todas as partes. Vou entrar numa casa que saberá que estou lá. Vai falar comigo".

NASSIF

A palestra com o Nassif foi a melhor até agora. Especialmente porque, conhecendo-o de perto, vi o quanto ele é acessível e absolutamente humilde em ouvir a todos e refletir sobre cada opinião, mesmo que pareça confusa ou excessivamente leiga. Vou postar a foto em breve (esqueci minha câmera).

O mais interessante, já para adiantar, é que concordamos que o grande desafio agora da blogosfera é conseguir fazer jornalismo tentando distinguir das colunas de opinião em que se tornaram a maioria dos grandes jornais. Uma forma sugerida pelos três (Paulo Henrique Amorim, Azenha e Nassif) seria uma espécie de agência em que jornalistas fariam o trabalho de captação das notícias de forma colaborativa.

Aliás, esse é o grande medo agora dos jornais. Algumas redações já estão proibindo seus funcionários a manterem blogs ou pertencerem à redes sociais como o twitter.

Se o jornal impresso vai acabar, eu ainda não sei. Mas que o jornalismo vive um momento inédito do qual ninguém pode prever o resultado, isso todo mundo concorda. É uma nova era que, dentre outras coisas, chama à reflexão sobre o papel da profissão, o jornalista como um prestador de serviço.

Uma coisa é certa. Muito em breve não haverá espaço para notícia falaciosa. Já que no mesmo momento em que ela for publicada (como aliás, já acontece só que em escala ainda tímida), logo uma avalanche de twitters, posts e afins irão invandir a mídia, atingindo em cheio a opinião pública.

É esperar pra ver.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Cinema - Memória viva

Encontrei no oráculo da vida moderna o seguinte curta produzido pelo Glauber Rocha.
Só posso dizer que amo o cinema por isso.

Desinformação

Quero citar dois exemplos de como a TV pode prestar um desserviço quando seus apresentadores ou "jornalistas" resolvem dar opinião sobre coisas sobre as quais eles absolutamente desconhecem.

Há alguns dias, estava zapeando pelos canais quando vi uma reportagem no programa da Ana Maria Braga que acompanhava as enchentes em SP. Em dado momento, depois da repórter mostrar e entrevistar alguns desabrigados, a apresentadora iniciou um discurso mais ou menos assim: "gente, eu sei que é difícil, mas quando a Defesa Civil chegar na sua casa, não fica, muda daí, sai porque a casa pode cair". Olha, me desculpem os que acham que isso é informação relevante à ser oferecida na TV, mas essa senhora não tem a menor idéia do que é uma favela. Ela deve estar pensando que é uma meia dúzia de barracos. Ou então, quem sabe, pretende oferecer o quintal de sua bela casa para abrigar as milhares de famílias que vivem em situação de risco eminente.

Claro que não quero com isso desqualificar o trabalho da Defesa Civil. Aliás, já fui voluntária da mesma na região serrana carioca. A questão é: além de alertar a população para que saia do local, num trabalho de "apoio" à atividade da defesa civil, não deveria uma apresentadora com o alcance que tem essa sujeita na Globo todas as manhãs, ouvir os responsáveis por essas calamidades que ficam por aqui em Brasília fingindo que o problema não é deles? O caos ambiental, urbano e econômico que provoca essa calamidade é de responsabilidade de todos sim. Mas numa situação como essa, é urgente que o Estado se manifeste e rapidamente apresente soluções já que ninguém pede para morar assim, muito menos pra perder tudo desta forma. Dizer isso é desconhecer o problema. O dia que a Ana Maria Braga subir o morro, pra conduzir seu programa lá de cima e não de dentro do seu confortável estúdio no Projac, começarei a acreditar que ela pretende querer enxergar o público para o qual ela fala todos os dias de manhã.

Aí hoje, qual não foi minha surpresa assistindo o Jornal da Record pela manhã. Não me lembro o nome da âncora mas a reportagem era sobre a rebelião no presídio de menores, da Fundação Casa de SP. Quando a câmera volta para a âncora na bancada, aliás, âncoras porque eram duas antas à conduzirem o jornal. Uma começa a comentar com a outra, à despeito das declarações de promotores e familiares dos menores. Esses últimos, reclamavam da falta de cuidados, dos abusos, de relatos de que os meninos apanham durante a noite, têm seus pertences como sabonetes e roupas retirados acintosamente pelos agentes.O representante do MP, falava sobre as investigações que pretendem apurar os acontecimentos e identificar e punir os responsáveis.

