"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

quinta-feira, 17 de julho de 2014

ENTREVISTA COM ELIAS JABOUR SOBRE O CONFLITO EM GAZA

* Por Juliana Medeiros


Entrevista com o geógrafo Elias Jabour, Assessor do Senado Federal, Doutor e Mestre em Geografia Humana pela USP, e um dos apoiadores dos atos que vem sendo realizados em prol da causa palestina. A transcrição da entrevista segue abaixo.



Crédito da foto: Fabiane Guimarães/FB


Movimentos Sociais e Entidades que defendem os direitos humanos realizaram na noite desta quarta-feira, em Brasília, uma Vigília Pelas Crianças de Gaza em frente ao Museu da República.

Com bandeiras, velas, e faixas de solidariedade à Palestina, os representantes do movimento também projetaram imagens alusivas à causa Palestina nas paredes do Museu.

Eu converso agora com Elias Jabour, Assessor do Senado Federal, Doutor e Mestre em Geografia Humana pela USP e um dos apoiadores dos atos que vem sendo realizados em prol da causa palestina.

RC – Elias, o governo israelense acusa o movimento islamita Hamas, pelo sequestro de três jovens cujos corpos foram encontrados em 30 de junho, com marcas de tiros. No dia seguinte, em 1º de julho, um adolescente palestino foi sequestrado e morto em Jerusalém Oriental. A perícia apontou que ele foi queimado vivo. Israel acabou prendendo, mais tarde, alguns judeus extremistas que confessaram o assassinato do garoto. Isso acabou gerando uma onda de revolta em Gaza e o Hamas iniciou então os lançamentos de foguetes (de fabricação caseira) contra Tel Aviv que respondeu, e responde ainda, duramente contra Gaza. Bom, esse é o resumo que vem sendo amplamente noticiado sobre o atual conflito na região. Até que ponto, Elias, a gente pode dizer que essa é uma leitura superficial da situação?

Primeiro eu acho muito estranho o Hamas se envolver nesse tipo de crime, sequestrar três jovens judeus e matá-los. Acho que essa é a primeira questão a ser levantada. Será que isso é verdade mesmo? Será que foi o Hamas que fez isso? Por que, historicamente, se você pegar o processo de luta que envolve o Hamas e outras organizações políticas daquela região, esse tipo de atitude não é “a cara” deles. É algo que tenho muitas dúvidas, se foi ele [o Hamas]. E é evidente que algum nível de resposta viria do lado israelense. Então, pegar uma criança e queimar viva e enterrá-la, eu acho que não é algo fora da realidade para quem já vem cometendo certo nível de atrocidades nos últimos 60 anos. A questão da superficialidade que é interessante. As pessoas e os meios que são obrigados a passar informação para o maior número de pessoas, elas não levam informação. Elas passam [somente] um lado da história. Existe um lado sendo atacado, vamos dizer assim, “como resposta a ataques de grupos radicais islâmicos situados na Faixa de Gaza”. Ou seja, para por aí a análise. E é evidente que chega até certo nível de saturação, em que as coisas vão ficando tão escancaradas que a própria “mídia hegemônica” pede para dar um basta naquilo. Porque já está pegando meio mal mesmo, não é? Então existe sim, um alto grau de superficialidade na análise das questões que envolvem o Oriente Médio, principalmente vindo da grande mídia. Ou seja, [você] liga no [canal] Globo News, ou nesses noticiários de massa, liga a TV e você não vê os dois lados da história, do por que as coisas chegaram a esse ponto. E o principal, não se fala a história daquele processo. E dificilmente você vê a imagem de um mapa da Palestina antes e depois de 1948, depois de 1967, depois de 1973, isso não aparece na televisão. E, por fim, o que eu acho mais interessante é: qualquer país do mundo que fizer um décimo do que Israel está fazendo com a Palestina, estará sujeito a graves sanções econômicas. Mas até agora eu não ouvi uma voz dissonante, dentro ou fora da ONU, colocando a possibilidade de Israel vir a sofrer sanções econômicas. Acho que essa é uma questão também a ser respondida.

