"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

domingo, 31 de agosto de 2008

Cartum com Parada Gay

Pirata, Mario Latino, Janaína, Latuff, Oscar e Junior (de costas) em torno da mesa (?)


Acabo de chegar ao Café com Letras, onde trabalho como freelance de vez em quando ou quando a Luiza Livreira me chama. Bom, estive agora há pouco na Feira do Livro, onde rolou a tal "Mesa redonda" entre os cartunistas citados no post anterior. Na verdade, uma Mesa Redonda sem mesa porq estávamos todos sentados em círculo em cadeiras que foram cedidas pela produção da Feira. Com certeza, não consideram essa profissão (chargista) tão glamourosa que merecesse uma sala dentre as inúmeras disponíveis ou uma mesinha que fosse.

Pra completar, enquanto conversávamos, uma Parada Gay passava pela W3 (avenida de Brasília) e o som ao estilo pancadão era tão alto que, mesmo aos berros, era difícil nos entender. Se bem que, nesse caso, o que a gente tava querendo é berrar mesmo. Nem que fosse como forma de protesto pela passeata que passava em frente. Não que tenhamos algo contra a galera, mas, veja bem: um caminhão de som passando em frente à uma feira de literatura, não pode achar que vai provocar grandes adesões, ou ao menos, simpatia dos presentes mas....


Vamos ao assunto literalmente em roda: Pirata, Latuff, Mario Latino e Oscar travaram caloroso debate sobre o papel do cartum e de como as pessoas devem se posicionar diante da massificação cultural que aí está. Pirata ponderava que a despeito de ser importante uma postura mais agressiva, ou incisiva (conforme apontava Latuff), o melhor era que cada um tivesse a consciência de estar fazendo a sua parte. Mario Latino lembrou que, para se mobilizar, é preciso apontar caminhos por onde as pessoas possam ir, ou não se consegue manter por muito tempo qualquer bandeira asteada.

O que pude notar (e posteriormente consegui acrescentar ao papo), foi que no meu entendimento, nenhuma mobilização é possível sem um desenvolvimento, uma "revolução pela educação" (parafreseando Cristovam, só que com outro sentido). Digo isso porque no Brasil é sabido que a ditadura modificou radicalmente os curriculos escolares com a intenção (que se revelou vitoriosa) de "homogenizar" o pensamento da época e das próximas gerações para um entendimento coletivo que fizesse com que as pessoas se furtassem ao direito de exigir qualquer coisa que não fosse unicamente o que estavam lhe oferecendo. Ainda que em toda a América Latina tenham havido ditaduras, somente no Brasil os militares tiveram esse cuidado de modificar e preparar os curriculos escolares para promover de forma tão sistemática o ensino, conforme os moldes institucionalizados que eles queriam.

O que se seguiu foi o que todos já sabemos, vivemos uma história contemporânea onde pouco se questiona.. somos quase um produto da Matrix (como lembrou Latuff depois). Até hoje os educadores tentam reverter o quadro. Por isso mesmo, tenho minhas dúvidas em conseguirmos mobilizar quem quer que seja. O trabalho feito pela mídia hoje é tão sutil que ninguém é capaz de perceber o quanto são manipulados. Pior, para completar, temos as organizações religiosas ajudando hoje a consolidar a lobotomia geral. Então, se você conseguiu passar ileso por escolas e universidades que te ensinam a unicamente "ocupar espaço no mercado de trabalho" ou a "se tornar um executivo bem sucedido" e pais que te estimulam a assistir o Domingão do Faustão, lá na frente você não conseguirá escapar de alguma igreja que te faça ser um conformado e te estimule a rezar e fazer alguma caridade para compensar toda a miséria e injustiça da qual, claro, você não tem a menor responsabilidade.

Bom, ao final, isso foi tudo que conseguimos conversar já que o caminhão da Parada Gay encostou literalmente ao nosso lado e ficou impossível continuarmos. Enquanto rolava o pancadão, convidei a todos para irem ao Café com Letras e lá continuarmos um pouco a conversa, desta vez mais descontraídos... Adorei conhecer o Latuff e o Mario Latino. No Café ainda conversei com a Janaína, jornalista como eu, super inteligente e simpática e, claro, todos combinamos de continuar em contato. Com certeza, ainda há muito que conversarmos...

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