"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

domingo, 9 de outubro de 2005

Se a moda pega...


http://oscartunista.blogspot.com

EU VOTO SIM NO REFERENDO!

EU VOTO SIM NO REFERENDO.

PORQUE SOU MILITANTE DESDE OS 15 ANOS DE UM PARTIDO QUE TEM A PAZ COMO UMA DE SUAS BANDEIRAS;

PORQUE NÃO ACHO QUE COM UMA ARMA EU POSSA RESOLVER UM PROBLEMA PESSOAL;

PORQUE NÃO ACHO QUE SOU TÃO RÁPIDA A PONTO DE CONSEGUIR ATIRAR ANTES DE UM BANDIDO QUE FAZ ISSO COM EXPERIÊNCIA, NATURALIDADE E FRIEZA;

PORQUE NÃO ME SENTIRIA BEM EM MATAR ALGUÉM MESMO SENDO UM BANDIDO;

PORQUE NÃO QUERO MORRER REAGINDO À ALGUÉM QUE NÃO TEM NADA A PERDER;

PORQUE, A DESPEITO DE TER O DIREITO DE POSSUIR UM OBJETO FEITO PARA MATAR, NÃO TENHO O DIREITO DE MATAR;

PORQUE TENHO AMOR À VIDA;

PORQUE NÃO CONSEGUIRIA CONVIVER COM A IDÉIA DE TER CAUSADO UMA MORTE ACIDENTAL ENTRE MEUS FAMILIARES;

PORQUE ACREDITO NA HUMANIDADE E NAS MIL E UMA POSSIBILIDADES QUE TEMOS A CADA DIA QUE ACORDAMOS E SEI QUE ENCONTRAREMOS UM CAMINHO MELHOR PARA NOS LIVRAR DA VIOLÊNCIA QUE NOS ASSUSTA TODOS OS DIAS;

PORQUE SOU PELO FIM DO PRECONCEITO, E DA INTOLERÂNCIA;

PORQUE SOU PELO FIM DO CONCEITO DE ESTRANGEIRO, PELO FIM DAS FRONTEIRAS E PELA UNIÃO ENTRE OS POVOS...

SONHADORA? PODE SER, MAS EU NÃO SOU A ÚNICA. ;-)

