"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Capitanias Hereditárias

do Contexto Livre, genial charge de Edgar Vasques




Reflexão


Albert Einstein

"O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Ela se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um Ser de quem esperam benignidade e do qual temem o castigo - uma espécie de sentimento exaltado da mesma natureza que os laços do filho com o pai, um ser com quem também estabelecem relações pessoais, por respeitosas que sejam. Mas o sábio, bem convencido, da lei de causalidade de qualquer acontecimento, decifra o futuro e o passado submetidos às mesmas regras de necessidade e determinismo. A moral não lhe suscita problemas com os deuses, mas simplesmente com os homens. Sua religiosidade consiste em espantar-se, em extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma inteligência tão superior que todos os pensamentos humanos e todo seu engenho não podem desvendar, diante dela, a não ser seu nada irrisório. Este sentimento desenvolve a regra dominante de sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a servidão dos desejos egoístas. Indubitavelmente, este sentimento se compara àquele que animou os espíritos criadores religiosos em todos os tempos."

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Encontro Criativo - DF





Hoje, 1º de agosto às 18h30, será realizado um encontro criativo entre cidadãos e cidadãs de Brasília com o propósito de identificar ações colaborativas para gerar ampla participação no Dia e na Semana Mundial Sem Carro, entre 15 e 22 de setembro. 

Venha participar desta causa comum, trazendo suas boas ideias, inspirações e talentos!!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Venezuela se torna membro pleno do Mercosul

Do portal OperaMundi:

A Venezuela já faz parte do Mercosul. Os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, da Argentina, Cristinha Kirchner, e do Uruguai, José Mujica, oficializaram a inclusão do país ao bloco regional na tarde desta terça-feira (31/07), em cerimônia realizada em Brasília.


Dilma Rousseff, Hugo Chávez, Cristina Kirchner e José Mujica formalizam a incorporação da Venezuela no Mercosul
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, agradeceu aos pares sul-americanos e ressaltou que o evento, histórico, se assemelha à primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil. "Sinto que o evento de hoje, a entrada da Venezuela no Mercosul, tem alguma semelhança com o dia em que este povo querido do Brasil elegeu como seu presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O povo do Brasil elegeu o Lula, e começou a mudar sua história", disse Chávez.

De acordo com o presidente venezuelano, "há tempos a Venezuela devia ter entrado" no Mercosul. "Isso coincide com um novo ciclo político, constitucional que se iniciará em breve na Venezuela. Nada mais oportuno para isto que o evento de hoje, que é, sem dúvida, do interesse nacional de todos os países do Mercosul", declarou.

Chávez também exaltou a democracia na Venezuela, que realiza em outubro próximo eleições presidenciais, nas quais o presidente tentará um outro mandato. "A Venezuela hoje, apesar de seguirem nos taxando de ditadura, tem um processo democrático que amadureceu bastante", disse. "É positivo o ingresso da Venezuela no Mercosul(...) Começamos a nos situar na nossa exata dimensão geopolítica".


Dilma Rousseff, que falou na cerimônia antes de Chávez, afirmou que "o Mercosul consolida-se como potência energética e potência alimentar global", e que a incorporação da Venezuela "amplia as potencialidades do bloco". A presidente argentina também criticou o golpe de Estado contra o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, há cerca de um mês. Segundo Dilma, os países que integram o bloco "têm um compromisso inequívoco com a democracia" e agem de forma coordenada. "Nossa perspectiva é que o Paraguai normalize sua situação."

O Paraguai foi expulso do Mercosul após desrespeitar a cláusula democrática que rege o bloco. A decisão de incluir a Venezuela na união aduaneira aconteceu na última cúpula do Mercosul, em Mendoza, Argentina, em reunião de nível presidencial.

Antes da reunião, os chanceleres de Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela acertaram os termos para adesão do país de Chávez ao bloco. Dentre as ações mais importantes estão a fixação de Tarifa Externa Comum e a eliminação de tributos de importação entre os demais membros plenos do bloco.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

GOVERNO DE SP FAZ PROPAGANDA CONTRA BICICLETAS

Do blog Náufrago da Utopia:

Getty Images


Mais ciclistas, mais acidentes é o título da repulsiva matéria de capa da edição de 11/07/2012 do Diário Oficial do Estado de São Paulo (acesse aqui).


