"Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido" Malcom X

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Delegação brasileira em missão de paz na Líbia, continua retida na Tunísia


Acompanho desde o último domingo a delegação brasileira - composta pelos deputados Brizola Neto e Protógenes Queiroz, além de alguns jornalistas e ativistas - que viajou com destino à Líbia. O objetivo seria atender a um convite do comitê independente que atua junto ao governo líbio, seguindo o já ocorrido com delegações de outros países, para observar a situação real da guerra e compor um relatório que se juntará a outros, nas negociações de paz que vêm ocorrendo desde o início dos conflitos.
A saída do Brasil, com destino ao Norte da África, iniciou-se em Paris, que coincidentemente foi o primeiro dentre os aliados a bombardear a Líbia em março deste ano. Em seguida, o grupo seguiu viagem para a Tunísia, país que passou recentemente por uma revolução popular que levou à renúncia do presidente Zine el Abidine Ben Ali.
Cruzamento de Túnis


Ao chegarmos à Tunísia a delegação foi informada de que a OTAN tinha iniciado uma série de pesados ataques na estrada que liga as fronteiras da Tunísia e da Líbia, caminho que vem sendo utilizado como a principal via de abastecimento do país africano. Desde então, são sucessivas as nossas tentativas de seguir viagem, ainda sem sucesso.

"Sabe, eles tem muito dinheiro"
Ainda no aeroporto em Túnis, conversei com o responsável pelo balcão de informações do setor de desembarque - que pediu para não ser identificado - e este, um tunisiano que contou ter participado ativamente dos manifestos que sacudiram a Tunísia em janeiro, afirmou que os conflitos na Líbia não são iguais aos do seu país, com imensas desigualdades sociais. Ele disse não entender o motivo da revolta na Líbia, já que para ele a maioria dos líbios "tem tudo, não lhes falta nada sabe, eles tem muito dinheiro" fornecendo também outros detalhes que começavam a delinear o que encontraríamos nos últimos dias.
Mulheres vestem-se como querem na Tunísia



Já no aeroporto, pudemos notar que a Tunísia - o primeiro dentre os países árabes a abolir o uso do véu - alcançou avanços ainda maiores entre os direitos das mulheres. Temos visto várias vestidas de formas diferentes, com ou sem véu e até com saias ou shorts, que fariam, não fosse outros aspectos, pensarmos que estamos em qualquer país ocidental. Os idiomas predominantes são o árabe e o francês, mas a presença massiva de tunisianos que também dominam o inglês dá o panorama de integração com a Europa perceptíveis nas influências da cultura local, nas roupas, construções ou mesmo na comida. O apimentado típico dos pratos tunisianos, intenso até para os padrões brasileiros, é de influência francesa.

Nota de repúdio aos ataques
A delegação divulgou, já na terça-feira uma nota de repúdio aos ataques da OTAN e desde então temos observado indícios de que a "verdade" não é algo fácil de ser encontrado em um conflito como esse. Há uma certa rejeição dos tunisianos à figura de Muammar Gaddafi, pela associação imediata com a figura do presidente deposto da Tunísia, mas é consenso que os líbios são vistos como uma elite que vem ao país para consumo. Além disso, os tunisianos reconhecem a prosperidade líbia e chegam a admitir que gostariam dos mesmos benefícios em seu país, como ausência de impostos, programa de moradia que atinge quase 100% da população, modernas escolas e hospitais públicos e gratuitos por toda a vida. 
Nos últimos dias em busca de informações na Tunísia, foi possível identificar aspectos interessantes, até então desconhecidos para a maioria de nós, um deles é o fato de que mais de um milhão de líbios vivem na Tunísia e outros tantos circulam livremente entre os dois países, ao ponto de ser fácil a identificação das placas dos automóveis líbios, sempre os mais caros. A maior parte da elite Líbia tem casas de veraneio em Túnis, capital que é também um dos grandes centros turísticos da costa mediterrãnea. Um exemplo marcante é o bairro de Sidi-Bu-Saidi, cujo aluguel de casas - predominantemente brancas e azuis e com vista para o mar Mediterrâneo - custam em torno de 1.000 euros por mês. A maioria delas, alugadas ou próprias, é ocupada por líbios que vem ao país, principalmente na época do Ramadã, em busca de descanso.
Sidi-Bu-Saidi, em Túnis

A Tunísia, aliás, é um caso à parte dentre os países que passam pelo que a imprensa internacional vem chamando de "primavera árabe". Encontramos opiniões divididas sobre a situação no país após a queda do presidente. A maioria apóia o processo eleitoral que está sendo elaborado - previsto para 23 de outubro - mas analisam que a liberdade obtida a partir dos manifestos populares está, ao mesmo tempo que tornando possível avanços sociais, mas também provocando situações de caos generalizado como o excesso de lixo nas ruas, assaltos e brigas cada vez mais constantes em bares. A expressiva redução do policiamento reflete-se também no trânsito absolutamente confuso de Túnis com carros e motos que buzinam o tempo todo enquanto fazem ultrapassagens perigosas.


