"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Estratégia da OTAN lembra ataques à ex-Iugoslávia

Depois das infraestruturas militares, os aviões passaram a destruir as consideradas de interesse militar, como pontes, estradas e armazéns portuários


Bombardeio da OTAN em Tripoli



Por Achille Lollo
de Roma (Itália)
Nenhum jornal, TV, rádio ou revista européia deu destaque ao bombardeio da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à redação da TV Al-Jamairiya em Trípoli, capital da Líbia, que causou a morte de três jornalistas e a internação de 15 pessoas em estado gravíssimo. Devido ao fato de se tratar de jornalistas da TV oficial do governo de Muamar Kadafi, não houve nenhuma moção de solidariedade. Ao mesmo tempo, os conflitos no seio do Conselho Nacional de Transição (CNT) explodiram e o chefe militar dos rebeldes, Abdel Fattah Yomes, foi executado como se fosse um inimigo.
Ao se analisar os planos operacionais das missões dos caças da OTAN, fica evidente que os limites impostos pela ONU por meio da resolução sobre a criação de umaNo-Fly-Zone foram literalmente desrespeitados, violando, assim, o “status pacificador” do Conselho de Segurança do organismo. Uma realidade que se deteriorou a partir de 30 junho, quando o presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro britânico David Cameron conseguiram impor que o comando da OTAN tomasse outras iniciativas, como o planejamento dos bombardeios contra todos os objetivos que podiam sustentar a resistência do exército de Kadafi.
Dessa forma, a resolução das Nações Unidas que previa o uso dos aviões da OTAN apenas para impedir que os aviões da Força Aérea Líbia ou as colunas de blindados do exército de Kadafi atacassem os rebeldes em Benghazi ou em outras cidades controladas pelo CNT (Conselho Nacional de Transição) se tornou, na realidade, a justificativa legal para promover uma guerra de aniquilamento seletivo com o objetivo de provocar a queda do governo líbio e, sobretudo, a morte de Kadafi e seus dois filhos.
Mesmo roteiro
Isso faz lembrar a guerra de agressão que a OTAN e os EUA promoveram contra a ex-Iugoslávia para “proteger a população civil do Kosovo”. A semelhança da progressão estratégica dos ataques aéreos demonstra que o roteiro dos bombardeios é igual. Por exemplo, depois das infraestruturas militares (casernas, campos de aviação, paióis de munições, centros de comunicações, oficinas etc.), os aviões passaram a destruir as infraestruturas consideradas de interesse militar, tais como pontes, estradas, armazéns portuários etc. Uma estratégia que ainda não deu resultados, apesar das centenas de bombardeios que diariamente descarregam bombas e foguetes contra alvos civis considerados “de interesse militar” na própria capital Trípoli à mais de 800km do foco verdadeiro dos conflitos.
Foi sob essa lógica assassina que o comando da OTAN – da mesma forma como aconteceu na Iugoslávia – planejou o bombardeio da Al-Jamairiya no momento em que os jornalistas estavam preparando o noticiário. Por isso, o diretor da TV, Khaled Bazilia, em uma nota, disse: “Esse bombardeio foi um ato de terrorismo internacional que evidencia ainda mais a contínua violação das resoluções da ONU”.
Em resposta, o porta-voz do comando da OTAN distribuiu uma nota explicando que o ataque aéreo contra a Al- Jamairiya, “na realidade, fazia parte de uma incursão contra três centros de comunicação via-satélite gerenciados pela TV líbia que eram utilizados pelo coronel Kadafi para amedrontar as populações e para promover e incitar a realização de atos de violência contra as populações civis”.
Nenhum jornal europeu, sequer os progressistas, contestou tal declaração, mesmo sabendo que o ataque foi planejado para impedir que o mundo saiba o que realmente está acontecendo na Líbia no momento em que o “exército rebelde” do CNT entrou em crise, tornando-se uma representação virtual da TV Al Jazeera sustentada pelos serviços secretos militares de França e da Inglaterra.

