"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

domingo, 18 de maio de 2008

Evento simplesmente imperdível


É com muita honra que divulgo o lançamento no Senado, do livro de dois professores e amigos muito queridos, dois quais tenho profunda admiração e respeito. Carlos Ugo Santander, peruano, é Doutor em Ciências Sociais – Estudos Comparados sobre a América Latina, e Nelson Freire Penteado, brasileiro, é jornalista (dos melhores) e Mestre em Ciência Política. Os dois são organizadores de Os processos eleitorais na América Latina. Interessados em estudar melhor a América Latina, produziram um artigo científico que foi apresentado em abril de 2007 em Bruxelas, no 5º Congresso Europeu (Ceisal) de Latinoamericanistas. Foi durante o evento na Bélgica que vários pesquisadores ficaram entusiasmados com a proposta da dupla de reunir vários dos trabalhos apresentados na produção do livro.

O esforço de organização da obra ensejou acalorados debates sobre a necessidade de produzir mais e mais trabalhos comparados sobre a região. A compreensão do novo mosaico ideológico surgido com os atores políticos eleitos nos recentes processos eleitorais, a maior participação dos cidadãos na política da região e sua inserção na geopolítica internacional exigiam atitudes inovadoras, que resultaram na criação, em Brasília, do Centro de Estudos Comparados sobre a América Latina, uma rede virtual de pesquisadores. O livro é o primeiro produto do CECAL, que surge para trabalhar na organização de estudos que levem ao melhor entendimento dos nossos povos e países.

O evento, portanto, é realmente imperdível. Eu vou estar lá com certeza, então espero vcs!

Vc também pode saber um pouco mais lendo o blog da Ana Paula Bessa: http://provocadoress.blogspot.com/2008/05/convite-irrecusvel_19.html

quarta-feira, 14 de maio de 2008

60 anos de criação do Estado de Israel

"… e chamar-se-á Estado de Israel."
por Uri Avnery*

CADA VEZ que ouço a voz de David Ben-Gurion pronunciando as palavras "Assim sendo, estamos hoje reunidos em assembléia…", lembro de Issar Barsky, irmão mais jovem de uma namorada que tive. A última vez que o vi, estávamos em frente ao refeitório do Kibbutz Hulda, numa 6ª-feira, dia 14 de maio de 1948.

Naquela noite, meu batalhão deveria atacar al-Qubab, vila árabe no caminho de Jerusalém, a leste de Ramle. Estávamos ocupados. Eu limpava meu rifle tcheco, quando alguém chegou e disse que Ben-Gurion estava discursando sobre a fundação do Estado.

Francamente, os discursos dos políticos em Telavive não nos interessavam muito. A cidade parecia-nos muito distante. O Estado, sabíamos, estava onde estávamos, em nós, conosco. Se os árabes vencessem, não haveria nem Estado, nem "nós". Se vencêssemos, haveria Estado. Éramos jovens e autoconfiantes, e nem por um momento duvidávamos de que venceríamos. Mas eu estava muito curioso quanto a um detalhe: como se chamaria o novo Estado? Judéia? Sion? Estado Judeu?

Portanto, corri para o refeitório. A voz inconfundível de Ben-Gurion soava no rádio. Quando disse "…e chamar-se-á Estado de Israel"[1][1], que era o que me interessava saber, saí do refeitório. Na saída, cruzei com Issar, que lutava em outro batalhão. Naquela noite, atacaria outra vila. Disse-lhe o nome do Estado. E recomendei: "Cuide-se!"

Issar foi morto alguns dias depois. Por isto lembro-me dele como estava naquele dia: 19 anos, sorridente, um Sabra cheio de inocência e alegria de viver.

QUANTO MAIS PRÓXIMAS as grandiosas festividades do 60º aniversário, mais uma pergunta me incomoda: se Issar acordasse e visse Israel hoje – ele, sempre com 19 anos –, o que pensaria do Estado que foi oficialmente criado aquele dia?

Veria um Estado que se desenvolveu muito mais do que nos seus mais entusiasmados sonhos de adolescente. De uma pequena comunidade de 635 mil almas (contados os 6.000 que morreriam com Issar naquela guerra), há hoje mais de 7 milhões de habitantes em Israel. Dois grandes milagres locais – o renascimento do idioma hebraico e a instituição da democracia israelense – continuam a ser realidade. A economia é forte e em alguns campos – a alta tecnologia, por exemplo – Israel está entre os primeiros do mundo. Issar sentir-se-ia entusiasmado e orgulhoso.

Mas também sentiria que algo deu errado, em Israel. O Kibbutz onde armávamos nossas barracas de campanha naqueles dias tornou-se empresa comercial, como qualquer outra. A solidariedade social, da qual tanto nos orgulhávamos, desmoronou. Massas de adultos e crianças vivem abaixo da linha de pobreza, os idosos, os doentes e os desempregados estão entregues à própria sorte. A distância que separa pobres e ricos é das maiores do mundo desenvolvido. E a sociedade israelense, que uma vez levantou a bandeira da igualdade e da justiça, calou sua voz coletiva e dedica-se a outros assuntos.