sábado, 8 de outubro de 2005

Homenagem dos amigos de traço ao Oscar



Viver ou morrer pelo São Francisco

Artigo do Dep. Fernando Gabeira

Depois de sobrevoar a caatinga por algumas horas e passar um dia em Cabrobó, o corpo pede água. Isso é pedagógico porque nos aproxima fisicamente de um problema estratégico do nosso século.
O tema está entrando na agenda por muitos lados, como a seca na Amazônia e a greve de fome do bispo Luiz Flávio Cappio. Tanto o tsunami como a inundação de Nova Orleans são expressões aquosas de um processo de mudança climática, mostrando-nos como o planeta depende de sua enorme porção líqüida.
A transposição do rio São Francisco mexe com toda a minha vida política. Acrescida de um novo componente, a greve de fome de dom Luiz Flávio Cappio, ela me pede respostas e me angustia porque as respostas não são fáceis.
Se entrasse hoje em greve de fome contra a transposição, estaria cometendo um equívoco. Preciso mais de conhecimento do que de jejum. O tema demanda uma abordagem mais ampla e um tempo razoável de estudo, que a crise política nos roubou.
Participei de três leis decisivas nesse campo: uma criou um sistema nacional de recursos hídricos, outra, a ANA (Agência Nacional de Águas), e uma terceira, em que fui relator, tratava da questão da outorga e do estímulo à criação dos Comitês de Bacia.
A idéia desta última é simples: cobrar pela água e destinar o dinheiro à bacia, para que recupere o rio. Quase todos os nossos rios estão pedindo socorro.
Se tanto o governo como o bispo nos dessem um pouco mais de tempo, talvez pudéssemos realizar um grande debate nacional, desta vez para além dos limites de audiências públicas com técnicos e militantes.
Na cadeia, tinha horror às propostas de greve de fome. Um tiro me levou um pedaço do estômago e tentava comer um pouco ao longo de cada dia.
Achava também que a greve de fome era uma forma de protesto político-religiosa, porque envolvia uma autoflagelação. Mais tarde, na história da Índia, compreendi as greves de fome de Gandhi, pois elas eram feitas pela encarnação da independência.
Mas já não tinha a mesma simpatia pela sua idéia de se abster de relações sexuais ainda com saúde. Isso não significa que não admire. Apenas a considero dentro de um quadro político-religioso, do qual me excluo, com minha visão laica do processo.
Considero um equívoco pensar que uma greve de fome pode tornar-se uma coisa comum, que se use diante de qualquer nova obra. Se isso acontecesse, a greve de fome simplesmente desapareceria como forma de luta, tornando-se banal e desinteressante.
O sacrifício do bispo colocou o tema da transposição na agenda, rompendo o bloqueio da crise política. O governo deveria aproveitar a oportunidade e ampliar o debate para além dos círculos especializados.
Observei entre os padres e romeiros uma grande simpatia por Lula. Um dos padres ao microfone, ouvindo um grito oposicionista, advertiu que o único grito autêntico ali era pelo rio São Francisco.
O governo está diante de um grupo que o apoiou e não rompeu com ele. Um grupo que enfatiza a revitalização e quer garantir que os projetos se destinem àqueles que mais precisam da água.
Esse problema, de levar o mínimo de água necessário para uma existência digna ao semi-árido, é um dos mais gigantescos desafios à nossa geração. Estamos de acordo quanto aos objetivos, mas divergimos quanto ao caminho. Quanto mais de acordo estivermos, menos penosa será a tarefa. Simples. O problema, no entanto, é colocar a simplicidade em marcha.
O primeiro passo é dar razões ao bispo para que se convença de que vale mais viver pelo rio São Francisco do que morrer por ele. Diante dele, como diante de Gandhi, meus argumentos partem da esfera rasa onde se não acredita em vida depois da morte.
Um dia, em Cabrobó, senti ao mesmo tempo saudade de água e percebi o que significa o São Francisco para aquelas pessoas. Acho admirável como não ficaram alucinadas naquele clima. Essas pessoas merecem saber direito o que acontecerá com seu rio porque, na verdade, é o que vai acontecer com suas vidas.
O proveito imediato que se pode tirar dessa greve de fome é a consciência de que a idéia de debate sobre o destino de um rio deve transcender os círculos estreitos. Nunca tivemos tão grande oportunidade de buscar consenso em dois temas que entram na agenda: o semi-árido e a revitalização do São Francisco.
Isso é uma novidade, pois a degradação dos rios brasileiros é um dado do cotidiano que jogamos num canto da memória, sobretudo quando não sentimos o cheiro.

Mistérios do caso Celso Daniel

Há muito tempo um conhecido militante do PPS vem fazendo denúncias a respeito do assassinato do Prefeito CELSO DANIEL. Algumas vezes as informações foram repassadas ao jornalista do JORNAL AGORA, Rogério Panda (falecido aos 33 anos) e ao jornalista Alexander Carvalho do DIÁRIO DE SÃO PAULO que sempre estiveram à procura de pistas sobre o crime. Porém, permanecem um mistério muitas questões que, não se sabe porque, a polícia jamais procurou investigar:

1 - Quem fez o pagamento do helicóptero que deu fuga ao preso que depois comandou o sequestro do prefeito;
2 - Onde foi parar o interrogatório do piloto do helicóptero;
3 - O que havia por trás da relação entre Celso Daniel e Sérgio Gomes (o Sombra);
4 - Porque razão a namorada de Celso Daniel arrancou as páginas do livro de visitas do apartamento dele;
5 - Porque Gilberto Carvalho que sempre foi ligado à Lula se transformou em chefe de gabinete do prefeito Celso Daniel, mesmo não tendo ligações anteriores com ele, e de quem partiu a indicação;
6 - Porque a namorada do prefeito foi trabalhar com Lula no palácio;
7 - Porque o PT e Delúbio Soares mais José Dirceu, contrataram o escritório do ex-procurador da república Aristides Junqueira por mais de R$ 500 mil para acompanhar o caso do prefeito assassinado;
8 - Qual a relação existente entre o dinheiro do Marcos Valério e este caso;
9 - Porque o advogado Greenhalg orientou a namorada do prefeito a mentir no inquérito afirmando que estava esperando Celso Daniel em sua casa sendo que ela própria comunicou o sequestro do prefeito estando neste momento fora de Santo André e tendo feito a comunicação uma hora e meia antes do sequestro ocorrer.
Estas informações estão nas investigações do ex-delegado Romeu Tuma Júnior. O delegado, durante reunião na Assembléia de São Paulo, expôs todas estas questões à um grupo de parlamentares avisando que estava sendo ameaçado de afastamento do caso o que aconteceu na realidade, seguido da declaração do Dep. Greenhalg afirmando à imprensa que o assassinato do prefeito não havia sido um crime político.
O ex-Juiz Rocha Mattos declarou à imprensa não ter cópias das fitas grampeadas pela PF, mas pessoas próximas afirmam que ele está aguardando o momento certo.

domingo, 2 de outubro de 2005

Traçando a vida

Conforme noticiado pela TV e jornais, nossa casa foi assaltada no dia 24 de setembro e Luiz Fernando, mais conhecido como Oscar, levou um tiro no rosto. Importante dizer que mexeram na casa inteira e não levaram nada porque "só queriam as armas". O Oscar conseguiu fugir e salvou sua vida. Além disso, não teve nenhuma lesão grave e sairá desta sem sequelas graves, o que é impressionante pela natureza do ocorrido. Ele também levou facadas e chutes enquanto perguntavam onde ele escondia as armas (moramos em área rural). Mas não temos armas em casa e, se tivéssemos, ele não teria como se defender de três homens armados, disso ELE tem certeza.

Aos amigos, informo que ele está bem, ainda internado, mas com previsão de alta em breve. Por enquanto ele não vai poder trabalhar mas eu retomo minhas atividades assim que ele estiver em casa c/a família (incluindo a atualização deste blog). Ele disse que assim que estiver melhor, vai voltar a desenhar, mesmo que ainda esteja em casa. Pra quem quiser mais notícias, o número é 34450000 quarto 205 Hospital Santa Lúcia (em Brasília).
Agradecemos a força e carinho dos amigos e pessoas que amam e admiram o Oscar. Publico também, texto do Amaro Júnior, colega dele do Correio Braziliense que conseguiu resumir essa história trágica de uma maneira, surpreendentemente bonita e, ao estilo do Oscar, com um traço de humor.