Faz terrorismo barato contra a forma mais saudável de transporte que existe, além de ser a única não poluente viável, já que a utilização de carroças, coches ou riquixás nas vias urbanas é inimaginável nos dias atuais.


Divulgue!


A Holanda prova que é possível, sim, humanizar-se o trânsito fazendo a opção preferencial pelas bicicletas, cuja quantidade lá supera o número de habitantes e é duas vezes maior que a de carros. Há quase 30 mil km de ciclovias e uma cultura já bem sedimentada de respeito ao ciclista, de forma que a bicicleta se tornou a forma mais tranquila e segura de locomoção no país. O planeta agradece.


Já o Governo paulista quer enfumaçar as ruas, tornando-as privativas dos veículos poluentes. Então, trombeteia, logo no 1º parágrafo:
"A cada dia, no Estado de São Paulo, nove ciclistas são internados em hospitais públicos, vítimas de acidentes de trânsito. E pelo menos um deles morre. A Secretaria de Estado da Saúde informa que, no ano passado, 3,4 mil pessoas foram internadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) paulista, gerando custo de R$ 3,25 milhões à administração estadual".
O DO não entrevistou nenhuma vítima (ciclista), preferindo ouvir apenas um ortopedista do Hospital das Clínicas, para assustar os leitores com frases alarmistas tipo "muitas vezes, os ciclistas são atingidos por automóveis ou por ônibus, o que torna comum a ocorrência de politraumatismo”.


O tal dr. Jorge dos Santos Silva até que faz o diagnóstico correto, ao atribuir os acidentes à pouca estrutura na cidade de São Paulo para utilização da bicicleta como alternativa de transporte. Mas, ao invés de propor a cura do paciente, prefere agravar a doença:
"Para não colocar a vida de quem pedala em risco, recomendo não usar a bike no trânsito de São Paulo. É uma opção segura de lazer em cidades menores, parques públicos e em ciclovias instaladas na capital, aos domingos".
E por que não criar-se a estrutura necessária, investindo para tornar a bicicleta uma opção segura de transporte nas grandes cidades paulistas, a exemplo do que ocorre nas holandesas, e não apenas de lazer nas cidades menores ou aos domingos?




Respondo: porque não é esta a prioridade do Governo estadual. Percebe-se claramente que sua preocupação real, longe de ser com os ciclistas mortos ou feridos, é a que está destacada logo na abertura da matéria: o "custo de R$ 3,25 milhões à administração estadual" que foi gerado em 2011.


Assim caminha a desumanidade.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Amanhã é dia de Sarau Universos em Brasília

Amanhã acontece na Embaixada da Venezuela em Brasília a segunda edição do Sarau Universos.


Idealizado pela produtora cultural Roberta Doelinger, o 1º Sarau Literário UniVersos ocorreu em 2010 na Cotidiano LivrariaOs escritores convidados foram: Fernando Freire e Aharom Avelino. Alguns dos poetas homenageados foram Drummond, Baudelaire e Edgar Allan Poe além de vários textos de Renato Russo. Houve ainda a participação da Banda Casa 20 e participaram os escritores: Heitor Humberto de Andrade, Dr. Marcio Bontempo e Ramaiana Ribeiro


O 2º Sarau UniVersos está sendo organizado por Roberta Doelinger em parceria com a escritora Gacy Simas e ocorrerá na Embaixada da República Bolivariana da Venezuela, com o apoio do Adido Cultural Amarú Araujo Villegas, do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal e da Academia de Letras do Brasil – DF.



A programação contará com:
Participação Especial: Coral Alegria
Escritores/Poetas: *Cristiane Sobral  *Alen Guimarães (Poeta dos Ventos) *Nena Medeiros *Junio Veloso Matos *Rubens Neco *Gacy Simas *Vânia Diniz *Paulo Diniz *Elias Daher *Fernando Freire *G.Gaitero  (Apresentação Cordel Musical)
Stand UpEscritor Uruguaio *Raúl Ernesto Larrosa Ballesta
Apresentação Musical: *Myrlla Muniz *Nestor Kirjner *André Porto

Serviço:
Data: 21 de junho (quinta-feira)
Local: Auditório Francisco de Miranda - Embaixada da Venezuela
Horário: 19h às 22h
Endereço: SQS AV. das Nações Qd 803 Lote 13
Entrada franca
Haverá Varal de Poesias      
                


terça-feira, 19 de junho de 2012

RIO+20 de volta à ECO92 - O que estamos fazendo?

