"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

sábado, 28 de novembro de 2015

Notas sobre o “inimigo principal”

Fonte: Blog do Renato

Por A.Sérgio Barroso

“O mercado monetário é sempre, por assim dizer, o quartel general do sistema capitalista” (Schumpeter) [1]

Há poucos dias foi o poderoso Deutsche Bank (alemão) a anunciar demissão de 9 mil trabalhadores bancários para “melhorar a frágil situação do banco”, descreve o Financial Times. Isso representaria 9% do staff do banco, sendo que quatro mil demissões dessas ocorrerão na Alemanha. Além, o banco resolveu reduzir em 6 mil, dos 30 mil consultores externos usados em área com a de tecnologia e informação. Também saindo fora de dez mercados, principalmente em cinco países da América Latina, com a venda do Postbank (subsidiária) o Deutsche passará o “facão” em nada menos que outros 19 mil empregos!

Mas qual a razão essencial das medidas tomadas pelo Deutsche, o maior dos bancos da Alemanha? O próprio FT esclarece mais adiante que, pagante de uma multa de U$ 2,5 bilhões tomada por sua participação no escandaloso episódio de manipulação da Libor britânica (taxa de referência para juros interbancários, tabelada em Londres), culmina-se a demissão de seu executivo-chefe adjunto A. Jain[2]. O que foi seguido por nova falcatrua envolvendo o banco, desta vez na Rússia, então flagrado em lavagem de cerca de US$ 6 bilhões, nos últimos quatro anos – o diário londrino omite menção à operação de lavagem. [3]

Grande banco lava e financia o “terrorismo”

Não à toa temos registrado uma comprovação indisfarçável do contubérnio fraudulento e criminoso do atual sistema financeiro internacional: em 17 de Julho de 2012, tornou-se público e comprovado que David Bagley, diretor mundial do banco HSBC para regulamentação pediu demissão em sessão no Senado dos EUA. A sessão fora convocada para Bagley ser formalmente acusado, após investigação, de permitir operações de lavagem de dinheiro do narcotráfico (cartéis do México), bem como de dinheiro proveniente de financiadores de “grupos terroristas” (Arábia Saudita). A alta direção do banco sabia de tudo! [4] O banco tem raízes mergulhadas em guerras coloniais e comerciais conduzidas pelo imperialismo inglês na Ásia.

De acordo ainda com extensa reportagem da irreverente (e insuspeita de “esquerdista”) Revista Rolling Stone, durante pelo menos cinco anos esse maior banco britânico ajudou a lavar centenas de milhões de dólares para traficantes de drogas, incluindo o cartel de Sinaloa do México, declarou o ex-procurador-geral de New York, Eliot Spitzer: eles “fazem os caras em Wall Street parecerem bonzinhos”.

O banco HSBC também lavou dinheiro para organizações terroristas ligadas à Al-Qaeda, para gângsteres russos, entre outros; teria transacionado com o Irã, Sudão e a Coréia do Norte, países sancionados pela ONU. “Além de ajudar assassinos, traficantes de drogas, terroristas e estados desonestos”, auxiliando fraudes fiscais comuns para esconder muito dinheiro – afirma com todas as letras Jack Blum (advogado e ex-investigador do Senado dos EUA), chefe de uma investigação de suborno importante contra a empresa Lockheed em 1970. “Eles violaram todas as malditas leis que constam no livro”; “Eles fizeram todas as formas imagináveis e possíveis de negócios ilegais e ilícitos” – disparou então Blum, na mesma reportagem.

Oligopólio bancário global, gigantesca especulação sistêmica

Para François Morin, economista, professor emérito em Toulouse e membro do conselho geral do banco central francês, uma “hidra” mundial bancária nasceu há cerca de dez anos, e já tomou conta de todo o planeta. [5] Apenas 14 bancos com importância sistêmica “fabricam” derivativos, cujo valor imaginário (o montante dos valores segurados) chega a US$ 710 trilhões, ou mais de 10 vezes o PIB mundial (Produto Interno Bruto).