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TRAÇANDO A VIDA

Luís Fernando Pimentel Mendes, o Oscar. Cartunista, cidadão do mundo, como gosta de ser chamado. Naquela noite calçou as botas e iría para uma palestra do colega Jaguar. Ao abrir a porta de sua casa no Altiplano Leste, três homens mal intencionados lhe aguardavam. Tentou, de ímpeto, cerrar a porta. Mas foi alvejado com um tiro na face. Caiu! Os homens entraram e perguntaram: "Cadê as arma? Cadê as arma?". Do chão, balbuciou que não possuía armas. Enquanto um vasculhava a parte de baixo da casa, os outros dois subiram as escadas para procurar "as arma".
Oscar ficou deitado, observando, quieto e se questionava a respeito da chegada de sua hora. Na mente de desenhista e criador sua dúvida latejava mais que o tiro que entrara na bochecha e saíra atrás do ouvido, sem afetar nada! "Será que vou morrer? Preciso avisar a Juliana? Levarão minha Toyota? E Deus existe?" Se existe, com certeza Ele é um cartunista de mão cheia.
O sangue tomava conta do chão e o existencialismo, a mente. Não vou encontrar o Jaguar, mas acho que irei conhecer Outro desenhista, dono de rabiscos e traços de humor corrosivo. Mãos hábeis que desenharam toda a existência em sete dias, perfeitas para trabalhar em uma redação. Estaria tudo pronto, na rede, antes mesmo do pedido de algum jornalista afoito. Será o céu um grande periódico? Boys, secretárias, repórteres, fotógrafos, desenhistas, editores... Tenho certeza que ao lado direito do Criador, e escolhidos a dedo, estão o Nássara, Claudius, Fortuna, Alvarus, Mendez, Henfil, opa! Acho que o Henfil estará à esquerda. Só para contrariar. Acho que Ele não precisa de mim. Já existe muito criador, muito cartunista. Só vou se puder sentar em Seu lugar. Como isso é impossível, vou aproveitar que os dois bandidos estão lá em cima, e este que ficou aqui em baixo só tem um facão e levantar, sair pelos fundos.
O cara já morreu? - perguntaram os do segundo pavimento.
Tá fugindo! Tá fugindo! - gritou com faca em punho o desatento marginal.
O candidato ao posto de desenhista divino esqueceu sua pretensão e correu. Oscar passou por trás da geladeira e ainda sentiu o metal frio do facão em suas costas. Ouviu mais um tiro e correu mais do que a bala. Para aqueles que não conhecem o Oscar, saibam que seu metabolismo é mais lento que de um jabuti. Mas quis Aquele cartunista celestial que o Luís Fernando corresse bem mais que um projetil, pedisse (ele mesmo!) ajuda ao caseiro da chácara ao lado e fosse socorrido pelos bombeiros. Só rindo para acreditar que Oscar passa muito bem, obrigado!

Por Amaro Júnior, da Editoria de Arte do Correio Braziliense

sábado, 24 de setembro de 2005

Tiro no pé?

"Devidamente filiado ao PDT, o senador Cristovam Buarque não conseguiu levar sequer um petista de peso para sua nova legenda. Só um eventual candidato a deputado fala em segui-lo. É José Antonio Reguffe, que nas últimas eleições disputou cadeira de deputado distrital pelo PPS, perdendo por pouco".


Fonte: Jornal do Brasil

Jesus se filia ao PPS

O PPS, partido de Roberto Freire, está costurando sua estratégia para 2006, no DF. Quem acaba de se filiar à legenda é Cláudio Abrantes, que viveu durante sete anos (até 2002) o papel de Jesus Cristo na Via-Sacra de Planaltina, a mais famosa do DF. Os planos do partido incluem a eleição de, pelo menos, três deputados distritais. Os nomes mais cotados são o do ex-deputado Alírio Neto, cuja base é o Guará; José Antônio Reguffe, jovem que recebeu mais votos que alguns dos deputados eleitos, mas não conseguiu cadeira por causa do coeficiente eleitoral; e alguém dentre os novos filiados, como Cláudio Abrantes. Para a Câmara dos Deputados, o partido pensou em uma dobradinha com o PSB, de Rodrigo Rollemberg: eleger o próprio Rollemberg e Augusto Carvalho, atual representante do PPS na Câmara Legislativa. "O Rodrigo gostou dessa idéia", disse o presidente do PPS no DF, Amauri Pessoa. O plano mais audacioso para 2006, porém, envolve uma parlamentar petista. O PPS quer a filiação da deputada federal Maninha para que ela seja a candidata do partido ao GDF. Entre as novas filiações, quatro novidades. Lula Marques, ex-PSD e morador do Cruzeiro; Evandro Soares, de Samambaia, que já foi ligado à Maninha; Eustáquio José Ferreira, ex-presidente da antiga Shis; e Neto Sampaio, representante de corretores de imóveis, líder comunitário de Ceilândia.

