"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Volver a la realidad

Após merecidas férias do mundo "virtual" para viver um pouco do mundo "mui concreto" em meio aos ajustes finais da construção da minha casa, no que deveria ser exclusivamente lua-de-mel (sim, casamos no dia 18, eu e Felipe Castro que também colabora por aqui), volto ao blog decidida a implementar um marco divisório entre a produção deste (como outros blogs, uma espécie de coluna de opinião) e as coberturas jornalísticas que fazemos eu e parte dos que colaboram com o Substantivu Commune.

A partir de agora esse blog perderá alguns de seus artigos que serão transferidos aos poucos para um novo blog de cobertura jornalística. Nele, serão colaboradores apenas jornalistas, por formação ou profissão, mas jornalistas de fato. Os articulistas continuarão por aqui, incluindo eu, claro. E serão aplicadas algumas mudanças no visual, mas sem deixar de manter o link entre este e o novo blog de forma transparente.

O Substantivu Commune nasceu despretensiosamente, apenas para que eu pudesse ter um espaço virtual e, provavelmente eterno (é o que me diz o Google), de registro do que vejo, digo, penso. Aos poucos outros colaboradores passaram por aqui enviando seus textos e alguns permanecem até hoje. Claro que ele tem uma "linha editorial" perceptível para quem se detém por alguns minutos em sua leitura. Tendencioso? Bem, se começarmos a analisar a partir do próprio título do blog, dá pra imaginar algumas coisas, mas não era essa a intenção inicialmente. Claro que tenho uma orientação política, porém, nem sempre ela é exatamente a mesma de outras pessoas que aparecem por aqui. E há tempos que esse espaço deixou de ser só meu.

Com a reformulação, iremos postar também as devidas apresentações dos colaboradores, dizendo quem são e o que fazem e separando seus textos em blocos diferentes para facilitar a busca. Além disso, com toda essa discussão sobre diploma de jornalismo e a especificidade da profissão, decidi por dividir os textos jornalísticos em outro espaço como forma de demonstrar, na prática, a diferença entre opinar e cobrir/apurar/publicar um fato. E, claro, as dificuldades de se manter isento durante esse processo. Outro motivo, é a oportunidade de se consolidar uma equipe jornalística, que possibilite delinear melhor as editorias e assim dividir a tarefa de cobrir assuntos diferentes. Sim, estamos formando uma equipe e virão muitas novidades por aí.

E falando em cobertura, claro que venho acompanhando os noticiários e blogues pelo mundo, mas me abstive de comentários e até da participação efetiva em vários movimentos. Aproveitei as férias laborais para colocar a vida em ordem. Por isso me surpreendi ontem com a triste notícia da morte de Mercedes Sosa.

Pensei nas linhas da vida da gente que se entrelaçam de forma misteriosa. No dia do meu casamento, com a participação de Márcia Veras e do violonista Eustáquio Pereira, a cantora animou a todos fazendo-os se aventurarem ao microfone. Embalados (literalmente, já que casamos na Barca Brasília) pela noite emocionante, entre poucos mas especialíssimos familiares e amigos, alguns de nós nos encorajamos a arriscar a voz. Isso porque vencer Márcia Veras nesse quesito é tarefa impossível. Em meio à brincadeira, acabei cantando "Volver a los 17", música que tem um significado imenso pra mim. Foi tão marcante que um companheiro e padrinho de casamento chegou a dizer que o evento foi um momento imperdível de ver o "homem duro do partido" (leia-se: meu pai), chorando emocionado, não só ele mas todos que estavam na barca. Obviamente não pela minha linda voz, mas pelo significado que essa canção contém, por sua história, pela importância das próprias Violeta Parra e Mercedes Sosa para a história da América Latina (repectivamente compositora e intérprete da música).

Cantoras como elas são quase "trilha sonora oficial" das lutas sociais. Quando Mercedes despontou efetivamente como crítica da ditadura instaurada em 1976, eu estava nascendo. No entanto, cresci com sua voz como referência de força combativa e poética dos povos indígenas. E não só deles, mas de todos os povos oprimidos, especialmente dos latinoamericanos. Os argentinos costumam dizer que Carlos Gardel, falecido em 1935, canta melhor a cada dia. Acredito que assim também Mercedes será lembrada. Encerro com ela, portanto, um ciclo neste blog e inicio o outro com a trilha sonora que embalou minha vida militante e que simboliza, por um lado, a impossibilidade de retorno ao passado e, por outro, a capacidade infinita do amor em todas as suas formas.


Y cuando vengan los diasE quando vier os dias
Que nosotros esperamos Que nós esperamos
Con todas las melodias Com todas as melodias
Haremos un solo canto. Faremos um só canto
El cielo sera celeste O céu será celeste
Los vientos habran cambiado Os ventos mudarão
Y nacera un nuevo tiempo E nascerá um novo tempo
Latinoamericano. Latino-americano

(trecho de Venas Abiertas)




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