As antas, em seguida, começaram a comentar entre si "quem irá pagar os colchões que eles queimaram",  "mas e os objetos que eles quebraram dentro da cadeia"? Pois vou fazer o favor de responder às moçoilas: vocês! Nós, iremos pagar!!! E sabe porque? Porque é isso que está na Constituição!! Vocês podem, de repente, sugerir que a Carta Magna seja rasgada e aí sim vocês propõem outra solução, mas até lá, esse é o formato de "higienização social" que a sociedade brasileira escolheu, tá entendendo? Ao invés de falar sobre o que não sabem, porque essas "jornalistas" também não chamam à bancada os representantes do Estado, cujo abandono produz essas crianças? Sim, porque é de uma insensibilidade nazista, creditar à mães, ou às famílias, a culpa pela ausência de políticas públicas que incham o sistema penitenciário e não dá alternativas aos meninos. Fora o ECA que é desconsiderado pelo poder público e não garante aos menores os mínimos direitos.

Sugiro voltarem para a sala de aula, para aprender o que é jornalismo e o que é coluna de opinião. Mas se quiserem mesmo ser "palpiteiras", ao invés de jornalistas, antes de culpar os meninos pelo que eles se tornaram, recomendo que leiam o livro do Falcão ou outros do gênero (existe uma vasta literatura sobre o tema). Quanto à Ana Maria, bem essa não tem jeito mesmo.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Não resisti: Técnicas infalíveis para dar prazer a uma mulher

Técnica nº 1: Mãos Molhadas
Faça sua parceira sentar-se numa cadeira confortável na cozinha. Certifique-se de que ela consiga ver muito bem tudo que você faz. Encha a pia da cozinha com água e adicione algumas gotas de detergente aromatizado para louça. Segurando uma esponja macia, submerja as mãos na água e sinta sua pele ser envolvida pelo líquido até que a esponja esteja bem molhada…
Agora, movendo-se devagar e gentilmente, pegue um prato sujo do jantar, coloque-o dentro da pia e esfregue a esponja em toda a superfície. Vá esfregando com movimentos circulares até que o prato esteja limpo. Enxágüe-o com água limpa e coloque-o para secar. Repita com toda a louça do jantar, até sua parceira ficar gemendo de prazer.

Técnica nº 2: Vibrando pela Sala
É um pouco mais difícil do que a primeira, mas, com algum treino, você fará sua parceira gritar de prazer. Cuidadosamente, apanhe o aspirador de pó no lugar onde ele fica guardado. Seja gentil, demonstre a ela que sabe o que está fazendo.
Ligue-o na tomada, aperte os botões certos na ordem correta. Vagarosamente, vá movendo-se para frente e para trás, para frente e para trás… por todo o carpete da sala. Você saberá quando deve passar para uma nova área. Vá mudando gradativamente de lugar. Repita quantas vezes for necessário, até atingir os resultados buscados.

Técnica n° 3: Camiseta Molhada
Este joguinho é bem fácil, embora você precise de mente rápida e reflexos certeiros. Se for capaz de administrar corretamente a agitação e a vibração do processo, sua parceira falará de sua perfomance a todas as amigas dela. Você precisará apenas de duas pilhas: uma pilha com as roupas brancas, outra com as coloridas. Encha a máquina de lavar com água e vá derramando gentilmente o sabão em pó dentro dela (para deixar a mulher ofegante, use exatamente a quantidade que o fabricante recomenda).
Agora, sensualmente, coloque as roupas brancas na máquina… uma de cada vez…. devagar. Feche a tampa e ligue o ‘ciclo completo’. Sua companheira ficará extasiada. Ao fim do ciclo, retire as roupas da máquina e estenda-as para secar. Repita a operação com as roupas coloridas…


Técnica nº 4: O que sobe, desce
Esta é uma técnica muito rapidinha, para aqueles momentos em que você quer surpreendê-la com um toque de satisfação e felicidade. Pode ter certeza, ela não vai resistir. Ao ir ao banheiro, levante o assento do vaso. Ao terminar, abaixe-o novamente. Faça isso todas as vezes. Ela vai precisar de atendimento médico de tanto prazer.

A autoria é desconhecida.

A-do-rei.

Copiei do Diário de um Juiz.

O embuste do Noroeste




Acesse também o site do Santuário dos Pajés

Do Conversa Afiada - por PHA

Mulher de Gilmar vai trabalhar com advogado de Dantas. É a Grande Família !

A colonista Mônica Bergamo informa na Folha de hoje que a mulher de Gilmar Dantas vai trabalhar como “gestora na área jurídica (?) do escritório do advogado Sergio Bermudes, do Rio.”

A colonista Mônica Bergamo é excepcionalmente diligente e bem informada, até certo ponto.

Por exemplo.

Tão bem informada, ela se esquece de informar que Sergio Bermudes é um dos notáveis advogados dos 1001 advogados da milícia judicial de Daniel Dantas.