Fonte: Jornal de Brasília

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Bomba do dia!

A bomba de hoje foram os 23 vetos do presidente Lula e demais membros do Executivo à LDO. Alguns causaram surpresas e dúvidas ainda que o momento político atual também não favoreça este tipo de debate. Para começar, a quantidade de vetos e mais estranho ainda, o fato de que o relator, o deputado do PT, Gilmar Machado, havia negociado extensamente as emendas incluídas no substitutivo. Um bom exemplo é o dispositivo que garantia recursos para ressarcimentos com perdas da Lei Kandir. Depois de muito negociado, foi incluído na lei, mas foi vetado.

Prefeita do Conic se filia ao PFL

Flávia Portela, atual prefeita do Conic e ligada à grupos feministas, andou despertando o interesse da Deputada Eliana Pedrosa. Tudo porque ela vinha sinalizando o interesse em se filiar em algum partido político. O atual presidente da Câmara Legislativa, Fábio Barcelos, confirmou recentemente sua filiação ao PFL junto com mais 200 mulheres de seu grupo, o que pegou muitas pessoas de surpresa, inclusive membros de movimentos feministas com orientação mais à esquerda. Para algumas pessoas, porém, a escolha da prefeita não causa surpresa alguma, dadas suas ligações antigas com alas rorizistas.

Novo presidente da Câmara

A eleição para a escolha do substituto do ex-presidente Severino Cavalcanti (PP-PE) será na próxima quarta-feira. O primeiro turno será às 10h. Caso um dos candidatos não conquiste os 257 votos necessários, o segundo turno acontece no mesmo dia, às 18h. Há possibilidade de os candidatos à presidência da Câmara participarem de um debate, que seria transmitido pela TV Câmara na próxima terça-feira, mas a proposta deve ainda ser discutida pelos líderes. O PPS (de Roberto Freire) ainda discute quem vai apoiar para a presidência. De qualquer forma, há quem diga que o importante é que qualquer um é melhor que o vexame anterior...



Charge: Oscar

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

A TERRA EM MINIATURA


A Donella´s Foundation produziu há cerca de dez anos, um vídeo sobre as proporções da Terra baseado em um relatório da ONU de 1997. Para quem quiser ver, o vídeo está ao final, no original em inglês. O texto que há nele, diz:

"Imagine reduzirmos a população da Terra a uma pequena aldeia de exatamente 100 habitantes, mantendo as proporções existentes atualmente, então nesta Terra em Miniatura, existem:

61 asiáticos,
12 europeus,
8 Norte-Americanos,
5 pessoas da América do Sul e Caribe,
13 africanos,
1 da Oceania,

50 mulheres,
50 homens,

30 são brancos,
70 não são brancos.

Das 100 pessoas
47 vivem em área urbana,
9 possuem alguma deficiência,


33 são cristãos (católicos, protestantes, ortodoxos, anglicanos e outros),
18 mulçumanos,
14 hindus,
6 budistas,
13 praticantes de outras religiões,
16 não têm religião,

43 vivem sem condições sanitárias básicas,
18 vivem com quase nenhuma água potável.

1 adulto entre 15 e 49 anos de idade é portador do vírus da AIDS.

Nesta aldeia 12 pessoas possuem um computador,
13 possuem acesso à internet,
6 pessoas possuem 59% da riqueza de toda a aldeia,
13 estão famintas ou sofrem de desnutrição,
14 não sabem ler,
7 possuem educação secundária,
E apenas 10 educação universitária.


A aldeia gasta $1.12 trilhões de dólares por ano com despesas militares,
e somente $100 bilhões em pesquisas que ajudem o desenvolvimento humano.