RC – Como bem mostram correspondentes em imagens televisivas mundo afora, a maioria esmagadora dos foguetes de fabricação caseira que são lançados pelo Hamas não chegam a atingir Israel, quase sempre são interceptados no ar por sistemas antimísseis. Na última terça-feira, Israel registrou sua primeira morte - um homem atingido por um morteiro. Já em Gaza a situação é bem pior, são dezenas de mortos todos os dias. Dentre eles, muitas crianças. A ONU inclusive vem advertindo, desde o início do conflito, que a maioria das vítimas palestinas é civil. Você entende que existe aí certo “silêncio” da comunidade internacional sobre essa situação na região?

Tirando alguns países, vamos dizer assim, do [chamado] “eixo do mal”, como a Venezuela, o silêncio é quase que total e absoluto. Esse é o fato concreto. Imagine você – vamos fazer um exercício aqui –se a Coreia do Norte for atacada pela Coreia do Sul e disparar um míssil e morrerem quinze crianças coreanas do sul. Isso seria um escândalo internacional, não seria? Ou seja, veja se existe essa mesma medida para o caso da Palestina. Interessante que ontem, Israel começou a lançar mísseis contra o litoral de Gaza e matou três ou quatro crianças que estavam se divertindo na praia...

RC – É, foram quatro crianças de uma mesma família e o curioso é que foi há 200 metros de um hotel onde jornalistas de todo o mundo estão hospedados.

Ou seja, qual é a repulsa internacional a esse ato? Existe algum comentarista de assuntos internacionais na grande imprensa capaz de colocar o dedo na ferida dessa questão? O que é Gaza hoje? Gaza é um favelão. Sufocado, não tem água, está sem energia elétrica, o sistema de esgoto entrou em colapso e a ONU tem que pedir permissão a Israel para fazer um cessar-fogo de cinco horas [e entrar] em Gaza. É uma coisa horrível, eu acho muito horrível o que está acontecendo.

RC – A mídia, em geral, vem tentando atribuir todas essas mortes e o acirramento do conflito a algum tipo de “má vontade” dos palestinos em dialogar, como você interpreta isso Elias?

Olha, é o seguinte: você tem uma casa, você tem uma família, aí invadem a sua casa e, amiúde te expulsarem de casa, ainda estupram sua mulher e sua filha na sua frente. Como é [possível] ter algum nível de diálogo em pé de igualdade com quem faz isso? E não é exagero, é o que acontece na Palestina. Os Palestinos são o povo mais oprimido do mundo. Então, ao invés de se falar que os palestinos resistem ao diálogo, tem que se perguntar por que eles resistem ao diálogo, se é que resistem não é? E quais os temas que Israel vai colocar para continuar o diálogo, para sentar-se à mesa de negociação? Por que é muito fácil para Israel “propor” o diálogo, enquanto eles continuam colonizando partes árabes da Palestina.

RC – Houve agora um anúncio de um possível acordo, uma suposta tentativa do Egito de mediar um cessar-fogo. O gabinete de segurança de Israel declarou que havia aceitado esse acordo, mas uma nota distribuída pelo Hamas nega que sequer tenha sido apresentado um acordo ao movimento. O Hamas é uma organização sunita que engloba um partido e também um braço armado. E é também o mais importante movimento islâmico da Palestina atualmente, e que ganhou as eleições parlamentares em janeiro de 2006. E um dado interessante é que Israel costumava alegar problemas em negociar com os palestinos enquanto o Hamas não fosse parte das negociações [sendo ele tão influente na região], mas logo depois que o Hamas foi eleito, Israel passou a dizer que não negocia com o Hamas. Até porque [o Hamas] é considerada uma organização terrorista por vários países. Mas, junto à população Palestina, Elias, qual a legitimidade que o Hamas tem atualmente?