Trânsito caótico da Tunísia





Jogadores brasileiros na Tunísia
No hotel, encontramos um jogador de futebol brasileiro, que vive em Túnis há alguns meses, Vitor Sony, 23 anos. Ele joga pelo Afrikan e estava acompanhado do jogador Clayton Menezes, 37, celebridade na Tunísia por ter defendido a camisa do país por duas vezes em Copas do Mundo. Ele encerrou a carreira de jogador e agora empresaria novos jogadores como Vitor.
Clayton não soube dizer muito sobre o que acontece no país vizinho, mas afirmou que a liberdade conquistada pelo povo tunisiano nos últimos meses tem "deixado algumas pessoas loucas". Ele disse que mora no país desde 1995 e que tem observado uma melhoria geral na postura das pessoas, com menos medo de expressarem suas ideias após a queda de Ben Ali mas, ao mesmo tempo, disse esperar que após as eleições a dinâmica de funcionamento das cidades se normalize. Segundo ele, "desde a revolução, nada mais funcionou direito por aqui".
Já o meia esquerda Vitor, que mora no hotel com a noiva também brasileira, disse que sente muita saudade da família, mas que vir para Túnis valeu a pena porque "aqui você recebe".  O jogador que já passou pelo Santo André paulista afirmou que no Brasil  "um mês dura três" para os clubes, ou até mais como no caso dele, que chegou a ficar até cinco meses sem receber. Por isso, quando convidados por olheiros, a maioria dos jogadores em início de carreira como ele, aceita imediatamente a proposta de sair do país.
Ponte destruída próxima à fronteira de Tripoli

A verdade vai se delineando

Há três dias um navio vindo do Qatar - país que compõe os aliados da OTAN - tentou cruzar a costa líbia com armamento pesado a ser distribuído em Benghazi para os rebeldes, mas sua passagem foi negada pelas autoridades portuárias tunisianas. A rede de TV AlJazeera com sua espetacular estrutura para produção jornalística, tem ocupado quase 70% de sua programação na cobertura dos conflitos, em especial do ponto de vista do grupo opositor. Isso porque o Emir do Qatar é  dono da rede de televisão.
Um dos jornalistas da delegação, Robinson Pereira, conseguiu gravar entrevista com membros rebeldes em um hotel próximo ao que estamos. O que mais nos chamou atenção foi a declaração de um deles, um laboratorista que veio à Túnis em busca de medicamentos, que disse não entender "o motivo pelo qual a OTAN erra tanto os alvos, sobrevoam os tanques do exército líbio no deserto, mas atingem as áreas residenciais nas cidades" e a afirmação de que eles não têm certeza se a OTAN sairá do país, caso a oposição vença a guerra, mas que eles não querem estrangeiros ocupando seu país como aconteceu no Iraque. "Não sei se eles pretendem ou não, mas eles têm que sair", enfatizou.
Percebemos também que nas falas de todos, fica clara a preocupação com a destruição de toda a estrutura do país. A OTAN com os bombardeios vem causando problemas em ambos os lados. A população do país já sofre há semanas com a falta de energia, alimentos e combustível.

Membros da delegação tentarão chegar à fronteira
O grupo decidiu hoje dividir-se e parte dos membros da delegação tentará chegar à fronteira de carro, atravessando a pequena ilha de Djerba - ligada ao continente por uma faixa de terra - e cidades próximas, para observarem a movimentação após os ataques aos postos de fiscalização de fronteira que foram atingidos pela OTAN. Outra parte aguarda no hotel por maiores instruções.
Agora a noite, em conferência via Skype com nosso contato na Líbia, soubemos da morte de um irmão do Dr Musa Ibrahim (porta-voz do governo líbio), um jovem que ocupava um posto de defesa de bairro, estratégia organizada pelas famílias para proteger as casas do ataque de gangues rebeldes. Liguei a televisão no canal da TV Jamahiria, a estatal líbia, para acompanhar o programa do Dr Youssef Sahkir, um analista político, transformado em celebridade na Líbia nos últimos meses. Ele entrevista o Dr Musa Ibrahim sobre a morte do irmão e sobre a situação das cidades retomadas pelo exército líbio.
Um dado interessante sobre o Dr Youssef Sahkir é que durante anos ele conduziu o mesmo programa com viés opositor ao governo e no primeiro mês da guerra, apresentou duras críticas a Muammar Gaddafi, dando voz aos rebeldes que se manifestavam em Benghazi, cidade onde os conflitos se iniciaram. Ele chegou a sair do país e ficar por um tempo no Egito, após a primavera árabe de lá. Depois, recebeu informações sobre as ligações entre os grupos rebeldes e membros da AlQaeda e mercenários da Blackwater e voltou à Líbia passando a denunciá-las em seu programa. Desde então, ele vem acusando as forças militares de estarem cometendo um "massacre desmedido" sobre a população Líbia com o único interesse de expropriar as riquezas do país, com a maior renda per capita da África, e ocupar um ponto estratégico na costa mediterrânea e no Norte da África.
Com os últimos bombardeios da OTAN, com foco único nas estruturas do país e em áreas residenciais, fica cada vez mais difícil  sustentar o discurso de que estão agindo com propósitos "humanitários". O volume de líbios que encheu a Tunísia nos últimos dias, denota o medo crescente da população em meio a uma guerra onde os dois lados vem sendo sufocados pelas forças estrangeiras. Como afirmou um dos rebeldes entrevistado há alguns dias, "se eles vieram para ajudar a salvar vidas civis, estão falhando na operação".
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As imagens são do repórter fotográfico Sérgio Alberto.