A luta no seio do CNT
Depois da TV Al-Jamairiya ter anunciado que na capital dos rebeldes, Benghazi, houve combates no bairro em que se encontram os escritórios do Conselho Nacional de Transição, o porta-voz do CNT, Mahmoud Shammam, apareceu na Al Jazeera para declarar que “houve uma dura batalha aqui em Benghazi, que durou muitas horas porque os homens de Kadafi estavam equipados com armas pesadas. Perdemos quatros homens”.
Logo em seguida – e não foi casual – os aviões da OTAN foram destruir a TV Al-Jamairiya, o que não impediu a divulgação de que, em Benghazi, as hostilidades no seio do CNT passaram das palavras às balas, provocando, em 28 de julho, o “fuzilamento” do próprio comandante em chefe, Abdel Fatah Younis, em Marsa el-Brega. Inicialmente, Shammam afirmou, na TV Al Jazeera, que Younis havia sido assassinado por capangas de Kadafi. Por isso ele dissera que o que ocorrera era um combate contra partidários de Kadafi.
A seguir, quando as evidências demonstravam o contrário, apareceram duas versões sobre o fuzilamento do chefe militar do CNT. A primeira foi veiculada pelo ministro das Finanças e do Petróleo, Ali Tarhouni, segundo o qual o assassinato de Younis foi realizado por um grupo de militares do próprio CNT que voltavam da frente de batalha onde teriam sofrido muitas baixas. Portanto, o ministro deu a entender que o assassinato, na realidade, teria sido uma espécie de ajustamento de contas devido ao fato de Abdel Fatah Younis ter provocado o aniquilamento desse grupo de combatentes.
A segunda versão revela que “Abdel Fatah Younis havia sido convocado em Benghazi para prestar declarações a quatro magistrados sobre questões de âmbito militar. Um grupo de combatentes que voltava da frente foi encarregado de escoltá-lo. Porém, os soldados e os suboficiais desse grupo resolveram fuzilar Younis e abandonar seu corpo nos arredores de Benghazi. Apenas o comandante deles foi preso, os outros conseguiram fugir”.
Apoio secreto
É evidente que não se fuzila um homem com mais de cem balas somente porque foi convocado por quatro magistrados e sem nem saber o verdadeiro motivo. A verdade é que no seio do CNT começou a luta interna entre grupos que, por um lado, devem responder às exigências “financeiras” dos chefes de clã tribais de Cirenaica, e, por outro, devem ganhar a confiança dos emissários dos serviços secretos europeus em função da formação de um futuro governo de transição.
Segundo algumas fontes confidenciais, o ex-ministro da Segurança de Kadafi, Abdel Fatah Younis, negociou o apoio do serviço secreto britânico para ser apresentado aos homens do CNT como o “homem de Londres” e, por isso, recebeu a chefia das operações militares, tornando-se o número dois do CNT. É preciso lembrar que o chefe político dos rebeldes, Mustafá Abdul Jalil, é um peão da França, enquanto o ministro das Finanças e do Petróleo, Ali Tarhouni, é intimamente ligado aos EUA.
As mesmas fontes indicam que há também muitas dúvidas sobre a notícia de que Younis deveria encontrar os magistrados por ter sido acusado de manter relações com o grupo de Kadafi. O que é certo é que, com sua morte, fica reduzido o poder dos “ex-oficiais de Kadafi” que, desde maio, praticamente controlam grande parte do CNT.
Nesse contexto, surgiu outra notícia que pegou de surpresa até o comando da OTAN. O porta-voz do governo líbio, Mussa Ibrahim, revelou à CNN que “entre a Líbia e os Estados Unidos, houve contatos, mas nenhuma pré-condição. Foi dado um primeiro passo e mais ações desse tipo serão bem-vindas, visto que o governo da Líbia não pretende ficar amarrado ao passado. Estamos prontos para discutir propostas, de forma que não morra mais gente”.
O que parece é que as negociações começaram em separado com os EUA e sem a participação dos aliados da OTAN. Diante disso, fica a pergunta: será que para tais negociações chegarem a resultados objetivos Abdel Fatah Younis era demais?

Achille Lollo, jornalista italiano, é editor do programa de TV “Quadrante”.