Eu tinha 15 anos quando ocorreu a primeira conferência que ocorre hoje, no Rio de Janeiro. Mas seus líderes, como antes, parecem não estarem dispostos a produzir um documento minimamente comprometido e responsável, que responda às inúmeras demandas que temos pela frente. 


Esse vídeo abaixo é apenas um "viral" ambientalista que vez por outra - como agora - é lembrado como um momento em que uma criança chamou a atenção do mundo para o que realmente importa. 


Posto abaixo por dois motivos: 1 - não parece que avançamos muito desde então em prioridades, em desenvolvimento, em humanidade; e 2 - o discurso de Severn Sukuzi poderia estar sendo feito hoje. Os números e perspectivas para qualquer criança da mesma idade não só não melhoraram como são piores. 


O que estamos fazendo?



quarta-feira, 30 de maio de 2012

ELEIÇÕES DO SINDESCRITORES-DF RENOVA MANDATO DE ELIAS DAHER



ELEIÇÕES DO SINDESCRITORES-DF RENOVA MANDATO DE ELIAS DAHER

O presidente do Sindicato dos Escritores, Elias Daher, teve seu mandato renovado em eleições com a participação de quase 100 escritores de Brasília.
  
O Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, primeira entidade sindical de escritores do Brasil, fundada em 1977, realizou eleições na manhã do último dia 26 de maio, sábado, na Livraria Café com Letras.

Os filiados adimplentes compareceram para votar em uma das duas chapas concorrentes; chapa Reynaldo Jardim encabeçada pelo escritor e poeta Marcos Freitas, e a vencedora Cora Coralina, que renova a gestão do atual presidente Elias Daher por mais três anos, com novos membros em sua diretoria. Dentre eles, o jornalista Heitor Humberto de Andrade que participou da fundação do sindicato e agora compõe o Conselho de Ética.

O evento contou com a participação de cerca de 100 pessoas que passaram pela livraria, inclusive poetas e escritores que, como Heitor Andrade, remontam à fundação do Sindescritores-DF. Um deles, o poeta Menezes y Moraes contou já ter participado duas vezes da direção da entidade, uma como vice-presidente e outra como presidente, e lembrou que embora a profissão de escritor seja reconhecida pelo Ministério do Trabalho, ainda são poucos os escritores que podem viver da escrita.

Esta, segundo o jornalista e escritor Pedro César Batista, eleito Diretor de Relações Institucionais, é a principal tarefa desta diretoria: a regulamentação da profissão de Escritor. A pretensão é antiga, mas desta vez, foi criada uma comissão especial com o propósito de defender os interesses dos escritores junto ao Poder Legislativo. Segundo Batista, o sindicato já está preparando um ciclo de debates que permitirá  amadurecer as propostas da categoria.

Uma presença importante nas eleições foi a do escritor e médico pediatra Dr. Dioclécio Campos Júnior, ex-secretário da Secretária de Estado da Criança do DF que, recém-chegado de viagem, fez questão de comparecer à votação.

Desde 2011 a diretoria, com a efetiva participação da Produtora Cultural Roberta Doelinger – agora eleita Secretária Geral –, o Sindescritores-DF vem realizando diversos encontros literários e, com o apoio da Academia de Letras do Brasil – DF , representada por sua presidente Vânia Diniz, realizaram a primeira Noite Literária de Brasília, uma sessão de autógrafos coletiva com a participação de escritores e poetas e público de mais de 350 pessoas. O evento já se tornou tradição cultural em Brasília.

O Sindicato participou também da última Feira do Livro de Brasília e da 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, com espaço amplo reservado a debates, saraus, encontros literários, oficinas infantis e demais atividades que ajudaram a divulgar e renovar a confiança dos escritores na atuação da entidade.

Dentre as propostas da chapa vencedora para o Triênio 2012/2014 estão, além da regulamentação da profissão e da busca por uma sede – demanda pendente há mais de 30 anos –, oferecer à sociedade uma biblioteca com espaço para crianças e adolescentes, com o apoio do poder público.