domingo, 14 de agosto de 2011

Soldados americanos no Iraque

Fonte: Com Texto Livre


Este vídeo contém imagens fortes do espancamento covarde de crianças iraquianas pelas forças americanas, enquanto se ouve o soldado, que filma a cena, vociferar de entusiasmo. Essa é a "democracia" e a "ajuda humanitária" que Barack Obama vem construindo no Iraque, dando continuidade ao trabalho duro de seu antecessor.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

As verdadeiras Vozes de Londres

"A imprensa tenta nos transformar em vândalos, porque? Porque sou pobre ou porque sou preto?.. (...) eu também tenho direitos e enquanto eles mandam os soldados para uma guerra onde somente se importam com o petróleo, não se preocupam com as pessoas aqui sem emprego, nem mesmo com as famílias e as vidas desses soldados, eles não se importam com nada!.. (...) e seu eu quiser exigir meus direitos, eles querem me calar (...) se eu quiser questionar a ordem eu vou para a cadeia!..(...) e tentam me dizer que eu devo a eles porque recebi educação pública, eles querem nos convencer disso, de que recebi muitos benefícios!..(...) então nós resolvemos exigir o que é nosso por direito, agora mesmo!" (Neville)




No vídeo abaixo, o sociólogo Silvio Caccia Bava é mais um a rejeitar a tentativa da GloboNews de conduzir os entrevistados a falar o que eles querem.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Assista: 10 minutos que podem mudar a sua vida

Para a repórter da GloboNews que hoje, pela manhã, tentou conduzir o entrevistado, tentando fazer com que ele concordasse que os jovens que se manifestam agora na Espanha, ou Chile, são "marginais". Para todos nós que temos "deuses dentro" de nós quando nos entusiasmamos com uma causa bonita e pela qual vale a pena lutar, viver. E até mesmo para os que desistiram de sonhar. Esses 10 minutos com Galeano podem mudar a sua vida.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Estratégia da OTAN lembra ataques à ex-Iugoslávia

Depois das infraestruturas militares, os aviões passaram a destruir as consideradas de interesse militar, como pontes, estradas e armazéns portuários


Bombardeio da OTAN em Tripoli



Por Achille Lollo
de Roma (Itália)
Nenhum jornal, TV, rádio ou revista européia deu destaque ao bombardeio da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à redação da TV Al-Jamairiya em Trípoli, capital da Líbia, que causou a morte de três jornalistas e a internação de 15 pessoas em estado gravíssimo. Devido ao fato de se tratar de jornalistas da TV oficial do governo de Muamar Kadafi, não houve nenhuma moção de solidariedade. Ao mesmo tempo, os conflitos no seio do Conselho Nacional de Transição (CNT) explodiram e o chefe militar dos rebeldes, Abdel Fattah Yomes, foi executado como se fosse um inimigo.
Ao se analisar os planos operacionais das missões dos caças da OTAN, fica evidente que os limites impostos pela ONU por meio da resolução sobre a criação de umaNo-Fly-Zone foram literalmente desrespeitados, violando, assim, o “status pacificador” do Conselho de Segurança do organismo. Uma realidade que se deteriorou a partir de 30 junho, quando o presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro britânico David Cameron conseguiram impor que o comando da OTAN tomasse outras iniciativas, como o planejamento dos bombardeios contra todos os objetivos que podiam sustentar a resistência do exército de Kadafi.
Dessa forma, a resolução das Nações Unidas que previa o uso dos aviões da OTAN apenas para impedir que os aviões da Força Aérea Líbia ou as colunas de blindados do exército de Kadafi atacassem os rebeldes em Benghazi ou em outras cidades controladas pelo CNT (Conselho Nacional de Transição) se tornou, na realidade, a justificativa legal para promover uma guerra de aniquilamento seletivo com o objetivo de provocar a queda do governo líbio e, sobretudo, a morte de Kadafi e seus dois filhos.
Mesmo roteiro
Isso faz lembrar a guerra de agressão que a OTAN e os EUA promoveram contra a ex-Iugoslávia para “proteger a população civil do Kosovo”. A semelhança da progressão estratégica dos ataques aéreos demonstra que o roteiro dos bombardeios é igual. Por exemplo, depois das infraestruturas militares (casernas, campos de aviação, paióis de munições, centros de comunicações, oficinas etc.), os aviões passaram a destruir as infraestruturas consideradas de interesse militar, tais como pontes, estradas, armazéns portuários etc. Uma estratégia que ainda não deu resultados, apesar das centenas de bombardeios que diariamente descarregam bombas e foguetes contra alvos civis considerados “de interesse militar” na própria capital Trípoli à mais de 800km do foco verdadeiro dos conflitos.
Foi sob essa lógica assassina que o comando da OTAN – da mesma forma como aconteceu na Iugoslávia – planejou o bombardeio da Al-Jamairiya no momento em que os jornalistas estavam preparando o noticiário. Por isso, o diretor da TV, Khaled Bazilia, em uma nota, disse: “Esse bombardeio foi um ato de terrorismo internacional que evidencia ainda mais a contínua violação das resoluções da ONU”.
Em resposta, o porta-voz do comando da OTAN distribuiu uma nota explicando que o ataque aéreo contra a Al- Jamairiya, “na realidade, fazia parte de uma incursão contra três centros de comunicação via-satélite gerenciados pela TV líbia que eram utilizados pelo coronel Kadafi para amedrontar as populações e para promover e incitar a realização de atos de violência contra as populações civis”.
Nenhum jornal europeu, sequer os progressistas, contestou tal declaração, mesmo sabendo que o ataque foi planejado para impedir que o mundo saiba o que realmente está acontecendo na Líbia no momento em que o “exército rebelde” do CNT entrou em crise, tornando-se uma representação virtual da TV Al Jazeera sustentada pelos serviços secretos militares de França e da Inglaterra.

