"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dr.Marcio Bontempo: Movimento Brasileiro de Ecovilas

Eu estive lá e recomendo, aos que se interessam, participar dos próximos encontros ;)

Dr.Marcio Bontempo: Movimento Brasileiro de Ecovilas: "Breve resenha sobre o encontro das Ecovilas de Brasília, dia 10/2/2011 O encontro aconteceu na sede da União Planetária, instituição membro ..."


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Amanhã tem Encontros Latinos no Instituto Cervantes

Primeira edição do ano rende homenagem a Buena Vista Social Club

Buena Vista Social Club


O Instituto Cervantes, em parceria com a produtora Cosita Buena, apresenta o ciclo ENCONTROS LATINOS, música e cultura em espanhol. Um um espaço de integração entre as culturas através da projeção de documentários, filmes, exposições de fotografia, apresentações de dança e shows musicais ao vivo. A cada edição diferentes artistas se apresentarão mostrando um pouco da cultura do seu país.

Na abertura da programação 2011, Tributo ao Buena Vista Social Club. A noite começa às 19h, com a projeção de “The Sons of Cuba – Buena Vista Next Generation”. Na sequência, às 21h, show com a Banda Sonora Tropicante, que vai apresentar o melhor da música tradiconal cubana. E para fechar a noite, degustação de drinks típicos.

 PROGRAMAÇÃO
19h Cinema
The Sons of Cuba – Buena Vista Next Generation
Direção: German Kral | Documentário | 92 Min | Cuba | 2004
 Um verdadeiro passeio pela música cubana tradicional e moderna. Com produção de Wim Wenders, o mesmo diretor de "Buena Vista Social Club", e dirigido por German Kral. As músicas misturam elementos eletrônicos do Hip Hop e nomes como a rapper Telmary Diaz, o grupo pop Chiki Chaka Girls, Mayito Rivera (da banda Los Van Van) e Pedro "El Nene" Martinez (herdeiro do bolero).

21h Música
Tributo ao Buena Vista Social Club
Show com a Banda Sonora Tropicante (DF)
 A proposta da Sonora Tropicante é simples: no repertório o melhor da música caribenha, numa mistura “caliente” e explosiva; nos arranjos uma sonoridade rica que traz roupa nova ao tradicional e acrescenta os últimos sucessos da música latino-americana e do Caribe.

22h30 En el bar
Degustação de Mojito e Cuba libre 

Serviço
ENCONTROS LATINOS - Música e cultura em espanhol
TRIBUTO AO BUENA VISTA SOCIAL CLUB
12/02, 19h
Espaço Cultural Instituto Cervantes
Ingressos a R$ 10,00 à venda na Cafeteria do Instituto Cervantes.
Info. Eduardo Hinostroza | 8200-1622
Entrada Franca para os alunos e professores do Instituto Cervantes

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Libertas que será também

"Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda."

Cecília Meireles, em Romanceira da Inconfidência


Amo esse trecho da Cecília. É como um lema. Cada palava desse texto aguça em mim uma vontade de buscar essa que é a própria subjetividade da existência humana. Em que momento somos realmente livres? Em que momento podemos nos considerar libertos? Possivelmente, dentro do conceito puro da palavra, não nascemos nem jamais seremos livres. Isso porque a liberdade plena e total envolveria um tipo de sensação da qual, talvez, apenas os animais desfrutem. Sem regras, dogmas, convenções, ordens... ou ainda, ela apenas seria possível em nossos pensamentos. A liberdade então para nós é uma busca eterna.

Mas podemos muitas vezes exercitar a liberdade e vivê-la de forma plena enquanto cidadãos, por exemplo. A busca pela liberdade de se expressar é uma das mais antigas bandeiras da história humana. Mas mesmo a liberdade cidadã não terminaria onde começa o direito do outro? Democraticamente, sim.

No dia-a-dia, sermos livres pode ser entendido como sermos espontâneos (a liberdade de Descartes). Ou seja, uma ação que não seja motivada por algo exterior, seja uma decisão unicamente sua, mesmo que dependa de algo como dinheiro ou oportunidade. A liberdade de decidir por si mesmo, é o que liberta o homem em sua ação. Por outro lado, o mesmo Descartes chama a atenção para o momento da escolha, é livre quem sabe escolher dentre as várias opções/caminhos disponíveis e aponta: "A escolha indiferente é ignorância e não liberdade". Aliás, alguns filósofos atentam para a Liberdade de Indiferença, ela seria o oposto do conceito puro de liberdade visto que, ao tomar uma decisão que oferece consequências indesejadas contra si mesmo (ou aos outros), o homem abre mão da sua liberdade plena.