Total legitimidade. Eu posso falar com tranquilidade que tem muita legitimidade. Porque a Palestina não tem um Estado capaz de prover serviços médicos, de saúde, de pronto-socorro, de previdência, de educação, escolas, etc. E quem faz muito isso, é o serviço social bancado pelo Hamas. Esse é um fato objetivo. A Palestina hoje vive de ajuda internacional. Até por que, o que ela poderia exportar, ela não exporta. Por exemplo, óleo de oliva. Tanto é que a campanha internacional que existe na Palestina há muito tempo (eu estive lá em 2011) é: “Give me a choice”. Ou seja, “me dê uma chance”. A Palestina não consegue fazer comércio com ninguém, não tem nem aeroporto. Então como que um Estado desse pode sobreviver e manter serviços públicos básicos para a população dessa forma? Não tem como. Então, a legitimidade do Hamas vem por conta do papel de assistência social que eles fazem ali na região. Todas as forças políticas da região se legitimam através da história do próprio movimento e pela capacidade desse movimento em prover serviços públicos para a população. Ou em amenizar um pouco o sofrimento daquela população. O Hamas é sim legitimado naquele lugar, tanto é que ganhou as eleições. Então quando Israel “não quer negociar com o Hamas”, não é para o Hamas que ele está dizendo isso, [Israel] não quer negociar é com a Palestina.

RC – Os movimentos e entidades de luta pelos direitos humanos estão realizando aqui em Brasília uma serie de atos em prol da Causa Palestina, especialmente [agora] nessa situação conflituosa ali na região. Você tem como informar quais são as próximas agendas desse movimento?

Olha, houve dois atos que eu achei muito interessantes. O primeiro deles foi a entrega de um documento do movimento para o representante da ONU aqui no Brasil. E foi um ato muito amplo, muito aberto, em que o embaixador ouviu nossas opiniões, também falou um pouco em nome da ONU. O ato de ontem à noite teve um caráter mais de mobilização e que mexesse com a emoção. Foi um ato que mostrou imagens de crianças palestinas, em que acendemos velas, em que mostramos uma faixa [com os dizeres]: “Abaixo o apartheid de Israel contra a Palestina”. E a partir desse ato de ontem, toda uma agenda tem sido elaborada. Mas ainda hoje vai haver uma reunião, às 17h30 e vai ser elaborada uma agenda que vai ser passada para vocês com certeza.

RC – Nós conversamos com Elias Jabour que é doutor e mestre em Geografia Humana pela USP, Assessor do Senado Federal e apoiador dos atos que vem sendo realizados em prol da Causa Palestina e pelo cessar-fogo na Faixa de Gaza. Elias, muito obrigada por essas informações que você nos deu.

A agência da ONU para refugiados palestinos alertou que centenas de milhares de palestinos estão sem acesso à água após os ataques que atingem também as redes de abastecimento.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que “não tem escolha” a não ser intensificar a campanha militar contra a Faixa de Gaza. Israel anunciou também a mobilização de milhares de soldados na fronteira com Gaza iniciando o que seria uma ofensiva terrestre que pode piorar ainda mais a situação na região.


* Juliana Medeiros é repórter da Rádio Cultura FM 100,9 de Brasília e editora do programa Cultura Notícias Internacional, que vai ao ar de 2ª a 6ª feira às 17h.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Copa, BRICS e o revival do complexo de vira-latas

Esse texto está em um comentário meu no facebook, mas vou postar aqui (adaptado) por que não resisto em falar sobre tudo que tenho visto/lido/ouvido. A mídia (cada vez mais) influencia tanto mentes e corações que consegue mudar até a história da humanidade! Afeta nossa memória e mesmo o discernimento de algumas pessoas. Mas vamos lá:

Imagine que você tem uma família que vive por gerações e gerações em um lugar. Sua casa é bela, exuberante, tem múltiplas riquezas naturais e você convive com tudo isso de forma harmoniosa. Um pouco mais distante, vive um vizinho cuja família tem milênios de existência a mais do que a sua, tendo alcançado já alguma riqueza e desenvolvimento. Um belo dia ele "descobre" vocês por ali, ainda vivendo da terra e do que a natureza pode lhes dar. Enfim ele aparece e num primeiro momento se finge de amigo, lhe dá presentinhos, mas depois lhe rouba, estupra suas filhas, assassina os resistentes, retira na marra seus recursos naturais, a ponto de extinguir alguns, saqueia seus minérios, extermina árvores, fontes de alimento, sua beleza, sua força, e ainda forma em sua terra uma colônia onde, por séculos, irá explorar o trabalho de membros de sua família e de outros "selvagens" que ele trouxe de outros lugares mais pobres, para ajudar no trabalho de torná-lo ainda mais rico e poderoso.

Com tudo que lhe roubou, eles (e outros vizinhos ricos, que chegaram para ampliar o saque que o primeiro iniciou) investem em suas belas casas, seus templos de poder e na estrutura e formação de suas famílias. E você que ficou com a sua em frangalhos, segue tentando se reerguer. Eventualmente tentando preservar alguma altivez para seguir em frente, outras vezes tentando dialogar, se integrar, perdoando e esquecendo as dores do passado. Mas o tempo é cruel, corre contra você e é difícil, quase impossível, alcançar-lhes o mesmo patamar.

Você consegue se libertar depois de séculos de luta por direitos, mas ainda tem muito o que recuperar do prejuízo. Transformam em produto e consomem sua alegria, mas inserem à força valores (culturais e religiosos) que procuram desqualificar suas raízes e tradições. E você ainda tem que passar todo esse tempo de labuta ouvindo piadinhas, de que você "não vale nada", é inferior, mais feio, mais burro, mais preguiçoso. Até elaboram teses na tentativa de provar que você é geneticamente destinado ao insucesso. Mas você segue tentando preservar sua dignidade, e tentando transmitir aos seus a importância de seguir em frente e, mais ainda, a importância de buscar a felicidade. 

O tempo passa, não há mais conflitos extremos entre vocês. Seu vizinho "rico" então, se achando o detentor "natural" do direito de se sobrepor a tudo e a todos, se junta com outros parceiros "predestinados" e inventa uma guerra com outras vizinhanças e culturas e simplesmente mata praticamente TODOS, rouba deles TODA a riqueza, móveis e imóveis, de roupas a joias, mata-lhe os filhos reconfigurando gerações futuras, não respeitando absolutamente nada, nem mesmo a Carta de Direitos. Mas, felizmente, acabam vencidos por outras vizinhanças (e até uma ajudinha sua) que, juntas, colocam um ponto final nisso e toda essa comunidade volta, aos poucos, a viver novamente com alguma harmonia. Ainda assim, jamais tirariam deles aquilo que roubaram, não haverá julgamento ou compensação. A liga dos "vizinhos ricos unidos", fará sempre aquela cara blasé de quem tinha o "direito" de fazer o que fizeram e continuarão a multiplicar suas riquezas, sem remorso algum do sangue que derramaram. Afinal, estavam apenas "expandindo seu território", são "conquistadores", merecem até uma estátua no centro da sua maior cidade para que seus filhos aprendam que "corajosos" são eles, que desbravaram essa "terra selvagem". E você lá, correndo, arfando, suando, estudando, investindo em seus filhos, sonhando, tentando "chegar lá" enquanto lhe xingam, ridicularizam, o chamam de pobre, subdesenvolvido.