Assessoria de Comunicação do Sindescritores-DF

Vídeo com imagens das eleições: http://youtu.be/ENqIzGRABSw


Chapa Eleita Cora Coralina
Presidente
Elias Daher
Secretária Geral
Roberta Von Doelinger
Segunda Secretária
Gabriela Saraiva
Tesoureira
Nena Medeiros
Segunda Tesoureira
Vânia Gomes
Assessora de Comunicação
Juliana Medeiros de Souza Castro
Diretora de Gestão Administrativa
Gacy Simas
Diretora de Assuntos Jurídicos
Celita Oliveira Sousa
Diretor de Relacionamento Institucional
Pedro Cesar Batista
Diretora de Gestão e Produção Cultural
Paula Ziegler

Conselho Fiscal
Ana Beatriz Cabral
Giuliany Matos
Aharom Avelino

Conselho de Ética
Vitor Gomes Pinto
Heitor Humberto de Andrade
Basilina Pereira

Conselho Consultivo
Rubens Neco
Cristiane Sobral
Vânia Diniz

terça-feira, 29 de maio de 2012

Gilmar Mendes, além do tiro no pé, pode ser processado criminalmente

Do Terra Magazine



Numa linguagem futebolística, tão a gosto do ex-presidente Lula, pode-se concluir ter o jogo terminado 2×1.

 
O desmentido de Lula encontra apoio no testemunho de Nelson Jobim, único presente ao encontro. A propósito, um encontro ocorrido, a pedido de Lula, no escritório de Jobim, no dia 26 de abril deste ano.
 
O ministro Gilmar Mendes, além de a sua versão ter ficado isolada,  conta com a desvantagem de ter esperado um mês para denunciar, pela imprensa, a “pressão” e a “chantagem” que atribuiu ao presidente Lula. O perfil mercurial de Mendes, que é bem conhecido, não se adéqua a um mês de espera.
 
Segundo Mendes declarou à revista Veja e confirmou em entrevistas, Lula teria ofertado-lhe “blindagem” na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura o escândalo Cachoeira-Demóstenes-Delta. O motivo da proteção na CPMI  teria sido o financiamento feito por Cachoeira de uma viagem a Berlim feita por Mendes em companhia de Demóstenes.
 
É inexplicável não tenha Mendes, diante da supracitada “chantagem” (na última entrevista Mendes usa o termo “insinuações”), levado  o fato, por ser criminoso, ao conhecimento imediato de seus pares e da Procuradoria-Geral da República.
 
Antes de ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF), Mendes era membro do Ministério Público Federal, cujo chefe institucional é o procurador-geral da República. Ou seja, Mendes conhece bem o mecanismo a ser acionado para encaminhamento de uma “notitia criminis”.
 
No STF, já presidido por Mendes, são realizadas sessões administrativas reservadas. Em nenhuma delas Mendes apresentou o fato que, conforme afirmou, deixou-o indignado.
 
Como se percebe sem esforço, o relato de Mendes, sem qualquer prova da veracidade da afirmação, ofende a honra objetiva e subjetiva do ex-presidente.
 
Em resumo, Mendes atentou à dignidade e ao decoro de Lula. Assim, pode virar réu em ação por crime contra honra e objeto de ação de iniciativa privada da vítima (Lula).
 
Não se deve olvidar os antecedentes de Gilmar. Ele já mentiu ao denunciar, de forma  escandalosa (“vou chamar o presidente às falas” ou “vivemos num Estado policial”), uma interceptação telefônica que não aconteceu. Nesse lamentável e triste episódio, Mendes  contou com o apoio do senador Demóstenes Torres, que confirmou em diálogo publicado pela revista Veja o teor da conversa mantida com Mendes.
 
Logo depois de desmentido por perícia e por conclusão da Polícia Federal em relatório de encerramento de apuração, Mendes passou a dizer que denunciou o fato porque era verossímil. Em outras palavras, promoveu, à época, um grande escândalo, na condição de presidente do STF, com base na verossimilhança. Por aí já se percebe a leviandade de Mendes.
 
Lula não tem o perfil de quem vai aos finalmente quando ofendido. Mas, desta vez, renunciar em defender sua honra em juízo tem um componente maior. Não atende ao interesse público manter, na mais alta corte de Justiça do país, um ministro-julgador de tal calibre. Lógico, em sua defesa Gilmar, como regra, pode ofertar exceção da verdade. Só que não terá o testemunho de Jobim a seu favor. Esse ex-ministro, amigo de Lula e de Mendes, é testemunha única.
 