sábado, 6 de agosto de 2011

Delegado é pra soltar

Fonte: Revista Piauí



Delegado é pra soltar

As ideias incendiárias de um policial pacifista
por Bernardo Esteves
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o Sábado de Aleluia, um funcionário das Lojas Americanas chegou à 32ª Delegacia de Polícia do Rio, em Jacarepaguá, trazendo uma mulher pelo braço. Ela fora presa em flagrante, tentando roubar um ovo de Páscoa dos grandes, o de número 17. Ambos foram levados à presença de Orlando Zaccone, o delegado de plantão. Ao ouvir o relato do caso, o policial não hesitou: perguntou ao funcionário o valor do ovo, sacou a carteira e ressarciu ali mesmo o prejuízo, dispensando o troco. A mulher passou a Páscoa em liberdade, comendo ovo.
O episódio ilustra os princípios de Zaccone, agora titular da 18ª DP, na Praça da Bandeira. “A função do delegado não é prender”, ele costuma dizer nas aulas que dá num curso de formação de policiais civis. “Dar voz de prisão em caso de flagrante qualquer um pode, como diz o artigo 301 do Código de Processo Penal. A verdadeira função do delegado é soltar”, conclui o raciocínio, para pasmo da audiência.
Para soltar a mulher que roubara o ovo de Páscoa, Zaccone aplicou o princípio da insignificância. “O patrimônio da loja foi ofendido de forma insignificante, então o direito penal não tem que atuar”, explicou o delegado, um moreno sorridente de 47 anos. Ele é um defensor do chamado direito penal minimalista, que procura evitar, sempre nos limites da lei, a repressão e a punição.
Zaccone chamou a atenção da imprensa logo que entrou para a polícia, em 1999. De afogadilho, foi rotulado como o delegado hare krishna, por ser adepto dessa corrente do hinduísmo. Na juventude, chegou a viver numa comunidade de jovens que se vestiam a caráter e seguiam à risca os preceitos da religião, que incluem o vegetarianismo estrito e a proibição de qualquer droga – da cafeína para baixo, nada é permitido.
O delegado continua ligado à religião. Faz parte do conselho administrativo do Movimento Hare Krishna do Rio e frequenta o templo de Itanhangá, na Barra da Tijuca. Mas tente falar de espiritualidade e ele logo trará a conversa de volta para a segurança pública.
As convicções religiosas, garante Zaccone, não se misturam com sua atuação profissional, ainda que ele enxergue uma interseção possível. “O anseio de justiça é o que aproxima os dois campos”, filosofou, enquanto piscava para um subalterno que o aguardava à porta do gabinete, pedindo que esperasse um pouco mais.
Zaccone abespinhou-se com a imagem deixada naquelas primeiras reportagens. “Fui desqualificado como delegado por ser hare krishna e, dentro do movimento, fui condenado pelas minhas ideias.” O que o indispôs com os correligionários foi sua posição liberal em relação às drogas. O delegado é integrante do braço brasileiro do Leap, sigla para Law Enforcement Against Prohibition, movimento que reúne policiais, juízes, desembargadores e agentes penais que denunciam, como afirmam, “a falência das atuais políticas de drogas”.
O Leap defende a legalização ampla – ou seja, não só do consumo das drogas, como também da sua produção e comércio. O delegado faz questão de demarcar a diferença entre a sua posição e a defesa da descriminalização do consumo. “Esse é o campo de atuação do Fernando Henrique e daquela turma toda”, desdenhou. “Mas é uma ingratidão dos usuários quererem ter a liberdade de consumir as drogas enquanto aqueles que as fornecem estão encarcerados ou mortos.”

gabinete de Zaccone é uma sala apertada no 2º andar da delegacia. Sobre sua mesa, jazem objetos de escritório, dossiês de investigação, dois livros, os jornais do dia e a lista de aniversariantes da 18ª DP no mês de maio. De tempos em tempos, um funcionário entra para pedir sua rubrica num ofício. O delegado trajava terno preto e gravata grená, com nó já frouxo ao fim da tarde.
Apesar das ideias de Zaccone, a DP sob seu comando não foge ao padrão das delegacias do Rio. Ele costuma criticar a polícia por selecionar os crimes passíveis de punição pelo sistema penal. “A maioria dos mais de 500 mil presos no Brasil está detida por não mais de quinze crimes, embora o Código Penal preveja uns 300”, compara. Na 18ª DP não é diferente: as detenções registradas são por roubo, estupro, homicídio e tráfico de drogas. Não há prisões, por exemplo, por prática do aborto, sonegação de impostos ou lavagem de dinheiro.
Da mesma forma, o princípio de insignificância tem pouco impacto nas estatísticas da delegacia. No mês de abril, foram registradas ali dezessete prisões, doze das quais feitas por policiais da própria delegacia. O número é mais que o dobro da meta estipulada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública – cinco presos pela equipe de cada delegacia.
Zaccone sabe que não vai conseguir mudar o mundo sentado em sua cadeira de delegado. “Não é o policial que decideprender só negros e favelados”, ponderou, sem medo de repetir clichês. A atuação da polícia, para ele, apenas reflete a estrutura da sociedade. “Sou só uma engrenagem no sistema, que envolve o Poder Judiciário, o aparato prisional, o discurso midiático punitivo. É todo um modelo de controle social.” A contaminação do vocabulário de Zaccone pelo jargão sociológico não é fortuita. O delegado é um acadêmico. Tem mestrado em ciências penais e está cursando o doutorado em ciência política na Universidade Federal Fluminense. Espera defender sua tese no final de 2012.
Ele enxerga a universidade como válvula de escape, assim como seu envolvimento com o Leap e com a ONG que criou com Marcelo Yuka para promover projetos sociais e culturais junto à população carcerária do Rio. “Se eu ficar somente aqui na delegacia botando a máquina para funcionar, piro”, disse.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

1º EnKontro de Blogueiros do DF




O 1º @Enkontro de blogueiros do Distrito Federal acontece no próximo dia 13 de agosto, às 19h, no Funções Múltiplas de Planaltina.