Ou seja, a mulher do juiz que, deu em 48hs, dois HC´s a Daniel Dantas vai trabalhar com o advogado de Dantas.

Viva o Brasil !

Paulo Henrique Amorim

Bando de sem noção!

Eu vou postar aqui (num update posterior porque esqueci minha câmera hoje), uma vaga para deficientes que fica em frente ao Café com Letras, local onde também trabalho. Sempre fotografo uns flagrantes por ali.

É impressionante a falta de consideração das pessoas em ver que a vaga com a logo específica para deficientes, é maior porque as pessoas que precisam de acessibilidade também precisam de espaço para se locomoverem. Ou seja, no inferno que está Brasília com a falta de estacionamentos, não só é comum ver carros de pessoas que não precisam, ocupando essa única vaga que existe ali, como sempre tem gente que aperta a mesma no cantinho, deixando apenas um espaço à esquerda, próximo à calçada, que de nada adianta se, por exemplo, a pessoa quiser sair com uma cadeira de rodas.

Puxa vida, fico indignada!! Bando de manés! Se vc não possui deficiência alguma, não vai se importar de caminhar um pouco parando seu carro mais à frente (ou mesmo dentro das quadras). Não bastam as filas duplas, a falta de educação no trânsito... E ainda tem gente que responde com o famoso: "é só um minutinho". Só que para essas, tem todas as outras opções de vagas no estacionamento. Para quem tem deficiência, só existe aquela. Aliás, o mesmo vale para banheiros públicos. Tá apertado? Espere pelas outras portas porque se chegar algum cadeirante, pode apostar, ele vai estar muito mais "apertado" que você.

Acho que amanhã posto aqui mesmo nesse post as fotos. Sinceramente? Fico com vergonha por quem faz isso quando vejo essas coisas.

Recomendo a leitura abaixo para quem não sabe do que estou falando:

Matéria do Jornal da Tarde com Mara Gabrilli, vereadora em SP.

:(



Todo ano tento ir mas não consigo. Esse ano, de novo, estarei amarrada aqui no trabalho. Mesmo assim, recomendo. Quem puder ir à SP, acesse o site. Ano que vem não vou perder.