A luta no seio do CNT
Depois da TV Al-Jamairiya ter anunciado que na capital dos rebeldes, Benghazi, houve combates no bairro em que se encontram os escritórios do Conselho Nacional de Transição, o porta-voz do CNT, Mahmoud Shammam, apareceu na Al Jazeera para declarar que “houve uma dura batalha aqui em Benghazi, que durou muitas horas porque os homens de Kadafi estavam equipados com armas pesadas. Perdemos quatros homens”.
Logo em seguida – e não foi casual – os aviões da OTAN foram destruir a TV Al-Jamairiya, o que não impediu a divulgação de que, em Benghazi, as hostilidades no seio do CNT passaram das palavras às balas, provocando, em 28 de julho, o “fuzilamento” do próprio comandante em chefe, Abdel Fatah Younis, em Marsa el-Brega. Inicialmente, Shammam afirmou, na TV Al Jazeera, que Younis havia sido assassinado por capangas de Kadafi. Por isso ele dissera que o que ocorrera era um combate contra partidários de Kadafi.
A seguir, quando as evidências demonstravam o contrário, apareceram duas versões sobre o fuzilamento do chefe militar do CNT. A primeira foi veiculada pelo ministro das Finanças e do Petróleo, Ali Tarhouni, segundo o qual o assassinato de Younis foi realizado por um grupo de militares do próprio CNT que voltavam da frente de batalha onde teriam sofrido muitas baixas. Portanto, o ministro deu a entender que o assassinato, na realidade, teria sido uma espécie de ajustamento de contas devido ao fato de Abdel Fatah Younis ter provocado o aniquilamento desse grupo de combatentes.
A segunda versão revela que “Abdel Fatah Younis havia sido convocado em Benghazi para prestar declarações a quatro magistrados sobre questões de âmbito militar. Um grupo de combatentes que voltava da frente foi encarregado de escoltá-lo. Porém, os soldados e os suboficiais desse grupo resolveram fuzilar Younis e abandonar seu corpo nos arredores de Benghazi. Apenas o comandante deles foi preso, os outros conseguiram fugir”.
Apoio secreto
É evidente que não se fuzila um homem com mais de cem balas somente porque foi convocado por quatro magistrados e sem nem saber o verdadeiro motivo. A verdade é que no seio do CNT começou a luta interna entre grupos que, por um lado, devem responder às exigências “financeiras” dos chefes de clã tribais de Cirenaica, e, por outro, devem ganhar a confiança dos emissários dos serviços secretos europeus em função da formação de um futuro governo de transição.
Segundo algumas fontes confidenciais, o ex-ministro da Segurança de Kadafi, Abdel Fatah Younis, negociou o apoio do serviço secreto britânico para ser apresentado aos homens do CNT como o “homem de Londres” e, por isso, recebeu a chefia das operações militares, tornando-se o número dois do CNT. É preciso lembrar que o chefe político dos rebeldes, Mustafá Abdul Jalil, é um peão da França, enquanto o ministro das Finanças e do Petróleo, Ali Tarhouni, é intimamente ligado aos EUA.
As mesmas fontes indicam que há também muitas dúvidas sobre a notícia de que Younis deveria encontrar os magistrados por ter sido acusado de manter relações com o grupo de Kadafi. O que é certo é que, com sua morte, fica reduzido o poder dos “ex-oficiais de Kadafi” que, desde maio, praticamente controlam grande parte do CNT.
Nesse contexto, surgiu outra notícia que pegou de surpresa até o comando da OTAN. O porta-voz do governo líbio, Mussa Ibrahim, revelou à CNN que “entre a Líbia e os Estados Unidos, houve contatos, mas nenhuma pré-condição. Foi dado um primeiro passo e mais ações desse tipo serão bem-vindas, visto que o governo da Líbia não pretende ficar amarrado ao passado. Estamos prontos para discutir propostas, de forma que não morra mais gente”.
O que parece é que as negociações começaram em separado com os EUA e sem a participação dos aliados da OTAN. Diante disso, fica a pergunta: será que para tais negociações chegarem a resultados objetivos Abdel Fatah Younis era demais?