O evento reunirá vários blogueiros de Brasília, que juntamente com a juventude de Planaltina, debaterão assuntos que interessam à juventude da cidade.
Haverá uma extensa programação cultural, com artistas, DJs e vários blogueiros.

Dentre os blogueiros participantes, estão:

AconteceBrasília do Jornalista, blogueiro e assessor de imprensa @EldoGomes

BastidoresDaPolítica do Comunicador e jornalista da Rádio Nacional LucianoBarroso

AcasosAfortunados da doutora em Linguística, escritora e DJ @elenitaaah

BrasíliaporChicoSant´Anna do
Jornalista da TV Senado e blogueiro @ChicoSantAnna

E vários outros.


Para saber mais, acesse o blog: http://enkontro.blogspot.com e siga o twitter do evento: @Enkontro

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Movimento Limpa Brasil acontece em Brasília em agosto


Acabo de entrevistar, para a Rádio Cultura FM, a diretora executiva da Atitude Brasil, jornalista Marta Rocha, formada em Comunicação Social na Itália (onde morou por 8 anos) organizadora do Movimento Limpa Brasil! Let´s do it!. Ela também é idealizadora do Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade

O Movimento Limpa Brasil Let´s do it! acontece em Brasília em agosto e é o maior movimento de mobilização social do mundo, onde se pretende conscientizar a população em relação ao descarte de resíduos em sete das maiores cidades do Brasil.

Marta Rocha explicou, dentre outras coisas, que no mundo todo a campanha ficou concentrada nas capitais, mas o Brasil topou fazer em sete cidades. Em parte porque - e aí vem a notícia ruim - aqui a campanha recebeu uma "adaptação" em razão do fato de que a cultura de não se jogar lixo na rua, já é uma realidade em grande parte dos países, mas no Brasil, não. A campanha pretende, portanto, desenvolver aqui ações educativas por, no mínimo, dez anos no intuito de conscientizar a população e provocar uma mudança cultural no tocante ao tratamento dado aos resíduos que produzimos todos os dias.

A capital federal será a segunda cidade do país a receber o movimento Limpa Brasil Let´s do it!.

No dia 21 de agosto (marquem em suas agendas), milhares de voluntários sairão às ruas para retirar resíduos sólidos descartados irregularmente nas vias públicas. A ação já aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de junho, recolhendo mais de 17 toneladas de lixo reciclável.

O movimento visa despertar a sociedade brasileira para os problemas relacionados ao descarte indevido do lixo. Atualmente matérias-primas que poderiam ser reaproveitadas são desperdiçadas no espaço público devido à falta de informação da população. A campanha incentivará a mudança de atitude das pessoas em relação aos resíduos sólidos para estimular a preservação do meio ambiente, conscientizando a respeito da gravidade do costume de jogar o lixo fora do lixo. O projeto foi trazido ao País em parceria com a UNESCO e já aconteceu em 20 países. 

Então agende-se!
Dia 21 de agosto, das 8h às 15h, Brasília contará com 30 pontos de entrega, que foram definidos junto ao SLU - Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal, onde deverão ser entregues os resíduos recolhidos pelos voluntários durante a ação.


Principal líder militar rebelde líbio é morto por seus pares

A morte do chefe militar é um duro golpe para a OTAN que vem apoiando os rebeldes em Benghazi