Um exemplo de superação de vida

Do Diário do Amapá




Alguns já tinham conhecimento, mas até que a tradicional revista “Claudia” deste mês chegasse às bancas, a aguerrida deputada federal Fátima Pelaes (PMDB – AP), hoje no seu quarto mandato parlamentar, jamais havia assumido, de público, o primeiro – e mais marcante– episódio da sua vida.
Inicialmente, por entender que o fato, além de ser uma história pessoal, envolvia outras pessoas. Mas com a sanção da lei 11.942/2009, de sua autoria, que garante atendimento aos filhos das detentas no próprio presídio, e procurada pela mídia nacional, a deputada avaliou que seria a hora de abrir seu coração e tornar pública a sua história.
A mãe de Fátima, Marcionila Pelaes, na época com cinco filhas, cometeu um crime passional ao flagrar o marido na cama com a vizinha. Depois do desatino, jogou querosene sobre o próprio corpo e só não riscou o fósforo e pôs fim à própria vida porque a filha mais velha, então com 14 anos, impediu o gesto tresloucado. Marcionila foi julgada, condenada e presa.
Atrás das grades, foi abusada sexualmente e engravidou de Fátima, que nasceu dentro da penitenciária e lá ficou até três anos de idade, quando a mãe recebeu indulto de Natal. Infância difícil, comida escassa (“pão com café de manhã e mingau de açaí à noite”), Fátima sentiu a navalha na carne e demorou a elaborar. Inicialmente, porque a situação a constrangia e o preconceito a perseguia e, depois, precisou lidar com a raiva por não ter pai. Mas, como ela mesma diz (tomando emprestado verso de Carlos Drummond de Andrade), “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Fátima optou por ser feliz.
 “A vida”, diz Fátima Pelaes, “não é o que acontece com a gente, mas o que a gente faz com o que nos acontece”. E ela começou a fazer. Estudou, formou-se em Sociologia, atuou em movimentos sociais, dirigiu a extinta LBA, casou-se, tem um filho, está no quarto mandato em Brasília e não pretende parar tão cedo.
Mais do que um pungente relato de dor, de falta, de perda e de ausência, a entrevista que se segue é um relato de superação, de sobrevivência e uma inesquecível lição de vida. “A dor nos ensina”, resume a deputada.
 - Por que a senhora demorou tantos anos para tornar pública essa história?
- Não é fácil tirar os fantasmas do armário e exibi-los às visitas. Muitas vezes, é uma dor tão doída que não dá para a gente verbalizar. Ser filha de ex-detenta, ter pai desconhecido, ser fruto de uma relação que não foi propriamente amorosa não é um passado fácil de ser relatado. A gente precisa de tempo, de maturidade, de sabedoria para entender que a vida é repleta de mistérios e surpresas que fogem à nossa compreensão. Mas tudo se dá no tempo do senhor. Lembra a cigarra, que leva tantos anos para se mostrar.
- De cigarras o que todo mundo sabe é que cantam enlouquecedoramente, enquanto as formigas trabalham...
- Verdade. Todos se lembram da fábula de La Fontaine. Mas poucos sabem que a cigarra tem uma gestação de 17 anos, embaixo da terra, para nascer e viver um mês. Trinta dias e já estão mortas... As formiguinhas operárias vivem, em média, sete anos, mas, em compensação, não param um só dia para descansar... E não é fascinante a lagarta, que se transforma na leve e colorida borboleta? A vida de casulo, assim como os 17 anos de gestação das cigarras, não pode ser antecipada. Faz parte do processo.
- A senhora quer dizer que os anos de silêncio sobre esse começo de vida triste foram uma espécie de casulo?
- Sob determinado aspecto, sim. Eu não queria posar de vítima nem tampouco ser acusada de fazer proselitismo sentimental para fins políticos. Talvez, por isso, eu tenha sido cigarra, embaixo da terra tantos anos. Tenha sofrido no casulo e procurei ser formiga, trabalhando dia e noite, sem parar. Eu queria superar, ir além, ser pró-ativa, me engajar em causas sociais, contribuir, transformar.
 - E conseguiu, não foi, deputada?
- Eu consegui provar que de um limão a gente pode fazer uma limonada, adoçar e dividir com o outro. A vida, afinal, é o que a gente faz dela.
- Mas não temos controle sobre tudo o que nos acontece...
- O segredo não é o que acontece com a gente, mas o que a gente faz com o que nos acontece.
- Então, além de bom senso, também é uma questão de sorte?
- A única certeza que eu tenho a respeito da sorte é que ela muda... E que a gente precisa ir em frente, perseverar, não desistir. Sempre há a possibilidade de tropeçar em algo maravilhoso ali na frente. Mas nunca vi ninguém que tivesse tropeçado em algo enquanto estava sentado... Eu não acho que sorte é um presente que cai no colo enquanto você está deitado e inerte. A sorte é uma combinação de trabalho, oportunidade, foco e circunstância.
- Foi essa combinação que a levou à vida pública?
- Eu precisava me engajar em determinadas lutas para  contribuir na superação dos problemas daqueles que, assim como eu, ainda vivem inúmeras dificuldades no seu cotidiano. Aliás, essa história de superação não é minha, é a lição que aprendi com a minha mãe, que a despeito do desatino cometido, pelo qual foi julgada e apenada, teve forças para enfrentar o fortíssimo preconceito e dar uma vida digna às filhas. Eu a amava verdadeiramente. Ela ensinou a todas nós que temos o direito de sonhar e o dever de correr atrás dos nossos sonhos. Minha mãe costumava dizer: “Dois homens olham através das grades da prisão: um vê a lama, o outro vê as estrelas.” Embora fosse analfabeta, minha mãe gostava de repetir Santo Agostinho. Vindo dela, a sentença parecia uma confissão. Mais do que isso: uma filosofia de vida.
- No seu caso, a política foi sorte, sonho ou destino?
- Sinceramente, acho que a política é uma missão, que deve e precisa ser cumprida. Com seriedade e muito amor. Se for presente, é maior do que eu mereço. Mas eu procuro, todos os dias, trabalhar tal uma formiguinha, honrar a confiança das pessoas e os sonhos nos quais acredito. Em 1992, relatei a CPI sobre o extermínio de crianças e adolescentes. Depois dela, obtivemos a garantia legal para que policiais que matassem jovens passassem a ser julgados pela Justiça como qualquer outro réu (e não na Justiça Militar, como era até então). E, o principal: conseguimos tirar das páginas policiais (ou seja, o assassinato de crianças e adolescentes), o que passou a ganhar o espaço das políticas públicas. Em 2001 e 2002, presidi a CPI que investigou a mortalidade materna no país e criei a lei que estendeu a licença-maternidade para a mãe adotiva. Neste ano de 2009 consegui uma grande vitória: em maio virou lei projeto de minha autoria, determinando que os presídios tenham um berçário decente para amamentação e uma creche para que os filhos permaneçam com as mães.  
- Mas essa lei não é polêmica?  É justo confinar crianças em celas?
- Você me pergunta se é justo. Veja bem. Sabe qual é a realidade carcerária do Brasil hoje? Uma vergonha, né? Superlotação, corrupção... Para piorar um quadro, que já é muito ruim, no Brasil não foram construídas penitenciárias femininas. Elas foram adaptadas, e mal adaptadas, para as mulheres. Por outro lado, o Estado permite que detentos recebam visitas íntimas. Qual é a conseqüência natural de intimidade entre casais? Falo de natural no sentido lato da palavra: a gestação é a conseqüência da natureza para o sexo. Ora, em pleno Século XXI, temos crianças “morando” em minúsculas celas e convivendo com várias detentas. O Estado não pode fazer de conta que não vê essas crianças. Então, eu devolvo a pergunta: é justo isso? O que fazer com as mulheres apenadas, hoje com o crescimento de 30%, que não têm com quem deixar seus bebês ou engravidam na prisão? Isso é justo para com os bebês? Não existe nada melhor do que o amor de uma mãe e a possibilidade de viver ao lado dela. O Estado deve garantir vida digna para todos, e para  uma criança pode fazer toda diferença.
- Tudo a ver com a sua história pessoal...
- É verdade. Embora esse pedido tenha sido uma reivindicação do movimento de mulheres do Brasil, Deus me deu a oportunidade de apresentá-lo. Política é uma atividade que a gente só deve conjugar no coletivo e para o coletivo. Mas entendo que a aprovação desse projeto permitiu que eu retribuísse à vida o que a vida fez por mim. Einstein dizia que “existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é pensar que tudo é um milagre”. Talvez fosse essa parte da engrenagem que faltava para eu abrir o coração e contar tudo o que vivi. A vida é um milagre. E agradeço a Deus por esse milagre.  A felicidade vem da maneira como, depois da adversidade, da tragédia, do fracasso, do preconceito, da vergonha, da catástrofe, damos a volta por cima. Eu, hoje mais do que ontem, tenho certeza de que escolhi ser feliz. Tomara que a confissão da minha dor e a minha história de superação possam servir de estímulo àqueles que sofrem neste momento. Meu recado é: não desistam. FÉ E ESPERANÇA!!!!!!