Achille Lollo, jornalista italiano, é editor do programa de TV “Quadrante”.

sábado, 6 de agosto de 2011

Delegado é pra soltar

Fonte: Revista Piauí



Delegado é pra soltar

As ideias incendiárias de um policial pacifista
por Bernardo Esteves
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o Sábado de Aleluia, um funcionário das Lojas Americanas chegou à 32ª Delegacia de Polícia do Rio, em Jacarepaguá, trazendo uma mulher pelo braço. Ela fora presa em flagrante, tentando roubar um ovo de Páscoa dos grandes, o de número 17. Ambos foram levados à presença de Orlando Zaccone, o delegado de plantão. Ao ouvir o relato do caso, o policial não hesitou: perguntou ao funcionário o valor do ovo, sacou a carteira e ressarciu ali mesmo o prejuízo, dispensando o troco. A mulher passou a Páscoa em liberdade, comendo ovo.
O episódio ilustra os princípios de Zaccone, agora titular da 18ª DP, na Praça da Bandeira. “A função do delegado não é prender”, ele costuma dizer nas aulas que dá num curso de formação de policiais civis. “Dar voz de prisão em caso de flagrante qualquer um pode, como diz o artigo 301 do Código de Processo Penal. A verdadeira função do delegado é soltar”, conclui o raciocínio, para pasmo da audiência.
Para soltar a mulher que roubara o ovo de Páscoa, Zaccone aplicou o princípio da insignificância. “O patrimônio da loja foi ofendido de forma insignificante, então o direito penal não tem que atuar”, explicou o delegado, um moreno sorridente de 47 anos. Ele é um defensor do chamado direito penal minimalista, que procura evitar, sempre nos limites da lei, a repressão e a punição.
Zaccone chamou a atenção da imprensa logo que entrou para a polícia, em 1999. De afogadilho, foi rotulado como o delegado hare krishna, por ser adepto dessa corrente do hinduísmo. Na juventude, chegou a viver numa comunidade de jovens que se vestiam a caráter e seguiam à risca os preceitos da religião, que incluem o vegetarianismo estrito e a proibição de qualquer droga – da cafeína para baixo, nada é permitido.
O delegado continua ligado à religião. Faz parte do conselho administrativo do Movimento Hare Krishna do Rio e frequenta o templo de Itanhangá, na Barra da Tijuca. Mas tente falar de espiritualidade e ele logo trará a conversa de volta para a segurança pública.
As convicções religiosas, garante Zaccone, não se misturam com sua atuação profissional, ainda que ele enxergue uma interseção possível. “O anseio de justiça é o que aproxima os dois campos”, filosofou, enquanto piscava para um subalterno que o aguardava à porta do gabinete, pedindo que esperasse um pouco mais.
Zaccone abespinhou-se com a imagem deixada naquelas primeiras reportagens. “Fui desqualificado como delegado por ser hare krishna e, dentro do movimento, fui condenado pelas minhas ideias.” O que o indispôs com os correligionários foi sua posição liberal em relação às drogas. O delegado é integrante do braço brasileiro do Leap, sigla para Law Enforcement Against Prohibition, movimento que reúne policiais, juízes, desembargadores e agentes penais que denunciam, como afirmam, “a falência das atuais políticas de drogas”.
O Leap defende a legalização ampla – ou seja, não só do consumo das drogas, como também da sua produção e comércio. O delegado faz questão de demarcar a diferença entre a sua posição e a defesa da descriminalização do consumo. “Esse é o campo de atuação do Fernando Henrique e daquela turma toda”, desdenhou. “Mas é uma ingratidão dos usuários quererem ter a liberdade de consumir as drogas enquanto aqueles que as fornecem estão encarcerados ou mortos.”

gabinete de Zaccone é uma sala apertada no 2º andar da delegacia. Sobre sua mesa, jazem objetos de escritório, dossiês de investigação, dois livros, os jornais do dia e a lista de aniversariantes da 18ª DP no mês de maio. De tempos em tempos, um funcionário entra para pedir sua rubrica num ofício. O delegado trajava terno preto e gravata grená, com nó já frouxo ao fim da tarde.
Apesar das ideias de Zaccone, a DP sob seu comando não foge ao padrão das delegacias do Rio. Ele costuma criticar a polícia por selecionar os crimes passíveis de punição pelo sistema penal. “A maioria dos mais de 500 mil presos no Brasil está detida por não mais de quinze crimes, embora o Código Penal preveja uns 300”, compara. Na 18ª DP não é diferente: as detenções registradas são por roubo, estupro, homicídio e tráfico de drogas. Não há prisões, por exemplo, por prática do aborto, sonegação de impostos ou lavagem de dinheiro.
Da mesma forma, o princípio de insignificância tem pouco impacto nas estatísticas da delegacia. No mês de abril, foram registradas ali dezessete prisões, doze das quais feitas por policiais da própria delegacia. O número é mais que o dobro da meta estipulada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública – cinco presos pela equipe de cada delegacia.
Zaccone sabe que não vai conseguir mudar o mundo sentado em sua cadeira de delegado. “Não é o policial que decideprender só negros e favelados”, ponderou, sem medo de repetir clichês. A atuação da polícia, para ele, apenas reflete a estrutura da sociedade. “Sou só uma engrenagem no sistema, que envolve o Poder Judiciário, o aparato prisional, o discurso midiático punitivo. É todo um modelo de controle social.” A contaminação do vocabulário de Zaccone pelo jargão sociológico não é fortuita. O delegado é um acadêmico. Tem mestrado em ciências penais e está cursando o doutorado em ciência política na Universidade Federal Fluminense. Espera defender sua tese no final de 2012.
Ele enxerga a universidade como válvula de escape, assim como seu envolvimento com o Leap e com a ONG que criou com Marcelo Yuka para promover projetos sociais e culturais junto à população carcerária do Rio. “Se eu ficar somente aqui na delegacia botando a máquina para funcionar, piro”, disse.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

1º EnKontro de Blogueiros do DF




O 1º @Enkontro de blogueiros do Distrito Federal acontece no próximo dia 13 de agosto, às 19h, no Funções Múltiplas de Planaltina.