O chefe das forças armadas dos rebeldes da Líbia e dois de seus assessores foram mortos nesta quinta-feira, informação confirmada pelo chefe da liderança rebelde.
A morte de Abdel Fattah Younes – que pode significar o fim da guerra na Líbia ou seu recrudescimento – foi anunciada numa conferência de imprensa na capital rebelde, Benghazi, pelo chefe do “Conselho Nacional de Transição”, Mustafa Abdul Jalil. Ele disse aos jornalistas que a própria segurança dos rebeldes havia prendido o chefe do grupo e provavelmente estava por trás do assassinato.
Segundo Jalil, a segurança rebelde prendeu Younes e dois de seus assessores na quinta-feira, em sua sala de operações, localizada próxima à frente dos rebeldes do leste. Autoridades de segurança disseram que Younes seria questionado sobre as suspeitas de que sua família ainda tinha laços com o regime de Muammar Gaddafi. Younes foi ministro do Interior de Gaddafi, antes de desertar para os rebeldes no início do levante, que começou em fevereiro.
Jalil disse que Younes havia sido convocado para um interrogatório sobre "uma questão militar". Ele afirmou que Younes e seus dois assessores, um coronel e um major, foram baleados antes que chegassem para o interrogatório.
A morte de Abdel Fattah Younes é um duro golpe para a OTAN que vem apoiando os rebeldes que atuam em Benghazi e aterrorizam a cidade há quatro meses. Younes tornou-se chefe militar da rebelião com o apoio de estrangeiros ligados à Al-Qaeda e militares da OTAN. Após a notícia de sua morte, a população que não apóia a movimentação rebelde, saiu às ruas e retomou o controle do aeroporto local e algumas bases militares.
Os rebeldes vêm recebendo apoio dos EUA, Grã-Bretanha, França e outros membros da OTAN e nos últimos dias haviam recebido o reconhecimento como liderança legitima da Líbia pelo governo britânico. A mídia ocidental vem procurando minimizar o apoio da Al-Qaeda ao grupo de oposição.
Há ainda relatos de que um grupo dissidente dos rebeldes avançou sobre membros do “Conselho Nacional de Transição” exigindo nova liderança civil. Outro grupo exige a devolução do corpo de Abdel Fattah e seus assessores. O grupo responsável pelas mortes se recusa a entregar os corpos para suas tribos de origem e afirmam ter enterrado os corpos sem cerimônias, em retaliação aos quatro meses de ocupação que obrigaram grande parte da população a fugir pela fronteira com o Egito, deixando suas casas para serem saqueadas pelos grupos rebeldes.
As mulheres que escolheram ficar relatam que foram forçadas a se vestirem com o véu completo, quando antes tinham a liberdade de escolher se o usariam ou não. Cidadãos estão confinados em suas casas e temem ser punidos, com tortura ou morte, se forem pegos com qualquer objeto que identifique apoio a Muammar Gaddafi, como o menino que foi empalado com a bandeira verde, símbolo do apoio ao governo líbio. Alguns vídeos contêm tantas atrocidades postadas com “orgulho” pelos próprios rebeldes, que são constantemente retiradas pelo Youtube.
O governo líbio, através de seu porta-voz Musa Ibrahim, vem afirmando que seu exército apenas atua na tentativa de “proteger cidadãos e famílias nas cidades ocupadas”, para que não haja abusos, mas que ordenou que “evitem conflitos diretos dentro das cidades”. Um vídeo mostra tropas do exercito líbio correndo na direção contrária ante o avanço dos rebeldes que parecem em sua maioria, desarmados nesse momento. Nenhum dos lados atira, é clara a intenção dos soldados em apenas recuar estrategicamente.
O líder rebelde Mustafa Abdul Jalil se referiu a Younes como “um dos heróis da revolução de 17 de fevereiro", data de início dos protestos contra o regime de Gaddafi.
Ele afirmou que Gaddafi vem procurando quebrar a unidade das forças rebeldes, mas fez uma advertência dura acerca de "grupos armados" que estavam atuando em cidades controladas pelos rebeldes, dizendo que eles “precisavam se juntar à luta contra Gaddafi, ou corriam o risco de serem presos pelas forças de segurança”.
Houve relatos de tiros fora do Hotel Tibesti, onde a conferência de imprensa foi realizada, logo após as declarações de Jalil. O líder rebelde não respondeu a nenhuma pergunta.
Uma hora depois, pelo menos três fortes explosões sacudiram o centro da capital Trípoli. Duas explosões foram ouvidas por volta das 10h20min da noite, hora local, seguida por outra explosão alguns minutos depois. A televisão líbia relatou que aviões estavam sobrevoando a cidade. Trípoli tem sido alvo de numerosos ataques aéreos da OTAN mesmo não tendo registros de conflitos rebeldes.
Enquanto isso, combatentes da oposição nas montanhas ocidentais lançaram ataques em várias cidades controladas pelo governo, na esperança de empurrar as tropas legalistas e abrir uma rota para a fronteira. Em especial a fronteira para o Egito, que está fechada há alguns dias.
Os ataques começaram por volta do amanhecer com rebeldes ao redor das cidades de Nalut e Jadu em uma tentativa de expulsar as forças leais ao líder Muammar Gaddafi do sopé da montanha Nafusa. Por volta do meio-dia local, os rebeldes haviam tomado e perdido, logo em seguida, a cidade de al-Jawsh.
No último domingo, a rede Globo de televisão – cuja cobertura na Líbia tem se limitado a reproduzir as agências internacionais – mostrou imagens que um líbio radicado no Brasil, vivendo na cidade de Goiânia, fez em visita à Benghazi. Ele afirmou que esteve na cidade visitando familiares e acabou testemunhando o “momento exato em que os conflitos começaram”.
No entanto, apesar da narração em off que procura descrever os “horrores da guerra na Líbia”, nenhuma das imagens mostra de fato qualquer ataque direto das tropas de Gaddafi contra os rebeldes. Não há imagens, pelo menos nessas que foram mostradas no programa “Fantástico”, de soldados líbios atacando, atirando ou batendo em cidadãos. Em sua maioria, aparecem homens correndo, gritando e atirando para cima com pesadas armas instaladas em caminhonetes como se pode ver nas imagens da própria reportagem.
A narração das imagens é tendenciosa, como sempre fizeram com a questão Palestina, com a guerra no Afeganistão, com a invasão do Iraque e suas “armas de destruição em massa” que jamais existiram. Observem a cena em que a repórter narra que um “soldado líbio obriga um rebelde a gritar o nome de Gaddafi e depois ouvem-se tiros”. Onde está o soldado, ele é o que segura a câmera?
As cenas podem realmente ser de conflitos diretos entre rebeldes e tropas de Gaddafi (ainda que os soldados líbios não apareçam em nenhum momento, exceto quando filmados caminhando nas ruas de Misrata), mas também podem ser de conflitos entre as próprias tribos rebeldes, ou entre rebeldes e cidadãos que são contra as atrocidades que vem ocorrendo em Benghazi.
O cidadão líbio que cedeu as imagens afirmou que o “povo líbio vive na pobreza”, o mesmo povo líbio que possui a maior renda per capita de todo o continente africano, dados confirmados por organizações internacionais, inclusive a ONU. Os motivos podem ser legítimos, mas com certeza não são esses.
Vai ficando cada vez mais claro o erro da mídia ocidental e dos países que escolheram um dos lados dessa guerra. A história humana vem mostrando que isso sempre dá errado.
Relatório recente da Anistia Internacional afirmou não ter encontrado evidências das acusações que constam no Tribunal Penal Internacional contra a Líbia e Muammar Gaddafi. Pior, a mesma Anistia Internacional afirmou que encontrou evidencias de que os rebeldes em Benghazi estavam matando seus compatriotas quando estes não aderiam à guerra. Famílias denunciaram os abusos aos repórteres estrangeiros hospedados nos luxuosos hotéis oferecidos à imprensa para a cobertura da guerra na Líbia, mas sobre isso, a mídia se calou.
O jornalismo e os jornalistas acreditam que não têm culpa alguma nisso tudo, mas é bom começarem a assumir sua cota de responsabilidade agora que muitas cortinas estão se levantando.
Com informações da Al JazeeraRussiaTodayMathaba e agências