Se você tem comida na geladeira, roupa no armário, dorme em uma cama, possui um teto sobre sua cabeça, você é mais rico que 75% da população mundial.
Se você guarda seu dinheiro no banco... é parte das 30 pessoas mais ricas do planeta.
18 pessoas lutam para sobreviver com 1 dólar por dia ou menos...
53 lutam para viver com 2 dólares por dia ou menos.

Então,
Se você levantou esta manhã com mais saúde que doenças, então tem mais sorte que cerca de 5 milhões de pessoas que não sobreviverão esta semana.
Se nunca experimentou os perigos da guerra, a solidão de estar preso, a agonia de ser torturado ou a aflição da fome, então está melhor do que 900 milhões de pessoas.


Aprecie o que você tem e faça o seu melhor para tornar o mundo melhor.



terça-feira, 30 de agosto de 2005

250 anos da CARTA de VOLTAIRE a ROUSSEAU

Sou amante inveterada de filosofia. A reprodução abaixo, vale pela atualidade do texto.

30 de Agosto de 1755

Tradução de Miguel Duclós


Recebi, senhor, vosso novo livro contra o gênero humano, e vos agradeço por isso. Vós agradareis aos homens, sobre quem fala vossas verdades, e não os emendará. Ninguém poderia pintar um quadro com cores mais fortes dos horrores da sociedade humana, para os quais nossa ignorância e debilidade tem tanta esperança de consolo. Ninguém jamais empregou tanta vivacidade em nos tornar novamente animais: pode-se querer andar com quatro patas, quando lemos vossa obra. Entretanto, como já faz mais de sessenta anos que perdi este costume, percebo, infelizmente, que é impossível recomeçar, e deixo essa maneira natural àqueles que são mais dignos que vós e eu. Já não posso mais embarcar para encontrar os selvagens do Canadá, em primeiro lugar, porque as doenças de que sofro me prendem ao redor do maior médico da Europa, e não encontraria a mesma assistência junto aos Missouris. Em segundo, porque a guerra está sendo travada lá naquele país, e o exemplo de nossas nações tornou os selvagens quase tão perigosos quanto nós. Devo me limitar a ser um selvagem pacífico, na solidão que escolhi, perto de vossa pátria, onde vós devíeis estar.

Concordo convosco que a literatura e as ciências causaram ocasionalmente muitos danos. Os inimigos de Tasso fizeram de sua vida uma longa série de infortúnios. Os de Galileu fizeram-no gemer dentro da prisão, aos setenta anos de idade, por haver entendido como a Terra se movimenta; e o que é ainda mais desonroso, obrigaram-no a desdizer-se. Desde que vossos amigos começaram a publicar o Dicionário Enciclopédico, os rivais os desafiam com o tratamento de deístas, ateus e mesmo de jansenistas.

Se porventura eu puder me incluir entre aqueles cujos trabalhos não trouxeram mais do que a perseguição como única recompensa, poderei mostrar-vos o tipo de gente perseguidora que me prejudica desde que produzi minha tragédia Édipo; uma biblioteca de calúnias ridículas impressas contra mim. Um ex-padre jesuíta, que salvei da desgraça total, me pagou o serviço que lhe prestei com um libelo difamatório; um homem, ainda mais culpado, imprimiu minha própria obra sobre o século de Luís XIV com notas nas quais a mais crassa ignorância vomitou as mais baixas imposturas; um outro, que vendeu a um editor, usando meu nome, alguns capítulos de uma pretensa História Universal; o editor, ávido o suficiente para imprimir esse amontoado de erros crassos, datas erradas, fatos e nomes mutilados; e, finalmente, os homens covardes e vis o suficiente para me responsabilizar pela publicação desta rapsódia. Eu mostrar-vos-ei a sociedade contaminada por este tipo de homens - desconhecido em toda a antiguidade - que, não podendo abraçar uma profissão honesta, seja de trabalho manual ou de serviço, e desafortunadamente sabendo ler e escrever, se tornam agentes literários, vivem de nossas obras, roubam os manuscritos, alteram-nos, vendem-nos. Eu poderia lamentar-me porque fragmentos de uma zombaria, feitos há pelo menos trinta anos, sobre o mesmo sujeito que Chapelain foi burro o bastante para tratar seriamente, circulam hoje pelo mundo, graças à traição e avareza desses infelizes, que misturaram suas grosserias às minhas pilhérias, e preencheram as lacunas com uma estupidez equiparada somente à sua malícia e que, ao cabo de 30 anos, vendem por toda parte um manuscrito que é apenas deles, e digno tão somente deles.