Sobretudo, Issar descobriria, chocado, que a guerra brutal que o matou e feriu-me, além de matar e ferir milhares de outros, continua, sem trégua. A guerra comanda toda a vida de Israel. Enche as páginas dos jornais e está nas chamadas de todos noticiários de televisão. Descobriria que o exército – que realmente éramos "nós" – converteu-se em outra coisa, completamente diferente, em exército cujo único sentido e principal ocupação é oprimir povos vizinhos.

NAQUELA NOITE realmente atacamos al-Qubab. Quando entramos na vila, já estava vazia. Entrei numa das casas. A chaleira ainda estava quente, a mesa estava servida. Numa prateleira, havia fotos: um homem que visivelmente havia penteado cuidadosamente os cabelos, uma mulher em trajes locais, duas crianças. Guardo-os comigo, até hoje.

Suponho que na vila atacada pelo batalhão de Issar, aquela noite, havia foto semelhante. Os moradores – homens, mulheres, crianças – fugiram no último momento, deixando atrás de si toda a própria vida.

Não há como escapar do fato histórico: o Dia da Independência de Israel e a Nakba ("catástrofe") dos palestinos são dois lados da mesma moeda. Em 60 anos, Israel não conseguiu – de fato, Israel sequer tentou – criar outra realidade, para desatar este nó. E, assim, a guerra continua.

Ao aproximar-se o 60º Dia da Independência, criou-se um comitê para escolher um símbolo para o evento. Escolheram algo que teria chances em concurso para escolher símbolo da Coca-Cola ou do festival "Eurovision" da canção.

O verdadeiro símbolo do Estado de Israel é outro, diferente, e não foi inventado por comitê de burocratas. Está posto no chão e pode ser visto de longe: o Muro. O Muro da Separação.

O Muro separa quem, separa o quê? Aparentemente, separa a israelense Kfar Sava e a palestina Qalqiliyah, fica entre Modi'in Illit e Bil'in. Entre o Estado de Israel (e mais terra roubada) e os Territórios Palestinos Ocupados. Na realidade, separa dois mundos.

Na imaginação doentia dos que acreditam no "choque de civilizações" – seja George Bush ou Osama Bin-Laden – o Muro é a fronteira entre dois titãs históricos, a civilização ocidental e a civilização islâmica, inimigos mortais, combatendo uma guerra de Gog e Magog[2][2].

O Muro da separação é a fronteira entre estes dois mundos. O Muro não é só uma estrutura de arame e concreto. Mais que tudo, o Muro – como todos os muros – é uma declaração ideológica, uma declaração de intenção, uma realidade mental. Os construtores declaram-se proprietários, alinham-se de corpo e alma num dos lados, o lado ocidental; e declaram que do outro lado do muro, do lado de "lá", começa o mundo oposto, o inimigo, as massas de árabes e outros muçulmanos. Quando se decidiu sobre isto? Quem decidiu? Como?

Há 102 anos, Theodor Herzl escreveu em seu livro-manifesto Der Judenstaat[3][3], do qual nasceu o movimento sionista, uma sentença carregada de significado: "Para a Europa, constituiremos lá [na Palestina] um setor do muro contra a Ásia, serviremos como linha de frente, uma vanguarda de cultura, contra a barbárie."

Assim, em 22 palavras em alemão, foi postulada a visão de mundo do sionismo, e o lugar que Israel aí teria. Hoje, passadas já quatro gerações, o muro físico segue o traçado do muro mental. A imagem é clara, ofuscante: Israel é parte da Europa (como a América do Norte), é parte da cultura, que é exclusivamente européia. Do lado de "lá", a Ásia, continente bárbaro, sem cultura, e "lá" é o mundo árabe muçulmano.

Pode-se entender a visão de mundo de Herzl. Era homem do século 19 e escreveu quando o imperialismo branco estava no zênite. Ele o admirava com toda sua alma. Assumiu como missão (em vão), encontrar-se com Cecil Rhodes, o homem-símbolo do colonialismo britânico. Aproximou-se de Joseph Chamberlain, secretário britânico para as colônias, que lhe ofereceu Uganda, então colônia britânica. Ao mesmo tempo, também admirava o Kaiser alemão, seu Reich tão perfeitamente organizado, que castigava o sudoeste africano com um genocídio horrível, no ano em que Herzl morreu.

A máxima de Herzl não sobreviveu apenas como pensamento abstrato. O movimento sionista nasceu dela, no primeiro momento, e o Estado de Israel mantém-na viva até o dia de hoje.

PODERIA TER SIDO DIFERENTE? Israel poderia ter-se tornado parte desta região do mundo? Poderia ter-se convertido numa espécie de Suíça cultural, uma ilha independente entre Oriente e Ocidente, que servisse de ponte e mediação entre ambos?