Os tais vizinhos privilegiados se reorganizam em uma grande força militar que ameaça todo o resto que não faz parte do mesmo "clube dos ricos". Com isso, estabelecem políticas de "ajuda humanitária" que na verdade são uma fachada para que continuem (até hoje) roubando, matando, expropriando outros vizinhos mais pobres (afinal, tanta terra ainda a explorar), controlando inclusive a COMUNICAÇÃO, que é para convencer todo mundo de que eles são "no fundo" tão bonzinhos quanto o 'Meu Malvado Favorito', na verdade eles são a "força do bem contra o mal" e fazem isso para "salvar o mundo dos terroristas". Tornam-se então nossos heróis, vultos que passam a ser doutrinados em nossas escolas (enquanto aqueles que lutaram por liberdade e direitos são completamente apagados da nossa memória). A tal ponto que qualquer crítica aos "métodos" passa a ser um tabu, coisa de "radicais". Seus filhos (e até você) começam a acreditar que precisam mesmo é agradecer a toda essa "proteção" que eles lhe dão sem cobrar quaaaase nada (só uma ou outra relação comercial injusta, mas isso é próprio do "mercado", da "livre concorrência", faz parte).

E mesmo depois de ter sido roubado e humilhado por séculos, você se aproxima do 5º lugar em riqueza e desenvolvimento em relação a todos os outros vizinhos, na verdade você até que está em situação bacana agora, seus filhos viajam e estudam nas terras "rycas" e eles, que agora estão um tantinho quebrados, ficam felizes vendo vocês chegarem lá e gastarem a rodo.

E você vai além, se une àqueles que estão em um mesmo estágio que você, e buscam estratégias para se ajudarem mutuamente e encontrarem maneiras de ajudar outros povos, com condições mais justas, mais humanas. Mas, novamente, sua própria mídia tenta provar o quanto todos vocês aí, pobres, são ridículos, tentando mudar as regras do jogo. Te espionam descaradamente, conspiram e, desta vez, não para te roubar, mas para não deixar que você se aproxime. A palavra agora é competição, uma das benesses da "democracia".

Nesse meio tempo, seus filhos, no esporte, conquistam CINCO vezes um campeonato. Nenhum dos outros, nem mesmo os mais ricos conseguem o mesmo feito. Mas um dia vocês organizam um mega campeonato na sua casa e seus filhos perdem feio, vexame total. "Logo você que era o melhor nisso, nem isso você faz direito seu mané?"... E você embarca novamente na onda derrotista. 

Até que você pára e pensa que tem duas opções: entender que é só um esporte e tocar em frente o trabalho de continuar crescendo e corrigir as falhas (inclusive aprendendo com o que os campeões fizeram de positivo), OU se sentir um lixo, vender isso todos os dias na sua própria mídia como uma hipnose coletiva, convencendo cada criança de que somos "a cara do fracasso", e reconhecer que eles sim, é que "sempre foram melhores em tudo", nós é que somos "atrasados mesmo".

A questão, meus caros, é que para vencer esse "atraso" devemos tirar a máscara, mas não é a "de dormir", por que aqui as pessoas sempre trabalharam muito, não tiveram muito tempo para dormir, e até "ergueram edifícios onde hoje não podem entrar", como diz o poeta. Sobrevivemos à exploração, à colônia, à escravidão, estamos buscando a integração com vizinhos mais próximos, estamos buscando aprender com cada cultura, preservando o que temos de melhor. Perdoamos, nos relacionamos com respeito até mesmo com aqueles que um dia nos exploraram, somos parceiros, e mais, temos condições de ajudar outros mais pobres (ajudar e não fazer proselitismo com a dor alheia). Mesmo assim, até hoje lutamos contra mentiras que convencem muitos dos outros (e dos nossos) de que não somos nada. Foi preciso realizar um mega evento, atraindo 600 mil estrangeiros de uma só vez, e vê-los encantados com cada traço de nossa cultura, querendo "exportar" para seus países coisas tão singelas quanto um simples ABRAÇO, para que as pessoas - até brasileiros! - passassem a ver que "até que somos legais".

A máscara que precisamos tirar minha gente, é realmente essa do "complexo de vira-latas", como sacramentou Nelson Rodrigues em 1950. Por que se a gente parar para prestar atenção (e me perdoem a expressão, mas não encontro outra melhor), nós somos mesmo é foda pra caralho.

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