O evento reunirá vários blogueiros de Brasília, que juntamente com a juventude de Planaltina, debaterão assuntos que interessam à juventude da cidade.
Haverá uma extensa programação cultural, com artistas, DJs e vários blogueiros.

Dentre os blogueiros participantes, estão:

AconteceBrasília do Jornalista, blogueiro e assessor de imprensa @EldoGomes

BastidoresDaPolítica do Comunicador e jornalista da Rádio Nacional LucianoBarroso

AcasosAfortunados da doutora em Linguística, escritora e DJ @elenitaaah

BrasíliaporChicoSant´Anna do
Jornalista da TV Senado e blogueiro @ChicoSantAnna

E vários outros.


Para saber mais, acesse o blog: http://enkontro.blogspot.com e siga o twitter do evento: @Enkontro

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Movimento Limpa Brasil acontece em Brasília em agosto


Acabo de entrevistar, para a Rádio Cultura FM, a diretora executiva da Atitude Brasil, jornalista Marta Rocha, formada em Comunicação Social na Itália (onde morou por 8 anos) organizadora do Movimento Limpa Brasil! Let´s do it!. Ela também é idealizadora do Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade

O Movimento Limpa Brasil Let´s do it! acontece em Brasília em agosto e é o maior movimento de mobilização social do mundo, onde se pretende conscientizar a população em relação ao descarte de resíduos em sete das maiores cidades do Brasil.

Marta Rocha explicou, dentre outras coisas, que no mundo todo a campanha ficou concentrada nas capitais, mas o Brasil topou fazer em sete cidades. Em parte porque - e aí vem a notícia ruim - aqui a campanha recebeu uma "adaptação" em razão do fato de que a cultura de não se jogar lixo na rua, já é uma realidade em grande parte dos países, mas no Brasil, não. A campanha pretende, portanto, desenvolver aqui ações educativas por, no mínimo, dez anos no intuito de conscientizar a população e provocar uma mudança cultural no tocante ao tratamento dado aos resíduos que produzimos todos os dias.

A capital federal será a segunda cidade do país a receber o movimento Limpa Brasil Let´s do it!.

No dia 21 de agosto (marquem em suas agendas), milhares de voluntários sairão às ruas para retirar resíduos sólidos descartados irregularmente nas vias públicas. A ação já aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de junho, recolhendo mais de 17 toneladas de lixo reciclável.

O movimento visa despertar a sociedade brasileira para os problemas relacionados ao descarte indevido do lixo. Atualmente matérias-primas que poderiam ser reaproveitadas são desperdiçadas no espaço público devido à falta de informação da população. A campanha incentivará a mudança de atitude das pessoas em relação aos resíduos sólidos para estimular a preservação do meio ambiente, conscientizando a respeito da gravidade do costume de jogar o lixo fora do lixo. O projeto foi trazido ao País em parceria com a UNESCO e já aconteceu em 20 países. 

Então agende-se!
Dia 21 de agosto, das 8h às 15h, Brasília contará com 30 pontos de entrega, que foram definidos junto ao SLU - Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal, onde deverão ser entregues os resíduos recolhidos pelos voluntários durante a ação.


Principal líder militar rebelde líbio é morto por seus pares

A morte do chefe militar é um duro golpe para a OTAN que vem apoiando os rebeldes em Benghazi