PHA

Paulo Henrique Amorim deu uma palestra à um auditório lotado no IESB ontem. Vão ao ar, essa semana, no noticiário da rádio, as matérias que estou produzindo sobre o Ciclo de Palestras.

Por enquanto, vejam o vídeo do pessoal do Alô Brasília aqui.

Sábado, Outubro 24, 2009

DENÚNCIA PÚBLICA – BLOGUEIRA YOANI SANCHEZ INSTRUMENTO DA MÍDIA GOLPISTA E IMPERIALISTA

A Associação Cultural José Marti de Santa Catarina, vem a público denunciar a campanha midiática levada a cabo pelos grandes meios de comunicação contra a Revolução Cubana, suas conquistas, nestes 50 anos, e, seu povo. O crime cometido por Cuba foi o de se afirmar como nação soberana, auto-determinada e solidária com os povos desta grande humanidade.


Nestes momentos, os meios de “informação” (a expressão mais correta é desinformação) dão páginas e páginas para a blogueira cubana Yoani Sanchez difundir suas mentiras e atacar seu povo e seu país, desde o próprio território cubano.

As mentiras difundidas por ela são as mesmas que há décadas o imperialismo estadunidense e seus aliados e capachos, nos diferentes países e nos grandes meios de desinformação, se utilizam para detratar a realidade cubana e a magnífica obra construída pelos mais de 12 milhões de habitantes da maior das Antilhas.

A primeira mentira que cai por terra se relaciona à liberdade de expressão, visto que esta senhora vive em Cuba e posta as “suas opiniões” (entre aspas por que não são nada originais) desde Cuba.

O bloqueio econômico contra Cuba atinge todas as esferas da vida, inclusive com relação à internet. Mas a blogueira em vez de denunciar este bloqueio criminoso que persiste há quase 50 anos, culpa seu país e seu povo pelas conseqüências, pois ela nutre o sonho de fazer voltar a roda da história, sonha com o seu país como colônia norte—americana, submisso, prostituído, analfabeto, com a máfia dominando a vida social. É um sonho vão, pois o povo cubano trilha seu caminho pelos ideais de seus heróis que tombaram na luta pela independência e pela libertação nacional, pelos ideais de Marti, de Camilo Cienfuegos,
Ernesto Che Guevara e, pelos heróis vivos,em particular Fidel Castro. Homens que construíram e constroem um projeto assentado no ser humano e na humanização da vida.

São imensuráveis as conquistas da Revolução Cubana em todos os aspectos da vida social do seu povo. Uma nação submissa com um povo espezinhado pelo imperialismo no final dos anos 50, se transformou em um exemplo para toda a humanidade de que é possível construir um mundo melhor baseado em valores autenticamente humanos no qual governa a satisfação das necessidades básicas e não as vis leis do mercado que submetem, subjugam, matam e agridem povos e nações inteiras em nome de um desenvolvimento e da riqueza para poucos.