Já o dificílimo Kant, aponta em sua Crítica da Razão Pura a autonomia de ser, de ter sua própria razão, ainda que consciente das leis morais vigentes. O livre arbítrio deve ser utilizado de forma pura, sem depender de tais regras, ainda que sem ignorá-las totalmente. Ou seja, mesmo Kant admite que a liberdade inconseqüente não é o melhor caminho.

Spinoza, outro filósofo, lembra que a decisão derivada da liberdade de escolha está sempre atrelada ao agente da decisão, ainda que no momento de decidir, a escolha seja livre de fato, ou aparentemente... Ou seja, associada à liberdade está também o conceito de responsabilidade. Para ele, uma não existe sem a outra, pois se transforma em libertinagem. Partindo do princípio que ser livre, de um modo geral, é agir conforme a sua vontade, então concluímos que, ao desconsiderar as limitações suas e alheias, não estamos agindo como seres livres e, ao contrário, nos tornamos agentes de privação da mesma!!

Eu que adoro esse exercício dialético, dialogar, discutir, contestar... entendo que de certa forma, o conceito de liberdade não pode vir separado dos princípios da ética. No fundo, a única coisa que podemos fazer de fato e direito, de forma plenamente livre, é o exercício do pensar. Porque o pensamento, a princípio (se não quisermos partir para o campo da metafísica) é a única ação que em si não gera consequências imediatas nem pra si nem para os outros. Abstrair, aliás, também é uma propriedade das mentes sãs (e, talvez, livres). Em geral os loucos têm dificuldade de abstrair, isso considerando os vários estágios da loucura, ou ainda, da ignorância. As pessoas que têm dificuldade de raciocinar, seja por uma questão psicológica, física, mental ou até por uma condição social, estão longe de serem livres e ainda sujeitas à serem subjulgadas pelos demais. Por isso também, a arte quando utilizada como ferramenta política é um instrumento de libertação, ela em si é um agente que permite a liberação do livre pensar. Em seu Manifesto da Antropofagia Periférica, o poeta Sergio Vaz lembra que: "A arte que liberta não pode vir da mesma mão que escraviza." Então, a liberdade também é um conceito social, antropológico, intimamente relacionado à estrutura a sociedade em que vivemos...

Finalmente, recomendo o livro do pacifista Bertrand Russel, "Caminhos para a liberdade", que vai falar de outros fatores ligados ao conceito de liberdade, como um exercício político, como uma busca do socialismo, das lutas sociais.. aliás, ir em busca da liberdade, lutar por ela, pelos seus pares, pelo direito de exercê-la, também nos transforma, se não instantâneamente em pessoas livres, em agentes da mesma nesse mundo em que todos vivemos, livres ou não.

"O mundo que devemos buscar é um mundo em que o espírito criador esteja vivo, e a vida seja uma aventura plena de alegria e esperança, baseada mais no impulso de construir que no desejo de reter o que possuímos ou tomar o que pertence aos outros. Deverá ser um mundo em que o afeto tenha livre ação, em que o amor esteja isento do instinto de domínio mas exercido com respeito, em que a crueldade e a inveja tenham sido dissipadas pela felicidade e pelo livre desenvolvimento de todos os instintos que edificam a vida e a enchem de deleites mentais. Tal mundo é possível; aguarda apenas que os homens desejem criá-lo. Por enquanto o mundo em que vivemos tem outros objetivos. Mas ele passará, destruído pelo fogo de suas próprias paixões incandescentes, e, de suas cinzas, surgirá um mundo novo e mais jovem, repleto de fresca esperança, com a luz da manhã em seus olhos" Bertrand Russel 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mubarak tem de ir-se. É preciso que vá.