Conta ainda Morin que, desde 2012 autoridades judiciais dos Estados Unidos, britânicas e a Comissão Europeia aumentaram investigações e multas que demostram que muitos desses bancos – especialmente onze deles (Bank of America, BNP-Paribas, Barclays, Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, UBS) – montaram sistematicamente “acordos organizado em bandas”. Isto é, construíram um oligopólio movido à uma cartelização sistêmica. O que pode ser visto na citada operação de manipulação da Libor e do mercado de câmbio, que levou a imposição de multas de muitos bilhões de dólares, prática esta cada vez mais generalizada.

Coincidindo com o avanço da “globalização financeira”, o super-oligopólio bancário tornou-se muito rico: o balanço total dos 28 bancos do oligopólio (50,341 trilhões de dólares) é superior, em 2012, à dívida pública global (48,957 trilhões de dólares)! Suas dívidas privadas tóxicas foram maciçamente transferidas para os Estados, na última crise global. Ao lado de montanhas de riqueza fictícia, por suposto.

Na argumentação de Morin, depois dos anos 1970 os Estados perderam “toda a soberania monetária” – sendo eles os responsáveis. A moeda agora é criada pelos bancos, na proporção de cerca de 90%, e pelos bancos centrais (em muitos países, independentes dos Estados) os restantes 10%. Além disso, a gestão da moeda, através de taxas de câmbio e taxas de juros, está inteiramente nas mãos do oligopólio bancário, que tem todas as condições para manipulá-los. O desastre “está diante de nós” conclui Morin; e se um novo terremoto financeiro ocorrer – “as condições estão maduras” – os Estados estão exauridos, e será “ainda mais grave do que o precedente”.

Fraude bancária no Brasil

No último dia dezoito, veio à luz no Brasil [6] que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) negocia acordos com bancos que estão sendo investigados por “supostas” (?) manipulações nas taxas de câmbio no Brasil, entre 2009 e 2011, pelos quais eles terão que entregar provas de cartel para obter redução de penas.

Dos 15 bancos investigados, logo uma surpresa! Os mesmos HSBC e DEUTSCHE encabeçam a lista junto ao Banco Standard de Investimentos, o Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, o Barclays, o Citigroup, o Credit Suisse, o J.P. Morgan Chase, o Merrill Lynch, o Morgan Stanley, o Nomura, o Royal Bank of Canada, o Royal Bank of Scotland (RBS), o Standard Chartered e o UBS.

Provando cabalmente que nada há de “suposto” na operação fraudadora multinacional no país, o suíço UBS já assinara em julho passado um “acordo de leniência” assegurando documentalmente ter havido sua participação na patifaria planejada e executada! Mas  há – diz-se no jornal – ainda 30 pessoas físicas suspeitas de participação na roubalheira.

Marx e o sistema de crédito

Para Marx, a consequência decisiva do desenvolvimento capitalista converge para o que denomina de “moderno sistema de crédito”. Ou seja, na medida em que: (i) a concentração (e centralização) de capitais; e, (ii) o moderno sistema de crédito são por ele considerados as principais “alavancas da acumulação capitalista”. Nele localiza os pressupostos sobre o impulso à superacumulação de capital tendo por base a dinâmica permanente do capital financeiro (capital-dinheiro ou capital monetário) e sua direta relação com superacumulação, especulação e crises. Em suas visionárias palavras:

“Se o sistema de crédito é o propulsor principal da superprodução e da especulação excessiva… (…) acelera o desenvolvimento material das forças produtivas e a formação do mercado mundial… (…) Ao mesmo tempo, o crédito acelera as erupções violentas dessa contradição, as crises… (…) levando a um sistema puro e gigantesco de especulação e jogo”. [7]

NOTAS

[1] Em: “A teoria do desenvolvimento econômico”, J.A. Schumpeter, Abril Cultural, 1983 [1911], p. 86).