Apesar da falta de recursos e do criminoso bloqueio, Cuba, há muito tempo, é um exemplo na solidariedade aos povos da humanidade. Médicos cubanos estão em quase cem países prestando seus serviços aos mais humildes e necessitados. O povo cubano através de seu governo prestou ajuda humanitária em grandes catástrofes e terremotos, em vários
países. Em Cuba estudam jovens de várias nacionalidades, inclusive brasileiros, que gratuitamente podem ter acesso ao ensino universitário, que por muitas vezes não teriam em seus países.

Somos, eternamente, gratos a Cuba e seu povo, por nos ter brindado com vagas para que jovens de nosso estado e país possam cursar medicina em Cuba. Sonho quase inatingível para quem provém das camadas mais humildes do nosso povo. Somos eternamente gratos a Cuba por ser uma referência, por seu exemplo, por sua obra, por seu povo.

Denunciamos e repudiamos o papel desempenhado pela nossa grande mídia sempre disposta a defender as piores causas, os golpes de estado, as manobras das elites, as agressões aos povos. A mesma grande mídia que hoje transforma em heroína a blogueira Yoani Sanchez. A mesma grande mídia que a cada vitória de um povo latino-americano está na linha de frente para defender os interesses do imperialismo norte-americano.

Assim foi e assim continua sendo, a grande mídia está do lado dos perdedores, está do lado do imperialismo. Com toda certeza os povos derrotarão o imperialismo e a grande mídia continuará a lamentar qualquer vitória popular, continuará a lamentar as vitórias dos povos de El Salvador, Nicarágua, Venezuela, Bolívia, Equador. Continuará a lamentar qualquer avanço no terreno político que nossos conquistem. Cada vez mais lamentarão.

A nós nos resta defender a verdade, o direito dos povos construírem seus rumos com soberania a auto-determinação, zelando pelos valores autenticamente humanos e solidarizando-se com qualquer povo agredido.

Ao final, e estranhamente, agradecemos aos grandes meios de comunicação que tão zelosos em sua vil tarefa de desinformar e transformar bandidos em heróis, nos ensina com seus exemplos como não devemos ser, como não devemos agir. Não deixa de ser um
contra-exemplo.

Cuba continua cada vez mais merecendo e angariando o carinho e a solidariedade dos povos. Cada vez mais se criam, nos cinco continentes, comitês e associações de solidariedade a Cuba que dinamizam as relações, que fazem intercâmbios e troca de experiências. Nossos povos se conhecem mutuamente e crescem os laços de solidariedade.

Reafirmamos nosso compromisso na defesa dos povos, em especial de Cuba e seu povo.

Viva a Revolução Cubana!
Viva Fidel!
Diretoria da ACJM-SC

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

34º Sarau Literatura de Câmara - Países Andinos




Tributo a Mercedes Sosa

O Sarau dos países andinos (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela) será realizado dia 26, segunda-feira às 20h00 no Teatro Garagem do SESC, 913 SUL e contará com a mais completa Seleção de Cantores já levada a um Sarau.

Rogério Midlej, que encantou no Sarau dos Estados Unidos, Nestor Kirjner e Virgínia Studart, que encantaram no Sarau da França e marcando a estréia de Olivar. Apenas canções de Mercedes Sosa.

A mais incrível seleção de escritores: Os VENCEDORES DO Prêmio Nobel de Literatura: Gabriel Garcia Marquez, Pablo Neruda, Gabriele Mistral e os sempre apontados como os melhores do século XX: Jorge Luis Borges da Argentina e Mário Vargas LLosa do Peru.

Desta vez, o público poderá assistir de mesas ou da arquibancada.
As mesas serão disponibilizadas para grupos de 4 pessoas (a mesa, por fazer parte do cenário geral do show, não podem ter lugares vazios, dessa forma,só será entregue a mesa no dia, mesmo com reserva, com a presença dos 4 ocupantes, caso contrário a mesa será oferecida ao outro grupo de pessoas com reserva feita) e a reserva pode ser feita pelos e-mail literaturadecamara@uol.com.br É grátis. 

O coquetel será servido durante a apresentação!
Término impreterivelmente às 22h30.

Brechó dos jornalistas


Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Documento Final da 1ª Conferência Livre de Comunicação da UnB





A 1ª Conferência Nacional de Comunicação foi convocada para dezembro de 2009 após grande mobilização dos movimentos sociais. A etapa Distrital do processo ocorrerá em novembro.