Um mês antes de eclodir a guerra de 1948, sete meses antes de o Estado de Israel ter sido oficialmente constituído, publiquei um livreto intitulado "War or Peace in the Semitic Region". Começava assim: "Quando nossos pais sionistas decidiram criar um "paraíso seguro" na Palestina, podiam escolher entre dois caminhos: Podiam mostrar-se ao oeste da Ásia como o conquistador europeu, que se vê como cabeça-de-ponte da raça 'branca' e senhor dos 'nativos', como os conquistadores espanhóis e os colonialistas ingleses na América. Como, em seu tempo, os Cruzados, na Palestina. A outra via era verem-se eles mesmos como um povo asiático que voltava à terra de origem – vendo-se como herdeiros da tradição política e cultural da região semita."

A história da região onde hoje está Israel conheceu dúzias de invasões, que se podem classificar em dois principais grupos. Houve as invasões que vieram do Oeste, os gregos, os romanos, os cruzados, Napoleão e os britânicos. Invasões deste tipo visaram a implantar uma cabeça-de-ponte. Estes invasores pensavam como cabeça-de-ponte. A região é território hostil, a população é inimiga, é preciso oprimi-la ou destruí-la. No fim, todos estes invasores foram expulsos. E houve as invasões que vieram do Leste, os amoritas, os assírios, os babilônios, os persas e os árabes. Estes conquistaram o território e tornaram-se parte dele, influenciaram tanto quanto foram influenciados pela cultura que encontraram; no fim, enraizaram-se. Os antigos israelitas classificam-se no segundo tipo. Embora haja dúvida sobre o Êxodo do Egito narrado nos Livros de Moisés, ou sobre a Conquista de Canaã narrada no Livro de Josué, pode-se aceitar que fossem tribos que vieram do deserto e infiltraram-se nas cidadelas fortificadas de Canaã que não poderiam conquistar, como se lê em Juízes1.

Mas os sionistas eram diferentes. Os sionistas foram invasores do primeiro tipo. Trouxeram com eles a visão de mundo de cabeça-de-ponte, de linha de frente da Europa. Esta visão de mundo impôs-se e erigiu o Muro, como símbolo nacional de Israel. Isto tem de mudar.

UMA DAS PECULIARIDADES nacionais dos israelenses é uma modalidade de discussão na qual todos os participantes, sejam de esquerda ou de direita, argumentam 'por clinch', como no boxe: "Se não fizermos tal e tal coisa, desaparecerá o Estado de Israel!" Alguém imagina este argumento na França, na Inglaterra, nos EUA? Este argumento é sintoma da ansiedade "de Cruzado". Embora tenham permanecido por quase 200 anos e produzido oito gerações de "nativos", os Cruzados jamais tiveram certeza de que permaneceriam em Israel.

A existência do Estado de Israel não me preocupa. O Estado de Israel existirá enquanto existirem Estados. O problema é: que tipo de Estado haverá em Israel? Um Estado de guerra permanente, de terror contra os países vizinhos, de violência que degrada todas as esferas da vida, onde os ricos florescem e os pobres só conhecem a miséria; um Estado do qual desertam os melhores filhos? Ou um Estado que vive em paz com os Estados vizinhos, para benefício mútuo; uma sociedade moderna com direitos iguais para todos e sem miséria; um Estado que investe seus recursos em ciência e cultura, na indústria e na preservação do meio ambiente; no qual as futuras gerações desejarão viver; fonte de orgulho para todos os cidadãos? Que este seja o objetivo de Israel para os próximos 60 anos. Acho que este também seria o desejo de Issar, para o futuro de Israel.


*Uri Avnery,85 anos, é membro fundador do Gush Shalom (Bloco da Paz israelense). Adolescente, Avnery foi combatente no Irgun e mais tarde soldado no exército israelita. Foi três vezes deputado no Knesset (parlamento). Foi o primeiro israelense a estabelecer contato com a liderança da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1974. Foi durante quarenta anos editor-chefe da revista noticiosa Ha'olam Haze. É autor de numerosos livros sobre a ocupação israelense da Palestina, incluindo My Friend, the Enemy (Meu amigo, o inimigo) e Two People, Two States (Dois povos, dois Estados).
NOTAS [4][3] O Estado judeu, 1896.
* URI AVNERY, 3/5/2008, "…Namely, the State of Israel", em Gush Shalom (GRUPO DA PAZ), na Internet, em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1209841842/ . Copyleft. Reprodução autorizada pelo autor e pela tradutora.
[1][1] O texto da Declaração do Estabelecimento do Estado de Israel (14/5/1948) pode ser lido, em inglês, em http://www.mfa.gov.il/MFA/Peace%20Process/Guide%20to%20the%20Peace%20Process/Declaration%20of%20Establishment%20of%20State%20of%20Israel
[2][2] Entidades do folclore da região, que aparecem tanto na Bíblia hebraica quanto no Corão. Sobre "Gog e Magog" ver http://en.wikipedia.org/wiki/Gog_and_Magog (em inglês).

