Composição: Caetano Veloso
Onde queres revólver, sou coqueiro;
Do Latim SUBSTANTIVU: adj., que por si só designa a própria substância; que se refere a coisa que subsiste; s.m., palavra flexiva com que se nomeia em geral, pessoas, coisas, animais... COMMUNE: adj. 2 gên., que pertence simultaneamente a mais que um; normal; trivial; vulgar; usual; feito em comunidade; s.m., o geral; a maioria; loc. adv., de acordo: c/o consentimento de todos; conjuntamente; voz-: A OPINIÃO GERAL.
"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X
Arnaldo Jordy (dep. estadual do Pará), Percinoto (presidente do PPS-RJ),MOCHILEIRA
Almir Sater
Composição: Geraldo Roca
Mochileira
deite comigo essa noite
E conte aquela boa velha história
De como as noites são claras em Machu Pichu
E os dias dourados na Califórnia
Moça eu não vou precisar ler na sua mão
Pra saber que você não vai voltar
Pra vida maluca das pessoas
Do mundo
Das formigas tentando se esconder da chuva
Dance mochileira que eu toco a guitarra
Pedro saiu numa barca pro Nepal
Vera estava em Amsterdã
Porque não fazer algo mais divertido que casar com executivos
E acabar achando excitante
A reunião semanal da confraria dos amantes
Das delícias da boa velha tecnocracia
Dance mochileira que eu toco a guitarra
Moça eu sei que não é legal
Ficar sozinha quando o velho medo vem
E essa noite em Cuzco é tão fria
Me passe a garrafa de vinho
Sim, eu posso ver
Que os tempos tem sido maus com você
Mas os Deuses eles sabem
Que valeu a pena segurar essa barra
Moça o céu é seu amigo
Enquando durar essa farra
E depois você é mesmo
Do tipo de cigarra
Que canta na chuva
Dance mochileira que eu toco a guitarra.
Se alguém quiser ouvir http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/almirsater/mp3-mochileira/
Acabo de receber de presente o livro do jornalista Marcel de Brot, Dor de entranhas. Uma produção realizada com apoio da Secretaria de Cultura de Brasília, editado em 2003. Então, para fechar a noite, um poema sob medida em homenagem às coisas boas da vida:
O professor André Gustavo Stumpf me deu esse apelido. Curiosamente, conhecendo tantos heróis da história comunista, principalmente as mulheres, eu não sabia muito sobre a história de Dolores - La Pasionaria. Fui pesquisar e achei esse trecho nas Páginas Vermelhas. Posto aqui uma cópia em homenagem à ela e às mulheres que todos os dias, respiram fundo e vão à luta!
Dolores Ibarruri ficou famosa com um discurso na Rádio Republicana de Madri, quando estourou a Guerra Civil Espanhola. "É melhor morrer em pé, que viver de joelhos. Eles (os franquistas) não passarão!" Nasceu pobre na região das minas bascas, procurou se libertar dos serviços domésticos por meio de um casamento com o trabalhador das minas, que frequentemente era preso por atividades socialistas.
Eleita para o Comitê Central do Partido Comunista da Espanha, em 1930, tornou-se editora do jornal do partido e foi presa. Viajou para Moscou e, na volta, foi aprisionada novamente. Libertou-se, depois de vencer as eleições como deputada, com a vitória da Frente Popular, em 1936.
Nos comícios, castigava generais não-comunistas, acusando-os de se divertirem em orgias nos bordéis e apoiou a linha mais dura contra os trotskistas charlatães. O começo de vida pobre, um severo vestido negro e tremendo talento para a oratória lhe deram um apelo moral e romântico aos olhos dos intelectuais de esquerda e da população.
Exilou-se na URSS em 1939, onde resistiu às tentativas de mudar o Partido Comunista espanhol para enfrentar as transformações na Espanha de Franco. Considerada uma relíquia histórica, voltou ao país, onde morreu mais tarde.
Assisti agora há pouco, pela enésima vez, o filme "Eu, você e todos nós". Ele foi produzido e dirigido por uma artista, uma videomaker, que também protagoniza o filme. O fato de a diretora Miranda July não ser, de fato, uma diretora de cinema, talvez seja o principal motivo do “ritmo” diferenciado, mais lento, menos fragmentado (como nos cortes cada vez mais rápidos e sem conexão dos filmes de Hollywood). A despeito de haver histórias diversas, múltiplas, o filme possui uma “correlação” subjetiva entre seus personagens. Todos parecem um pouco solitários, todos se sentem deslocados e todos estão em busca de algo novo, de descobertas, de mudanças. Ao mesmo tempo, como diria Calvino, "a multiplicidade empresta contemporaneidade ao filme". São histórias do cotidiano que possuem leveza, que fogem à imagem do espetáculo.
Guy Debord, em seu clássico, A sociedade do espetáculo, fez a primeira crítica apurada do significado da imagem dentro da sociedade. Imagem aqui tem um sentido abstrato, mas na verdade tudo é imagem, os rostos, as roupas, a internet, os livros... Existe então, na visão dos estudiosos do assunto, uma importância em se criticar a imagem dentro da cultura. A língua falada (oral), a cultura, a literatura, a produção de imagens, todas são manifestações culturais, mas a imagem é a manifestação mais onipresente. O problema é que a cultura está tão imbuída das imagens que criamos que é quase impossível dissociar uma da outra. Pode-se dizer então que a imagem na sociedade se tornou uma espécie de representação de sua cultura.