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Rússia deplora apoio do Ocidente aos rebeldes líbios



Moscou - O chanceler russo, Serguei Lavrov, criticou a postura dos Estados Unidos e de outros países do Ocidente em relação ao reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) de rebeldes líbios. A Rússia reconhece o conselho como interlocutor nas negociações, mas não como representante legítimo do povo líbio, esclareceu Lavrov durante uma coletiva de imprensa.
O chefe da diplomacia russa pronunciou-se à raiz da recente reunião do grupo de contato internacional sobre a Líbia, no que a União Européia e Estados Unidos expressaram um tácito respaldo aos líderes rebeldes.
"Trata-se de reconhecer o CNT como único representante legítimo do povo líbio, não compartilhamos essa postura", destacou o chanceler de forma enfática.
Lavrov considerou que com tais posições, os países estão tomando parte no conflito com o isolamento de uma das forças implicadas, neste caso o líder Muammar Kadafi.
Lavrov sugeriu outorgar uma liderança à União Africana nas conversas com vistas à conformação de um executivo de transição com o diálogo multilateral entre as forças políticas no país.
Moscou, cujo governo se absteve na resolução do Conselho de Segurança que deu luz verde à agressão em 19 de março passado, tem criticado a missão militar da OTAN contra a Líbia ao amparo da ONU e ao grupo de mediadores internacionais.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ratificou o reconhecimento dos Estados Unidos ao conselho rebelde.
Fonte: Prensa Latina

terça-feira, 19 de julho de 2011

Rússia condena apoio do Ocidente aos rebeldes líbios

Prensa Latina


Moscou – O chanceler russo, Serguei Lavrov, criticou a postura dos Estados Unidos e de outros países do Ocidente em relação ao reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) de rebeldes líbios. A Rússia reconhece o conselho como interlocutor nas negociações, mas não como representante legítimo do povo líbio, esclareceu Lavrov durante uma coletiva de imprensa.
O chefe da diplomacia russa pronunciou-se à raiz da recente reunião do grupo de contato internacional sobre a Líbia, no que a União Européia e Estados Unidos expressaram um tácito respaldo aos líderes rebeldes.
“Trata-se de reconhecer o CNT como único representante legítimo do povo líbio, não compartilhamos essa postura”, destacou o chanceler de forma enfática.
Lavrov considerou que com tais posições, os países estão tomando parte no conflito com o isolamento de uma das forças implicadas, neste caso o líder Muammar Kadafi.
Lavrov sugeriu outorgar uma liderança à União Africana nas conversas com vistas à conformação de um executivo de transição com o diálogo multilateral entre as forças políticas no país.
Moscou, cujo governo se absteve na resolução do Conselho de Segurança que deu luz verde à agressão em 19 de março passado, tem criticado a missão militar da OTAN contra a Líbia ao amparo da ONU e ao grupo de mediadores internacionais.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ratificou o reconhecimento dos Estados Unidos ao conselho rebelde.
Fonte: Prensa Latina