Esses eventos abrem a possibilidade de se pensar os rumos da Comunicação no país. Para contribuir com o debate, o Diretório Central dos Estudantes, Centros Acadêmicos, projetos de extensão e coletivos de comunicação da universidade realizaram a 1ª Conferência Livre de Comunicação da UnB nos dias 24, 25 e 26 de setembro.

A programação se estruturou em cima de três temas principais: Comunicação na Universidade – produção, difusão e interação; Desafios para a democratização da comunicação no Brasil; e Internet e Novas Tecnologias – Transformação e Impactos Sociais. As propostas do evento foram organizadas a partir dos três eixos temáticos definidos em resolução da Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação: Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e Cidadania: Direitos e Deveres.

As propostas prioritárias centrais, que recebem ementas explicativas, e as demais contribuições dos grupos de discussão e plenária podem ser acessados no endereço da Conferência Livre UnB.

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

RESPUESTAS SOCIEDAD CIVIL BRASILEÑAS A CAMPAÑA ANTICUBANA‏

Grupo acusa uso de blogueira cubana numa ofensiva contra a Ilha

O Grupo Parlamentar Brasil-Cuba no Congresso Nacional, formado por mais de 160 parlamentares, entre deputados e senadores, denunciou uma manobra por parte da oposição ao Governo de Luiz Inácio Lula da Silva para retomar os ataques políticos à Ilha. A estratégia, que tem o apoio de parte da mídia brasileira, começou com o convite à blogueira cubana Yoani Sánchez para que venha ao Brasil participar de uma audiência pública no Senado.

Moradora da Ilha, Yoani ganhou projeção mundial na internet pelas críticas feitas no seu blog ao governo cubano. Essa notabilidade levou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), a convidá-la para uma audiência. A Presidência da Casa chegou a encaminhar o convite à Embaixada de Cuba em Brasília.

Nesta terça (20), a coordenadora do Grupo, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), prestou solidariedade ao povo cubano e disse que a manobra em andamento conta com o apoio das revistas Época e Veja que estão veiculando matérias semanais com a blogueira.

O Grupo enviou nota a essas publicações destacando aspectos econômico que não são levados em conta. “Antes da revolução, Cuba vivia uma situação econômica de desastre com 30% de sua população desempregada, o que significava mais de um milhão e 200 mil cubanos em idade laboral sem posto de trabalho, incluídos nove mil professores, em uma população de uns seis milhões de habitantes”, diz a nota.


Destaca ainda que 23% da população era analfabeta e a mortalidade infantil atingia 62,3 por cada mil nascidos vivos, com uma mortalidade materna de 18 para cada 100 mil partos. “Pouco depois de janeiro de 1959, seis mil médicos, praticamente a metade, abandonaram o país”, lembrou.

Passados 50 anos, prossegue a nota, Cuba exibe índices invejáveis aos seus vizinhos da América Latina. “A mortalidade infantil é de 5,3 por cada mil nascidos vivos; a expectativa de vida é de 77 anos. E não há analfabetos no país. O problema foi eliminado em 1961, após uma vigorosa campanha de alfabetização. Hoje o país possui 72.416 médicos, um para cada 155 habitantes e uma escola de formação de profissionais de saúde que é referência no mundo.”

Bloqueio Econômico

Vanessa Grazziotin diz que causou apreensão o fato de a blogueira não citar de maneira critica o bloqueio econômico imposto a Cuba pelos Estados Unidos, apesar das sucessivas condenações aprovadas quase que por unanimidade nas assembléias anuais das Organizações das Nações Unidas (ONU).

“Em nenhum momento a blogueira fala a respeito disso. E também deixa de reconhecer como era Cuba, ou de relatar como era o país antes da revolução e o que vem sendo Cuba após a revolução”, diz a deputada.

Segundo ela, os parlamentares do grupo não querem passar para a população brasileira a impressão de que na Ilha esteja tudo perfeito, mas há um grande esforço governo e do povo daquele país em busca do desenvolvimento “igualitário para que todos tenham moradia digna, trabalho e educação”.

Iram Alfaia
Da Sucursal de Brasília


Novo Manifesto



Você já parou pra pensar em como a reciclagem, por si só, não resolve o problema do impacto ambiental humano sobre o planeta? O "Repair Manifesto" é um movimento criado pelos holandeses da Platform21 que fala sobre as vantagens de investirmos em recuperação das coisas que já temos.

1. Faça seus produtos durarem mais!
Consertar significa a oportunidade de dar a um produto uma segunda vida. Consertar não é anticonsumo: é antidesperdício.

2. As coisas têm que ser projetadas para poderem ser consertadas
Designer de produtos: faça coisas consertáveis. Forneça informações claras sobre como consertar. Consumidor: compre coisas que você sabe que podem ser consertadas, ou descubra por que elas não existem. Seja crítico, faça perguntas.