Por: Robert Fisk,  The Independent, UK, Tradução: Vila Vudu
Fonte: Maria Frô







6/2/2011
O velho está caindo. A renúncia, ontem à noite de toda a liderança do Partido Nacional  Democrático governante – inclusive do filho de Hosni Mubarak, Gamal – não aplacará os que querem o fim do governo. Mas chegarão lá; todo o vasto edifício de poder que o PND dos Mubarak representava no Egito já não passa de caixa vazia, cartaz de propaganda sem coisa alguma por trás.
A imagem do delirante novo primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, dizendo aos egípcios ontem que as coisas estavam “voltando ao normal” foi o que bastou para mostrar aos manifestantes da Praça Tahrir – que há 12 dias não arredam pé de lá, exigindo o exílio do homem que governou o país por 30 anos – que o regime não passa de casca já vazia. Quando o chefe do comando central do exército pediu pessoalmente às dezenas de milhares de revolucionários pró-democracia que estavam na praça que voltassem para casa, a multidão simplesmente o vaiou.
No romance O Outono do Patriarca, Gabriel Garcia Marquez acompanha o comportamento de um ditador ameaçado, sua psicologia de negação total. Nos dias de glória, o autocrata vê-se como herói nacional. Ante a rebelião, “mãos estrangeiras” e “agendas ocultas” para aquela revolta inexplicável contra seu governo tão benevolente quanto absoluto. Os que fomentam insurreições sempre são “usados e manipulados por potências estrangeiras que odeiam nosso país”. E depois – numa resenha do romance de Garcia Marquez, pelo grande escritor egípcio Alaa Al-Aswany –, “o ditador tenta testar os limites da máquina, fazendo qualquer coisa e tudo, exceto o que deve fazer. Torna-se perigoso. Afinal, aceita fazer tudo que querem que faça. Depois, se vai.”
Hosni Mubarak do Egito aproxima-se do clímax do estágio quatro – a derradeira viagem. Por 30 anos foi o “herói nacional” – combatente na guerra de 1973, ex-comandante da Força Aérea egípcia, sucessor natural de Gamal Abdel Nasser e também de Anwar Sadat – e, depois, exposto à fúria do povo, cansado do governo ditatorial, dos policiais e dos torturadores e da corrupção, ainda tentou culpar as sombras dos inimigos ficcionais do país (al-Qa’ida, a Fraternidade Muçulmana, a al-Jazeera, a CNN, os EUA). Parece que já ultrapassou a fase em que os ditadores ficam perigosos, nos movimentos finais.
22 advogados foram presos pela polícia política de Mubarak na 5ª-feira – por prestar auxílio a vários outros advogados que investigavam a detenção e a prisão de mais de 600 manifestantes da Praça Tahir. Os cruéis policiais dos batalhões de repressão política que haviam sido afastados das ruas do Cairo há nove dias, e as gangues movidas a droga pagas por eles são parte das últimas armas do ditador ferido e ainda perigoso. Esses bandidos – que trabalham diretamente sob ordens do ministro do Interior – são os mesmos que abriram fogo à noite na Praça Tahrir, matando três homens e ferindo 40 já no amanhecer da 6ª-feira. A entrevista chorosa de Mubarak a Christiane Amanpour semana passada – quando disse que não desejava continuar presidente, mas era obrigado a carregar o fardo por mais sete meses para salvar o Egito do “caos” – foi o primeiro indício de que se aproximava do estágio quatro.
Al-Aswany resolveu romantizar a revolução (se bem entendi). Adotou o hábito de fazer manhãs literárias antes de se juntar aos insurretos, e semana passada sugeriu que a revolução torna o homem mais honrado – assim como apaixonar-se acrescenta dignidade a qualquer um. Lembrei-lhe que muita gente que se apaixona gasta quantidades absurdas de tempo tentando afastar os rivais e que eu jamais vira revolução que não tivesse feito o mesmo. Mas a resposta dele, que o Egito sempre foi sociedade liberal desde os dias de Muhammad Ali Pasha e foi o primeiro país árabe (no século 19) a ter vida político-partidária, soou-me cheia de convicção.
Se Mubarak partir hoje ou adiante, esse semana, os egípcios debaterão a causa de terem demorado tanto para livrar-se desse ditador ensandecido. O problema foi que, nos governos de ditadores – Nasser, Sadat, Mubarak e seja quem for que Washington decida ungir depois desses – os egípcios perderam duas gerações de amadurecimento. Porque a primeira essencial missão de um ditador é “infantilizar” o povo, transformá-los em garotos de seis anos de idade em termos políticos, obedientes a um patriarca bedel. Ganharão jornais falsos, eleições falsas, ministros falsos e muitas falsas promessas. Quem obedecer pode até vir a ser ministro (falso), quando crescer; quem desobedecer apanhará na delegacia de polícia do quarteirão, ou será encarcerado no complexo prisional de Tora, ou, se insistir na desobediência e se mostrar violento, será enforcado.
Só quando a energia da juventude e a potência de algumas novas tecnologias forçaram essa população de egípcios dóceis a crescer e manifestar sua revolta nas ruas, tornou-se afinal evidente para todos esses homens e mulheres previamente “infantilizados” que o governo era também constituído de crianças enlouquecidas, o mais velho já chegado aos 83 anos. Fato é que por algum processo ainda não explicado de osmose política, o ditador passou 30 anos “infantilizando” também seus aliados pressupostos maduros, no ocidente. Compraram como verdade a fantasia de que Mubarak e só ele continuava a ser a cortina de ferro que continha a avalanche islâmica, impedindo que se alastrasse pelo Egito e pelo resto do mundo árabe.