Na nossa legislação não vigora a antiga regra do “testis unus testis nullus! (testemunho único é testemunho nenhum). Portanto, o testemunho de Jobim poderá ser aceito.
 
Mendes, que demorou a denunciar, bem sabe que “dormientibus non sucurrit jus” (o Direito não protege os que dormem). 
 
Além disso, nenhum  ministro do STF afirmou sofrer pressões ou insinuações de Lula no sentido de adiar o julgamento do Mensalão para depois das eleições municipais. O STF é um órgão colegiado. Isso quer dizer que não adiantaria — e Lula não é nenhum estulto — só convencer Mendes. Portanto, os próprios pares de Gilmar desmentiram sua afirmação de que lula estaria pressionando por adiamento do Mensalão. Por outro lado, a ministra Cármen Lúcia, mencionada por Mendes na Veja, não teve contato com o ex-ministro Sepúlveda Pertence. E Lewandowski, que como se sabe foi sugerido para o STF pela esposa de Lula, também disse não ter sofrido pressões.
 
O “Mensalão”, que Mendes sustenta haver Lula pedido-lhe para adiar, já foi objeto de sessões administrativas (com participação de Mendes), quando se acertou até o tempo para manifestação das partes.
 
Pela mídia, o revisor desse processo, Ricardo Lewandowski, já informou que brevemente o colocará à disposição do presidente Ayres Britto. E Britto, num compromisso público, frisou que o colocaria em pauta tão logo recebesse os autos.
 
Mendes, trocando em miúdos, até por não ser presidente, como poderia mudar o quadro, em especial diante do compromisso de Britto, que é quem marca a pauta, perante os jurisdicionados (cidadãos brasileiros).
 
Pano rápido. O ministro Gilmar Mendes coloca-se, pela segunda vez, numa camisa de sete varas. Até quando?
 
Wálter Fanganiello Maierovitch

SOBRE VADIAS E A LOUÇA SUJA

É bom avisar: o texto abaixo é de um homem. Ainda que lendo, um desavisado possa se confundir e achar que uma de "nós" o escreveu, em uma espécie de autodefesa. Mas não, o texto é de Atílio Alencar e, vindo de um homem, além de ser um dos mais bacanas que já li, prova que os homens estão entendendo sim o recado. E ainda bem que ele, o Atílio, não é o único. 

Para um mundo novo, mulheres e homens precisarão se reinventar. A Marcha das Vadias é nada mais que uma ocupação  de mulheres pelo direito a serem donas de si mesmas, mas é também parte de "um mundo novo em gestação", como diria Galeano. Os grifos abaixo, são meus.

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Com a provocação estampada já no modo como se referem à sua mobilização, as mulheres que integraram a Marcha das Vadias em diversas cidades do país nesse fim de semana recente escancararam o peito nu para desafiar um sistema que há séculos teima em fazer recair sobre elas o peso da proibição. Apesar dos sensíveis avanços em relação à condição feminina na sociedade ocidental – se comparada à realidade vigente até a primeira metade do século XX – ainda vivemos num mundo em que se espera da mulher é que ela sirva. Sirva de mãe, esposa, dona de casa, professora, prostituta, faxineira. Ou sirva de modelo da “mulher bem-sucedida”, empreendedora, liberal, independente – aí então valorizada pelo caráter excepcional de sua condição, confirmando assim a regra ainda vigente.


Por força das próprias rebeliões, as mulheres foram conquistando direitos na sociedade atual e garantindo pouco a pouco, ao menos, a igualdade nas condições de exploração. Mas se como profissionais as mulheres encontram hoje maior facilidade para vender sua força de trabalho, como protagonistas de suas próprias vidas ainda esbarram na violência cotidiana de uma sociedade fundamentada nas prioridades do macho. O feminismo, movimento que primeiro colocou o problema da opressão patriarcal na ordem do dia, ocupou-se de atacar esse modelo, durante muito tempo sacrificando vaidades em nome da luta pela igualdade. Já as manifestantes que marcham no Brasil em 2012 não querem sacrificar porra nenhuma: entendem que já sacrificaram demais durante gerações inacabáveis em nome do medo e das convenções.