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A BARCA POÉTICA VAI PARTIR E VOCÊ NÃO PODE PERDER ESSA VIAGEM



O grupo poético OI POEMA, de Brasília – Cristiane Sobral, Luis Turiba, Amneres, Nicolas Behr e Bic Prado com a participação especial do cantor e violonista Paulo Djorge – vai inaugurar a BARCA BRASÍLIA POÉTICA, com um recital-happening em pleno Lago Paranoá.
O espetáculo inédito será nos próximos dias 17 e 18 de Maio (sábado e domingo), com saída às 17 horas, e a navegação terá a duração média de três horas pelas águas do Paranoá. O "OI POEMA" é um encontro de poetas brasilienses. Ele existe há cinco anos, já fez várias intervenções na cidade e também no festival de Poesia no Circo Voador, Rio de Janeiro. O "OI POEMA" será uma das atrações da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que acontecerá no segundo semestre.
O espetáculo "A Barca Poética" tem uma hora e meia de duração e os poetas recitarão e cantarão textos e músicas de suas autorias sobre temas comuns e extraordinários, como lendas de Brasília, natureza, samba, negritude, linguagem poética, etc. Ao longo do passeio, inúmeras surpresas animarão o happening que começará durante o pôr-do-sol – lindo e maravilhoso nesta época do ano. Mas atenção: se você não sabe nadar, traga um poema salva-vidas!
Os passageiros da Barca Brasília podem usufruir, além de ótimos poemas, do excepcional cardápio com vinhos, drinks e petiscos variados. Durante o passeio, na Rota do Charme do Lago Paranoá, a Barca passa por vários monumentos de Brasília e garante, através de sua equipe, um atendimento diferenciado.

Serviço:

A Barca Poética no Happy Hour flutuante da Barca Brasília
Dias: 17 e 18 de maio (sábado e domingo).
Saída da Barca: 17h00 com retorno às 20h30.
Cais do Bay Park Hotel: SHTN Trecho 02 Lote 05.
Valor do passeio: R$ 40,00 por pessoa.
Couvert artístico: R$ 10,00. Comidas e bebidas à parte.
Evento não indicado para menores de 16 anos.
Obs: recomenda-se ter à mão um agasalho.

Reservas e mais informações:
8419-7192 Edmilson Figueiredo
8432-6234 Amon Trajano
passeio@barcabrasilia.com.br
http://www.barcabrasilia.com.br/

Pontos de venda autorizados:
Recepção do Bay Park Hotel: SHTN Trecho 02 Lote 05.
Café com Letras: SCLS 203 sul BL. C loja 19, 61-33224070, aberto de 10h às 2h.
Flor de Lótus: SCLN 102 norte BL. A loja 102, 61-33269763.

Informações à imprensa:
9999-8843 Juliana Medeiros
imprensa@barcabrasilia.com.br
juliana_msouza@yahoo.com.br

sábado, 10 de maio de 2008

JOSÉ REZENDE JR. NO PAPO COM LETRAS



Qual a verdadeira história das histórias inventadas? O que é realidade, invenção e memória na literatura? Como nasce a ficção? Por mais de vinte anos, o repórter José Rezende Jr. (O Globo, JB, IstoÉ e Correio Braziliense) tentou arrancar estes e outros segredos de escritores como Luis Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Sérgio Sant´Anna, Murilo Rubião e Paulo Coelho. Agora, é a vez dos leitores fazerem as mesmas perguntas ao escritor José Rezende Jr., que estará no Café com Letras em 17 de maio (sábado), participando do "Papo com Letras".

Mineiro de Aimorés, mas brasiliense há duas décadas, o escritor e jornalista José Rezende Jr. estreou na literatura em 2005, com o livro de contos A Mulher-Gorila, publicado pela 7 Letras. Acaba de concluir o segundo, Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor) e se prepara para recomeçar a batalha por uma editora.

No "Papo com Letras", José Rezende Jr. falará sobre seu processo de criação e as relações entre jornalismo e literatura, além de outros temas, e fará também a leitura de contos do novo livro, ainda inédito.


Serviço:

Papo com Letras com José Rezende Jr.
Local: Café com Letras, SCLS 203 sul bloco C loja 19 – Asa Sul.
Data: 17 de maio, sábado.
Horário: a partir das 20h30.
Entrada franca.

Maiores Informações:
cafe.letras@gmail.com
(61) 3322-4070 / 3322-5070
joserezendejr@gmail.com
(61) 9975-4423

Informações para a Imprensa:
Juliana Medeiros
(61) 9100-6065 / 9999-8843
juliana_msouza@yahoo.com.br

terça-feira, 6 de maio de 2008

ÀS ESCOLHAS QUE FAREMOS

Na mesma noite, dei de cara c/esses dois textos em situações diferentes. Não gosto muito de ficar apenas repoduzindo textos alheios, mas não resisti em postar os dois...



A SERENATA
(Adélia Prado)

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
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ESCOLHAS DE UMA VIDA


A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida". Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto-conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.

Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!
(Pedro Bial)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Manoel (para os amantes de poesia)

Uma grande amiga e professora de literatura, Icléia, me ensinou a entender a beleza de Manoel de Barros. Isso já tem alguns anos. Desde então, me apaixonei por ele perdidamente.