O chefe das forças armadas dos rebeldes da Líbia e dois de seus assessores foram mortos nesta quinta-feira, informação confirmada pelo chefe da liderança rebelde.
A morte de Abdel Fattah Younes – que pode significar o fim da guerra na Líbia ou seu recrudescimento – foi anunciada numa conferência de imprensa na capital rebelde, Benghazi, pelo chefe do “Conselho Nacional de Transição”, Mustafa Abdul Jalil. Ele disse aos jornalistas que a própria segurança dos rebeldes havia prendido o chefe do grupo e provavelmente estava por trás do assassinato.
Segundo Jalil, a segurança rebelde prendeu Younes e dois de seus assessores na quinta-feira, em sua sala de operações, localizada próxima à frente dos rebeldes do leste. Autoridades de segurança disseram que Younes seria questionado sobre as suspeitas de que sua família ainda tinha laços com o regime de Muammar Gaddafi. Younes foi ministro do Interior de Gaddafi, antes de desertar para os rebeldes no início do levante, que começou em fevereiro.
Jalil disse que Younes havia sido convocado para um interrogatório sobre "uma questão militar". Ele afirmou que Younes e seus dois assessores, um coronel e um major, foram baleados antes que chegassem para o interrogatório.
A morte de Abdel Fattah Younes é um duro golpe para a OTAN que vem apoiando os rebeldes que atuam em Benghazi e aterrorizam a cidade há quatro meses. Younes tornou-se chefe militar da rebelião com o apoio de estrangeiros ligados à Al-Qaeda e militares da OTAN. Após a notícia de sua morte, a população que não apóia a movimentação rebelde, saiu às ruas e retomou o controle do aeroporto local e algumas bases militares.
Os rebeldes vêm recebendo apoio dos EUA, Grã-Bretanha, França e outros membros da OTAN e nos últimos dias haviam recebido o reconhecimento como liderança legitima da Líbia pelo governo britânico. A mídia ocidental vem procurando minimizar o apoio da Al-Qaeda ao grupo de oposição.
Há ainda relatos de que um grupo dissidente dos rebeldes avançou sobre membros do “Conselho Nacional de Transição” exigindo nova liderança civil. Outro grupo exige a devolução do corpo de Abdel Fattah e seus assessores. O grupo responsável pelas mortes se recusa a entregar os corpos para suas tribos de origem e afirmam ter enterrado os corpos sem cerimônias, em retaliação aos quatro meses de ocupação que obrigaram grande parte da população a fugir pela fronteira com o Egito, deixando suas casas para serem saqueadas pelos grupos rebeldes.
As mulheres que escolheram ficar relatam que foram forçadas a se vestirem com o véu completo, quando antes tinham a liberdade de escolher se o usariam ou não. Cidadãos estão confinados em suas casas e temem ser punidos, com tortura ou morte, se forem pegos com qualquer objeto que identifique apoio a Muammar Gaddafi, como o menino que foi empalado com a bandeira verde, símbolo do apoio ao governo líbio. Alguns vídeos contêm tantas atrocidades postadas com “orgulho” pelos próprios rebeldes, que são constantemente retiradas pelo Youtube.
O governo líbio, através de seu porta-voz Musa Ibrahim, vem afirmando que seu exército apenas atua na tentativa de “proteger cidadãos e famílias nas cidades ocupadas”, para que não haja abusos, mas que ordenou que “evitem conflitos diretos dentro das cidades”. Um vídeo mostra tropas do exercito líbio correndo na direção contrária ante o avanço dos rebeldes que parecem em sua maioria, desarmados nesse momento. Nenhum dos lados atira, é clara a intenção dos soldados em apenas recuar estrategicamente.
O líder rebelde Mustafa Abdul Jalil se referiu a Younes como “um dos heróis da revolução de 17 de fevereiro", data de início dos protestos contra o regime de Gaddafi.
Ele afirmou que Gaddafi vem procurando quebrar a unidade das forças rebeldes, mas fez uma advertência dura acerca de "grupos armados" que estavam atuando em cidades controladas pelos rebeldes, dizendo que eles “precisavam se juntar à luta contra Gaddafi, ou corriam o risco de serem presos pelas forças de segurança”.
Houve relatos de tiros fora do Hotel Tibesti, onde a conferência de imprensa foi realizada, logo após as declarações de Jalil. O líder rebelde não respondeu a nenhuma pergunta.
Uma hora depois, pelo menos três fortes explosões sacudiram o centro da capital Trípoli. Duas explosões foram ouvidas por volta das 10h20min da noite, hora local, seguida por outra explosão alguns minutos depois. A televisão líbia relatou que aviões estavam sobrevoando a cidade. Trípoli tem sido alvo de numerosos ataques aéreos da OTAN mesmo não tendo registros de conflitos rebeldes.
Enquanto isso, combatentes da oposição nas montanhas ocidentais lançaram ataques em várias cidades controladas pelo governo, na esperança de empurrar as tropas legalistas e abrir uma rota para a fronteira. Em especial a fronteira para o Egito, que está fechada há alguns dias.
Os ataques começaram por volta do amanhecer com rebeldes ao redor das cidades de Nalut e Jadu em uma tentativa de expulsar as forças leais ao líder Muammar Gaddafi do sopé da montanha Nafusa. Por volta do meio-dia local, os rebeldes haviam tomado e perdido, logo em seguida, a cidade de al-Jawsh.
No último domingo, a rede Globo de televisão – cuja cobertura na Líbia tem se limitado a reproduzir as agências internacionais – mostrou imagens que um líbio radicado no Brasil, vivendo na cidade de Goiânia, fez em visita à Benghazi. Ele afirmou que esteve na cidade visitando familiares e acabou testemunhando o “momento exato em que os conflitos começaram”.
No entanto, apesar da narração em off que procura descrever os “horrores da guerra na Líbia”, nenhuma das imagens mostra de fato qualquer ataque direto das tropas de Gaddafi contra os rebeldes. Não há imagens, pelo menos nessas que foram mostradas no programa “Fantástico”, de soldados líbios atacando, atirando ou batendo em cidadãos. Em sua maioria, aparecem homens correndo, gritando e atirando para cima com pesadas armas instaladas em caminhonetes como se pode ver nas imagens da própria reportagem.
A narração das imagens é tendenciosa, como sempre fizeram com a questão Palestina, com a guerra no Afeganistão, com a invasão do Iraque e suas “armas de destruição em massa” que jamais existiram. Observem a cena em que a repórter narra que um “soldado líbio obriga um rebelde a gritar o nome de Gaddafi e depois ouvem-se tiros”. Onde está o soldado, ele é o que segura a câmera?
As cenas podem realmente ser de conflitos diretos entre rebeldes e tropas de Gaddafi (ainda que os soldados líbios não apareçam em nenhum momento, exceto quando filmados caminhando nas ruas de Misrata), mas também podem ser de conflitos entre as próprias tribos rebeldes, ou entre rebeldes e cidadãos que são contra as atrocidades que vem ocorrendo em Benghazi.
O cidadão líbio que cedeu as imagens afirmou que o “povo líbio vive na pobreza”, o mesmo povo líbio que possui a maior renda per capita de todo o continente africano, dados confirmados por organizações internacionais, inclusive a ONU. Os motivos podem ser legítimos, mas com certeza não são esses.
Vai ficando cada vez mais claro o erro da mídia ocidental e dos países que escolheram um dos lados dessa guerra. A história humana vem mostrando que isso sempre dá errado.
Relatório recente da Anistia Internacional afirmou não ter encontrado evidências das acusações que constam no Tribunal Penal Internacional contra a Líbia e Muammar Gaddafi. Pior, a mesma Anistia Internacional afirmou que encontrou evidencias de que os rebeldes em Benghazi estavam matando seus compatriotas quando estes não aderiam à guerra. Famílias denunciaram os abusos aos repórteres estrangeiros hospedados nos luxuosos hotéis oferecidos à imprensa para a cobertura da guerra na Líbia, mas sobre isso, a mídia se calou.
O jornalismo e os jornalistas acreditam que não têm culpa alguma nisso tudo, mas é bom começarem a assumir sua cota de responsabilidade agora que muitas cortinas estão se levantando.
Com informações da Al JazeeraRussiaTodayMathaba e agências