E é nesse não querer sacrificar nada – nem as pernas de fora, nem a inteligência, nem o direito de parir ou abortar de acordo com suas escolhas e necessidades – é que se funda um feminismo menos carrancudo, mais debochado, saudavelmente provocativo. Um pós-feminismo, dirão alguns. Mas como quer que chamemos o movimento em curso, seja lá qual for o nome pelo qual a História o designará em registros futuros, o fato é que não cabe mais ao orgulho nem à razão do macho estabelecer o que é certo para elas.

Já era. Podemos esquecer.

Depois que uma mulher tem a coragem de sair para as ruas ostentando faixas nas quais celebra alegremente o “ser vadia”, não há mais nada que possa pará-la. O medo de “cair na boca do povo” acabou; o pior dos flagelos morais que assombrava a mulher do passado – ser acusada de puta, amante, lésbica, de gostar de trepar e gozar – está esvaziado, é motivo de riso, inspiração para mostrar os peitos em público e, conforme o gosto da dona de cada corpo, exibir também os pêlos. Nenhum peito caído é feio, nenhuma axila sem depilação é desonrosa. Feio e triste é suportar o fantasma de uma vergonha que não é sua a oprimir o corpo.


E os homens nisso tudo?

Bom, os mais sensíveis, inteligentes e um pouquinho mais corajosos para reconhecer que a tradição do macho alfa é tediosa, cansativa e afetada, estão obviamente comemorando junto com as mulheres. Os mais medrosos e assustados, ou escondem-se atrás de chistes grosseiros, ou apelam para a agressão pura e simples mesmo.

Aqui no Rio Grande do Sul teve até radialista mandando as tais vadias pra cozinha lavarem a louça. Emplacou, com uma forcinha dos colegas de trabalho e do peso corporativo da emissora dos patrões (o programa chama Pretinho Básico, e vai ao ar pela rádio Atlântida FM), um assunto do dia nas redes sociais com suas expressões visionárias. Um gênio, o rapaz. Conseguiu, de uma só vez, cumprir o desserviço de reforçar um preconceito histórico que assola as mulheres e conquistar a antipatia geral por parte de todas e todos que defendem a superação dos velhos tabus.

No auge do seu humor iluminado, o cara nos presenteia com uma pérola que só poderia ter saído da boca de um ermitão. E ao tentar dissimular mais tarde a intenção grotescamente preconceituosa de seus comentários, ainda aproveita a oportunidade para gerar mais burburinho nas redes com a genial hashtag #ChupaVadia – que, graças ao apelo massivo da rádio em que trabalha, atingiu o primeiro lugar nos trending topics do Twitter.

O mais esdrúxulo é que provavelmente estejamos tratando daquele tipo de cidadão que fica chocado com as notícias que reportam crimes de abuso sexual contra mulheres e crianças. Deve se perguntar que tipo de animal é capaz de cometer tais atrocidades. Só nunca deve ter se perguntado o tamanho do estrago que pode causar com suas piadas infames, quando o tema é tão delicado, e o seu público – o público de uma emissora jovem – tão inclinado à confiar na inocência de tudo que soa engraçado.

É contra esse imaginário truculento e auto-indulgente que marcham as vadias. E nós, que também estamos aprendendo que o significado de vadia pode ser reinventado, marchamos com elas. A louça suja fica para os otários que não percebem que os tempos estão mudando.

por Atílio Alencar – Partido Fora do Eixo

quinta-feira, 24 de maio de 2012

De belas e feras

O texto abaixo, da jornalista Jaciara Santos, me parece a melhor análise do caso que movimentou as redes sociais esta semana. Como jornalista (e mulher) me sinto exatamente da maneira que ela descreve, ao cobrir um tema espinhoso como os que recheiam a pauta da editoria de cidades. Mas é importante que todos nós, enquanto sociedade, façamos a reflexão sobre a parte que cabe a cada um nesse latifúndio.
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De belas e feras