[2] Acompanhe esse revelador episódio aqui: https://br.noticias.yahoo.com/mundo-econ%C3%B4mico-pol%C3%ADtico-comemora-demiss%C3%A3o-diretores-deutsche-bank-174848465–sector.html

[3]Ver: http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/presidentes_do_deutsche_bank_renunciam_apos_escandalo_das_taxas_de_juro.html

[4]Ver: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/55138-hsbc-lavou-dinheiro-diz-senado-dos-eua.shtml

[5] Em: “A hidra mundial. O monopólio bancário” http://outraspalavras.net/posts/os-28-bancos-que-controlam-o-dinheiro-do-mundo/

[6] Em: “Bancos negociam acordos com o Cade”, J. Basile, Valor Econômico, 18/11/2015.

[7]  Ver: O Capital, Livro 3, volume 5, p. 510, Civilização Brasileira, s/data.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça será entregue hoje em Brasília



A cerimônia de entrega da 5ª edição do Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça acontece nesta terça-feira às 16h30, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio, em Brasília (DF).

Iniciativa do Governo Federal, coordenado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, o selo é conferido às empresas que executam ações para a promoção da igualdade de gênero e raça no ambiente de trabalho.

Voltado para empresas de médio e grande porte, públicas e privadas, ou com personalidade jurídica própria, o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça existe há dez anos e conta com a parceria da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da ONU Mulheres, que recentemente também lançou uma importante campanha pela "Igualdade de Gênero e o Empoderamento de Mulheres e meninas".

Segundo a entidade, enquanto o mundo tem alcançado progressos no sentido da igualdade de gênero no âmbito do Desenvolvimento do Milênio, muitas mulheres continuam a sofrer discriminação e violência em todas as partes do mundo. E a igualdade de gênero ou de raça não são apenas direitos humanos fundamentais, mas valores necessários para a construção de um mundo pacífico, próspero e sustentável.



Ações como a implantação de salas de apoio para amamentação, ampliação de licenças maternidade ou paternidade, a produção de material educativo sobre temas como assédio ou racismo, a remuneração igualitária e sem discriminação, são exemplos de como as empresas podem concorrer ao prêmio.

Ao participar do programa, a empresa precisa elaborar uma ficha com o perfil da organização e um 'Plano de Ação' com o detalhamento de como irá desenvolver as ações de equidade de gênero e raça.



A adesão é voluntária, mas este ano, 68 empresas vão receber o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça. O evento tem início a partir das 16h30, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), na W5, 902 sul, Bloco C Brasília (DF).

A cerimônia já tem a presença confirmada da presidenta Dilma Rousseff.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Morre Zilda Xavier

Esse blog presta uma homenagem à Zilda Xavier Pereira com esse belo texto do jornalista Mário Magalhães, autor da biografia de Carlos Marighella.

Zilda Xavier Pereira, presente!

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Por Mário Magalhães

Uma das mais importantes militantes da luta armada contra a ditadura, Zilda Xavier Pereira morreu hoje em Brasília. Ela integrou o comando da Ação Libertadora Nacional, maior organização guerrilheira do país. Seus filhos Iuri e Alex Xavier Pereira, também guerrilheiros, foram assassinados por agentes da ditadura. Zilda foi companheira de militância e de amor do revolucionário Carlos Marighella.

Filha de pai ferroviário e mãe dona de casa de origem camponesa, Zilda Paula Xavier Pereira nasceu no Recife em 22 de novembro de 1925.

Na manhã deste domingo, 22 de novembro de 2015, Zilda se foi pouco depois das oito da manhã. No dia cravado em que completava 90 anos.

E que 90 anos.

Em maio de 1945, recém-chegada ao Rio, Zilda incorporou-se ao Partido Comunista.

O PCB foi declarado ilegal em maio de 1947, e ela adotou o nome de guerra Zélia, reverência à sua camarada Zélia Magalhães, assassinada a bala por policiais em outro maio, do ano anterior, quando participava de um protesto no largo da Carioca.

Zilda foi uma das dirigentes da Liga Feminina da Guanabara, de incontáveis batalhas, até a associação ser banida pelo golpe de Estado de 1964.

Na casa dela, Carlos Marighella se reuniu com sargentos antes do encontro deles com o presidente João Goulart, em 30 de março daquele ano.

Em 1967, Zilda, o ex-marido e os filhos acompanharam Marighella na ruptura com o PCB.