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Rússia deplora apoio do Ocidente aos rebeldes líbios



Moscou - O chanceler russo, Serguei Lavrov, criticou a postura dos Estados Unidos e de outros países do Ocidente em relação ao reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) de rebeldes líbios. A Rússia reconhece o conselho como interlocutor nas negociações, mas não como representante legítimo do povo líbio, esclareceu Lavrov durante uma coletiva de imprensa.
O chefe da diplomacia russa pronunciou-se à raiz da recente reunião do grupo de contato internacional sobre a Líbia, no que a União Européia e Estados Unidos expressaram um tácito respaldo aos líderes rebeldes.
"Trata-se de reconhecer o CNT como único representante legítimo do povo líbio, não compartilhamos essa postura", destacou o chanceler de forma enfática.
Lavrov considerou que com tais posições, os países estão tomando parte no conflito com o isolamento de uma das forças implicadas, neste caso o líder Muammar Kadafi.
Lavrov sugeriu outorgar uma liderança à União Africana nas conversas com vistas à conformação de um executivo de transição com o diálogo multilateral entre as forças políticas no país.
Moscou, cujo governo se absteve na resolução do Conselho de Segurança que deu luz verde à agressão em 19 de março passado, tem criticado a missão militar da OTAN contra a Líbia ao amparo da ONU e ao grupo de mediadores internacionais.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ratificou o reconhecimento dos Estados Unidos ao conselho rebelde.
Fonte: Prensa Latina

terça-feira, 19 de julho de 2011

Rússia condena apoio do Ocidente aos rebeldes líbios

Prensa Latina


Moscou – O chanceler russo, Serguei Lavrov, criticou a postura dos Estados Unidos e de outros países do Ocidente em relação ao reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) de rebeldes líbios. A Rússia reconhece o conselho como interlocutor nas negociações, mas não como representante legítimo do povo líbio, esclareceu Lavrov durante uma coletiva de imprensa.
O chefe da diplomacia russa pronunciou-se à raiz da recente reunião do grupo de contato internacional sobre a Líbia, no que a União Européia e Estados Unidos expressaram um tácito respaldo aos líderes rebeldes.
“Trata-se de reconhecer o CNT como único representante legítimo do povo líbio, não compartilhamos essa postura”, destacou o chanceler de forma enfática.
Lavrov considerou que com tais posições, os países estão tomando parte no conflito com o isolamento de uma das forças implicadas, neste caso o líder Muammar Kadafi.
Lavrov sugeriu outorgar uma liderança à União Africana nas conversas com vistas à conformação de um executivo de transição com o diálogo multilateral entre as forças políticas no país.
Moscou, cujo governo se absteve na resolução do Conselho de Segurança que deu luz verde à agressão em 19 de março passado, tem criticado a missão militar da OTAN contra a Líbia ao amparo da ONU e ao grupo de mediadores internacionais.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ratificou o reconhecimento dos Estados Unidos ao conselho rebelde.
Fonte: Prensa Latina

quinta-feira, 7 de julho de 2011

África

Os conflitos que ocorrem na África de hoje se desencadeiam em inúmeros propósitos, dentre eles, o de permitir que a África Subsaariana não consiga jamais se livrar de sua situação absolutamente desesperadora. 

A região é a única no mundo onde o número de pessoas vivendo sob extrema pobreza, com menos de US$ 1 ao dia, quase que dobrou entre o início dos anos 80 e o ano 2000.

São 47 países, dentre eles a Uganda, a Etiópia e o Quênia, próximos ao "chifre" do continente, e que agora são alvos de conflitos tão intensos que estão provocando uma das maiores migrações em massa, sem que o mundo perceba. Mesmo com nossa imensa integração produzida pela rede mundial de computadores. As pessoas parecem não se importar. A mídia não acha que isso é notícia. 

E onde está o Nobel da Paz, negro, do país mais poderoso do mundo que, ao invés de promover a guerra deveria estar colaborando para uma solução definitiva para isto?

A foto abaixo, é de 1980, um missionário segura a mão de uma criança faminta de Uganda. O inacreditável é a atualidade da foto, é que até agora sejamos testemunhas dessa mesma tragédia. E que a maioria pense que não pode fazer nada e durma tranquilamente com isso.



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