3. Consertar não é substituir uma peça
Não estamos falando em jogar fora a parte que está quebrada, mas de realmente remendar criativamente.

4. O que não mata engorda
Toda vez que você conserta algo você acrescenta ao seu potencial, à sua história, à sua alma e à sua beleza inerente.

5. Consertar é um desafio criativo
Fazer reparos é bom para a imaginação e ensina a usar novas técnicas, ferramentas e materiais.

6. Conserto não sai de moda
Não se conserta para deixar os produtos na moda. Não há datas de validade para produtos que podem ser reparados.

7. Consertar é descobrir
Ao consertar você descobre coisas incríveis sobre como os objetos funcionam. Ou não funcionam.

8. Conserte – mesmo quando a crise acabar
Se você acha que este manifesto tem a ver com a recessão, esqueça. Não estamos falando de dinheiro, mas de mentalidade.

9. Coisas consertadas são únicas
Mesmo falsificações se tornam originais quando você as conserta.

10. Consertar é ser independente
Não seja um escravo da tecnologia – seja seu mestre.

11. Você pode consertar tudo, mesmo um saco plástico
Mas nós recomendamos arrumar uma sacola que dure mais. E, quando ela estragar, consertá-la.

Pare de reciclar! Comece a consertar!

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Hamdan

Morreu o companheiro Hamdan que lutava por refúgio em terras brasileiras e foi negligenciado pela ACNUR, Cáritas e Governo Brasileiro. O texto abaixo é do Anthar, do Instituto Autonomia, que há dois anos tentam em vão, solucionar o problema do grupo de refugiados palestinos. Hamdan morreu sem conhecer a liberdade.
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 Hamdan Mahmoud Abu-Sitta (1944-2009)
 
 
Morreu na noite de ontem (domingo, 19 de outubro de 2009) o sr. Hamdan Mahmoud Abu-Sitta. Idoso palestino em condição de refúgio no Brasil. Não relatarei as condições de sua morte. Quero sim, lhe prestar uma homenagem. Portanto, falarei sobre Hamdan vivo. Para fazer honras à seu grandioso espírito, me farei falar sob as asas da poesia. Que eu consiga fazer jus a Anthar, filho de Chaddad, nome sob o qual fui batizado. Eu, Anthar, filho de Abubakar, assim honro meu querido amigo Hamdan:

Nascido há 65 anos atrás, época ainda da livre Palestina, Gaza. Casas sobre o vale. Camelas de leite. Um gato manso. Perfume de almíscar. Pequenas palmeiras. Poças d'água deixadas pela chuva que caiu. Um bom dia. Assim, inevitavelmente, a liberdade seria sua marca de nascença - criança Hamdan. Beduíno, inquieto e diligente feito um artesão.

Avante em seu caminho. Bons passos. Firme confiança. Fonte de infindas experiências. Sua terra fora invadida. Obrigação em se livrar do desgosto. Obrigação em se movimentar rumo à sua sorte e fortuna - jovem Hamdan. Lançado a novos chãos. Genuíno acesso a todo mundo árabe. Não foi precisamente nestes chãos que se viram os mais esplêndidos frutos da cultura antiga? Foi preciso também sobreviver. Um olhar além, logo em espírito aguerrido e nutriz. Generosidade, coragem, lealdade, sabedoria.

Também fez o caminho da volta e do agradecimento: Iraque - Hamdan maduro. Dura marcha pelo deserto aonde qualquer palestino futuro, não pode ou não deve retornar. Atado o nó do presente, luta. Com todas as suas forças. Sua vida adquire a qualidade de ser ferramenta avante no caminho da sabedoria insurgente. Necessidade em inferir belos tempos vindouros. Uma vida árdua demais? Não! Se coisas agradáveis virão.

Porém, chega o outono da vida - Hamdan idoso. Guerreiro desejoso por descançar, enfim. A primavera da coragem, o verão da estratégia, o outono. Época de colher os frutos do espírito. A sabedoria atinge seu ápice. Fulgor tropical. No entanto, engano do encontro. A alegria do espírito não alcançada no Brasil. Mesmo assim, ama toda a generosidade e solidariedade do povo brasileiro. Na encosta de sua vida faz novas amizades. Raízes. Porém aéreas. Não é chegada a hora do guerreiro descansar. A vida quer mais. A exuberância é seu motivo. Quanto fôlego ainda tem esse espírito? Impressionante como não se entrega! Assim quis sua natureza.

Então, de súbito, as delicadas mãos do destino se apresentam. Querem acolhê-lo. Ninho dos pássaros. Um último movimento. Um sorriso jubiloso. O último som de suas asas. Hamdan jaz. Um herói sem irmão gêmeo.