quinta-feira, 7 de julho de 2011

África

Os conflitos que ocorrem na África de hoje se desencadeiam em inúmeros propósitos, dentre eles, o de permitir que a África Subsaariana não consiga jamais se livrar de sua situação absolutamente desesperadora. 

A região é a única no mundo onde o número de pessoas vivendo sob extrema pobreza, com menos de US$ 1 ao dia, quase que dobrou entre o início dos anos 80 e o ano 2000.

São 47 países, dentre eles a Uganda, a Etiópia e o Quênia, próximos ao "chifre" do continente, e que agora são alvos de conflitos tão intensos que estão provocando uma das maiores migrações em massa, sem que o mundo perceba. Mesmo com nossa imensa integração produzida pela rede mundial de computadores. As pessoas parecem não se importar. A mídia não acha que isso é notícia. 

E onde está o Nobel da Paz, negro, do país mais poderoso do mundo que, ao invés de promover a guerra deveria estar colaborando para uma solução definitiva para isto?

A foto abaixo, é de 1980, um missionário segura a mão de uma criança faminta de Uganda. O inacreditável é a atualidade da foto, é que até agora sejamos testemunhas dessa mesma tragédia. E que a maioria pense que não pode fazer nada e durma tranquilamente com isso.



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Os EUA têm de pôr fim à guerra ilegal contra a Líbia - discurso de Dennis Kucinich, parlamentar democrata

6/7/2011, Dennis Kucinich, Guardian, UK
http://www.guardian.co.uk/profile/dennis-kucinich




Essa semana, apresento projeto de lei ao Congresso dos EUA, que porá fim ao envolvimento militar dos EUA na Líbia, pelas seguintes razões:

Primeiro, porque a guerra contra a Líbia é ilegal pelos termos da Constituição dos EUA e de nossa lei “War Powers Act”, porque só o Congresso dos EUA tem competência para declarar guerra e o presidente não conseguiu demonstrar que a Líbia representasse qualquer risco iminente aos EUA. O presidente ignorou inclusive a opinião de seus principais conselheiros legais no Pentágono e o Departamento de Justiça, que lhe demonstraram que a aprovação pelo Congresso era indispensável antes de os EUA bombardearem a Líbia.

Segundo, porque a guerra chegou a um impasse. Não é guerra que possa ser vencida, sem que a Líbia seja ocupada por terra por soldados da OTAN, o que configurará invasão da Líbia. 

Toda a operação foi terrivelmente mal pensada desde o início. A OTAN apóia uma oposição baseada em Benghazi (cidade localizada no nordeste do país, região rica em petróleo), mas não há nenhuma prova de que aquela oposição tenha o apoio da maioria dos líbios. 

O grupo de oposição Frente Nacional para a Salvação da Líbia (e que se suspeita que tenha sido apoiado pela CIA nos anos 1980), jamais teria iniciado uma guerra civil contra um governo líbio que sabia que jamais poderia derrotar, se não contasse com o apoio de massiva campanha aérea da OTAN e, agora, dado que isso não bastou, espera contar soldados da OTAN que invadam o país, por terra. 

As ações levianas daquela oposição, encorajadas por interesses políticos, militares e da inteligência ocidentais, criaram a grave crise humanitária que, então, passou a ser usada como justificativa para a campanha de guerra da OTAN, contra a Líbia.

Terceiro, os EUA não têm dinheiro para sustentar aquela guerra. O custo da missão, para os EUA, deverá, em breve, superar a casa do 1 bilhão de dólares – e dentro do país enfrentamos cortes brutais nos serviços públicos devidos aos cidadãos norte-americanos.

Não surpreende que a maioria dos Republicanos, Democratas e independentes dessa Casa tenham a mesma opinião: que os EUA não podem continuar envolvidos na guerra da Líbia. 

Essa guerra tem destino trágico. Invadir a Líbia seria completar o desastre. A OTAN já está fora de controle e serve-se de uma Resolução da ONU que visaria a proteger civis, como frágil pretexto para prosseguir em missão não autorizada de derrubada de um governo mediante emprego massivo de violência. 