A Fraternidade Muçulmana – que tem genuínas raízes históricas no Egito e todo o direito de participar de eleições parlamentares limpas – ainda é o bicho-papão citado por todos os ‘comentaristas’ e apresentadores de programas de televisão, mesmo de jornalistas que não têm nem qualquer mínima ideia do que é ou algum dia foi a Fraternidade Muçulmana.
Agora, contudo, a infantilização geral ultrapassou também esses limites. Lord Blair de Isfahan meteu a cara na CNN, uma noite dessas, e meteu escandalosamente os pés pelas mãos, quando lhe pediram que comparasse Mubarak e Saddam Hussein. Impossível. Não há comparação possível, disse ele. Saddam empobreceu um país que um dia tivera padrão de vida superior ao da Bélgica – e Mubarak fez engordar o PIB do Egito, que cresceu 50% em dez anos.
Esperei que dissesse que Saddam matou dezenas de milhares de iraquianos e que Mubarak matou/enforcou/torturou só alguns milhares. Mas a camisa de Blair está tão empapada em sangue quanto a de Saddam; por isso, do ponto de vista dos Blairs, podem-se avaliar ditadores só pelos recordes da economia. Obama fez ainda pior. Mubarak, disse-nos Obama ontem, é “homem orgulhoso, mas um grande patriota”.
Espantoso. Para dizer tal coisa é preciso estar convencido de que as milhares de provas da selvageria da polícia política de Mubarak ao longo de 30 anos; a tortura; e os ataques contra os manifestantes da Praça Tahir nos últimos 13 dias, foram cometidos sem que Mubarak soubesse! Mubarak, o velho inocente, talvez soubesse da corrupção e talvez de algum “excesso” – palavra que se começa a ouvir outra vez no Cairo –, mas nunca soube da violação sistemática de direitos humanos nem das fraudes nas eleições!
É o velho conto de fadas russo. O tsar é a grande figura paternal, líder reverenciado e perfeito. O problema é que não sabe o que fazem os subalternos. Não acredita que os servos sejam tratados tão mal. Se alguém lhe tivesse contado a verdade, o tsar teria posto fim a toda a injustiça. A corte que cercava o tsar, claro, foi mais culpada que o tsar, todos coniventes.
Só que evidentemente Mubarak nunca ignorou que comandava regime injusto. Sobreviveu às ameaças com muita repressão e ameaças e eleições fraudadas, falsas eleições. Sempre. Como Sadat. Como Nasser o qual – segundo testemunho de uma de suas vítimas, que foi meu amigo – permitia que seus torturadores pendurassem os prisioneiros sobre tonéis de fezes ferventes e os fazia beber dos tonéis. Durante 30 anos, vários embaixadores dos EUA informavam Mubarak de todas as crueldades perpetradas em seu nome. Vez ou outra Mubarak manifestou alguma surpresa e uma vez prometeu por fim à brutalidade de seus policiais. Nada fez e nada jamais mudou. Os tzares sempre souberam e sempre aprovaram plenamente todos os atos de suas respectivas polícias secretas.
Assim sendo, quando David Cameron anunciou que “se” as autoridades estivessem por trás da violência no Egito, seria “absolutamente inaceitável” – ameaça que deixou Mubarak a tremer nas tamancas – toda a mentira começava na palavra “se”. Cameron, a menos que jamais tenha lido os relatórios do Foreign Office sobre Mubarak, sabe perfeitamente bem que o velho jamais passou de ditador de terceira classe, que, sim, manteve-se no poder pela violência.
Claro que, agora, os manifestantes no Cairo, em Alexandria e Port Said, entram em período de muito medo. O “Dia da Partida”, marcado para a 6ª-feira – o que sugere que realmente acreditavam que, se Mubarak partisse semana passada, teria atendido à vontade do povo – converteu-se em “Dia da Desilusão”. No momento, constroem uma comissão de economistas, intelectuais, políticos “honestos” para negociar com o vice-presidente Omar Suleiman –, aparentemente sem perceber que Suleiman é o general-estepe aprovado pelos EUA, que Suleiman é homem de extrema e conhecida crueldade, que não hesitará em recorrer à mesma polícia secreta da qual Mubarak dependeu para eliminar os inimigos do Estado reunidos na Praça Tahrir.
Depois de uma revolução bem sucedida, sempre há traições. Pode começar a acontecer já. A sombria falsidade do regime permanece ativa. Muitos manifestantes pró-democracia observaram um fenômeno estranho. Nos meses anteriores ao início das manifestações de rua que começaram dia 25 de janeiro, houve vários atentados contra igrejas cristãs coptas em todo o Egito. O Papa pediu proteção para os 10% de cristãos egípcios. O ocidente manifestou-se ultrajado. Mubarak atribuiu todas as culpas à conhecida “mão estrangeira”. Mas depois de 25 de janeiro, nenhum fio de cabelo de cristão copta egípcio foi tocado. Por quê? Porque os criminosos estavam ocupados em outras missões de violência?
Quando Mubarak se for, serão reveladas verdades terríveis. O mundo, como se diz, aguarda. Mas ninguém aguarda mais atentamente, mais corajosamente, mais assustadamente que os bravos jovens homens e mulheres da Praça Tahrir. Se estiverem de fato às vésperas da vitória, estarão salvo. Se não, muitos deles ouvirão sinistras pancadas na porta de casa, na calada da noite.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tragédia mobiliza população da região serrana