"(...) essa estrada melhora muito de eu ir sozinho nela. Eu ando por aqui desde pequeno. E sinto que ela bota sentido em mim (...)"

Foi redigindo cartas que ele se tornou um dos maiores poetas brasileiros do século 20. Esse simpático e despojado senhor, que já passou dos 90 de idade, escreve com a simplicidade e delicadeza dos que foram criados no campo. Tudo que não presta serve para a poesia de Manoel de Barros. O primeiro que li - "Matéria de poesia" - é uma construção, um retalho de palavras, incluindo o que ele chama de "inutensílios" ou "desobjetos" (expressões que ele criou para os pertences abandonados que se tornam poesia sob seu olhar).

"Uso as palavras para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão, tipo água pedra sapo (...)"

Daí que ganhei de alguém muito especial "Memórias inventadas - A infância", uma caixinha linda com folhas soltas como os versos de Manoel e iluminuras de Martha Barros, sua filha. Ganhei há pouco e já li várias vezes. Fico emocionada porque esse livro fala de lembranças que, prafraseando o próprio, me "dão saudade do que não fui". Passei muitos momentos em fazendas, beiras de rio, praias de pé descalço, vento no cabelo... No verso em que relata a observação de um pente, deixado sob uma árvore, ele desperta o leitor para a liberdade de experimentar de forma ingênua, descomprometida até, a construção dos versos com as palavras. Algo que para ele é simples, natural. Para quem lê, é mágico, emocionante, singular... Recomendo muito a aquisição desta singela caixinha de palavras, folhas e versos soltos. Para si, para presente, para guardar.... vai por mim gente, é inesquecível. Mesmo.

"(...) E o menino deu pra imaginar que o pente, naquele estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um lagarto. E acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente (...)."

P.S.: Aqui em Brasília, pode-se adquirir no Café com Letras (SCLS 203 sul, lj. 19).

domingo, 4 de maio de 2008

Inveja é fogo

O Botafogo ficou com inveja do Vasco:
"Eu também quero ser vice do Flamengooo, eu também quero ser freguês!"




Sou, time de tradição, raça, amor e paixão, ó meu mengoooooooooooooooooooooo!!!!!!
E a massa rubro-negra vai a louuuucuuuuraaa no Maracanããããã!!!!!...................

Conceito Arendtiano


"Todo poder tem lastro na consciência coletiva.
A violência não tem poder"
Hanna Arendt

terça-feira, 29 de abril de 2008

SOBERANIA - Guerra x Paz e o descontrole social

Primeiramente, desculpem-me por ficar tanto tempo sem atualizar o blog, tenho trabalhado muito, enfim... sem mais delongas. Quero falar um pouco sobre violência. Acho que estamos desenvolvendo uma espécie de resistência emocional coletiva para a violência e o descontrole social. É quase um anestésico, muito ainda em cima dos conceitos de virtualidade já debatidos aqui no blog, ou seja, as coisas reais estão sendo substituídas pelas virtuais e isso produz uma reação subjetiva de "rejeição à verdade" ou à aceitação dela. Aí, muitos conceitos sensatos, como os de proteção aos direitos humanos se perdem no descontrole quando as pessoas decidem que é hora de reagir.

No episódio em que Hugo Chávez avançou seu exército até a fronteira (no conflito entre Colômbia e Equador, quando do assassinato de um dos líderes das Farc pela primeira em território equatoriano), deixando os conservadores de cabelo em pé, seu ato apenas era o exercício de um direito soberano, o de controlar e proteger suas fronteiras. Este, aliás, é um dos elementos constitutivos do poder soberano sendo as fronteiras por sua vez, um elemento político constituído de poder. Além do controle das fronteiras, compõem os poderes soberanos: a autoridade interna, a autonomia política e a não-intervenção.

Cada país é autônomo e sua autodeterminação é garantida a partir da Carta de São Francisco (por ocasião da criação da ONU em junho de 45). Desde 1648, onde houve na Alemanha uma tentativa de monopólio absoluto do poder pela monarquia, após o Tratado que pôs fim à Guerra dos 30 anos, foi estabelecido o conceito de "estado-nação". Este possui três elementos principais: território, povo e língua. Aliás, língua, como poucos sabem, é uma questão legal, é lei. De certa forma, falar ou escrever errado não é ilegal, mas é um ato "fora da lei".

Liberté Igualité Fraternité

O exercício da soberania (popular) é conceituado desde 1789, durante a Revolução Francesa. Após cortarem a cabeça do rei e o povo clamar pela república, veio a redenção: "todo poder emana do povo e em seu nome será exercido". Isto é utilizado até hoje e foi reproduzido em nossa Constituição de 1988. Saímos do estado absoluto para a república, ou como prefere Bobbio, "do regime de cortar cabeças para o de contar cabeças". Do poder absoluto para o estado de direito. E, posteriormente, para a democracia (ainda em fase de testes, diga-se).