A família foi pioneira da Ação Libertadora Nacional. No Rio, a ALN se estruturou em torno dos Xavier Pereira.

Eram guerrilheiros, empenhados nas ações armadas e na logística da ALN, Zilda, seu ex-marido, João Batista, e os filhos Iuri, Alex e Iara. Todos Xavier Pereira.

Com quem estavam os guerrilheiros Marighella e Virgílio Gomes da Silva quando compraram um Fusca para usar no assalto ao carro pagador do Instituto de Previdência do Estado da Guanabara? Com Zilda, cuja identidade na ALN era Carmem. Marighella foi visto na ação, em novembro de 1968, e acabou na capa da “Veja''.

Depois de abril de 1964, é possível que ninguém tenha passado tanto tempo com Marighella quanto Zilda. O último “aparelho'' dos dois, no bairro carioca de Todos os Santos, jamais foi descoberto pelos beleguins da ditadura. Quem zelava pela segurança de Marighella na clandestinidade? Zilda.

O clip dos Racionais sobre Marighella, “Mil faces de um homem leal'', veicula declarações dele em conversa com uma moça. A voz é da então adolescente Iara. Onde ocorreu a gravação? No “aparelho'' montado por Zilda.

Como essa fita sobreviveu? Porque Zilda a levou para o estrangeiro, onde a gravação foi anexada ao arquivo do célebre comunista Astrogildo Pereira.

Das pessoas que eu conheci, poucas tiveram perdas como Zilda.

Ela perdeu Marighella em 4 de novembro de 1969, quando o guerrilheiro que incendiou o mundo foi fuzilado em São Paulo. Zilda estava no exterior.

Zilda parte no aniversário dos 90. Sua saúde tinha se agravado 18 dias atrás, em 4 de novembro, quando foi vítima de paradas cardíaca e respiratória. Justo nos 46 anos da morte de Marighella.

No finzinho de janeiro de 1970, prenderam Zilda no Rio. Torturaram-na à exaustão, e nenhuma informação lhe arrancaram - a leitura do seu depoimento no Exército emociona até almas brutas. No futuro, ela diria que guardou seus segredos para honrar a memória de Marighella: “Eu via o Marighella na minha frente. Pensava: 'Carlos Marighella não é homem para ser traído, eu jamais trairei Carlos Marighella'.''

As dores nos joelhos, decorrentes do pau-de-arara, infernizaram-lhe até o fim da vida. Com ajuda de companheiros e amigos, Zilda escapou do hospital em que a haviam internado, depois da simulação de surto de insanidade. Era 1º de maio de 1970, e ela só regressaria do exílio em 1979.

Quando Zilda estava fora do Brasil, esbirros da ditadura mataram seu filho Alex, 22.

Em seguida, Iuri, 23.

Não demorou, e foi a vez do companheiro de Iara, que estava grávida, o guerrilheiro Arnaldo Cardoso Rocha, 23.

Arnaldo não teve tempo de conhecer o filho, Arnaldinho. Já rapaz, o neto de Zilda morreu num acidente de carro.

Zilda sobreviveu às dores. Nunca mais pertenceu a partido algum. “Minhas organizações foram duas, o PCB e a ALN'', costumava me dizer.

Como escrevi em livro, se informação equivale a poder, Zilda foi um dos três dirigentes mais poderosos da ALN, junto com Marighella e o jornalista Joaquim Câmara Ferreira.

A vida vai passar, não sei se chegarei aos 90 anos da Zilda. Mas sei que não esquecerei a generosidade dela. Não me conhecia, mas me recebeu de braços abertos para contar sua história e as histórias de tanta gente. Em troca de nada, sem nem ao menos perguntar o que eu pensava dela, de suas ideias e de suas devoções. Minha gratidão eterna, Zilda.

Não é preciso concordar com Zilda ou discordar dela para admirar a dignidade com que foi à luta. De família pobre, estudou até o equivalente hoje ao quinto ano do ensino fundamental. Compensou a escassa formação com suas virtudes de inteligência, intuição e destemor.