Reportagem veiculada ontem ao vivo, pela Rádio Cultura FM, com a cobertura da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro (em breve postarei aqui algumas fotos):





E, lembrando, a dica é doar água potável e fraldas, além de outros mantimentos. Já há um número absurdo de roupas doadas que ainda nem passaram pela triagem e se acumulam nos postos de arrecadação.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Consideração

De vez em quando eu comento por aqui sobre o budismo. Eu sou budista, do Shin Budismo, uma escola idealizada pelo mestre Shinran Shonin (1173-1263), um dos mais importantes pensadores do Japão. Ele não fundou templos mas é considerado o responsável pela enorme contribuição japonesa às escolas budistas existentes já que criou uma interpretação nova e particular desta doutrina.


Shinran Shonin foi um monge que escolheu difundir e explicar os  princípios budistas para os analfabetos e pessoas que não tinham acesso aos templos, os quais só podiam ser frequentados por samurais e senhores feudais. No Japão daquele tempo, foi algo bastante revolucionário.

Essa é uma das coisas interessantes que me aproximaram dessa escola budista. Curiosamente, Monge Sato, do Templo da Terra Pura em Brasília, é um ex-militante que participou ativamente de parte de nossa história combatendo a repressão e lutando pela democracia que vivemos hoje. Sua formação marxista é um complemento interessante que torna a interpretação dos textos e cartas dos mestres uma experiência diferente e muito rica. 

Mas ser budista é muito dificíl. Um professor de karatê que frequenta o Templo, respondeu esses dias ao ser perguntado se era budista: "Eu tento, você conhece alguém que realmente é?". Eu, confesso que estou longe também, mas como os mestres, continuo tentando. E o esforço exigido é imenso, diário e constante. E a responsabilidade, absolutamente individual. Ainda que possamos compartilhar nossas experiências com o Dharma, o caminho é trilhado sem apego a nada, nem mesmo à sua própria natureza.

"Não são nossos acertos ou méritos que nos levam ao nirvana, à Terra do Buda. Ao contrário, a preocupação pela virtude e o esforço para acumular méritos podem fortalecer o ego e dificultar a aceitação da felicidade. A aceitação da felicidade está em reconhecer nossos erros com humildade e mudar: mudar de pensamento, de postura, de ação. Mudar até as palavras, o modo de ser. Ao abrigo do Buda, aprender a ser feliz, ser parte da lei universal e interdependente da causalidade. Ao abrigo do Buda, assumir essa responsabilidade." (Monge Sato)

Para compreender a fundo os preceitos budistas pode-se levar uma vida inteira. Se adaptar aos princípios, mais ainda. Por outro lado, nada é regra, nada é definitivo. Todas as coisas, até nós mesmos estamos em constante mutação.



Se oriente, rapaz 

Pela constelação do Cruzeiro do Sul 
Se oriente, rapaz 
Pela constatação de que a aranha 
Vive do que tece 
Vê se não se esquece 
Pela simples razão de que tudo merece 
Consideração
...

(Gilberto Gil)


O budismo é universal. Apesar de suas várias escolas, a idéia principal, comum a todas, é a Compaixão do Buda, a verdade última dentro de nós.


Na tradição budista, a cada aniversário, começamos um novo ano. É o marco zero para renovação e recomeço. Esse post é uma homenagem ao amigo e mestre que tão bem representa a integração oriente/ocidente.


Feliz Ano Novo Monge Sato!

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