El poder significa la probabilidad de imponer la propria voluntad, dentro de una relación social, aun contra toda resistencia y cualquiera que sea el fundamento de esa probabilidad (conforme definição de Max Weber)

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, que esse ano faz 60 anos, na verdade começou a ser gestada em 1919 quando da formação da Sociedade das Nações, no âmbito do Tratado de Versailles, que transformou a guerra em um tema de interesse global. Portanto, o conflito recente Colômbia x Equador, foi levado à OEA porque qualquer conflito entre nações hoje, é do interesse de todos. Por isso também, na maioria dos governos, existem dois elementos permanentes: o Ministério do Exército (que faz a guerra) e o Ministério das Relações Exteriores (que faz a paz).

Na Carta da ONU, a palavra guerra aparece apenas uma vez, logo no preâmbulo: "nós, os povos das nações unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade ampla. (...)". Historicamente, a guerra tinha uma conotação apenas de um "instrumento de resolução de conflitos" e a tortura por muito tempo foi tida como um "meio justificado de obtenção de provas". Ainda bem que as coisas mudaram bastante neste sentido...

A dignidade da pessoa humana é inviolável e toda autoridade pública
terá o dever de respeitá-la e protegê-la.


No filme O paciente inglês, a enfermeira vivida por Juliete Binoche é a única que reconhece o doente terminal como uma pessoa humana. Isso porque durante a guerra, judeus, ciganos e doentes terminais, não tinham direitos. A Constituição Alemã só reconhecia os direitos dos alemães (enquanto cidadãos). Para se ter uma idéia, em nossa constituição, a palavra brasileiro só é citada para especificar os parágrafos que tratam de nacionalidade, mas todos os seres em território brasileiro, tem seus direitos humanos e de cidadãos reconhecidos (pelo menos na teoria).

"Todos nascem iguais" é o que diz a carta de 48, mas só a partir da reforma em 2005, surge o conceito da "responsabilidade de proteger". É dever humanitário garantir abrigo aos refugiados, por exemplo. E isso é um conceito à ser observado mundialmente, o que considero um avanço gigantesco para a sociedade em que vivemos e, porque não, para o futuro da humanidade.

Segundo Hanna Arendt "(...) onde os homens aspiram a ser soberanos, como indivíduos ou como grupo organizado, devem se submeter à opressão da vontade, seja esta a vontade individual com a qual obrigo a mim mesmo, seja a vontade geral de um grupo organizado. Se os homens desejam ser livres, é precisamente à soberania que devem renunciar". O sentido de liberdade Arendtiano aqui, não é o que muitos pensam, não tem um viés tão revolucionário, ela mesma afirma mais a frente que o próprio "sentido da política é a liberdade". Mesmo o dificílimo Kant em seu texto "A paz perpétua" (que não é a dos cemitérios), diz que todos os países devem ser republicanos para alcançarem a paz. A ordem internacional deveria ser regida por uma confederação de estados livres. O cosmos no conceito kantiano, é inspirado na polis grega.

No government should be able to create a prison where it can be exercise unchecked absolute power over those within the prision´s walls (Human Rights Watch World Report 2004).

Será que os defensores de Guantánamo conhecem isso? A base é uma evidência do limite da proteção internacional dos direitos humanos quando o discurso da segurança de Estado se torna prioridade absoluta. O campo iniciou seu funcionamento em 11 de janeiro de 2002 com aproximadamente 700 pessoas de várias partes do mundo, dentre elas três adolescentes entre 13 e 18 anos. Até o momento, não foi informado: a identidade dos prisioneiros, a alegação contra eles, onde serão julgados.. Os julgamentos que estão sendo realizados, são feitos por uma Comissão Militar criada pelo presidente Bush em 2001. Vivo num mundo em que isso é aceito, permitido e não questionado pela maior parte do planeta... é difícil compreender isso às vezes...

(...) Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração
Considere, rapaz (...)
Gilberto Gil

O sentido da palavra dignidade é merecimento, respeito, consideração. Essa definição foi melhor explicada para mim, esses dias, pelo Prof. Guilherme Assis Almeida: "Siderar é olhar para as estrelas. Milenarmente, olhamos para elas para entender a existência ou prever o futuro. Quando considero, respeito as peculiaridades de cada ser. O antônimo é desiderar, ou desejar ao extremo, sem limites."

No caso Isabella Nardoni por exemplo, só houve o desejo de se livrar de um problema, não houve consideração. E, no entanto, considerar é uma necessidade humana, por isso o fato chocou tanto, a despeito da reação da sociedade e da imprensa terem me chocado mais. Sobre isso aliás, leiam: http://provocadoress.blogspot.com/2008/04/ensinando-lixar.html de Ana Paula Bessa e http://prenhederazao.blogspot.com/2008/04/o-acaso-particular.html do Flávio Costa que definem bem o que vem acontecendo e resume muito do que eu mesma penso sobre o assunto. Triste do povo que acredita que linchar suspeitos em praça pública é o exercício de um direito ou um ato de "justiça" (putz)...
Outro filósofo, Joan Galtung define: "violência é tudo que impede ou impossibilita o processo de desenvolvimento", ou seja, quando pais e mães super protegem seus filhos não estão criando seres livres, muito menos dando-lhes possibilidade de se desenvolverem.

Uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada e coordenada em tempo real, resulta em mobilização efetiva de competências. (Pierre Lévy)

O uso internacional da força física ou do poder, real ou potencial, contra si próprio, contra outras pessoas ou contra um grupo ou uma comunidade é praticado mundialmente ainda hoje sem a observação dos critérios recomendados pela Carta da ONU, ainda que muito se diga a respeito, cada cultura acaba fazendo de acordo com sua vontade. A vantagem é que hoje é difícil isso acontecer sem que hajam reações literalmente imediatas de cada canto do planeta, a internet aí é um grande "observatório". Mesmo com fatos como a base de Guantánamo ou o assassinato do líder das Farc ocorrendo embaixo de nossos narizes sem que as pessoas se dêem conta do tipo de atrocidade que é cometido, da violação de direitos, da ingerência ao país alheio, creio que Lévy acerta quando afima no resultado final, ainda podemos nos salvar nos utilizando da informação (responsável), da educação e do conhecimento. Como aponta Amartya Sen, prêmio nobel de economia de 1998: "o desenvolvimento é um compromisso muito sério com as possibilidades de liberdade". O desenvolvimento para ela, deve ser visto como um processo de expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam. Ela contrasta com visões mais restritas, como as que identificam desenvolvimento com crescimento do PIB, aumento da renda per capita, industrialização, avanço tecnológico ou modernização (obviamente importantíssimas como meios de expandir as liberdades). Mas as liberdades definidas por ela são essencialmente determinadas por saúde, educação e direitos civis. Então, ver o desenvolvimento como expansão de liberdades substantivas dirige a atenção para os fins que o tornam importante, em vez de restringi-lo a alguns dos meios que desempenham um papel relevante no processo. Possivelmente, isso resolveria boa parte dos nossos problemas. Darcy Ribeiro, Paulo Freire e muitos outros educadores já sabiam disso há tempos só que não é interessante ainda apontarmos para isso. Pelo menos é o que pensam nossos representantes. Infelizmente.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Stop and think

Christopher Eric Hitchens, jornalista britânico

Cuidado com o irracional, por mais sedutor que ele seja. Evite o "transcendente" e todos os que o convidarem a se subordinar ou anular. Não confie na compaixão; prefira a dignidade para você e para os outros. Não tema ser considerado arrogante ou egoísta. Olhe todos os experts como se eles fossem mamíferos. Nunca seja um espectador da injustiça e da estupidez. Procure o debate ou a discussão por eles mesmos; o túmulo fornecerá muito tempo para o silêncio. Suspeite de seus próprios motivos e de todas as desculpas. Não viva para os outros, assim como você não espera que os outros vivam para você.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

ADEUS TEATRO OFICINA PERDIZ

Depois de tantas ameaças a derrubada se aproxima

O Teatro Oficina do Perdiz, três semanas após ganhar as telas do Fantástico e emocionar tanta gente no quadro Me Leva Brasil, recebe um ultimato para ser demolido. Talvez, nos últimos anos, uma das poucas notícias vindas de Brasília e que tenha dado orgulho a algum brasileiro, foi a história desse torneiro mecânico - como o nosso presidente - mas, um torneiro mecânico apaixonado pela cultura e que dividiu o espaço do esmeril e da solda, com figurinos, cenários e o ritual diário dos atores.
Essa história virou filme e tem ganhado as telas de festivais no Brasil e no mundo, com o curta 'Oficina Perdiz' de Marcelo Diaz. Além disso, está em fase de finalização, outro curta metragem, de Pio Gomes e que fala de dois Josés e duas oficinas, Zé Celso (Teatro Oficina – SP) e José Perdiz (Teatro Oficina do Perdiz).
A contundente ameaça ao teatro é fruto dos interesses de uma empresa da construção civil (Ipê-Omni), que ergueu, ao lado do Teatro Oficina, um prédio de quitinetes e estão conseguindo pressionar governo e representantes da Secretaria de Cultura do DF para colocar abaixo 20 anos de história do teatro brasiliense.
Segundo o produtor do espaço, Marco Pacheco, a construtora quer finalizar uma marquise que invade a área ocupada por essa oficina teatro, assim, é preciso tirar de circulação mais um teatro no Brasil, por atrapalhar interesses financeiros de um pequeno grupo. O capital financeiro subjugando o capital cultural, histórico e artístico de uma cidade.
O Teatro Oficina do Perdiz é uma peculiar oficina mecânica criada em 1969 e que funciona como teatro desde 1988, sendo um dos espaços mais democráticos para os artistas e para a comunidade. O principal argumento da construtora é que a área ocupada é do GDF, e deveria ser uma área de passagem de um bloco para outro. Aqui, cabe ressaltar que quase todas as áreas de passagem da Asa Norte são invadidas por empreendimentos que nada acrescentam à vida cultural do brasiliense, que não têm nenhuma utilidade pública. Vale lembrar ainda que o prédio do INSS incendiado em 2005 não possuía habite-se. Um dos mais nobres resorts da cidade também enfrenta problemas com a área ocupada, além disso, várias outras obras da cidade são irregulares. Qual a diferença entre essas outras edificações e a Oficina Perdiz? Por que a oficina do perdiz deve desocupar uma área pública para ser ocupada por esses empresários? Quem é beneficiado com isso? A resposta é simples: em Brasília ganha quem tem dinheiro e influência política. Será que nós, cidadãos e artistas, concordamos com isso?
O Teatro do Concreto se uniu a outros artistas apaixonados por esse espaço e está em temporada no Teatro Oficina do Perdiz com o espetáculo Diário do Maldito desde o dia 28 de março. A peça, inspirada na vida e obra do Plínio Marcos fala de resistência e compromisso com a arte. Nossa temporada é uma ação de resistência pela manutenção do espaço. Agora, corremos o risco de nem chegar ao final da temporada, prevista para 20 de abril, afinal, a obra ao lado tem urgência. Os empresários já se reuniram com a Secretaria de Cultura do DF, sem convidar a classe teatral para debater o assunto, a única proposta feita foi a retirada da Oficina do Perdiz, sem deixar claro como, quando e de que forma. É triste perceber que a marca que esse governo está imprimindo na cultura do DF é a marca da agressão aos foliões durante o carvanal, da destruição de obras de arte na W3 Sul que homenageavam poetas e, agora, a da eminente demolição do Teatro Oficina Perdiz. Cada vez mais, fica clara a idéia de fazer de Brasília uma cidade asséptica. Brasília não é do povo, como o céu é do avião.
Gostaríamos de poder contar com o apoio de artistas, jornalistas e da população em geral para impedir esse crime contra nossa cultura.