A diretora tenta criar imagens que despertem emoções subjetivas, como na cena do par de sapatinhos rosas utilizados por ela para a produção de um vídeo que fala de amor, de separação, de conflito sentimental. Para fora de nós, humanos, tudo é imagem. Então, o que é o espetáculo? Tudo que está fora do sujeito, a partir da pele, ou melhor, nossa pele já é imagem.
Todos os temas do filme, conflituosos, que poderiam ter sido tratados de forma pesada, são abordados de forma sublime. Descoberta sexual, homossexualidade, timidez, arrogância, traição e até mesmo a seqüência da morte do peixinho, tudo é tratado sem pieguice, sem afetação, não há tentativa de causar "efeito imagético" algum. Ao mesmo tempo, ela brinca com a beleza do que pode ser imaginado simplesmente, do que nunca será concretizado, como na cena em que os dois caminham por uma rua e constroem toda uma vida – casamento, filhos, velhice – até a próxima esquina onde eles se despedem e cada um segue seu real caminho. Não queremos o real, o imaginário é mais confortável, mais seguro...
O filme faz uma crítica à imagem como mercadoria, que serve de objeto de troca, de venda. Existe uma valorização da imagem até nas relações, a atração por gente bonita, as pessoas têm que ser agradáveis aos olhos. No filme, os personagens não são modelos de beleza contemporânea, mercadológica, a maioria é até desengonçada, quase sem graça. Se a imagem existe para ser vendida como mercadoria, então ela só se presta a ser vendida porque ela é embelezada, enlatada, preparada para ser vendida pela publicidade. A imagem pode ser vista como mercadoria (sob a lógica do capitalismo), criar desejos que não existem é a práxis da publicidade. A virtualidade das imagens faz com que antes do concreto, se consumam imagens. O que nós consumimos, na verdade, é imagem. A imagem do cinema é abstrata, a imagem da TV, as fotografias das revistas de moda... No filme, a atriz-diretora é também personagem que tenta criar videoclipes que juntam fotografias de pessoas diferentes para criar histórias. Miranda July tenta unir o que normalmente a sociedade fragmenta, ou seja, os sentimentos. Se a vida das pessoas está fragmentada pela contemporaneidade e efemeridade das coisas, então é possível criar imagens de histórias perfeitas para se contrapor à imagem real das coisas que foram fragmentadas pela própria realidade contemporânea.
O capitalismo se apoderou da ideologia para vender. O mercado da cirurgia plástica, das roupas, dos cosméticos, do esporte... tudo se alimentando da ideologia. Em muitos casos, o que compramos, ou é pueril, ou não satisfaz... Nós consumimos imagens e depois continuamos sentindo falta de “alguma coisa”. O velho no filme constata que passou a vida toda viajando e aproveitando a vida com alguém que ele não amava e que não poderia fazer as mesmas viagens com a única mulher que amou que, no filme, estava em fase terminal. Há uma associação à passividade critica do olhar. Os olhos consomem as imagens primeiro, mas eles perdem a capacidade de ver.
No filme, Miranda July impõe um ritmo em que o espectador é obrigado a refletir sobre conflitos humanos de uma forma mais poética. Ela mostra que a vida real que temos, com todas as nossas “esquisitices” é banal, comum, não é fashion ou glamourosa. O filme tenta romper com o conceito de espetáculo imprimindo leveza às coisas cotidianas que na realidade são pesadas. O menino não percebe a “malícia” dos recados e a interlocutora não percebe a “ingenuidade” dele. O que prova também que o que não vemos, o que imaginamos, se não está associado à uma imagem real, pode ser de fato produzido por nossa mente. Nós criamos então a realidade que nos rodeia e isto começa na nossa imaginação. Ao mesmo tempo, o sublime está presente a todo o momento, na leveza dos diálogos, no tratamento dado às cenas, na trilha sonora. O contraponto é feito a partir da constatação de que nós mesmos podemos educar nossa mente para o belo, para o simples, sem artifícios ou máscaras. Mas que isso é um exercício de luta contra a contemporaneidade das imagens do mundo atual. É necessário estar disposto a ver. Não só a ver, mas também sentir.
Juliana Medeiros, madrugada de 22 de fevereiro.
A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
Eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços
Eu bem queria fazer...
Travesseiro dos meus braços
Só não faz se não quiser
Um travesseiro dos meus braços
Só não faz se não quiser...
Sustenta a palavra de homem
Que eu mantenho a de mulher
Sustenta a palavra de homem...
(Milton Nascimento)
(Tela de Tarsila do Amaral)
Aceite a vida como ela é, se você é um passivo.Acredite em destino, se você é um conformado.Agora, transforme sua vida, se você é livre.
"Somos socialistas porque, jovens que somos, andamos abraçados com o futuro e a busca da felicidade - desejos que são diariamente frustrados nessa sociedade capitalista que não tem perspectiva e só nos oferece a desilusão e a exploração"
(Che Guevara)
"Os políticos e as fraldas devem ser mudados freqüentemente - e pela mesma razão"
(Eça de Queiroz)