Eu poderia acrescentar, em último lugar, que roubaram uma parte do material que eu juntei nos arquivos públicos para usar na História da Guerra de 1741, quando era historiador da França; que venderam a uma livraria de Paris esse fruto de meu trabalho; que nessa época invejaram minhas posses, como se eu estivesse morto e pudessem colocá-las à venda. Eu poderia mostrar a ingratidão, a impostura e o roubo me perseguindo por quarenta anos, do pé dos Alpes ao pé do meu túmulo. Mas o que eu concluiria de todos esses tormentos? Que não tenho o direito de reclamar; que o Papa, Descartes, Bayle, Camões e centenas de outros sofreram injustiças iguais, ou ainda maiores; que este destino é o de quase todos daqueles que foram inteiramente seduzidos pelo amor às letras.

Admita, senhor, que estas coisas são pequenas desgraças particulares de que a sociedade pouco se apercebe. Que importa para a humanidade que alguns zangões roubem o mel de poucas abelhas? Os homens das letras fazem grande estardalhaço de todas estas pequenas querelas, enquanto o resto do mundo ou os ignora ou disso gargalha.

De todos os desgostos afetando a vida humana, esses são os menos graves. Os espinhos ligados à literatura, ou um pouco menos de reputação, são flores quando comparados aos outros males que a todo momento inundam a terra. Admita que Cícero, Varrão, Lucrécio ou Virgílio não tiveram a menor culpa nas proscrições. Mário era um ignorante, Sila, um bárbaro, Antônio, um crápula, o imbecil Lépido leu um pouco de Platão e Sófocles; enquanto Otávio César, covardemente apelidado de Augusto, esse tirano sem coragem, agiu apenas como um assassino detestável no momento em que privou a sociedade dos homens de letras.

Admita que Petrarca e Boccaccio não fizeram nascer os problemas da Itália; que as brincadeiras de Marot não produziram São Bartolomeu, e que a tragédia de Cid não produziu a guerra da Fronde. Os grandes crimes são cometidos apenas pelos grandes ignorantes. O que faz e fará sempre deste mundo um vale de lágrimas é a avidez e o indomável orgulho dos homens, desde Thamas-Kouli-Kan, que não sabia nem ler, até um oficial de alfândega, que não sabe nem contar. As letras alimentam, endireitam e consolam a alma; elas vos servem, senhor, durante o tempo que escreveis contra elas. Vós sois como Aquiles, que se encolerizava contra a glória, e como o padre Malebranche, que, com sua imaginação brilhante, escrevia contra a imaginação.

Se alguém tem o direito de queixar-se da literatura, sou eu, porque em todos os momentos e em todos os lugares ela serviu à minha perseguição; mas deve-se amá-la, não obstante o mau uso que dela fazem; como deve-se amar a sociedade na qual tantos homens maldosos corrompem os suscetíveis; como deve-se amar a sua pátria, mesmo que ela nos trate com alguma injustiça; como se deve amar o Ser Supremo, apesar das superstições e do fanatismo que desonram tão freqüentemente o seu culto.

M. Chappuis disse-me que vossa saúde anda muito mal, deveis restabelecê-la na terra natal, aproveitando junto à sua liberdade, beber comigo o leite de nossas vacas, e passear em seus campos.

Muito filosoficamente e com a mais alta estima, etc.


Voltaire

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