Teatro do Concreto.
REPASSEM!!!
Contatos: Marcos Pacheco – (61) 8142-9700 – produtor do espaço
Ivone Oliveira – (61) 9935-0860 – Teatro do Concreto
Marcelo Diaz – (61) 9212-4006 – Diazul de Cinema
Teatro Oficina do Perdiz (61) 3273-2364

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Das coisas que não entendo

Quando pensamos que sabemos
Quando achamos que temos
As respostas
O controle das coisas
Que sentimos
Que observamos
Que pensamos
Quando você se encontra
Com você mesmo
No caminho
Se olha e não se reconhece
Quando não há nada a dizer
Quando decidir já é difícil
E você está naquele ponto do caminho
Em que escolher é inevitável
Em que dar adeus é inevitável
É preciso saber renovar-se
É preciso saber deixar o tempo passar
Sem fazer nada
Ver o avesso da noite
E viver as perguntas
Não mais as respostas

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Release

CAFÉ COM LETRAS PROMOVE LANÇAMENTO DA EDITORA CONTRAPONTO

Seguindo em sua tradição de promover lançamentos com o que há de melhor no mundo da literatura, o Café com Letras realiza no próximo dia 09 de abril (quarta-feira) a partir das 19h30 o lançamento do livro Corpo negro caído no chão de Ana Luiza Pinheiro Flauzina. O livro é o resultado da dissertação de mestrado de Ana Luiza pela Universidade de Brasília.

A autora faz uma abordagem científica da questão racial brasileira sob uma visão criminológica. Aborda também as estratégias de desaparecimento e extermínio da imagem física do negro no Brasil promovidos pela mídia. Uma das contribuições para o racismo como sistema, conforme sustentado por ela, é "o projeto de Estado de caráter genocida dirigido à população negra". Com muita segurança, Ana Luiza Flauzina, toma por base sua própria história mas o faz dentro de um olhar para além da coletividade, ela se refere pluralmente e se inclui dentro desta categoria que encara todos os dias o que nosso país vem ignorando oficialmente, mas apoia sumariamente: o racismo. Em sua tese, ela sustenta-se com o referencial teórico da criminologia crítica e avalia que o Brasil "forja uma imagem de harmonia racial descolada da realidade".

Como bem aponta Vera Malaguti Batista, esse livro da jovem professora e militante do movimento negro, Ana Luiza Pinheiro Flauzina é fundamental, antes de tudo, para a compreensão da questão criminal no Brasil contemporâneo.

Serviço:

Lançamento do livro "Corpo negro caído no chão: o sistema penal e o projeto genocida do Estado brasileiro", de Ana Luiza Pinheiro Flauzina, Editora Contraponto, Rio de Janeiro, 2008.
Data: quarta-feira, 09 de abril
Local: Café com Letras, SQS 203 sul BL C loja 19 Asa Sul - Brasília - DF
Horário: a partir das 19h30

Informações e reservas:
61-3322-4070
cafe.letras@gmail.com

Informações à imprensa:
Juliana Medeiros
61-99998843 / 91006065
juliana_msouza@yahoo.com.br

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