Nunca me senti confortável fazendo matéria sobre violência sexual. Pessoalmente, tenho dificuldade em lidar com suspeitos de estupro, principalmente quando a vítima é uma criança. Lembro de uma vez, há pouco mais de cinco anos, em que entrevistei um pedreiro preso por estupro continuado à filha de onze anos. E não era estreante: durante anos, abusara sexualmente da menina mais velha que, ao atingir a adolescência, saiu de casa para escapar às sevícias.
Depois de ouvir o relato oficial da titular da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca), fui até o suspeito. Como se nada soubesse do caso, lhe indaguei o porquê da prisão. Sem se abalar, ele me respondeu que tinha feito “umas coisas com a menina”. Tentando aparentar uma empatia que não sentia, insisti com um “que tipo de coisas?”. Ele não respondeu. Foi aí que arrisquei: “A delegada disse que o senhor abusou da sua filha, eu não acreditei e por isso queria saber se é verdade…”.  Olhando diretamente pra mim, mas sem deixar transparecer qualquer emoção, o custodiado disse: “Eu só estava ensinando as coisas da vida a ela”. Gelei, enquanto ele completava que “é melhor ela aprender comigo do que com um estranho, não é?”.
Não respondi à pergunta, obviamente de caráter retórico. Optei por me concentrar nas suas respostas, enquanto sentia o estômago revirar. Acabei tomando conhecimento do histórico de vida dos personagens daquele drama, que tinha como pano de fundo a miséria quase absoluta. A família vivia em um barraco toscamente plantado numa favela às margens da Avenida Ogunjá, em Salvador, em condições francamente subumanas. Dos quatro filhos do casal, três moravam ali (eram duas meninas e um menino) e todos dormiam num mesmo cômodo junto com os pais, circunstância que, segundo alguns especialistas, facilita o abuso sexual intrafamiliar. E foi nesse cenário, com a muda cumplicidade da companheira, que o pedreiro estuprara as duas filhas mais velhas e poderia vir a seguir o mesmo script em relação à caçula, então com oito anos.
Saí da delegacia arrasada. Mesmo hoje, decorridos mais de cinco anos desse episódio, ainda me sinto tocada pela história. O que teria acontecido com a menina abusada? E a menorzinha, agora adolescente, teria também se tornado vítima do pai? E quanto a ele, será que, após enfrentar os horrores da cadeia na condição de estuprador, teria mantido a conduta criminosa?…
Corte para o presente.
Essas lembranças me ocorreram nos últimos dias a propósito do caso Mirella Cunha, a repórter que humilhou um preso suspeito de estupro dentro de uma delegacia. Não pretendo engrossar o coro de juízes da jornalista. Aprendi muito cedo que – com o perdão da expressão grosseira – não se deve chutar cachorro morto. Até porque, contrariando o senso comum, a cena, bizarra em si, não me causou nojo, revolta ou raiva, como à maioria dos internautas. Na verdade, o único sentimento que o vídeo me despertou foi pena. Da entrevistadora, do entrevistado e, sobretudo, do telespectador.
E por que pena? Porque trata-se de um caso explícito de ignorância em série. A jovem Mirella, usada como massa de manobra, não se percebe enquanto produto de consumo de uma engrenagem tão bruta quanto o sistema que ela retroalimenta. Paulo Sérgio, assaltante confesso, menino que nunca teve infância, faz parte da legião de pretos pobres da periferia (os chamados PPPs) que nascem, crescem e morrem ignorantes de seus direitos e deveres.  Nessa cadeia de ignorância, o público figura como elo mais forte: se não houvesse público, para quem essas mocinhas bonitas de cabeça oca e seus partners truculentos iriam se exibir?
E o que minha entrevista com aquele estuprador confesso tem a ver com Mirella e Paulo Sérgio? É simples. O fato de aquele homem ter me deixado abalada demonstra que o repórter tem emoções e elas podem aflorar em meio a uma reportagem. Já chorei diante de corpos jovens abatidos na guerra do tráfico e perdi o sono após entrevistar meninas vítimas de exploração sexual. Não me envergonho disso. Antes de ser jornalista sou um ser humano com emoções e fraquezas. Mas, como diz o amigo Erival Miranda, ex-colega de Correio da Bahia e atual assessor de comunicação da SSP-BA, isso deve ser coisa de jornalista das antigas. Jornalista que, mesmo conhecendo a versão oficial sobre determinada prisão, faz questão de chegar até o preso para ouvi-lo.  Sim, é obrigação do jornalista dar voz e vez a quem tem a palavra cerceada momentaneamente.
Afinal, quando o jornalista se contenta com o boletim de ocorrência e trata o preso como bandido, ignora o postulado constitucional da presunção da inocência. É também como se atirasse a primeira pedra num processo de linchamento moral.

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