Numa palavra, o comandante da OTAN deve ser responsabilizado por inúmeras violações da lei internacional. Na tentativa injustificável de manter a guerra civil, a França, que é membro da OTAN, e o Qatar, aliado da coalizão, já admitiram que enviaram armas à Líbia – o que configura confessada violação do embargo de armas, que a ONU impôs àquele país.

No final, a principal vítima desse jogo entre nações será a legitimidade da ONU, de suas resoluções e mandados, e a lei internacional. Essa situação é insustentável. A proibição de que se forneçam armas à Líbia tem de ser aplicada, não desrespeitada pelos países membros da OTAN. 

O apoio ilegal e contraproducente dos EUA a essas ações militares deve cessar imediatamente.

O Congresso dos EUA tem o dever de cortar todos os fundos que sustentam essa guerra, porque não há solução militar possível na Líbia. É indispensável iniciar negociações sérias em busca de uma solução política que ponha fim à violência e crie ambiente favorável para negociações de paz que visem a apoiar as aspirações legítimas e democráticas do povo. Uma solução política só será viável quando a oposição líbia entender que pôr e tirar governos do poder é privilégio do povo líbio, não da OTAN.



Dennis Kucinich é deputado pelo Partido Democrata dos EUA,
representante do 10º distrito eleitoral de Ohio. Está no oitavo mandato

terça-feira, 5 de julho de 2011

Líbia - uma verdade amarga sobre o país em guerra


Os líbios apoiam inteiramente Muammar Khaddafi – um conhecido cineasta de documentários italiano, Flúvio Grimaldi, desmascarou o mito principal sobre a situação na Jamahiriya da Líbia.
"O embaixador em Roma acabou por ser um dos poucos de alto escalão líbios que alegremente passou para o lado do parceiro forte. “Se você quiser um visto para Benghazi você vai obtê-lo rapidamente. Se você quiser ir para Trípoli não haverá nenhum visto para você”, declarou a embaixada. Juntei-me a um grupo de britânicos que também queria saber a verdade sobre o que está acontecendo no país e entrei por outra via”, escreveu Grimaldi.
A expedição viajou para a Tunísia, de onde se dirigiu à Líbia por terra. O itinerário foi solicitado pela imprensa ocidental - o objetivo do grupo era visitar lugares onde a situação era especialmente difícil, de acordo com a mídia.
Em Trípoli os visitantes estrangeiros eram controlados por funcionários jovens do regime atual nomeados para ficar com o grupo. No entanto, Grimaldi e seus companheiros de viagem foram autorizados a parar em qualquer lugar e falar com qualquer pessoa sobre qualquer assunto. Esta liberdade não está disponível para os jornalistas credenciados em Benghazi.
Unidade nacional e resolução firme para defender seu país foram o que impressionou o grupo acima de tudo. As aulas não pararam por um segundo, desde o início dos conflitos e agora as escolas também oferecem uma formação complementar de como usar armas. Esta formação é tanto para meninos quanto para meninas.
Cidades na costa do Mediterrâneo, devastadas e cortadas pelas tropas de Khaddafi, de acordo com a mídia ocidental, na realidade, são lugares muito pitorescos com um bom sistema de abastecimento de água e agricultura forte. Em qualquer cidade supostamente oprimida, as pessoas disseram ao jornalista italiano que ouviram sobre a tirania de Muammar Khaddafi apenas por seus parentes e amigos que vivem no exterior e um verdadeiro desastre veio somente quando os bombardeios da OTAN começaram com o objetivo de "proteger o povo". Cada entrevista, Flúvio Grimaldi diz, gradualmente destruiu a história ocidental da agressão horrível do líder líbio.
A igreja católica local se tornou um lugar de peregrinação. Mulheres muçulmanas visitam o
sacerdote romano todos os dias e pedem para ele dizer ao mundo a verdade sobre a situação no país. Os líbios pediram para o grupo de Grimaldi para fazer o mesmo.
Os cidadãos líbios já defenderam voluntariamente seu país por seis meses. As pessoas locais dizem que o exército está fazendo seu melhor para falar à população civil para não tomar parte nas hostilidades. A população local não se parece com garotos analfabetos intimidados, pelo contrário, Grimaldi destacou a dignidade e honra de seu posicionamento e o nível de politização, em especial dos estudantes universitários.
Já foi mencionado que a situação na Líbia não é tão ruim como Obama e seus aliados da OTAN estão tentando pintá-la. No entanto, agora que o Senado dos EUA deu permissão para Obama estender a operação na Líbia por mais um ano e a coalizão está persistentemente procurando a prova de crimes de sangue de Khaddafi, o relatório de uma testemunha ocular é muito apropriado.
Fonte: A Voz da Rússia (em inglês)

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