Comovido com a coragem da mãe na cadeia, Iuri lhe remeteu uma carta: “Não nos dizemos adeus porque em verdade, estando integrados em uma luta assim, por mais distantes que estivermos, estaremos ombro a ombro sempre. E aconteça o que acontecer, todo ato que um realize será também a ação do outro. […] Um beijo do companheiro-filho (filho-companheiro) à companheira-mãe (mãe-companheira)''.

P.S.: o velório de Zilda Xavier Pereira começará às 13h30 desta segunda-feira, na capela 5 do cemitério Campo da Esperança, em Brasília. O sepultamento está marcado para as 15h

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Realismo Fantástico

Foto: Jorge William/AgGlobo
Se um petista tivesse dado um tiro na frente do Congresso, seria manchete na mídia nos próximos meses. Como não é, nem o nome dele foi mencionado.

Ontem eu acompanhava, no Congresso, a pauta dos vetos e da Comissão de Ética, por isso não estava no gramado quando a confusão começou. Assim que soube (via whatsapp), tentei correr para lá mas com o bloqueio da entrada principal, precisei dar a volta pelo anexo, ou seja, quando finalmente cheguei ao gramado a confusão já tinha se dissipado. Só soube exatamente o que ocorreu mais tarde, conversando com quem esteve, acompanhando relatos na internet ou nas poucas notícias que saíram na TV.
Se alguém do PT, da esquerda, da CUT, do MST, do PSOL ou UM NEGRO tivesse puxado uma arma e dado um tiro na frente do Congresso Nacional brasileiro, essa pessoa seria personagem das mais variadas reportagens. Para começar, ele seria o grande destaque da edição de ontem do "maior" telejornal, com aquele colega na bancada fazendo a abertura com uma expressão grave no rosto. Traçariam o perfil do sujeito, iriam atrás da ficha criminal, tentariam ligá-lo ao uso de drogas ou qualquer coisa ilícita que "justificasse" o ato impensado, tentando ainda "demonstrar" que essa é uma atitude esperada "daquele pessoal da esquerda".
E vejam, não importa que ele seja (se for mesmo) um policial, já que ele estava ali na condição de manifestante, acampado. Mesmo tendo o direito de estar armado (se é que tem mesmo) ele deveria ter tido o equilíbrio de não sacar uma arma no meio da multidão. Se ele fosse da esquerda (ainda que um policial), estaria em todos os jornais, sua cara estampada com a foto do documento, entrevista com os vizinhos/parentes dizendo que ele ultimamente tem estado "meio perturbado", haveria painel na GNews com especialistas comentando o ato de intolerância, o Datena faria um daqueles editoriais bem baixo nível, todo o roteiro de realismo fantástico da imprensa brasileira, como já o conhecemos.
No entanto, quando cheguei em casa, assisti à TODOS os principais noticiários, de TODOS os canais da TV aberta e fechada. NENHUM deles disse o nome do sujeito e, pelo contrário, a notícia não foi destaque. Em meio ao assunto do dia no Congresso, o fato de um homem ter sacado uma arma e disparado à esmo em frente a uma ÁREA DE SEGURANÇA NACIONAL e próximo a uma manifestação de mulheres contra o racismo, não teve qualquer importância para quem decide o que é notícia no Brasil.
E aí me lembro que "nossos" representantes, que fazem parte da (já famosa) bancada 'BBB', estão lutando para que os "cidadãos de bem" também possam portar armas. Em uma cena como a de ontem, no meio da confusão, com a polícia despreparada que temos - que atira para todo lado sob pressão - teríamos visto um bang bang em plena Capital do país. No primeiro tiro os cidadãos de bem, armados e assustados, passariam a disparar também, a polícia revidaria sem saber bem em qual direção. Teria sido uma carnificina, com muita carne NEGRA estirada em frente ao símbolo da nossa representação popular.
Mas um tiro na frente do Congresso Nacional em meio à uma manifestação de mulheres, não é algo que mereça importância, principalmente vindo de quem pede o "impeachment" ou a "intervenção militar". Não fosse a internet, teríamos passado por esse fato como se ele não fosse importante. Isso não pode ser real.

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